Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Um texto de Leonel Cabrita

Joana Amaral Dias

A pequena poderia chamar-se Joana Dias, como Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas, Dias Loureiro, Jaime Gama, Cavaco Silva e uma infinidade de outros políticos, ou pessoas comuns que se apresentam à sociedade titulando-se com sobriedade.
Mas não.
Joana sustenta a sua imagem e porte num sonoro Joana Amaral Dias, certamente buscando um esteio paterno que nos induza alguém com verdadeira elevação, imagem e distinção.
Joana Amaral Dias aparece-nos com alguma regularidade na TV debitando ideias e conceitos, mas essencialmente mimoseando os seus opositores de debate com laivos de arrogância, alguma impertinência, conhecimento desmedido e saber incontestável. Modéstia, temperança e humildade jamais fizeram parte das suas intempestivas intervenções.
J.A.D. continua a mesma miúda impertinente do Ensino Secundário pós PREC, donde parece não ter ainda saído.
O discurso é fluído, quase elegante, mas também verrinoso (ao estilo Cícero contra Verres), tornando-se ao mesmo tempo contrastante com a sua imagem de alguma candura a fazer lembrar a Nossa Senhora de Fátima, que me perdoem os crentes pelo termo de comparação escolhido, porque longe de mim qualquer ofensa.
As TV’s gostam; essencialmente quando o bife a martelar é o governo, ou de quem a TV não gosta, para não falar já dos gostos e inclinações do próprio moderador.

Eu não sei se é apanágio de todos os regimes totalitários, sejam eles Leninistas, Trotskistas ou Fascistas, fomentar essa figura abjecta do bufo que, pelas costas ou calada da noite, denuncia ideias, conceitos, movimentos… ou simples abordagens via telefone. Não sei.
Mas que os exemplos e sinais ao longo dos tempos são por demais eloquentes, isso sei.

Joana, perdão, Joana Amaral Dias, terá sido abordada via telefone no sentido de ser sondada quanto à possibilidade de vir a integrar as hostes socialistas.
Tratou-se de uma aproximação auto-determinada por um militante que, não se encontrando disponível para se candidatar ao lugar de deputado, conforme estava convidado pelo partido, entendeu que poderia ser encontrada ali uma solução interessante, a qual comunicaria aos órgãos superiores, se vislumbrasse alguma disponibilidade.
A J. A. D. (espero que não me leve a mal por optar pelas suas iniciais) poderia ter ficado honrada, ou horrorizada.
Jamais saberemos qual dos dois sentimentos a fustigou.

O primeiro, não seria tão despiciente assim: não se é convidado para integrar as fileiras de um partido político da área da governação todos os dias, nem isso será uma coisa horrível para um político, ou alguém que se movimenta no meio. Tanto quanto a experiência nos diz, andam todos (mais ou menos...) ao mesmo.

O segundo, muito menos, a partir do momento em que vimos a J. A. D. na Comissão de Honra do Dr. Mário Soares, aquando da sua candidatura às presidenciais, algo que se constituiu num horror para Francisco Louçã, mas tudo se esquece quando se vislumbra no horizonte um pauzinho de bico que nos favorece os intentos de política rasteira.
Dirá F.L. acerca desse episódio de J.A.D. na Comissão de Honra de M.S.: “…trata-se de uma cidadã livre no pleno uso dos seus direitos de cidadania, pelo que por aí nada a obstar.”

Mas agora não. Agora os direitos de militante B. E. parecem apontar para outras obrigações, quando não restrições, ou mesmo horribilis actus.
Quando a J.A.D. optou por aceitar o convite de M.S. (talvez levada por esta sua forma de estar inquieta a fazer lembrar aqueles putos reguilas que só fazem o que lhes apetece e de preferência do contra) nenhum Carmo caiu, nem Trindade. Aparentemente, Mário Soares nunca teve nada a ver com o Partido Socialista.
De repente, uma mera sondagem, com toda a razão de ser, tendo em conta os antecedentes e outros que, aparentemente, terão sido soprados (com que fins, jamais o saberemos…), é transformada num crime político que desonra meio mundo adversário eleitoral, onde se enfeitam todos os ingredientes da calúnia, com conhecimento à partida de que não há prova possível que os testemunhe. Salvo se ambos os intervenientes também já estivessem sob escuta, o que também não espantaria.
E, assim sendo, vale tudo. Vale deitar toda a lenha para a fogueira para que arda bem vivo o proveito do momento

