Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Quem quer e Porquê o Fim do PCP?

“Confesso que me espanta tanta certeza e tanto futurismo, sabendo como o meu amigo sabe, que já foi decretado o fim desse partido sei lá quantas vezes, isto sem contar com esta sua, sendo também curioso que tais sentenças, motivadas por conceitos que até parecem que não querem que tal venha a acontecer, que até parecem preocupadíssimos com o desaparecimento deste partido político, fazendo crer que o mesmo se fortaleceria se seguisse um determinado caminho, não aquele que os próprios acham ser o correto, mas um caminho que aqueles outros entendem que deveria ser. Olhe, mesmo agora me lembrei dos partidos comunistas da Itália e da França, veja o que lhes aconteceu com as cedências que fizeram, ficaram tão modernos tão modernos que desapareceram, ou quase.” Este meu camarada, no contexto da Esquerda, não no contexto partidário, evidentemente, entende, ao que parece, que estou a ser cínico quando, em texto anterior, me preocupei com o que poderia acontecer ao PCP, na sequencia de uma crise que encaminhasse Portugal para uma situação não democrática, um cenário que decidi desenvolver…. É o seu direito achar tal, mesmo que não seja verdade. De certa forma, este meu camarada está a achar que, no fundo, bem lá no fundo, era o que eu desejava – o fim do PCP. Como tive o azar de ter de aturar o totalitarismo em dois países que amo, Angola e Portugal, luso angolano que sou, e de ter sido preso nos dois, a última coisa, mas é mesmo a última coisa que desejo a alguém, é que o que aconteceu regresse, em Angola ou em Portugal, com as mesmas ou outras roupagens. Até porque sou pai de dois filhos e, já, felizmente, avô de uma belíssima netinha, pelo que é a ultima coisa que quero é que eles vivam as tretas que tive de aturar! Na verdade, os combates que tivemos de fazer, nós os das gerações antigas, não precisam de ser repetidos – foram feitos, ponto final! E entendo que os mesmos combates, que tiveram de ser feitos, foram um azar termos de os aturar e não uma sorte! Hoje vemos na comunicação social a Direita, uma parte importante dela, toda satisfeita, com a ideia de funcionar o Bloco Tesoura, para que uma moção de censura afaste o PS do governo. Note-se que é um direito que lhes assiste, ao PCP e ao PSD, o de aplicarem o Bloco Tesoura. Resta saber o que virá do mesmo e foi um dos possíveis cenários, o que descrevi no meu anterior texto, o de surgir o risco de uma Ditadura. Basta ver o aproveitamento político de alguma Direita fascizante, e de uma campanha meio ridícula que tem como titulo, “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, anda a fazer e de onde posso retirar também, textos como, “A CADEIA ALIMENTAR. No topo da cadeia alimentar de Portugal estão as EDP, PT e demais operadoras móveis, a EDP, o sistema judicial (grandes escritórios de advocacia), as autarquias e empresas de construção associadas, as BRISAS e MINI BRISAS - como agentes daquelas, os agentes do IV poder e seus associados (ZON, MEO…), sendo o grande rei da selva a BANCA e Seguros e seus agentes. Estes grandes predadores alimentam-se de todos nós e são a base sólida da corrupção e da troca de influências. No 2º nível da cadeia, estão os médicos (no paralelo ao sistema de saúde existente), ai de quem precise deles… como alimentam em grande o sistema, cobram e se cobram… No 3º nível temos os grandes reformados do estado (classe política, entre eles), aqueles que têm pensões acumuladas de € 100.000,00 / ano, motorista e gabinete vitalício nos melhores escritórios de Lisboa. No 4º nível estão os quadros das PME e das multinacionais, os quadros superiores do Estado e alguns comerciantes de sucesso. No 5º nível estão os desenrascados, sapateiros, canalizadores, aqueles que têm de roubar porque foram roubados pelos de cima No 6º nível estão os funcionários públicos, que fazem parte do sistema, porque o sistema é assim. No 7º nível estão os que vão ao “circo” ( pão e circo como na velha Roma).” Como se vê pelo texto, se o descodificarmos, há que limpar quase toda a gente, adicionem todos os seis níveis, excepto “os que vão ao circo”, como ele(s) dizem, porque alguém tem de restar enfim! Enfim, quem defende esta idiotice defende, de facto, uma Ditadura, para que dela nasça, ou renasça, a outra classe política, a tal perfeita, sem