Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

(8) Enquanto Laico e Republicano, Da morte do rei Carlos, … Mas Que Podia Eu Fazer?

“Minha Mãe vinha-me a contar como se passou
o descarrilamento na Casa Branca quando se
ouviu o primeiro tiro no meio do Terreiro do Paço,
mas que eu não ouvi. Era sem dúvida o sinal para
começar aquela monstruosidade. [...]
«Eu estava olhando para o lado da estátua de D. José
e vi um homem de barba preta com um grande gabão.
Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina.
Estava tão longe de pensar num horror destes que
disse para mim mesmo: «Que má brincadeira.»
O homem saiu do passeio e veio pôr-se atrás da
carruagem e começou a fazer fogo. [...] Logo
depois de o Buiça ter feito fogo (que eu não sei se
acertou) começou uma perfeita fuzilada como numa
batida às feras. [...] Saiu de baixo da arcada do Ministério
um outro homem que desfechou uns poucos de tiros à
queima-roupa sobre o meu pobre Pai. Uma das balas entrou
pelas costas e outra pela nuca, o que o matou instantaneamente.
[...] Depois disto não me lembro quase do resto: foi tão rápido!
Lembro-me perfeitamente de ver minha adorada e heróica Mãe
de pé na carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles
malvados animais: "Infames, infames."
«A confusão era enorme. [...] Vi o meu Irmão em pé dentro da carruagem
com uma pistola na mão. [...]
«De repente, já na rua do Arsenal, olhei para o meu queridíssimo Irmão.
Vi-o caído para o lado direito com uma ferida enorme na face esquerda, de
onde o sangue jorrava como de uma fonte. Tirei um lenço da algibeira para
ver se lhe estancava o sangue. Mas que podia eu fazer? O lenço ficou logo como
uma esponja. [...]
Eu também fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma pancada e
um pouco de uma chicotada. [...]”
in Diário do príncipe Manuel, retirado da Internet


(8) Enquanto Laico e Republicano, Da morte do rei Carlos, … Mas Que Podia Eu Fazer?


As versões sobre os antecedentes e o momento do Regicídio são inúmeras, e é difícil assumir qual a mais correcta.

De qualquer forma, é insofismável que o Regicídio está fortemente relacionado com a queda da Monarquia, com a revolução do 5 de Outubro de 1910, não por ter acontecido, mas sim porque a reacção havida em volta do Regicídio foi, espantosamente, muito fraca.

Assim, em vez de uma atitude de rejeição das mortes do rei e do príncipe, o que se viu, segundo não poucos e confirmado nas posteriores movimentações públicas, foi as Pessoas aderirem ao movimento de simpatia em volta das mortes de Alfredo Costa e Buiça.

Mais ainda, convém não esquecer o impacto internacional que terá tido este assassinato, tendo em conta que Portugal era, apesar de tudo um Império, que o mesmo fora significativamente reduzido por pressão militar do Reino Unido, como já vimos com o relato do Ultimatum de 1890, que tal redução gerara uma enorme contestação nacional e que a situação em Portugal era acompanhada com significativa atenção pelas nações europeias, até entendendo-se que pelas bandas do Reino Unido houvesse algum sentimento de responsabilidade pela contestação que o primo vivia…

Por outro lado, é bom assumir, autores como Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça, citado da internet, reflectem com alguma nota positiva a governação e em especial as relações diplomáticas deste rei Carlos, “O reinado de D. Carlos I foi marcado por uma série de sucessos políticos e diplomáticos. Não só o monarca português era admirado em terras estrangeiras, como era ouvido e consultado em ocasiões fulcrais.
As colónias foram pacificadas durante este reinado, o que causou espanto por parte de autoridades estrangeiras. Quando o Príncipe Real, D. Luís Filipe, fez a sua viagem às Províncias Ultramarinas, foi recebido vitoriosamente pelos súbditos portugueses, fossem eles de cor branca, fossem de cor negra Entre 1903 e 1905, passaram por Lisboa diversas cabeças coroadas europeias e chefes de Estado; em Abril de 1903, foi Eduardo VII de Inglaterra, a caminho da conferência com o seu sobrinho, o Kaiser. Em Dezembro seguinte, era a vez de Afonso XIII de Espanha, que esteve na capital e em Vila Viçosa. Durante o ano de 1905, vieram a Lisboa os Duques de Connaught (Janeiro), a Rainha Alexandra de Inglaterra e o Príncipe Carlos da Dinamarca (Março), o Kaiser Guilherme V da Alemanha (também em Março) e o Presidente da República Francesa, Loubet (Outubro). Foi o sucesso realizado da política diplomática do monarca português”, contrastando, de qualquer forma, com a opinião, generalizada, encontrada em muitos outros textos lidos sobre este rei Carlos, de republicanos ou não.

Mas a tendência dominante é, sem duvida, outra.
Assim, no site www.xiconhoca.com , site sem dúvida tudo menos republicano, encontramos o texto 5 de Outubro – Monarquia sem monárquicos, no qual encontramos precisamente a seguinte reflexão sobre a República, “A realeza era, assim, apenas um contrapeso ordeiro à soberania popular. A função do rei seria meramente interina, até o país estar apto a tornar-se numa república, uma força conservadora cujo papel se reduzia a manter um passado, à espera de um eventual futuro. Mas esse passado não tinha sido brilhante naquilo que dizia respeito aos Braganças, que Oliveira Martins acusara de querer vender o Brasil aos Holandeses, durante a Restauração, e de abandonar Portugal a Napoleão um século antes.”
Mas o rei Carlos, cercado ou não por um ambiente em tudo já republicano, como acentua também João Chagas, “Entre monárquicos e republicanos, em Portugal, não há diferença de crenças. O que há é diferença de posições. Republicanos somos nós todos, mesmo os monárquicos. Se estes aceitam a monarquia, é porque a monarquia existe, nada mais.”, era, para a opinião pública de então, cada vez mais, o exemplo do carácter perdulário e desnecessário da monarquia.
Na verdade, as contas do reino, segundo José Brandão, retirado da internet, mostravam que, a partir de 1889, este rei Carlos ao auferir um conto de réis por dia, ao que se tinha de adicionar o que auferiam os seus familiares, custava ao Estado mais de 520 contos anuais. Este valor era francamente superior ao valor auferido pelas outras famílias reais, como acontecia na Noruega e na Dinamarca, onde a corte directa auferia valores, respectivamente, de “1 203 200 e 481 700 coroas, ou seja, em réis 301 040$640 e 120 520$080 contos”.

Ora, sobretudo depois do Ultimatum de 1890, e do 31 de Janeiro de 1891, os republicanos não perdiam uma oportunidade que fosse para pôr em causa o rei e a sua corte e esta, visivelmente, centrada por demasia nos seus interesses de casta, não entendeu o ambiente que a cercava.

Em acréscimo, a instabilidade governativa era enorme. Assim, segundo Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça, “Em Maio de 1906 estava aberta mais uma crise do modelo rotativista, com a divisão nos dois grandes partidos monárquicos. A 21 de Março, caíra o governo regenerador de José Luciano de Castro e, a 19 de Maio, o governo progressista de Hintze Ribeiro.”, e é perante tal instabilidade que surge para a governação o homem que irá ser o fim da Monarquia, João Franco, pois e segundo o mesmo autor acima, a ” 19 de Maio de 1906, El-Rei D. Carlos confiou o governo a João Franco, líder do Partido Regenerador-Liberal que, a 2 de Abril criara, com o Partido Progressista, a Concentração Liberal.”.

João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco, um político já antigo mas que opta por uma política de ruptura, recebe do rei Carlos o convite para a governação que iria romper com o sistema dominante então, do rotativismo, numa carta, de Maio de 1906, com o seguinte teor, “Há muito a fazer e temos, para bem do País, que seguir por caminho diferente daquele trilhado até hoje; para isso conto contigo e com a tua lealdade e dedicação, como tu podes contar com o meu auxílio e com toda a força que te devo dar.”
É também o rei Carlos que em Novembro de 1907 defende João Franco e a sua ditadura como segue, “…dá uma entrevista ao jornal Le Temps, onde explica: «Caminhávamos não sei para onde. Foi então que dei a João Franco os meios de governar. Fala-se da sua ditadura, mas os outros partidos, os que mais gritam, pediram-me, também, a ditadura. Para a conceber, exigia garantias de firmeza. Precisava de uma vontade sem fraqueza para levar as minhas ideias a bom fim. João Franco foi o homem que eu desejava.»”.
Ter-se-á que dizer que este governo de João Franco começou, para o poder monárquico e para a melhoria da sua imagem, bem, (e também para o país), e assim, optou por amnistiar os intelectuais que tinham sido condenados pelo uso excessivo de liberdade de imprensa, esforçou-se por instalar uma rigorosa administração financeira, através de cortes orçamentais, em especial com a suspensão dos Adiantamentos à Casa Real e soube até revogar a lei de 13 de Fevereiro de 1896, do próprio João Franco, que sustentava a deportação para as colónias de quem perturbasse a ordem pública, lei que fora fortemente contestada em especial pelos Republicanos.