Subjaz por aqui uma enorme dúvida.
J.A.D. não desmente que o telefonema lhe foi feito na manhã de um determinado dia e que não deu resposta alguma de imediato, solicitando algum tempo para reflexão (supõe-se; salvo se para outras movimentações menos curiais).
Ora a resposta, informando da indisponibilidade, terá surgido por volta das 18 horas desse mesmo dia, na forma de um telefonema feito pela própria J.A.D.. Facto nunca desmentido e sempre astuciosamente contornado.

Se, como diz J.A.D., a proposta era assim tão inaceitável e, aparentemente, despropositada, porque razão foram necessárias cerca de oito horas para tomar uma decisão?
Se nunca esteve nos seus propósitos aceitar uma tal desonra (F.L. afirmou que “… com muita honra, declinou…”), para que precisou J.A.D. de cerca de oito horas para tomar uma decisão?
Terá ficado assim tão chocada que precisou de todo este tempo para se recompor?
Telefonou de imediato a F.L. comunicando o sucedido pedindo instruções políticas?
Terão reunido os estados gerais do B.E para congeminar os dividendos políticos a obter deste abominável acto?
Terá a J.A.D. ficado em terrível dúvida se não seria uma proposta de aceitar, tendo em conta os sinais anteriormente prenunciados e uma militância no BE um tanto distanciada, para não lhe chamar esquisita?
Terá a J.A.D. comunicado a tudo o que era imprensa aquilo que lhe estava a suceder?
Terá ligado à mãe, ao pai, tios e restantes familiares?

É que… oito horas é muito tempo, sugere toda a espécie de congeminações e, como ocorre na investigação forense, é preciso explicar muito bem o que fez durante esta “eternidade”, após ter proclamado aos quatro ventos que a aceitação do “convite” era perfeitamente inquestionável. As coisas inquestionáveis respondem-se em segundos. As oito horas apenas não conferem com o discurso, nem se entendem senão à luz de uma insondável intriga que conviria explicar.

F. L. dá o assunto por encerrado, depois de ontem ambos os protagonistas terem explicado à sua maneira, e em directo na TV, os factos e o seu envolvimento.
Não me lembro de nenhum cão ter deixado de roer um osso de um momento para o outro quando sente que o osso é seu.
Não tenho ideia de um político, ávido de poder e protagonismo eleitoralista, ter deixado de manipular casos ou meras circunstâncias que lhe dão vantagens ou votos.
Sabemos que na política as leis são meio caninas. Mas também temos consciência que é o cidadão que sofre sempre a dentada, que aos poucos o acabará por abocanhar. Daí a importância de nos propormos a entendê-las.

J.A.D. tem neste episódio uma atitude ética reprovável, ainda que em política a ética seja bem pior que a gripe. Ninguém a quer.
Neste caso, mandava a “gripe” que declinasse, agradecendo, ou não, a honra (seria tudo uma questão de educação), fechando de seguida o telefone, colocando um ponto final no assunto.
Assim procedem as pessoas que se dão por gente com princípios… mesmo na política, onde começa a ser raro ver tal acontecer.
Mesmo que jamais alguém viesse a ter conhecimento desse facto, defraudando o protagonismo que a J.A.D. tanto parece apreciar, ficava-lhe a consciência de uma lisura que, com alguma sorte, lhe havia de encher o peito de orgulho. A si e aos seus mais próximos com quem poderia comungar esse brio.
publicado por JoffreJustino às 16:13
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A ARROGÂNCIA DOS PEQUENOS PODERES…