pecado! A tal classe política que nunca existirá, porque impossível de existir, porque somos todos seres humanos, por isso inatamente imperfeitos. Reafirmo o direito do PCP fazer as alianças que entender, mas reafirmo que a partir do momento em que Jerónimo de Sousa e o seu acólito deputado, (claro o que levou com os corninhos de Manuel Pinho, e bem), fizeram as declarações que entenderam fazer, passou a surgir, à Esquerda, uma nova clivagem e uma grave clivagem. Nem todos aceitam a ideia do vale tudo em política, mas o PCP passou a enquadrar-se entre os que entendem que vale tudo, o que passou assim a suceder em todos os Partidos da Esquerda em Portugal. Por mim, diga-se, o problema não está na possível coligação Bloco Tesoura. Como o referi o PS já a tentou concretizar contra o PSD, aliando-se ao CDS. O problema está na ideia que está por detrás do Bloco Tesoura do PCP – a de que cerca de 2% do eleitorado podem impor a queda de um governo, seja ela qual for. Porque esse é o eleitorado que hoje está por detrás da actual Direcção do PCP, goste ela ou não de tal. E foi a Direcção do PCP que fez o percurso que a levou a esses cerca de 2%, sem empurrão de ninguém, bem pelo contrário! E recordo aqui o que referi quanto aos resultados eleitorais sobre a Presidência da República, cabe a todos, e portanto ao PCP também, o assumir a gravidade do mais que elevado absentismo eleitoral, na sua prática política e das implicações que tal pode ter para a Democracia! E não é o que a actual Direcção do PCP está a fazer, com estas ultimas posições politicas que está, teimosamente, a assumir. Mais do que sectarismo, o que a actual Direcção do PCP está a fazer é a procurar esconder o sol com a peneira, isto é, a esconder que errou, que a sua estratégia de não apoiar nada que viesse com a assinatura do PS, falhou rotundamente. Tendo feito com tal falhar toda a Esquerda! Por mais nada que não seja estar neste momento somente com cerca de 2% do eleitorado. Isto é, somente cerca de 2% do eleitorado apoia a sua estratégia política! Sendo tal da sua inteira responsabilidade, pelo que o argumento persecutório, não tem razão. Como aliás ninguém, senão o PCF e o PCI, foram responsáveis pelo que lhes sucedeu, entre vastas historietas que os que acompanham a Esquerda conhecem, bem ao contrário do que sucede por exemplo com o PC do Brasil! Que está na mesma coligação eleitoral com o Santana Lopes brasileiro, sem estes ridículos traumas que, como se vê, o PCP já não tem, pois está mais que interessado no Bloco Tesoura com o PSD, seguindo pois o mais burguês dos parlamentarismos! O que, repito, é do seu direito, mas fazendo-o, deverá deixar de incomodar os outros com moralismos… E, mais, cabe ao PCP, e a mais ninguém, decidir como vai acabar.
publicado por JoffreJustino às 17:24
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

O Bloco Tesoura e a Presidência da República

O Bloco Tesoura nao é um conceito operacional novo na vivencia política portuguesa. Ele foi ensaiado pela primeira vez com o Governo PS/CDS e tinha como objectivo, também, ainda que não só, originar o desagregar do então PPD, gerando uma nova tecitura política em Portugal, com um CDS forte, à Direita, e um PS forte, ao Centro Esquerda, dado que o PCP se mostrava, na Esquerda, um reduto difícil de bater… Como sabemos este ensaio foi um total fracasso, tendo sido, não só mas em muito, razão para a vitória da AD em 1979. Sou dos que entende que estamos a assistir a um novo ensaio para a criação de um novo Bloco Tesoura, agora numa aparente coligação de interesses PSD/PCP, para desagregar agora o PS. Cabe-me o direito, feito da experiencia vivida enquanto autarca de uma Junta de Freguesia, de colocar em reflexão as possíveis consequências deste novo Bloco Tesoura, PSD/PCP, onde o patrocínio da Presidência da República é visto, por alguns, como essencial, para acontecer. Note-se que um assessor da PR, e bem, saiu a terreiro em defesa do PR, em face dos resultados eleitorais por ele obtidos e das leituras que os mesmos têm originado. Claro que nao concordo com o escrito no Expresso e, como o texto em causa merece uma alargada reflexão, opto por avançar a quente, aqui integrada no contexto desta tese sobre o novo Bloco Tesoura.. Já o disse, já o escrevi - o elevado absentismo, à Direita e à Esquerda, que leva a que o actual PR