Estas medidas não afectaram, provavelmente ao contrário do esperado, a posição eleitoral, mesmo com as limitações legais, dos Republicanos. E a 19 de Agosto de 1906, ao realizarem-se eleições para o Parlamento, são eleitos quatro deputados republicanos, Afonso Costa, António José de Almeida, Alexandre Braga e José de Meneses, os quais iriam protagonizar o que viria a ser “a sessão quente de 20 de Novembro de 1906”, segundo o autor já referido atrás, Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça.

Aliás, a 4 de Novembro de 1906 os Republicanos ganham as eleições municipais no Porto, cidade de fortes tradições liberais e republicanas, pelo que é natural a tendência para o aquecer do ambiente político, que se reforçou com a acima referida sessão quente. Neste dia 20 de Novembro de 1906, Afonso Costa, aproveitando-se das intervenções de José Luciano de Castro e do Conde de Paço Vieira sobre a questão dos tabacos, avançou para o polémico tema dos Adiantamentos à Casa Real, afirmando: «Por muito menos do que fez o Sr. D. Carlos caiu a cabeça de Luís XVI no patíbulo!».

Como era de esperar, a sala, maioritariamente monárquica, levantou-se em protestos e o presidente da Câmara expulsou o deputado, com a ajuda da guarda. No entanto, em vez da obediência surge a voz em revolta de António José de Almeida que gritou: «Soldados! com a minha voz e as vossas baionetas vamos proclamar a República e fazer uma Pátria nova!...». De seguida falou Alexandre Braga e este tal como António José de Almeida, seguiram Afonso Costa numa expulsão das Cortes, tendo os deputados republicanos sido suspensos por vinte dias.

É evidente que os jornais republicanos agitaram a opinião pública com este episódio, e originaram, com ele um significativo movimento popular de apoio aos deputados republicanos por todo o país.
No Porto, já com o município eleitoralmente republicano, a repressão sobre as manifestações populares foi, aliás, bem violenta.

Ficou pois o franquismo sem espaço político de acção e qualquer tentativa de enquadrar os republicanos no regime franquista caía pela raiz. A tensão social e política leva a que se assista entre 1904 e 1908 a uma duplicação do nº de emigrantes, quer para a Europa como para o Brasil, de republicanos temerosos da repressão franquista.

Mas este temor não impede que as lideranças republicanas não se abalancem para uma atitude crescentemente contestatária, e assistimos em 1906 à amotinação do cruzador Dom Carlos e assim como a uma manifestação com mais de 12 mil pessoas no Porto.

Por outro lado, e para complicar a situação, basta citarmos As Cartas Políticas de João Chagas, para vermos que “Portugal é, entre os Estados da Europa, aquelle onde as despezas publicas mais crescem” A todos leva a palma” escreve Anselmo d’Andrade…é o paiz mais endividado do velho mundo, o que faz dizer áquelle economista que o encargo da divida publica em Portugal e “ absolutamente maior do que o de muitas nações da Europa e relativamente mais pesado do que em todas ellas, exceptuando apenas a França, onde a indemnização de guerra explica e documenta a grandeza da sua divida”.

Mas este ambiente negativo não existe apenas na economia. João Chagas relata ainda que “Os partidos em Portugal – lê-se a pag. 338 tomo XII dos professores Lavisse e Rambaud, citada por Trindade Coelho no seu “Manual politico do cidadão portuguez” – não passam de clientellas, cujos chefes luctam uns contra os outros com uma completa ausência de escrúpulos e um perfeito desdém pelos interesses públicos”.

Diz ainda João Chagas, “ Em 18 annos de reinado. D. Carlos dissolveu 11 vezes o parlamento. Creio que se chama isto - um record. …os partidos lesados…esqueceram a sua qualidade de partidos monarchicos… qualificando-o com os peores termos e ameaçando-o de o destituir. Isto não foi uma crise, ou um incidente politico: foi toda a história do reinado de d. Carlos…”

É João Chagas também que diz, “mas quem pela primeira vez em Portugal porununciou, a propósito de um acontecimento politico, a palavra crime foi um monarchico. Foi, não deve ignorá-lo, o Julio de Vilhena”.

É ele ainda que cita os progressistas, partido monárquico, para mostrar o descontentamento generalizado, entre monárquicos, quanto aos comportamentos de d. Carlos, “El-rei – escrevia o Correio da Noite d’esse tempo – caça em Vila Viçosa, depois de ter feito da Carta Constitucional, bucha para o bacamarte com que atirou aos adiantamentos e ao augmento da lista civil. “. Aliás, este estado de espírito monárquico anti rei vai ao rubro com a ditadura de João Franco, e “Em Dezembro de 1907, os dois partidos monarchicos, escorraçados do poder…reuniram duas grandes assembleias geraes…foram um escândalo…O rei foi coberto de injurias e reclamou-se a sua deposição”.

A 29 de Janeiro de 1908, dois dias antes do Regicídio o órgão partidário do partido Regenerador escreveria, “ A Casa Real poderá ter os seus adiantamentos e ver augmentada a sua lista civil; mas no paiz ficará um fermento de ódios que nem o profundo abastardamento dos caracteres podem evitar que surtam o natural effeito”.

João Chagas termina uma das suas Cartas Politicas, de 1 de Fevereiro de 1909, de uma forma no mínimo estranha, mas compreensível, tendo em conta o papel deste intelectual e jornalista, republicano radical, no momento, pois empurra o papel de Alfredo Costa e Buiça, para o lado dos que salvavam a monarquia.

Citemos,

“ Foi n’este momento que o Buiça appareceu, e o que se passou então não foi já um facto da vida, mas do romance. Os partidos que se consideravam perdidos viram-se de um instante para o outro salvos! Salvos! Depressa! A farda, o espadim, o chapéu armado, a carruagem, - e ao paço! Cada um voltou ao seu antigo logar…Abram esses ministérios e que entre os progressistas, que entrem os regeneradores….Esta foi a obra do Buiça – essa obra da qual o Correio da Noite dizia hoje que constituiu “ uma ignominia deshonrosa para a nação portugueza e nem serviu os interesses dos inimigos das institutições”. Com effeito não serviu os interesses dos inimigos das instituições – Serviu o dos amigos”.

Citemos agora um monárquico, Teixeira de Sousa, a partir da obra O Regicídio, e “que seria o último presidente de Ministério da Monarquia” e que “foi nessa noite ao Paço das Necessidade: Estava deserto! Meia dúzia de pessoas assistiam ao retirar dos cadáveres das carruagens! Faltava ali a gente que, tempos antes correra pressurosa à livrarias a comprar o Marquês de Bacalhoa e que só tomou luto alguns dias depois do regicídio, quando havia a certeza de que não se faria a república”, para reforçar a ideia que João Chagas atrás transmite.

Iniciemos o fim deste texto com uma citação de Fernando Pessoa, da colectânea Da República, (1910-1935), “Quando uma nação tão baixo desce como desceu Portugal sob a Monarquia; quando a tão pavoroso estado social se chega como ao que chegou a pátria portuguesa sob…a nação, de duas coisas uma pode fazer; se não tem vitalidade sucumbir lentamente, ingloriamente, (…); se ainda a tem, revoltar-se e dar em terra com o regime representativo das forças decadentes do país”

E, vale a pena referir que Alfredo Costa e Buiça mereceriam outra apreciação, pelo menos mais atenta, o que foi sucedendo com o tempo. Na verdade João Chagas escrevia ainda muito acima do acontecimento.

Ora, bem pouco depois, as posições das Pessoas, em especial das que apoiavam a República, eram bem diferentes e olhavam para Alfredo Costa e Buiça como verdadeiros heróis populares da República.

Veremos tal, em outros textos.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:13
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

(7) Enquanto Laico e Republicano, …E morre um “rei caçador”…

“Affonso Costa, que, devido ao processo Djalme,
se afastára dos trabalhos revolucionários, com a
prisão de António José d’Almeida, faz o impossível;
ele que ignorava tudo, consegue com o auxílio de
Marinha de Campos lançar mão de alguns elementos,
cerzi-los á pressa e, em dois dias, atirar com a revolução
para a rua.”
(in, A Revolução Portuguesa, 1907-1910, de Machado dos Santos)


A agitação republicana, reforçada com a revolta do 31 de Janeiro de 1891, ainda assim considerada “…uma revolta de caserna” por Machado dos Santos, e todas as actividades organizativas centradas na Carbonária e em Luz Almeida, assim como todos os comícios e toda a actividade jornalística e parlamentar desenvolvida pelos Republicanos, não deixavam de se confrontar com um país que até estes revolucionários consideravam “um Paiz morto”.

Segundo Francisco Carromeu, em uma Conferencia da Associação República e Laicidade, associação que bastante respeitamos pela sua actividade em prol do republicanismo, o Partido Republicano “transformara-se num partido de regime, disputava os actos eleitorais como um pequeno partido,…” e, também segundo ele, até a Carbonária que se lançara na “criação de milícias civis que pudessem ser a base armada de uma revolução republicana, definhavam nas sucessivas Altas Vendas…”.

Entretanto, a insegurança no regime era suficiente para que o rei Carlos sentisse a necessidade de impor a ditadura sob a alçada de João Franco.