Experimentem tentar colocar num copo quase cheio de água, outro tanto de vinho, imaginemos, de um bom vinho alentejano…
O que sucede? Sucede que o bom vinho alentejano, confrontado com um copo quase cheio de água, transbordará, simplesmente, para fora do copo e o pouco que nele ficar saberá, somente, a uma água com um pouco de um qualquer vinho…
A ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, entendeu, e bem, que os candidatos a quaisquer eleições não poderão ser divididos entre os que o dito 4º poder reconhece e os que o mesmo dito não reconhece.
Por uma questão simples – uma mera aplicação do princípio da igualdade democrática entre candidatos, pelo menos durante a campanha eleitoral, uns míseros dias enfim.
É evidente que o Publico não podia estar de acordo! É evidente que tinha de liderar a contestação a uma orientação da ERC, que está também a ser contestada por tudo o que é Comunicação Social do PSD!
O Publico, um jornal, de partido feito, com pretensa marca de jornal independente, mas verdadeira Voz do Povo da Direita, que coloca em primeira página um poema, “de protesto” contra um candidato a umas próximas eleições, que, ainda não contente, coloca, no dia da reflexão às eleições europeias, em primeira página, um cartaz rasgado de um candidato a eleições, no caso Vital Moreira, cabeça de lista do PS, só podia ofender-se com a ERC!
E, claro, usando um argumento ridículo, falso, abusivo e cito, “..o Publico teria de ceder doze páginas, essas sim a titulo de propaganda, a nomes que nunca contrataria noutras condições”, para, “ compensar uma crónica” de um candidato por eles contratado.
Adorei sobretudo este conceito de contratado – esta ideia de poder, é espantosamente petit bourgeois ridícula mesmo.
Ora toma, eu contratei-te.
Mas, para já, deixemos este tema tão economicista...
A essência deste 4º poder em Democracia, é o serviço público que presta – fazer com que a expressão de ideias chegue, livremente, à Opinião Publica.
Por isso é que a comunicação social ganhou este simbólico Poder – o 4º - por permitir, teoricamente, a livre circulação de ideias, de projectos, de pontos de vista diversos, tornando-se por tal, temível face aos restantes 3 poderes…
Infelizmente, falando-se como se fala das corrupções e corruptelas dos restantes 3 poderes, nada se diz do 4º. Ora, este 4º poder é, cada vez mais, pior que os restantes, até porque nada existe que o limite, sendo necessário, definitivamente, democratizá-lo.
A ERC não pede nada de novo, limita-se a solicitar o óbvio – que haja comedimento na gestão das páginas de um jornal, nos tempos de antena da rádio e da televisão,. na utilização da influencia que ele tem.
É certo que a ERC, assim como o CNE, têm, demonstradamente, andado, em demasia, distraídos. Os abusos têm-se surgido em catadupa, sendo o Publico um exemplo de prevaricação sistemática diria.
O que torna ainda mais espantoso é que o Publico queira tapar o sol com a peneira com a frase acima citada, e procurando usar dois exemplos da sua “liberalidade” – o facto de juntar entre os seus colaboradores, Vital Moreira, do PS e um qualquer Rui qq coisa, do BE.
Na verdade, a partir do momento em que deram “entrada” nas listas eleitorais, do PS ou do BE, até por pudor que fosse, o Publico deveria tê-los convidado a suspender a sua participação regular nas suas páginas.
O Publico ou outro jornal, rádio ou televisão.
Contratados que estejam, ou não.
Sem que tal obrigue, o Publico ou outro jornal, rádio ou televisão, a descobrir verbas, que já não tem porque cada vez menos tem leitores, diga-se, para contratar, como parece que gosta de dizer, mais colaboradores.
Basta-lhes fazer com que as páginas sejam ocupadas por texto partidariamente isento, ( o que no Publico de hoje seria uma novidade! Talvez passasse a vender mais, não?), feito pelos jornalistas que tem na sua redacção, (bem, parece que se encontra reduzida, dada a “qualidade” do seu trabalho e as vendas que têm tido, mas ainda assim, creio, capaz de suportar uns simples 30 diasitos…).
Mas é evidente que no Publico não se pensa assim. Pensa-se que o poder que têm conta e vale por tudo e perante esse poder nada mais há a fazer para além de uma curva das costas, de preferência bem acentuada.
Este 4º poder cansa.
Que tal demiti-lo?
Para já, entretanto, sugiro que nos movimentemos em protesto contra esta aviltação da Liberdade de Expressão, contra este abuso de poder sem jeito desta comunicação social em Portugal!

Joffre Justino
(Quanto à Rádio Renascença, que se apresenta enquanto estação católica, sugeria que contactassem a Universidade Católica para receberem uma formaçãozita em Ética Empresarial e Responsabilidade Social…)
publicado por JoffreJustino às 16:09
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