seja eleito com 23% dos votantes a seu favor, e com o segundo candidato mais votado com cerca de 9%, é de extrema gravidade, não somente para o PR eleito, mas para o Regime Democrático. É somente neste contexto que entendo que a Presidência da República, mas também todos as instituições políticas, devam passar a gerir (e a gerirem-se), com extrema cautela, a actual situação. Em nome da estabilidade da Democracia. Reafirmo também que sou dos que entende que vivemos um momento de crise especial, porque global, porque demonstrativa da frágil ganância do seu elemento motor até ao momento, o sector financeiro, porque gerado numa economia largamente integrada, mas selvaticamente desregulada. Mas também porque inserido num momento de significativa conflitualidade, já não de ideologias, mas de religiões, parte especifica das ideologias, em parte significativa do Planeta, conflito em volta do qual a Democracia nasce, mas também treme, porque obrigatoriamente laica e Tolerante. E, ainda, porque vivemos um tempo em que os Ricos do Planeta se confrontam com as Misérias e os Novos Miseráveis do mesmo, os verdadeiros Novos Proletários, Misérias geradas nos últimos 200 anos, o tempo da anterior fase globalizante, a Revolução Industrial, de domínio anglo saxonico. É uma Crise complexa esta, e nela já houve quem dissesse que o paradigma central da mesma seria o das Incertezas! Oras as Incertezas nunca foram motivadoras em si, pelo que ou assumimos uma resposta aos temores gerados pelas Incertezas, ou arriscamo-nos a gerar crescentes desencantos nas Democracias e a alimentar, nas partes Miseráveis do Planeta, as próximas, religiosas e sectárias ditaduras e o agravar dos Conflitos Civilizacionais. É neste contexto que teremos de analisar este novo ensaio de mais um Bloco Tesoura. Como vimos não sou dos que entendem que o mesmo é original, nem pecaminoso em si, pois o PS já o incentivou, com resultados como disse, para ele desastrosos! Mas deixo-vos a seguir um cenário possível, um dos muitos, tendo em conta a realidade hoje vivida. Dir-me-ão que o absentismo e algo natural nas Democracias. Não é verdade, pois é de facto algo particularmente pernicioso para as mesmas, e estes últimos anos são de tal prova, com o particular exemplo das vitórias Bush, baseadas no absentismo e ao mesmo tempo numa votação militantemente religiosa e fanática – para a defesa de interesses escusos nasceram, por anos a fio, guerras inúteis, violências generalizadas, apoio das Democracias a Ditadores ou a "democracias autoritárias" , ( não me escondo e assumo aqui o apoio lamentavelmente dramático da petroleira família Bush ao MPLA de José Eduardo dos Santos, e claro, não a todo o MPLA). Factos que começaram a limitar-se com o crescimento da participação eleitoral, nos EUA, com o surgimento da esperança Obama e e nestes últimos meses, com as circunstâncias que vieram gerar outro tipo de novos movimentos em parte importante no segmento Miserável do Planeta, como temos visto ultimamente. E mesmo assim movimentos de razoável inconstancia. É neste contexto que Portugal vive a sua crise, com uma instituição eleitoralmente fragilizada, a PR, um governo minoritário, e com um AR fortemente dividida e sectariamente enquistada. Eis porque me tenho esforçado a apelar ao bom senso, à negociação e, em particular, à existência de governos de salvação nacional. Pois a leitura da realidade não me mostra a existência de uma qualquer revolução à vista, mas sim a visão de múltiplas contra revoluções, antidemocráticas, a nascerem…. Como sabemos nao sou único, nem o mais importante, dos que fazem estes apelos mas os resultados, todos o temos visto, têm sido insignificantes. Pior que isso. O que se tem assistido é a um acréscimo de sectarismo, à Direita e à Esquerda, com uma parte da Direita, da religiosa, um segmento pelo menos da Opus Dei, a empurrar o seu eleitorado ao absentismo, e uma parte da Esquerda, o PCP, a alimentar o puro divisionismo ideológico aparelhista, como se viu nas Presidenciais. Ambos na verdade, conscientemente ou inconscientemente, (vamos acreditar que seja na segunda hipótese), a procurar desintegrar a Democracia. Desacreditando-a. Numa fase em que algo semelhante sucede no campo planetário dos Miseráveis, mas aí somente por via da actividade do segmento religioso islâmico. Pois, aí, o segmento ideológico sectário