E vale a pena citar um pouco do livro de Luis Vaz, As Mortes que Mataram a Monarquia, que, de forma romanceada, mas historicamente bem rigorosa, relata o Regicídio,

“Espetado sobre a erva verdejante e coberto das copas abundantes da vegetação, o Rei caçador, rejubilava de contentamento, bem estampado nas suas longas bochechas, cobertas por lustroso bigode e onde se reflectiam os rais solares de uma manhã mi9lagrosamente primaveril.
-Acabamos com as gazelas sua alteza entoou uma voz vinda do matagal.
-Não. Fechem-se no cativeiro da discórdia. Deportem-se para fora do território nacional. Lacrem, as portas dos jornais para que não hajam noticias de tanta ousadia!
E assim se cumpriu!
Três meses após a abertura da caça, as portas da discussão foram encerradas e o Rei Caçador deu plenos poderes ao Francanote para, sem prestar contas a quem quer que fosse, pôr todos os animais sob a sua pata.
Estávamos em 1907, no mês da virgem, e todas as patas de todas as cores começaram a disparar coices contra o Rei Caçador e contra o Francanote.”

A 28 de Janeiro de 1908 a direcção do Partido Republicano tenta uma primeira investida contra a Ditadura de João Franco. Mais uma vez Machado dos Santos é arrazador no seu relato, “A essa hora sigo a receber ordens do almirante (Candido dos Reis), e com elle me conservo até ás 11h da noite, juntamente com o comandante Serejo. Andréa estava emboscado n’uma casa da rua do Arco do Bandeira, prompto a assaltar o Arsenal, conforme o combinado. O signal não appareceu. Os regimentos já estavam de prevenção. Candido dos Reis ordena-me que vá dar a contra ordem ao corpo de marinheiros, e separamo-nos chorando, dos braços uns dos outros, sem sabermos o que seria para nós o dia seguinte.

O almirante dera ordem para que a manobra se repetisse nos outros dias, mas os officiaes eclipsaram-se: o almirante viu-se só”.

Os desaires das revoluções e dos revolucionários.

Que, no entanto, não desanimam quem vive de um Sonho, de uma Esperança de Mudança, perante um país no pântano.

Segundo um tal Malaquias de Lemos, citado de O Regicídio de Maria Alice Samara e de Rui Tavares, que era então comandante da Guarda Municipal, o 28 de Janeiro foi “a tal borracheira que eu previa e esta noite deram-se graves acontecimentos abafados ainda assim à nascença, de que resultou a morte de um pobre polícia, a prisão de 120 indivíduos e entre eles, Egas Moniz, (mais tarde como sabemos Prémio Nobel), Afonso Costa e Visconde Ribeira Brava, (ascendente de Isabel Herédia, hoje esposa de Duarte duque de Bragança)…os 120 foram para Caxias, (onde também estive,…larguíssimos anos depois)…”

A 31 de Janeiro sai um decreto, sobre o qual surgiram já várias leituras, que permite a expulsão do país ou o reencaminhamento para as colónias aos que estivessem envolvidos em actos revolucionários….uma dessas leituras refere que o rei Carlos terá dito que com tal estava a assinar a sentença de morte, outra refere que o príncipe Manuel terá tentado, a todo o custo travar a aposição da assinatura do pai em tal decreto. Verdade ou não

Perante as prisões havidas, os boatos, e nem sempre como se verá somente boatos espalhavam-se por toda a Lisboa. Assim, de novo seguindo o livro O Regicidio, Tomás de Melo Breyner, terá escrito no seu diário, a 31 de Janeiro de 1908, “Vai mau tempo para a polícia. Fui avisado pelo meu empregado Roberto, do Hospital, de que uma grande desgraça se prepara. Querem matar o meu querido Rei, tão bom para todos. Que horror!”.

A revolta republicana, aliada a algum desespero perante o fracasso, certamente, prenunciava maus momentos…

De relevar que a casa real estava em momento de grande baixa de popularidade. De facto, em 12 de Abril de 1907, o rei Carlos ordenara o encerramento de ambas as Câmaras, e a ditadura de João Franco terá permitido que o difícil caso das dívidas da casa real ao Estado fosse resolvido, sem debate público, transferindo-se para a posse do Estado, sobrevalorizados escandalosamente, os palácios as casas e o iate Amélia, da casa real, sendo que esta continuava a usufruir das mesmas, enquanto que cabia ao Estado pagar a sua manutenção, quando na verdade, todos estes bens já eram pertença do Estado que já cuidava da sua manutenção, tendo-se assistido sim a um abuso de autoridade com um perdão da dívida!

A 26 de Agosto aliás, segundo o autor já citado, o então leader do Partido Regenerador, monárquico, disse, na sessão do Conselho de Estado e à frente do rei, que, “Isto termina fatalmente por um crime ou por uma revolução”,mostrando como todo o regime estava abalado pelo perdão da dívida e pela ditadura de João Franco, apoiada pelo rei Carlos.

O autor já citado, Francisco Carromeu, recorda-nos que, “Segundo Aquilino Ribeiro, nesse mesmo dia 28 de Janeiro, Marinha de Campos é abordado por Alfredo Costa”, a insistir na revolução e que Marinha de Campos terá retorquido, “A tropa nega-se a sair enquanto João Franco andar à solta…Neutralizem de qualquer modo João Franco e a revolução está na rua”.

Estava Marinha de Campos, assim, a incentivar a Carbonária e, ao que parece, não somente ela…pois, segundo alguns, estiveram neste movimento do Regicídio, também, anarquistas motivados pelo visconde da Ribeira Brava, ele próprio anarquista.

Aquilino Ribeiro, segundo o autor que acompanhamos, relata o como Alfredo Costa e depois, possivelmente incentivado pelo primeiro, Buiça, tomaram em mãos a missão de eliminar João Franco, sendo certo que não são poucos os autores que apresentam esta tese – o assassinado deveria ter sido João Franco e não o rei Carlos e seu filho. É certo que João Franco procura descartar-se da ideia de ter tido conhecimento do atentado que contra ele se preparava, e cito, de O Regicídio, “O regicídio fulminou a todos de surpresa, embora depois dele não faltassem os profetas do dia seguinte, tão videntes ou informados do que ia suceder, que a ninguém deram parte dos seus receios…”.

O autor que acompanhamos, mas não só ele, diz que Alfredo Costa, perante o impasse gerado com o não aparecimento de João Franco e perante a oportunidade que surgia com a carruagem real terá dito, “E agora?... se liquidássemos a cambada?”.

Verdade é que, “Buiça vem pela retaguarda, abre as abas do capote, tira a Winchester, (fornecida pelo Visconde Ribeira da Brava e por anarquistas espanhóis, segundo alguns), aponta a atira. Costa vindo das “Arcadas” aproxima-se do landau, põe o pé no estribo e dispara a pistola Browning”, conforme o que nos é relatado no livro O Regicídio, que nos diz também que a rainha Amélia terá sido Buiça a matar o rei e o príncipe.

No Terreiro do Paço ficam, mortos à cutilada e a tiro, Buiça e Alfredo Costa, na carruagem o rei Carlos e o príncipe Luis, ficando ferido no braço o príncipe Manuel.

Não deixaremos, claro, este assunto somente com este pequeno relato, mas, por ora…

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 13:44
link do post | comentar | favorito

Um texto do meu amigo Zeferino Boal

Meu caro amigo Joffre.

Antes mais deixo ao teu critério a liberdade e frontalidade de enviares esta resposta aos contactos por onde costumas divulgar as tuas mensagens, as quais todas leio com elevada atenção e por muito respeito por ti.
Sabes bem que temos pontos em comum, mas felizmente que há divergências salutares.
Ainda não li a mensagem que citas do Jornal Sol.
Mas, recordo-me em tempos teres feito perguntas sobre o processo Freeport, ao que sempre te disse foi que espero pelo apuramento da verdade total e aquele (s) que confessaram certas manobras, as quais começam a perceberem-se que têm fundamento, mas dizia na altura que se não fossem verdadeiros deveriam ser devidamente punidos.
Agora pergunto-te, não estarás tu a ser ingénuo? Não estarás tu a ser cego? Será que ao longo destas décadas houve tantos casos sobre um governante?
Recordo-te que toda a investigação foi iniciada em momento que ninguém tinha o dom de imaginar que tivessemos um PM deste calibre.
Vens me dizer que foi direita que mandou suspender o Jornal da Noite?
Também vais dizer que foi a direita que deu a licenciatura ao domingo a um aluno?
Também vais dizer que foi a direita que alterou constantemente a ficha curricular no Parlamento?
Foi de certeza uma pessoa de direita que comprou um apartamento abaixo do preço comercail em off-shore!
Foi convictamente uma pessoa de direita que em pleno Congresso escoheu como inimigo um órgão de comunicação social (exemplos de Hugo Chavez).
Sabes bem que tenho amigos noutros quadrantes politicos e não alinho na penalização dos maus governantes só porque são de partido diferente do meu.
Agora não aceito e não tolero que um politico seja ele qual for abuse do poder pensando apenas na sua algibeira.
Espero que pela amizade que temos um pelo outro tenhas a fontalidade de divulgar esta mensagem pelos teus contactos como fazes noutras ocasiões.
E não penses mais em cabalas, que elas não existem. Há factos verdadeiros apenas que exigem a responsabilidade de todos para se apurar toda a verdade.
Não critico os paises africanos enquanto certos paises europeus não derem um exemplo diferente.

Os melhores cumprimentos
publicado por JoffreJustino às 13:43
link do post | comentar | favorito

Carta Aberta a José Antonio Lima, do SOL,

Bom dia meu Caro,

Fico especialmente satisfeito por te ver ainda com emprego no SOL, pois é bom ver os amigos bem, mas evidentemente por consequência deste semanário ter tido a felicidade e o bom senso de aceitar, no seu capital social, capitais angolanos, de uma empresa com fortíssima influencia do MPLA.

Fico satisfeito também porque sou cada vez mais favorável à unidade económica e politica do espaço de expressão portuguesa, à livre circulação de cidadãos, e claro também de bens, serviços e capitais no seio da CPLP.

Aliás fundei em tempos, antes de ter sido sancionado pelas Nações Unidas, pala União Europeia e pelo Estado Português, numa santa, (e vergonhosa), coligação, PSD, PS, PCP, e BE, ( e sem ter tido direito à defesa), o Movimento CPLP Com Cidadania…(alguns amigos lembrar-se-ão que já defendia estes objectivos, mas em especial a Democracia em toda a CPLP).

Acho é interessante que escrevas “tão ingenuamente” sobre o caso TVI.

Tu um jornalista hoje já antigo na profissão…

Como sabes, o MPLA é um partido da Internacional Socialista…arriscas-te pois a acontecer-te o mesmo que à Manuela Moura Guedes e, amigo que sou teu, queria avisar-te que todas as cautelas são poucas…

…Ou se calhar não são…

E o teu exemplo, a tua “ingenuidade”, é mais uma prova de que o que está em jogo na TVI, e com a sra Manuela Moura Guedes, não é um saneamento politico, mas uma ridícula jogada de tomada do poder na comunicação social por parte do filho Vasconcelos sobre a TVI e a SIC, com a intervenção directa do maridinho da senhora acima.

Guerras à Direita portanto.

Guerras à Berlusconi claro, onde vejo com espanto, o como o Bernardino Soares do PCP e o Fazenda (ex UDP, hoje BE), se encostam aos interesses desta Direita, claramente para obterem como ganhos – mais tempo de antena para atacarem o PS, enfim, o ridículo direito a estarem no ar mais uns segundos…..

Visível meu caro é que o BE de Anacleto Louçã ganha, pelo menos nas sondagens, com tal.

Mais ninguém..o PCP que se acautele com este Bernardino Soares….

Ganha o BE, claro, injustamente.

Como sabes o BE foi, anos a fio, tudo menos defensor da Democracia representativa.

Ainda que Anacleto Louçã, ao tempo em que ainda o chamava de Francisco Louçã, seja, no BE, o menor responsável por tal, diga-se – enfim, não andou a apoiar a RP da Albânia e o seu modelo político, económico e social….

Repara que nunca escondi que fui, como tu, pró chinês, maoista, e, por isso, não me apresento como tendo sido sempre socialista, laico e republicano, (hoje sou-o), como agora faz Anacleto Louçã, pois não me envergonho do meu passado, nem dos meus erros, como ele gosta, ao que parece, de fazer.

Porque errar é humano.

Mas, Fazenda, (ex-UDP), a falar na Assembleia da República, contra o PS, por causa da Liberdade de Expressão, lamento, é risível….

Em primeiro lugar porque o seu passado não andou por aí…

(…eu ao menos ainda andei, maoista que fui, do PCP, (ml/Vilar), mesmo assim, a defender a Republica e a ser alvo de tiros, dos soldados do COPCON, em nome da Liberdade de Expressão, posta em causa, pelo PCP, pela UDP, com o silencio da LCI, de Francisco Louçã, hoje Anacleto Louçã…).

Em segundo lugar, porque a PRISA está há anos no capital social da TVI.

Lembra a alguém guardar ,para Setembro de 2009, em plena campanha eleitoral, para afastar quem andou, anos a fio, a insultar Sócrates no dito “jornal” dito “telejornal”, feito de mentiras – o FREEPORT está agora a prová-lo! - ?

Meu caro,

Faz de nós socialistas o que entenderes – mas burros é que não, porque é insultuoso!

Em terceiro lugar, porque o dito “afastamento” da senhora acontece com a saída do seu maridinho para a ONGOING, a empresa que quer comprar a TVI e a SIC…e nada como envolver esta historia de tomada de assalto na comunicação social com uma história inventada sobre a “liberdade de expressão”….

Tretas meu caro…e olha que quem manda hoje no SOL também é da Internacional Socialista…(enfim, não sejas ridículo…, peço-te!)


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 11:16
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

O “Professor” e a Aluna…

Ainda esperei que Anacleto Louçã tivesse, ao menos, o bom senso de Esquerda de pedir desculpa, apanhado que foi em mais uma das suas cenas de apoio à sua aluna Manuela Ferreira Leite. Ainda esperei que o Publico pusesse em 1ª página, pelo menos, uma chamada ao desmentido do insulto/acusação de Anacleto Louçã a José Socrates. Ainda pensei …

Mas claro que não.

O que vimos foi um “intelectual” ir para um comício dizer uma enorme boutade, que foi “poupámos 500 milhões de euros” ao país, contentando-se com algo que agora todos o sabemos, (até o Publico noticiou…), que a Estradas de Portugal, já em Agosto, tinham anulado o famoso concurso que envolvia a Mota-Engi!

Isto é, Anacleto Louçã, ou estava mal informado, ou mentiu despudoradamente. Em ambas as circunstâncias, e porque o que ele disse afectava o bom nome de outra pessoa, (não é importante que fosse o primeiro ministro, é importante, isso sim ser uma pessoa), exigia-se que Anacleto Louçã soubesse as regras da boa educação, (sempre é professor universitário), e, perante o erro, assumisse o mesmo, com um pedido de desculpas.

Estando envolvido no caso o primeiro ministro, (sempre foi num debate com ele que tal sucedeu), era natural que a exigência de um pedido de desculpas fosse noticia, antes até do próprio pedido acontecer, ou, pelo menos, ao mesmo tempo.

É tudo uma questão de boa educação.

Mas, hoje, ao que parece, em algumas escolas, até universitárias, até publicas, as regras da civilidade não interessam.

Vale sim e a boutade, a maledicência, a arrogância.

Trata-se sim de, valendo tudo, inventando tudo, tirar votos, para os repor, à Direita.

Anacleto Louçã presta-se a este serviço.

Em beneficio da sua Aluna, Manuela Ferreira Leite, em benefício da Direita.

Para que o BE suba em poder.

Pelo poder estrito, pelo poder tão somente.

Porque não há Esquerda quando se Mente, quando se inventa, quando se diz mal, por dizer.

Nem, aliás, há Direita.

Há somente luta pelo poder, sem Valores, sem Regras, sem princípios Republicanos.

Eis porque não pode haver acordo com o BE, que inclua Anacleto Louçã.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:02
link do post | comentar | favorito

Um texto do meu amigo e Irmão António Jorge Carvalheira

Realmente aquilo que o Andrade Silva descreve, ajusta-se bem, na minha humilde opinião, claro.

Digo-te uma coisa: o PS e o governo actual estariam muito reforçados e consolidados se tivessem conseguido duas coisas intrinsecas entre si: "agarrar e plantar" empresas e indústrias em Portugal e, diminuir drásticamente o desemprego. Estes dois pilares são fundamentais. Óbviamente, que tudo o resto não poderia ser descuidado, pois isso também abriria pequenas fendas para a oposição "penetrar".

Repara meu Irmão. Tal como eu, muitos, mas muitos portugueses estão emigrados, porque perdemos aí nossas possibilidades de sobrevivência. Estamos fora, trabalhando, construindo, produzindo muito... e pouco ou nada aí fica.

Quero eu dizer, sem ofender ninguem nem nada que, mais uma vez Portugal deita borda fora muitos filhos/cidadãos produtivos... isto já é endémico desde a entrada da santa inquizição como podes verificar, por exemplo, recorrendo à tese do professor David S. Landes chamada "A Riqueza e Poreza das Nações". Estes filhos/cidadãos são resingões, barulhentos e nunca se acomodam; por isso mesmo são força viva de trabalho e produção: incomodam sempre.

Comigo é assim... preferia estar aí. Mas não é possível. A pesar dos meus conhecimentos, da minha experiência, de todas as tarefas que fiz pelo país, da vida que entreguei pelo desenvolvimento de Portugal, acabei por viver numa situação muito complicada. Para te dar um exemplo: a fim de conseguir manter os compromissos para com a Família, cheguei a passar fome! Sim... houveram muitos dias, semanas e meses, que só tinha uma pequena fugral refeição por dia... indo de vez em quando a casa da minha Mãe comer decentemente.

Achas justo isto acontecer a um individuo com meio século de idade e uma luta dura por um País? Como achas que me sinto relativamente a Portugal? Como achas que será a minha reforma portuguesa, depois de ter dado o melhor que tenho pelo país?

Tal como eu, tens milhares e milhares de Filhos de Portugal espalhados no mundo... e todos por causa do mesmo: sobrevivência honesta, séria e correcta.