de Esquerda já foi anulado, como vimos suceder com a OLP destruída e passada pelas armas, pelos islâmicos do Hamas. A lógica anticapitalista, antidimitroviana, de um sector importante do PCP, tem-se desenrolado, note-se, com um sentido estratégico impressionante. Começou no período eleitoral pós 2005, com alguns ensaios autárquicos, onde o PCP se coligou ao PSD, para derrotar o PS . Sempre com resultados bons para esta estratégia note-se, deixada passar em branco à Esquerda, como se nada fosse… No pós 2009, essa mancha coligatória espúria alargou se, e ganhou o cimento que justifica a recusa comunista em apoiar Manuel Alegre, e mais, em considerar as ultimas eleições presidenciais como tendo sido uma vitória do PCP, mesmo tendo este partido tido o pior resultado de sempre. Jerónimo de Sousa deu, entretanto o mote - alargar o Bloco Tesoura à AR, com uma moção de censura ao governo, que imponha a vitoria deste Bloco Tesoura sobre a governação minoritária socialista. Há que criticar este grave erro, de uma parte da Direcção comunista, pondo em reflexão, à Esquerda, o que será ou uma governação neo liberal, ou uma governação de sistemática instabilidade, neste momento de crise interna e global e num país endividado e económica e socialmente fragilizado. Porque nao será a derrocada do capitalismo a que se assistirá, mas sim à derrocada do nosso regime democráticos e tolerante, substituído, a prazo e após as sistemáticas fragilidades governativas que se sucederão, por regimes sectários, autoritários, e totalitários, prontos para uma guerra civilizacional entre islamismo e cristianismo. E onde acontecerá ao PCP o que sucedeu a OLP - o dramático desaparecimento pela passagem das armas.
publicado por JoffreJustino às 17:32
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Combate por Manuel Alegre (por uma outra Esquerda, a da "populaça socialista", segundo Polido Valente, em o Publico, onde me incluo, claro! )

Uma Nota Introdutória, Francisco Anacleto Louçã continua, vê-se pelo seu texto recente bem propalado na comunicação social, a sua errada senda de querer liderar a Esquerda. Errada nao por nao ter direito a esse sonho - sonhar é sempre bom e é um direito que nos assiste- mas pela forma como se apresenta na busca dessa liderança, e pelo ideário que projecta e assume como seu – um Eu contra e um eu contra dentro da Esquerda, eis como se quer afirmar Francisco Anacleto Louçã. Desta feita inventando um novo, e mais aceitável reconheço, conceito, que o habitual - o da direita Socialista contra quem ele está, claro. E, claro, a direita Socialista seria segundo este dirigente do BE, toda ala do PS que se opôs à candidatura de Manuel Alegre, nestas Presidenciais. Erro crasso este, pois a candidatura de Manuel Alegre teve a oposição de alas varias socialistas, desde aquela que vem de um vago e católico guterrismo, aos republicanos laicos e solidários soaristas. Mas teve Manuel Alegre, também, o apoio de outras tantas alas socialistas, onde esteve bem presente Jose Sócrates, ou Antonio Costa....o que Francisco Anacleto Louçã menospreza… Já critiquei o erro cometido por essas alas, que ou se afastaram ou dissidiram neste combate para apoiar a candidatura de Manuel Alegre, em texto anterior, pelo que poupo nova abordagem ao tema. No entanto, o seu a seu dono, e nada de batotas quanto a querer confundir opções existentes no PS, há anos! Há mais anos dos que o BE tem enquanto tentativa de afirmação de uma dita ala na via de uma Esquerda Socialista. Éramos muitos de nós, ainda, ou maoístas ou trotskistas, e já Mario Soares era um Socialista laico republicano e solidário, e nada como respeitar o seu a seu dono! E digo tal sem qualquer complexo - vivemos somente percursos e gerações diferentes, mas encontramos o tempo e o momento da Unidade, antes de outros, sendo que não negamos os nossos outros percursos, tão diferentes dos de Mário Soares. Momento de unidade que, para mim, significou muita reflexão, iniciada antes de ter conhecido quem merece aqui uma homenagem, por ter aberto um campo para a Esquerda Socialista - o casal Fernanda e Antonio Lopes Cardoso que criaram a Fraternidade Operaria e depois a UEDS, a União de Esquerda para a Democracia Socialista. Onde conheci Camilo Mortagua, Kalidas Barreto, Fernando Pereira Marques, Zaluar Basílio, e me reencontrei militantemente com