Por isso, meu Irmão, Portugal perde, o PS desgasta-se, e outros países ganham (com a nossa mão d'obra e massa cinzenta), os Louçãs avançam, as Manuelas avançam, etc., etc., e um dia destes os nazis ganham muita força de um momento para o outro, quer queiras quer não e absolutamente independente da tua opinião.

Lembra-te destes dois pilares: empresas e emprego. Depois, o ensino, a saúde, a cultura, etc. e etc., devem ser sempre fortemente dirigidas para cima. Mas tudo o resto se torna mais fácil se empresas e emprego estiverem bem.

Desculpa esta retórica toda... mas agora, estou expondo a minha humilde opinião e o meu coração.
publicado por JoffreJustino às 12:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Mais um texto de Andrade da Silva

Caro Justino

Concordo com o texto e com a denúncia e indignação que revela, quanto à justiça que temos e nos envergonha.

Os arguidos no caso do BCP continuando a dizer que tudo fizeram bem, deixam-me a mim e de certeza a muitos cidadãos alarmados, provocam alarme social , porque através deles ou por interpostas pessoas podem continuar a actividade delituosa que consideram virtuosa, por isto, a decisão do Juiz é incompreensível e inaceitável, mas espero que o ministério público recorra dessa decisão, e sejam aplicadas as medidas que propôs, se justificam e são razoáveis.

Quanto à política o governo do PS deve honestamente ser louvado por aquilo que fez bem e que deve ser continuado, e criticado por aquilo que numa perspectiva do socialismo de esquerda, que não se compadece como neo-liberalismo, fez mal.

Mas sem rodeios toda a esquerda deveria assumir que qualquer governo PSD ou PSD& CDS, ou PS&PSD, ou PS&CDS, serão sempre piores que o Governo PS, sobretudo quando a extrema-direita nazi cresce na Europa, por tudo isto os portugueses devem de exigir que todos façam o que deve ser feito, em nome dos portugueses e de Portugal, para se garantir através da negociação democrática a governabilidade do país à esquerda, com respeito pelo mérito de todos: empresários e trabalhadores, pelos vários tipos de propriedade, garantindo o estado uma presença e regulação efectivas nos sectores estratégicos: Banca, Energia, Transportes, Comunicações, Saúde (SNS – continuar a melhorar -), Educação e Seguros, e nunca privatizando as tarefas de Defesa, Segurança, Soberania ( justiça), Segurança Social e da representação externa do Estado, embora neste caso possa e deva colaborar com todas as empresas e entidades privadas que promovam o nome e a imagem de Portugal.

Somos um país pequeno, com imensas possibilidades e com tanta coisa boa, porque nos desentendemos tanto? À Esquerda compete fazer o país melhor, progressivo, equitativo e mais próspero, se a esquerda não o fizer, nos próximos anos com a degradação económica, social e politica essa missão pode vir a ser tentada por revoltas fora do sistema que normalmente excluem a esquerda, os socialistas e os sociais-democratas e são depois aproveitadas pela extrema-direita, que em Portugal é pouco expressiva, porque O CDS não é um partido com essas características, felizmente, mas também numa situação de grave crise poderá ser assaltado, Paulo Portas pertence a uma família democrática, é um neo-liberal convicto, mas tem um comportamento dentro dos parâmetros da democracia e não parece ser um tirano ,pelo menos é muito veemente na condenação do Jardinismo Madeirense que é duro e semi-democrático, apesar de João Jardim ser em termos pessoais uma pessoa empática.

Abraço
Asilva
publicado por JoffreJustino às 14:49
link do post | comentar | favorito

6) Enquanto Republicano e Laico O 31 de Janeiro de 1891

“A Inglaterra manda em nós mais barbaramente
que nos Negros das suas possessões, insulta-nos
na nossa própria casa, enche de escarros a nossa
Bandeira na África, no continente faz dela um
tapete para Crawford, e nós renegamos as nossas
Tradições, enxovalhamos os nossos brios antigos,
maculamos a nossa honra, em lugar de cumprirmos
desesperadamente com o nosso dever, morrendo
de espingarda nas mãos em guerra com o inglês,
depois de nos vingarmos dos traidores de dentro.”
(António José de Almeida, As Palavras de Um Intransigente, 1.07.1890)



Este texto acima descreve, de forma bem exaltada, o ambiente que se vivia, um pouco por todo o Portugal, em especial, claro, no meio urbano, depois do Ultimatum britânico a Portugal.

A zanga para com a monarquia e a Inglaterra era absoluta e nada parecia acalmar tal zanga. É certo ainda que se as posições assumidas vinham de Pessoas progressivas, elas reflectiam mais a raiva do humilhado, a raiva de um sentimento pátrio humilhado, que o progressismo de quem as assumia.

É certo também que os tempos eram outros, as mentalidades eram diferentes, mas convém recordar que o representante dos EUA na Conferencia de Berlim, anterior a estes acontecimentos, soube assumir o direito à autodeterminação dos Povos Africanos como principio que regeria este país nas suas relações com África.

O que também acabou por não suceder, com o tempo, diga-se, mas que, na época relevava pelo seu progressismo e, também, pela ingenuidade.

Mas, assumamos, aos dias de 1890, os Portugueses e as Portuguesas viviam momentos de enorme exaltação pátria e desejaram, sem dúvida, que o rei e o governo se tivessem recusado a ceder ao Ultimatum, arriscando, se necessário fosse, morrer, mas de pé e não em vergonha.

O que nem rei nem governo monárquico fizeram.

É este o contexto que envolve o 31 de Janeiro de 1891.
Citando um texto antigo, de 1912, “Revolução Portugueza O 31 DE JANEIRO (Porto 1891)”, de Jorge D’Abreu, “A revolta militar de 31 de janeiro de 1891 caracterisou-se pela precipitação com que foi decidida e a pouca ou nenhuma reserva com que foi organisada. Durante mezes uma parte do paiz teve conhecimento quasi minucioso de que se conspirava contra a monarchia e que na conspiração entravam elementos de importancia recrutados na officialidade dos regimentos que a guarneciam. No emtanto a explosão patriotica, que na madrugada de 31 fez triumphar por algumas horas a bandeira verde e vermelha, surprehendeu muita gente porque apenas uma insignificante minoria não julgava extemporaneo o rebentar da bomba.”
No entanto, se houve precipitação, não deixou de haver, como já o referi, emoção, e forte, nesta revolta, como se pode recordar pelo simples recordar de um artigo de Bordalo Pinheiro, de 30 de Janeiro de 1891, “A maldita questão ingleza”, relevando ainda a marca dramática que o Ultimatum deixara entre os portugueses.
Certamente que ligações familiares, e de protecção de interesses, justificaram o desaire da monarquia portuguesa com os Braganças a liderá-la, assim como a cedência, por tão pouco, aos interesses britânicos.
Na verdade, é importante realçá-lo, os Republicanos nasceram e desenvolveram-se em volta de valores patrióticos. Vale, por isso a pena citar do texto já referido, um extracto de um outro texto de Magalhães Lima, e que se refere às Comemorações do tri centenário de Luís de Camões, o primeiro momento distintivo dos Republicanos, “«O tri-centenario de Camões foi o primeiro capitulo da gloriosa jornada que teve o seu desfecho em 5 de outubro de 1910. Nunca se viu cousa semelhante em grandeza e sinceridade. O povo, o bom povo portuguez, compenetrado da elevação da festa, e ainda mais de que a homenagem ao immortal cantor das nossas glorias correspondia ao anceio d'uma revivescencia futura, acorreu a ella cheio de enthusiasmo, ardoroso, expandindo a{51} maior alegria., …, Despertou egualmente a energia democratica, congregou em volta das figuras do partido republicano, então em evidencia, os elementos dispersos, consolidou-os, deu corpo á opinião publica, foi o ponto de partida da marcha politica que, em successivas étapes, conseguiu, entre nós, pôr um ponto final no regimen monarchico. Devemol-a essencialmente a Theophilo Braga, que durante tres annos consecutivos fez uma propaganda intensissima para a sua realisação. A commissão executiva da festa compunham-na elle, Rodrigues da Costa, que representava ao tempo o jornal mais antigo, a Revolução de Setembro; Pinheiro Chagas, Eduardo Coelho, Jayme Batalha Reis, Ramalho Ortigão, Luciano Cordeiro, eu e o visconde de Juromenha, mais tarde substituido pelo Rodrigo Pequito”.
Entretanto, por voltas de Setembro de 1890, e depois de ter falhado a experiencia do jornal República, nasce, também liderado por João Chagas, saído das fileiras monárquicas para as republicanas enojado com a traição do rei e do seu governo, e também no Porto, o jornal Republica Portugueza, aquele que foi verdadeiramente o porta-voz e motivador desta Revolta militar e popular, a primeira revolta Republicana, que pode ser considerada a raiz e o ensaio do 5 de Outubro de 1910.
Apoiado pelos republicanos Dyonisio do Santos Silva, Joaquim Leitão e Alvarim Pimenta, João Chagas e este jornal assumem este republicanismo desde o inicio. E, no seu primeiro nº, o jornal apresenta logo um artigo com um titulo bem bombástico, “Pelourinho: os três de Inglaterra”. Este artigo, apoiado por retratos do rei e de dois ministros do seu governo, demonstram bem que este jornal tinha como sua primeira sua vontade liderar a opinião publica para uma Revolução Republicana, a atingir por todos os meios mesmo os mais violentos, perante o autoritarismo, a corrupção e a degradação moral da monarquia.
Note-se que, “Na Republica Portugueza collaboraram José Sampaio (Bruno), Julio de Mattos, Basilio Telles, Latino Coelho, Elias Garcia, Gomes Leal, Heliodoro Salgado e, o que é mais interessante fixar, varios officiaes do exercito…”, o que acentua a vontade de desagravo que ficou também nas fileiras das forças armadas portuguesas, perante a traição monárquica e a cedência aos interesses britânicos.
É assim que, “…N'uma noite d'aquelle mez, um grupo de segundos sargentos e cabos de infantaria e caçadores, sem que a sua démarche correspondesse a qualquer trabalho previo de alliciação, apresentou-se na redacção da Republica Portugueza e um d'elles, Annibal Cunha, formulou o plano da rebellião. Tratava-se de fazer sahir infantaria 18, para o que diziam contar com o apoio de grande numero dos seus camaradas, depositando antecipadamente na alameda da Lapa, proxima do quartel, uma certa quantidade de espingardas{62} de velho typo, existentes na arrecadação do regimento. As espingardas serviriam para armar os cidadãos que fosse possivel ligar á aventura.”.
Rapidamente João Chagas e Alves da Veiga, o leader republicano do Porto iniciam contactos, por forma a canalizarem estes ímpetos revolucionários dos militares, mas também de um nº crescente de civis que, por exemplo, se manifestaram com direito a carga policial e bastantes feridos, mas também a discursos inflamados, de Alexandre Braga por exemplo, a 17 de Setembro de 1890.
Dos sargentos e praças os revolucionários republicanos foram chegando também aos oficiais, que aderiram pelo menos indo à Republica Portugueza, “às dezenas”, sendo que “…no momento em que rebentou a revolta, apenas tres d'elles conseguiram justa evidencia”, e é assim que João Chagas, já preso por delito de opinião, escreve no Republica Portugueza, “«Estou convencido a serio, porque pertenço ao grande numero dos indisciplinados republicanos que querem a Republica—de que uma revolução se fará dentro em breve, a mais nobre, a mais generosa, a mais sympathica de quantas revoluções tem tentado um povo offendido, em nome da sua dignidade e da sua honra…toda uma sociedade a reformar! Vivemos sobre lama. Os pés enterram-se-nos no solo. Quanto esforço, quanto trabalho, quanta coragem para consolidar o chão que{68} nos foge!... Pois bem! Batidos, vencidos, eu, nós, os meus companheiros de combate, recomeçaremos em qualquer ponto onde estejamos, aqui ou na terra estrangeira, dando o nosso sacrificio pessoal, entregando a nossa felicidade, a nossa vida á causa da patria e da liberdade.”.

Mas, entretanto, surge, no Partido Republicano, uma grave dissidência, entre Elias Garcia, liderando uma facção moderada e o tenente de Caçadores Homem Christo que liderava a facção radical do Partido.

Curiosamente, será o leader da facção radical a rejeitar a ideia de um golpe revolucionário a iniciar-se no Porto. E enquanto que este numa ida ao Porto se indispôs fortemente com os leaderes do movimento revolucionário portuense, já João Chagas indo a Lisboa, para sentir a opinião do directório do Partido Republicano, tendo-se reunido com alguns dos dirigentes republicanos. Dessa reunião existe o seguinte relato, “Ás 8, com effeito, um emissario discreto conduzia João Chagas ao Directorio, que estava reunido em casa de Bernardino Pinheiro e, uma vez junto d'esse democrata, de Elias Garcia, Theophilo Braga e Sousa Brandão, o director da Republica Portugueza constatou que nenhum d'esses homens hostilisava o movimento. Pelo contrario. A uma pergunta directa de João Chagas, o Directorio respondeu que trabalhava para secundar a revolta do Porto. E no fim, apoz animada conversa, ficou assente que o general Sousa Brandão iria pessoalmente ao Norte inteirar-se, de visu, da situação—o que fez, na realidade, encontrando-se ali com os mais importantes elementos da conjura.”.

Como se vê, cabe aos moderados o apoio á revolta do Porto.