Isabel Pereira de Moura, e conheci Antonio Eloi, Helena Bravo, Joaquim Jose Leitao, Julio César Reis, e tantas e tantos outros que se esforçaram por criar um espaço da Esquerda Socialista, autogestionaria e ecologista radical, bem antes do BE ser sequer sonhado. Mas onde conheci também, tenho de o relevar, Antonio Vitorino, empurrado por Francisco Anacleto Louçã, com alguma razão, já para a altura,. para a direita Socialista. Ainda a UDP era a UDP e o PSR o PSR. Recordando outro texto, de Polido Valente, confesso-me parte da "populaça socialista", desde quando nem era ainda militante PS, para onde entrei pelas mãos de Antonio Janeiro e Mario Soares, nomes que me dão orgulho em ser Socialista. Envolventes Politicas Necessárias, Mas o que está em jogo não são nem siglas, nem somente pessoas e seus passados ou presentes . São mais Valores e Propostas políticas. Acreditando nas Pessoas, enquanto tal, individualmente, uma Esquerda Socialista nao segue a via esquerdizante, populista, de Chavez, que se procura impor pelo Poder via controlo do Estado. Segue, pelo contrário, a via da persuasão e, claro, do voto secreto, directo e universal. Nao segue portanto, a via de vagas e irrequietas assembleias locais, mas nao só nao as teme, como as incentiva, dinamizando a participação associativa e comunitária, mas reconhecendo a existência de uma Assembleia Política Legislativa, única, de um Executivo, único, e de órgãos judiciais, autónomos, de preferência eleitos como os anteriores. Nao se revê numa economia de marajás, experts, feitos gestores públicos dos bens públicos, por sapientes, mas sim numa economia de mercado, onde, pontualmente, o Estado pode deve intervir, mas onde a mudança socialista está na dinamização das cooperativas, na autogestão, no associativismo, na participação na gestão das empresas, no incentivo á responsabilidade social das organizações, no incentivar os sindicatos e a liberdade sindical, nas comissões de trabalhadores. É certo, sabemo-lo, que a tessitura organizacional em Portugal, no sector empresarial, se tem reduzido e, sobretudo, se tem limitado a menos sectores de actividade, perdido o império colonial e integrada a economia na União Europeia, o que fragiliza o grau de empregabilidade em Portugal . Como é certo que a mesma tecitura se reduziu na agricultura, em especial também por causa da errada negociação na adesão á CEE ao tempo do consulado de Cavaco Silva. Concentrando-se a tessitura empresarial, ela cresceu, nos serviços mais que no comércio, e no turismo. O que fragilizou a tipologia de qualificações necessárias em Portugal, ao mesmo tempo que facilitou diga-se, embaratecendo-a, e embaratecendo as políticas governamentais de qualificação escolar e profissional, agora, desde a governação de Sócrates, e bem, no contexto da Iniciativa Novas Oportunidades . Mas, em geral, e dadas as fragilidades acima, a competitividade portuguesa no mundo reduziu se, com implicações crescentes desde 1986. Por isso também, por essas fragilidades, há que, na economia e na apropriação privada, definir limites que protejam as pessoas e mesmo as organizações. Nao somente por razões de justica social, mas por razões de sustentabilidade económica . Por razões equiparadas aconteceu o fim do esclavagismo, assim como de outras servidões, Como há que proteger os solos, os recursos naturais, o Ambiente, e regular a sua utilização, no seu todo, em especial em nome de gerações futuras saudáveis e com direito a um Planeta não destruído e não somente por bondade. Eis porque o Estado tem de intervir, eis porque estruturas supra estatais, como a ONU, ou a UE, têm de intervir, regulamentado actividades económicas e os seus impactos. E Mais, Não somos todos o mesmo, somos pessoas diferentes, com os mesmos direitos e deveres, mas diferentes, não podendo limitar-se nem uns, nem outros, em nome da sobrevivência e de uma sã comunidade. Sendo diferentes, há que proteger a diversidade, do genero e as especificidades sexuais no mútuo respeito a essa diversidade, impedindo todo o tipo de autoritarismos relacionais. Sendo diferentes nos Valores, há que reconhecer o carácter imperioso do Ensino publico, por universal, mas também o direito a um Ensino diverso, por comunidades de Valores, e de Culturas, e não pelo mero interesse, e porque o Saber é feito de diversidades e do respeito por elas. Como há, claro, que gerar o respeito à Saúde, á Habitação, a um Bem Estar mínimo, e à segurança, na Velhice, na doença. na protecção face às intempéries. Uma Outra Visão do Estado, Mas há compromissos sociais a criar perante a comunidade, e porque somos diferentes, e pensamos diferentemente, com Valores diferentes, as comunidades de Pessoas baseiam-se, cada vez mais, no compromisso atingido via a negociação de ideias e propostas, que nas imposições de uns sobre os outros. è de onde saem os Estados e os Governos. Que terão iniciativas, que nunca serão o que eu penso e desejo que seja a governação ideal, mas sim o resultado do compromisso que acordei integrar. Eis também o que é e para que serve um partido político hoje - para organizar e gerar esses compromissos. Eis o que são o PS o PCP e o BE como claro o PSD e o CDS. E também, na especificidade presidencial, a candidatura de Manuel Alegre. Que, como sabemos, foi derrotada nas eleições menos participadas do Portugal democrático desta Republica, onde o vencedor foi o menos votado de todos os Presidentes desde o 25 de Abril. Por isso houve quem já tivesse posto em causa a sua eleição, havendo quem ache que tamanha taxa de absentismo obrigaria uma segunda volta. O que nao será muito adequado mas que deveria limitar a acção presidencial sequente a estas eleições, dado o limite da sua representatividade eleitoral. O bom senso obrigaria a tal. A Divisão à Esquerda, Mas convém dizer que uma derrota não se transforma, pelo simples desejo, numa vitória e é e será sempre uma derrota. Ao contrário do que imagina Francisco Anacleto Louçã. Ate porque a Esquerda, toda ela, nas suas várias facções, PS, PCP, BE, e respectivos sub grupos, e outros, originou menos votos no somatório dos varios candidatos, que a Direita, sendo que esta apresentou também uma brutal perca de votos, mostrando-se também bastante fragilizada, nas divisões geradas em volta de temáticas como a IVG e os Direitos face aos Géneros diversos, como grupos como a Opus Dei a apelarem à abstenção. Realidade que os tais sociólogos e politólogos se tem esforçado por fazer esquecer. Pois se Cavaco foi eleito por 23%, baixíssima votação, do eleitorado, Manuel Alegre teve cerca de 9% do eleitorado, somente, o que empurra esta Presidência da República para uma baixíssima e perigosa representatividade. Dramática democraticidade em quebra, que tanto fragiliza a Democracia, e o compromisso social que elegeu o actual PR. Eu fiz o combate por Manuel Alegre, contando com a vantagem que seria para a reformulação da Esquerda, a sua vitória eleitoral. O absentismo eleitoral, entretanto, à Esquerda, mostra que algo de negativo aconteceu para que o mesmo fosse possível. E é absurdo imaginar que umas declarações pontuais, deste ou daquele, estejam na raiz deste absentismo. Ou que tudo se resumiu ao descontentamento face a políticas governativas, pois o descalabro bateu, e fortemente, à porta do PCP, um acérrimo critico do PS e do primeiro ministro Sócrates. Como não se pode dizer que a divisão à Esquerda seja a razão do absentismo, pois tal divisão já aconteceu sem gerar este descalabro. Embora tenha realmente ajudado bastante. Na verdade, o que sucedeu foi termos, todos, ficado presos nos nossos cantinhos e, em cada um deles, fizemos a nossa campanha de forma dispersa e sem termos sido capazes de, em conjunto, assumirmos a diversidade havida nos apoiantes da campanha de Manuel Alegre. Basta recordar o pouco que vi na campanha da Dilma, no Brasil, para exemplificar como a aceitação da diversidade gera motivação, alegria, empenho e, claro, vitória. O que sucedeu é que fizemos, todos os que lá estiveram, uma campanha por Manuel Alegre, mas não com Manuel Alegre. Nao houve um compromisso positivo, mas tão so um compromisso onde nos fomos anulando entre nós, a ponto de anularmos as virtualidades do próprio Manuel Alegre. Porque não alinhamos com um programa, onde tivéssemos os nossos mínimos mais os dos outros, alinhamos sim com o mínimo dos nossos mínimos. O quase nada que nos perdeu enfim, pois não mostramos nada de novo aos Cidadãos, já de si também cansados de nós. Por isso perdemos. Mas, recordo mais uma vez, perdemos também todos os que desejam a Democracia, de Cavaco Silva a Defensor de Moura, passando claro por um inovador JM Coelho, que trouxe a alegria de ver o jardim da Madeira ser derrotado no Funchal. Porque as Pessoas mostraram como estão cansados de todos nós os que agem na vida política tal deve merecer-nos larga, atenta, e humilde reflexão. E o Congresso do PS, Ora vai haver em breve mais um Congresso do PS. O que desejava era ver o PS a debater que política urge para reganhar as pessoas à participação, eleitoral, social, cultural. Porque sou dos que assume que o compromisso que é a governação Sócrates, fortemente reformista, se tem mostrado positiva. Positiva mas pouco motivadora. As reformas efectivadas na Administração central e na sua relação com os cidadãos, foram positivas , a dinamizacao gerada na economia com o plano tecnológico, foi também positiva, ou as dinamizações geradas nas estratégias para sectores específicos, como o Turismo, as reformas quase que autoritariamente impostas no sistema educativo, melhor , gerando o sistema novo que é o da qualificação escolar e profissional, foram altamente positivas, como foram positivas as alterações regulamentares com a IVG, ou o casamento entre pessoas do mesmo género. Mas falhou a motivação das pessoas e das instituições, sendo que parte de tal aconteceu com o reforço do que chamo de "marajaismo", e a entrega da economia social a mais "marajaiquista" das instituições em Portugal - a igreja católica. Diria que será essencial afastar uma parte do poder entregue a “especialistas” e re entrega-lo a nao especialistas, mas que vivem, mexem, agitam, fazem mover o terreno económico e social, os militantes socialistas, os leaderes de opinião socialistas, enfim a tal populaça onde me encontro, segundo Polido Valente, um popular sem nome. Integrando a expertise "técnica" com a expertise "sócio política", gerando assim uma mais fácil adesão às reformas essenciais no pais, integrando-as no processo de mudança social, será mais fácil continuar-se o plano reformista que este governo tem implementado. Mas claro, nao basta este movimento para o diálogo, a participação, e o empenho na defesa e divulgação de medidas. Há que assumir que as medidas reformistas e modernizadoras exigem um complemento na vertente da inserção e da qualificação escolar e profissional, que permita o cimentar das mesmas medidas. Pois é preciso quem, qualificado, implemente as reformas, como é preciso requalificar quem "perdeu" com as reformas. Por outro lado, há que inovar para além do aspecto tecnológico, olhando as raízes distintivas do território e ambiente, mas também das pessoas e sua história, o que pouco se tem feito na verdade. No espaço urbano com história, mostra se insustentável o desleixar de medidas que reforcem a relação da pessoa com o mesmo. É essencial por fim à especulação imobiliaria de bancas e seguradoras que, tende a destruir uma arquitectura tradicional, agora por via do deixar a fachada e matar o interior edificado. Aqui, nesta matéria, só posso cumprimentar, lamento se afecto quem teme a movimentação social e se possa ofender, um movimento que está no terreno, via anarquistas os okupas e os jovens BE, que vão recordando com ocupações e pichagens, dizendo “aqui podiam viver Pessoas!”, a especulação imobiliária escandalosa na Baixa lisboeta e um pouco por todo o lado. Porque, desfeando o ambiente urbano, esta especulação é um desastre para o Turismo e para as actividades culturais. E, na verdade, a propriedade privada tem o limite da não destruição do adquirido histórico e cultural, pelo que se torna insustentável a falta de medidas em defesa desse mesmo adquirido no contexto urbano e não só! Como, aliás no contexto da defesa e da promoção cultural, intelectual , e turística, do património, construído ou imaterial, também há que relevar a falta de medidas adequadas, apesar dos passos já dados, por falta de atenção e de primazia para este sector. O curioso é que a necessidade de crescimento, de sectores como a construção civil, ou o turismo, deveriam relevar a necessidade de surgirem medidas e incentivos que travassem o facilitismo na abordagem das necessidades, e verdadeiras janelas de oportunidade, acima referidas - as hoje tão faladas mini obras de recuperação urbana. Finalmente, há que recordar um positivo elemento da campanha de Cavaco Silva, a defesa do Mar enquanto espaço de crescimento português, nos planos “territorial” e económico, o que foi importante na sua campanha eleitoral! Trata se de um tema forte no imaginário português, que nao pode ser negligenciado, pelas suas consequências ambientais económicas, sociais e culturais. Como há todo um problema de protecção da paisagem natural, agrícola ou florestal, a desenvolver, sem esquecer a premente necessidade de redinamizar o ambiente social cultural e transformador do espaço rural . No plano da actividade económica, relevando as recentes medidas governamentais de apoio à economia social, reconhece-se a necessidade do incentivo cultural à mesma, o que no contexto actual, ou e feito pelas forcas políticas de Esquerda, ou se assistirá ao definitivo predomínio das lógicas assistencialistas e caritativistas neste segmento de actividade, dominado que está pelas pessoas que se orientam pelas filosofias da igreja católica. Cabe ao PS o dinamizar uma filosofia insercionista e solidária, no contexto da economia social, retomando as raízes do seu quadro de ideias, bem expresso no programa fundacional do PS. Crente que sou que o Socialismo nao se decreta, em sequência a uma qualquer revolução ou golpe de estado, mais ou menos popular, mas sim se constrói pelas actividades das e dos socialistas no terreno da economia, e da intervenção social, e cultural, há um elemento central de pedagogia a implementar no terreno da actividade política, e da intervenção económica, e social. O mais que requentado debate á volta das empresas publicas e da estatização da economia, faz regressar os debates à Esquerda, aos anos 60, e esquece o fracasso desse modelo estatizante e totalitário, por onde andou e ainda anda, embora cada vez menos . A intervenção do Estado na economia só se mostrou enquanto uma politica de esquerda, num confronto com a ala mais conservadora dos politólogos e economistas de direita, surgidos com Reagan e Tatcher, pois, antes dessa fase, tendo havido sempre empresas e actividades estatizadas, em modelos económicos nacionalo populistas e em modelos liberais, as mesmas eram criticadas pela Esquerda de então, porque estavam ao serviço de um Estado burguês. A intervenção do Estado é estritamente instrumental, e é somente neste contexto que pode ser entendida, (excepto claro para os já referidos marajás), enquanto elemento de modernização sócio económica, ou de contenção de circunstâncias criticas. É possivel numa economia de mercado, a desregulação? O 11de Setembro, a crise de 2008, a especulação com o euro, ou a recente greve espanhola dos controladores aéreos, mostram os resultados negativos da aplicação deste conceito, quando, como é usual, surge centrado na redução de custos, ou no selvático lucro imediato. A par ,a Regulamentacao exagerada conduz a experiências do tipo capitalismo de estado, dos países ditos de raiz soviética, e aos inerentes bloqueamentos que geraram a auto destruição do modelo. Por outro lado, a ideia fácil do meio termo nao é mais que isso - uma ideia fácil! Ora, é, mais uma vez, na negociação dos processos de regulamentação/desregulamentação, que decorrerão as políticas do Estado, no conflito entre Direita/Esquerda e no seio das próprias Esquerdas. E essa negociação não é uma ideia nem fácil, nem facilmente motivadora! Desde que não nos mantenhamos nas ja com muitas e caducas barbas das teses do estatizemos porque isso é que e ser de Esquerda, nem no privatizemos porque sim, isso é que é ser modernaço, iremos caminhando, se gerarmos, paralelamente, a outra economia, a hoje denominada economia social, mas fora dos poderes financeiros, religiosos e político populistas. Enfim, já nem o velho Fidel acredita que socialismo é igual a estatização. Só por cá é que uns tantos aparelhistas e marajáquistas é que vão cantando essa cantiga do ceguinho.... Mas sucede que a Regulamentação não pode ser nem somente nacional, nem somente europeia. Ela terá de ser transnacional, global. O que exige, de uma vez por todas, a reforma da mais global das Instituições, pela democratização da mesma, as Nações Unidas. Só uma Regulamentação transnacional travará os ímpetos dos sectores financeiros, todos eles já globais, ou das já mais que globalizadas antigas multinacionais e só essa Regulamentação impedirá as especulações selváticas que atacam a União Europeia e, claro, Portugal e o espaço de expressão portuguesa. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:13
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