No entanto, as circunstancias da vida política trazem aos republicanos do Porto um significativo desaire, no seu próprio partido o que veio a marcar fortemente a evolução do movimento revolucionário. Assim, “Em principios de janeiro reuniu em Lisboa o{74} congresso do partido e os amigos de Homem Christo triumpharam dos de Elias Garcia. O novo Directorio, dias depois de eleito, fez circular pelo paiz um vigoroso manifesto em que parecia dar alento aos revolucionarios, apontando-lhes como unico caminho a seguir, perante o descalabro da monarchia, a execução immediata do plano da conjura. «No estado actual da crise portugueza—dizia uma passagem do manifesto, que era acompanhado d'um novo programma partidario—só existe uma solução nacional, pratica e salvadora: a proclamação da Republica. Só assim acabarão os interesses egoistas que nos perturbam e vendem, só assim apparecerá uma geração nova capaz de civismo e de sacrificios pela Patria». Mas, quasi a seguir, o Directorio mostrou-se como que cheio de remorsos por haver expendido doutrina tão francamente revolucionaria e, dedicando-se a entravar os progressos, já inilludiveis, da conspiração do Porto, fez publicar em 25 de janeiro uma circular em que dizia sem disfarce:
«Prevenimos os nossos correligionarios para que abandonem ao seu isolamento egoista qualquer grupo perturbador que anteponha á magestade dos principios o fetichismo de personalidades e aos interesses da propaganda as vantagens dos lucros economicos».
E concluia:
«Aproveitamos este ensejo para lembrar ás dignas commissões a necessidade de se proceder aos trabalhos do recenseamento eleitoral; e, ao mesmo tempo, que todas as combinações importantes para a vida do Partido serão communicadas e estabelecidas por um enviado especial do Directorio, evitando assim as intervenções discricionarias de{75} individualidades sem mandato, que enfraquecem toda a auctoridade».
A circular visava, como se comprehende, a tirar aos conspiradores do Porto «qualquer sombra de auctoridade official». E para que não restasse duvidas sobre a sua significação, no dia 27, os Debates publicavam um artigo de Homem Christo, intitulado Uma prevenção, em que se attribuia ao movimento o caracter d'uma pavorosa urdida pelo governo e se exclamava:
«Acautelem-se, pois, os republicanos com essas manobras. Revoluções fazem-se. Não se dizem, nem se apregoam. Quando se dizem e quando se apregoam, ou é desconchavo que faz rir, ou armadilha lançada aos ingenuos e simples do mundo. E como ha muito ingenuo e muito simples, sempre é preciso cuidado com taes armadilhas e artes de tratantes. Cautela, pois».
Homem Christo vingava-se de Santos Cardoso e outras personalidades implicadas no movimento, mas que lhe eram antipathicas, aggredindo-as por essa forma indirecta e pretendendo furar as probabilidades de exito que, porventura, caracterisassem o projecto de revolta. Antepunha á questão do partido uma questão de mero odio pessoal. E a esta sacrificava tudo, indo até á denuncia publica e formal do que se tramava na capital do Norte.”.
Mas se as circunstancias partidárias republicanas eram desfavoráveis o mesmo não sucedia com o ambiente social e politico como nos relata o texto que temos vindo a acompanhar, e que nos surge com elementos que fazem lembrar muito as reivindicações corporativas do Movimento dos Capitães, os primórdios do MFA, “…Alves da Veiga apresentou-se em Lisboa e, ás advertencias do novo Directorio, que lhe fez sentir a inopportunidade do movimento em plena preparação effervescente, respondeu que da melhor vontade se esforçaria por addial-o, mas que tal empreza não era facil, porque a excitação dos elementos militares portuenses não admittia delongas. E, a comprovar-lhe a affirmativa, deu-se um facto que marcou por assim dizer a data da revolução, apressando-a, ou melhor, precipitando-a. Referimo-nos a uma reunião de sargentos da guarnição do Norte, effectuada a 24 de janeiro de 1891, n'uma casa da rua do Laranjal. Essa reunião foi provocada por um acto do ministro da guerra, que descontentou sobremaneira a classe. Os sargentos vinham desde muito reclamando, por intermedio do seu orgão especial, contra a forma de promoção; e as suas reclamações assumiram feição mais aggressiva, quando a ordem do exercito publicada em 17 de janeiro de 1891 inseriu a promoção ao posto de alferes de trez aspirantes,—promoção contraria á lei, visto que por ella deviam beneficiar dois aspirantes e um 1.º sargento.
O orgão da classe transpareceu logo esse descontentamento e um grupo de sargentos da guarnição do Porto divulgou um protesto em que se dizia com toda a clareza:
«Camaradas!
«Nós temos sido a pella de brinquedo dos governos nos ultimos tempos e o nosso bom nome clama com energia para que termine este ultrage. Ha pouco era um ministerio que, tendo-nos constantemente illudido com a promessa de augmento de vencimento, só quando foi invadido pelo terror da agonia é que se lembrou de que nós podiamos ser seu sustentaculo, e por isso tentou corromper-nos, sacudindo nas nossas faces as migalhas da toalha{81} do orçamento. Agora é um gabinete presidido por um general, que nós ingenuamente consideravamos nosso protector, nosso amigo solicito e desvelado, que, tendo-nos promettido a escala de promoção por antiguidade do curso, se curva ante as exigencias de uma aggremiação politica em que militam muitos officiaes da arma scientifica, respondendo com despreso á nossa ardente... e jubilosa expectativa.
«Unamo-nos todos: que haja uma só voz, um só pensamento, uma só vontade! Só assim nos poderemos vingar impondo a nossa força e fazendo prevalecer os nossos direitos contra a perfidia dos nossos amigos. Desviemos os olhos d'este monturo pestilento, que exhala miasmas que nos asphyxiam e volvamol-os para a alvorada que desponta no horisonte social... Tomemos as armas nas mãos, e com fé e enthusiasmo saudemos o futuro, que elle minorará a nossa sorte ingrata.»
Ao mesmo passo, tres sargentos-ajudantes da guarnição de Lisboa redigiam e faziam imprimir a minuta d'uma petição que enviaram a todos os corpos de infantaria e caçadores, a fim de ser assignada individualmente pelos 1.os sargentos d'esses corpos e remettida ao parlamento. A petição solicitava que a promoção continuasse a ser regulada na razão de um terço das vacaturas que occorressem no posto de alferes.”.
Como em todos os movimentos sociais, revolucionários ou não, a tendência para a radicalização é fácil de surgir e neste caso, com o ambiente pré revolucionário já cimentado, é natural que os sargentos portuenses não se tenham sentido satisfeitos com a simples assinatura de uma petição. E, “…não se contentando com o subscreverem individualmente a petição enviada de Lisboa, foram mais longe: approvaram a minuta d'um verdadeiro ultimatum, ameaçando o governo com a sedição caso elle não respeitasse a lei no tocante ás promoções. A ameaça continha entre outras esta phrase: «...e as armas que nos foram entregues para defeza das instituições voltal-as-hemos contra ellas».”.
Infelizmente, a inexistência de experiencia revolucionária conduz a muitas ingenuidades e foi o que sucedeu neste movimento. É desta forma que o, “sargento-ajudante de infanteria 18 Arthur Ferreira de Castro, que tambem tomara parte na reunião, conseguiu obter copia do documento e entregou-o ao capitão do mesmo regimento Alexandre Sarsfield, que, por sua vez, o passou ao coronel Lencastre de Menezes. Estava denunciado o proposito dos sargentos e não tardou que o ministerio da guerra, tendo conhecimento minucioso do que se discutira na assembléa da rua do Laranjal e de posse de uma lista de officiaes inferiores que a ella tinham assistido, desatasse a transferir quantos se lhe affiguravam suspeitos de republicanismo.
Quer dizer: a traição do sargento-ajudante Arthur Ferreira de Castro não só revelou ao governo a existencia da conspiração como, provocando as immediatas represalias, contribuiu directamente para que os revolucionarios apressassem a sua sahida{83} e a levassem a cabo em condições bastante tumultuarias. «Sem a denuncia do sargento Castro—affirma uma testemunha dos acontecimentos—os sargentos do Porto não se teriam precipitado e a revolta, que se daria um mez ou dois mais tarde, teria tido provavelmente um chefe militar, um estado maior bem mais numeroso, um plano mais intelligente e, seguramente, uma maior e mais vasta repercussão. Não seria, então, uma revolta: seria uma revolução, incendiando pelo menos metade do paiz e á qual era de presumir que a outra metade adherisse, dada a disposição geral dos espiritos para uma transformação politica, que um grande numero reputava indispensavel e que os outros acceitariam sem protesto. Assim, foi um homem, um homem só, obscuro, desconhecido, vindo do anonymato e da treva, que subverteu a obra da redempção do anno de 91, entravando a evolução politica da nação, fazendo parar com seus fracos pulsos a ideia que já se precipitava na gloria de um futuro talvez maravilhoso, mergulhando—quem sabe?—a bella Patria portugueza na desesperação de um incerto destino ou de um outro, porventura, funestamente irremediavel».”.
João Chagas descreve então, visivelmente com dor, o desastre, mas também aquilo que foi o nascimento efectivo de um sentimento que fez o 5 de Outubro de 1910, o de que só com uma Revolução se atingiria a Republica em Portugal, “…Já decorreram vinte annos sobre a derrota... Na vespera á noite, assim que a treva obscureceu o ambiente, começaram para mim horas inquietas e perturbadas. Sabia que a insurreição devia rebentar ás tres da madrugada. Tirei o relogio do bolso. Eram oito horas. Distrahi-me em coisas futeis, bebi café e fumei como um desesperado. Ainda, como distracção e talvez para surprehender mais facilmente o primeiro rumor d'essa arrancada decidida contra a monarchia, abri a janella. A noite, humida, afogava a cidade. Houve um instante, já quando se approximava a hora marcada para o rebentar do movimento, que suppuz aperceber o barulho de carros á desfilada...... A fadiga e a commoção prostraram-me. Exhausto, renunciei a saber, a indagar, a prescrutar. Tombei no leito, fechei os olhos e dormi. Quando despertei, era manhã clara. A nevoa dissipara-se e a cidade{94} surgia cheia de luz. Corri á janella. O socego parecia completo. O dia annunciava-se lindo, calmo. Mas não tardou que um homem de quem me não lembro o nome, entrando na cella, me communicasse que a revolução estava na rua, e, seguindo-o e enfiando a cabeça por umas grades de ferro, presenciei effectivamente um dos episodios do combate. O movimento estava realmente no seu auge. A fuzilaria crescia de minuto para minuto. Convencido do triumpho, preparei-me para a sahida da cadeia... Não tardariam decerto a vir-me buscar.
«O resto é por demais sabido. Ao começo da tarde, a bandeira revolucionaria, que até então tremulara no edificio da Camara, desappareceu com o estrondear do canhão. Esse trapo, que era a minha esperança, sumira-se após um tiroteio pavoroso, encarniçado. Ao declinar do dia, tive a sensação da derrota. Sobre a cidade cahia verdadeira mortalha. Tornei de novo a estender-me no leito, dormi doze horas sem interrupção e, quando despertei, reconheci-me excellentes disposições para affrontar a tempestade que ia desencadear-se, impiedosamente, sobre a minha cabeça...»”.
Mas continuaremos este texto em outra oportunidade.

Joffre Justino
Presidente da Academia de Estudos Laicos e Republicanos
Director Pedagógico da EPAR, crl, Escola Profissional Almirante Reis
Coordenador da Comissão da EPAR para a Comemoração do Centenário da republica
publicado por JoffreJustino às 10:56
link do post | comentar | favorito

Das Mentirolas de Anacleto ao “Elevadíssimo Proveito Económico”…

“Significa isto que estamos perante uma
Indiciação segura de condutas assumidas
Pelos arguidos com uma gravidade assina-
lável, em especial aquelas que lhes permi-
tem imputar a prática de um crime de burla
qualificada (de que terão retirado elevadís
simo proveito económico”
(in, DN 09.09.09, frase do Juiz)


Pois a questão central do país em que vivemos é mesmo esta ideia de que as elites se protegem. O Ministério Público apresenta provas que o próprio Juiz assume como irrefutáveis e, mesmo assim, subjectivamente, ainda que perante quem pôs em duvida toda a imagem de isenção do sistema financeiro português, perante quem abusou de dos Clientes do seu Banco, o BCP, demonstrando uma total falta de respeito para com os outros, e para com a Lei, este mesmo Juiz entende que por um dito comportamento “sem mácula” “no desenrolar do processo”, e apesar de estarem em causa abusos, para não dizer roubos de 24 milhões de euros e percas do BCP de 600 milhões de euros, os cinco acusados, estarão obrigados somente ao “Termo de Identidade e Residência”, podendo viajar no avião que exigiram ao BCP, desde que comuniquem as saídas do País.

É tal aceitável?

Não, é absolutamente inadmissível, em nome de uma sã economia de mercado, de uma essencial transparência de comportamentos, por parte de quem esteve autorizado a gerir as Contas dos Outros, de todos nós, Clientes do BCP, como eu.

Conhecemos as histórias dos empréstimos ao filho, ao que consta não devolvidos, por parte do sr. Jardim Gonçalves, como conhecemos os lobbies que envolvem estes cinco, senhores, que passam pelo PSD e pela Opus Dei e, por isso, o indisfarçável sentimento de poder, de imunidade absoluta em que viveram.

Foi com este governo, socialista, de José Sócrates, e com este Banco de Portugal, de Vitor Constâncio, que a banca começou, mesmo que timidamente, a ser confrontada com a necessidade de, nela, os Clientes verem – Responsabilidade Social e Ética Empresarial.

O “radical” Anacleto Louçã o que fez? Atacou o Banco de Portugal e Vitor Constâncio, ao lado do CDS e nada fez para pôr fim a este inefável sentimento de impunidade.

E é esse sentimento que permite que um Juiz aceite, para estes cinco gangsters, o que não aceitaria para um simples cidadão que, desesperado, tivesse cometido um crime contra a propriedade!

Mas o que estes cinco senhores fizeram foi mais que crimes contra a propriedade, foi tal e foi o inequívoco abuso da confiança que os Clientes demonstram ter para com a Banca!

O que afectou claramente a Imagem de toda a Banca Portuguesa!

É natural que o elitismo “radical” de Anacleto Louçã o faça esquecer estes crimes.

Mas é impensável que o Juiz, por o ser, continue a pensar que estamos ao tempo dos tempos da Revolução Industrial.

Porque não estamos.

E é a Imagem de todo um país, de toda uma economia, de todo um sistema financeiro, que fica em causa com estes comportamentos.

O que é inadmissível!

Mas, lamento dizê-lo, chegou o tempo de explicar porque passei, desde há algum tempo a denominar Francisco Anacleto Louçã, vulgo Francisco Louçã, por Anacleto Louçã.

Por uma razão simples – pelo Francisco Louçã até tinha alguma simpatia. Era um assumido Socialista Revolucionário, da revolucionária IV Internacional, que ia assumindo que as ditaduras revolucionárias do proletariado tinham fracassado, mesmo que tal custasse assumir, dadas as relações de amizade com Ernst Mandel…

Mas este cidadão que, ontem, na televisão diz que “sempre fui socialista laico e republicano”, deturpando, no mínimo, o seu passado, de socialista revolucionário, e portanto tudo mesmos socialista, laico e republicano, e ele sabe-o, esquecendo a radical diferença entre um socialista revolucionário e um socialista, ideológica, politica e historicamente, este cidadão que mente não mentindo, que se assume, mesmo mentindo, como acima de toda a critica, ao contrário dos Outros, este cidadão não é o Francisco Louçã, é, quando muito, um clone do Francisco Louçã.

Por isso, só pode ser, Anacleto Louçã.

O Francisco Louçã não é de certeza.

O Francisco Louçã, nas mais difíceis circunstâncias, sempre defendeu a Unidade de Esquerda, PS/PCP/restante Esquerda, (e recordo os mais que inacreditáveis e soezes ataques do PCP a Mário Soares).

Este Anacleto Louçã defende sim a vitória eleitoral do PSD de Manuela Ferreira Leite, um PSD que nada tem a ver com o PSD do Centro que conhecemos anos a fio.

Este é o PSD populista e direitista de Alberto João Jardim, que destrói as Finanças do Estado português para construir uma estrada para a casa da antiga ama dos filhos de Alberto João!

Nada a Fazer com Anacleto Louçã.

Francisco Louçã estaria, como eu, escandalizado com este país deste Juiz. Anacleto Louçã compraz-se com tal e critica Sócrates tal qual a joaninha “voa voa”, que fala em “portugais moderninhos” para que nada mude.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:53
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

A manelinha mguedes Não É A Mafaldinha…A manelinha Mente, Manipula, Usa Os Outros, Somente! Não Contesta Nada!

Quem afastou a manelinha dos tachos que tinha? A Media Capital, a PRISA… (?), quem o sabe efectivamente?
Porque o fez? Certamente por todas as razões e nenhuma mas não é despiciendo lembrar que o maridinho Moniz saiu da tvi, para a ONGOING, com alguns milhões de euros no bolso, (só pela cessação do contrato de trabalho foram 500 000 euros…) …
Certamente que o afastamento da manelinha mguedes, não aconteceu porque, conforme noticia do SOL de 14 de Agosto de 2009, a ONGOING, (por onde anda agora o maridinho Moniz), quer tomar o poder na SIC, na TVI, no Expresso, enfim, quer ser, (o sr Nuno Vasconcelos, filho do amigo Vasconcelos de Pinto Balsemão, o nº1 do PSD…), o Berlusconi de Portugal.
Claro que não!
Mas, releve-se, “certa é a determinação do grupo liderado por Nuno Vasconcelos em crescer no negócio da televisão…”, como referia a citada noticia do SOL, para relembrar contornos “esquecidos” desta operação financeira e também politica, que só o prof. de Manuela Ferreira Leite, Anacleto Louçã, (viram como ele se calou quando Manuela Ferreira Leite “distinguiu o caso Marcelo Rebelo de Sousa?), não quer ver...
Claro que “razão” tem Eduardo Cintra Torres, (um “expert” em Liberdade diga-se, no Publico claro, o do PSD de José Manuel Fernandes), e contra quem os jornalistas, Luis Marinho (Director de Informação), José Alberto Carvalho (Director-Adjunto de Informação), Carlos Daniel (Subdirector de Informação), José Manuel Portugal (Subdirector de Informação) e Miguel Barroso (Subdirector de Informação) apresentaram no DIAP, em 2006, uma queixa-crime por difamação e injúrias!

Porque acha que “O PS de Sócrates é contra a Liberdade” é claro que “tem de ter razão”…Mas, como recordam e bem Mário Soares, que tem o governo a ver com a solução de conflitos entre grupos empresariais?

Mas, já agora, a ERC tem a ver com tal.

Porque se silencia?

Quatro anos seguidos a ofender o PS e o primeiro-ministro Sócrates, sem conseguir provar uma das suas múltiplas acusações, e sem, nunca, ser afastada de nada, e sem que nunca houvesse prova de pressão sobre a tvi por parte do PS, a manelinha mguedes, que sabe que tudo tem um limite, necessitava de duas coisas – ser vítima e ajudar o maridinho no negócio da ONGOING, …porque os milhões já recebidos eram poucos…(?)

Aí está ela, pois, como vítima.

Na verdade, vítima de nada.

Claro, em cima das eleições.

O PS seria pois burro.

Sócrates seria pois burro.

E o Moniz claro, mais a manelinha mguedes, esses, “espertalhões”, com os milhões de euros no bolso, a servir, já, a ONGOING. (É claro, recordemos, que o Publico foi o único a noticiar o desmentido da Media Capital sobre os “3,5 e seis milhões de euros” que o maridinho Moniz teria recebido, claro que não da Media Capital…)

E claro que noticia é mesmo a manelinha mguedes.

Claro que não pode ser noticia o facto de se ter reduzido de 1,7 milhões para 1,5 milhões os/as portugueses/as que auferiam retribuições abaixo dos 600 euros e de 151 000 para 138 000 os que auferiam valores abaixo de 310 euros.

E tal em plena crise de Desemprego.

A manelinha mguedes é que é razão para notícia!

A manelinha mguedes e o seu segundo, porque já vamos em dois, primo de Sócrates e, a este ritmo, tal qual a novela dos anos 60 da entrevadinha, chegaremos ao vendedor que na infância vendeu a Sócrates, na praia, uma bola de Berlim, numa qualquer tvi/ONGOING.

Deveríamos sim preocuparmo-nos com as fragilidades do Estado Português, não o PS, não o Governo, mas sim o Estado Português, que vê desaparecer, em silencio, a Lingua Portuguesa, a Língua da CPLP, enquanto Língua cientifica, no caso do Acordo da Patente Europeia, ou enquanto Língua Comum da CPLP, porque nos falta elaborar uma listagem de palavras da Língua Portuguesa, ou que aceita não exercer o direito de derrogação dos regulamentos da União Europeia que põem em causa os Produtos Tradicionais Portugueses!

Nestas situações estão em causa o emprego, e um emprego altamente qualificado e a Cultura de um Espaço geopolítico que na verdade alguns não querem que exista, (e aí incluo a outra parte dessa mais Antiga Aliança), o de Expressão Portuguesa.
Nestas situações acima, e em muitas outras, vivemos o drama de um Estado laxista, pouco interveniente na União Europeia e tal por absoluta responsabilidade de todo o leque partidário português – uns porque são contra a União Europeia e por tal pouco se preocupam com ela, vide a não presença bem explicitada de Miguel Portas/BE no Parlamento Europeu, PE, vide as oposições inexistentes do PCP no mesmo PE; outros por laxismo puro.
Essas deveriam ser algumas das nossas, sérias, preocupações.
Por isso sou dos que começa desde já a defender – coligações do PS sim, mas sem, garantidamente sem, Anacleto Louçã no Governo, sem Bernardino Soares no Governo, mesmo que com o BE e o PCP.
Coligação com o PSD? Porque não? Se a Esquerda se continua a inviabilizar a ela…e se o país necessitar, para superar a crise, de uma coligação para uma governação estável e centrada no Programa do PS, porque não?
Mas sem Manuela Ferreira Leite.
Por duas simples razões, em todos os casos – 1) porque não mostram nem o sentido patriótico português, nem o sentido de Expressão Portuguesa, que a superação da Crise exige; 2) porque ofenderam a família socialista de expressão portuguesa.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:02
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Primárias - Uma Otima Pro...

. O 11 de Setembro e eu pr...

. Um recado a Henrique Mont...

. Na Capital Mais Cara do M...

. Há Asneiras A Não Repetir...

. “36 Milhões de Pessoas Mo...

. Ah Esta Mentalidade de Ca...

. A Tolice dos Subserviente...

. A Típica Violência Que Ta...

. Entre Cerveira e a Crise ...

.arquivos

. Julho 2012

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds