Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Da Republica Popular da China à Irlanda (Sobre a Greve Geral?)

Uma das fábricas, ( na Republica Popular da China) está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares. Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares. Quando comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios.... estamos perante uma escravatura amarela e alimentando-a... Horas extraordinárias? Na China...? Esqueça !!! REFLITAM E COMECEM A COMPRAR - JÁ - OS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO NACIONAL, FOMENTANDO O EMPREGO EM SEU PAÍS, PELA SOBREVIVENCIA DO SEU AMIGO, DO SEU VIZINHO E ATÉ MESMO DA SUA PRÓPRIA... E DE SEUS DESCENDENTES. (in Internet – um ensinamento brasileiro) Despedir 25 000 funcionários públicos, (7% dos funcionários públicos do país em causa), reduzir o Salário Mínimo Nacional, de 8,65 euros a hora para 7,65 euros, e cortes em 3 mil milhões de euros em apoios sociais, aumento do IVA. E o IRC a 12,5 %. Eis a Receita, para a Crise, do partido irlandês, irmão do PSD, ao que parece a solução desejada para Portugal pelo PCP, pelo BE, para além, claro, do CDS e do PSD…. Digo que é a solução desejada perante as posições assumidas por estes dois partidos políticos, da chamada Esquerda populista, de recusa a olhar de frente para a Crise em que o seu país vive. Na verdade, esta recusa da Esquerda populista em aceitar que o que o Governo do PS defende e projectou para este OE é uma solução outra, progressista, pois não despede, não reduz o Salário Mínimo Nacional, não foi brutal nos cortes feitos às prestações sociais, é a recusa que conduz, pelo desgaste, pelo desencanto que ontem referi, a uma vitoria eleitoral do PSD. Que gerará despedimentos na Administração Central e Local, reduções no Salário Mínimo Nacional, e cortes esses sim radicais, violentos, nas prestações sociais do Estado aos Mais Carenciados. Pensam eles, não todos certamente, mas muitos deles, que estas medidas radicais “revolucionará” os trabalhadores portugueses, colocando-os em estado emocional pré revolucionário, prontos para que, liderados pelos PCP e BE que defendem estas opções, assistamos a mais uma tomada de assalto da Assembleia da República, (algo que já vivemos ao tempo do PREC). Expliquei já mais de cem vezes que assistiremos a algo bem diferente. O PSD e o CDS, perante o fim cada vez mais previsível do euro, tenderão sim a serem varridos pelos populismos de Direita, já visíveis aquando da apresentação de uma proposta de revisão Constitucional e, com o argumento, já conhecido em Portugal, aos anos 1926, “eles” os “políticos” “são todos iguais e há que varrê-los”, para serem cavalgados por uma extrema direita que nunca deixou de existir que assumirá, ela, o Poder, em “Ditadura Salvadora” como já vimos suceder por aí,… E a Globalização, neste rumo, far-se-á pelos caminhos da total violência, da mais escandalosa exploração, bem relatados acima, com uma RP da China a ser a “salvação”, pagando o que acima vemos aos trabalhadores, para dominar o Mercado Global em que hoje vivemos. E, claro, não esquecendo os 500 000 funcionários públicos já despedidos em Cuba….e a malga de arroz que os trabalhadores vietnamitas auferem por dia de trabalho… Em todos os minutos, na comunicação social portuguesa, há quem injecte venenosamente os “erros” da governação socialista, de Sócrates, há quem injecte venenosamente a evidencia da falência de Portugal, acompanhando a Grécia e a Irlanda, arrastando assim os cidadãos para o desencanto e para a vitória eleitoral da Direita, do PSD e do CDS. Que, reafirmo-o, estão a ser instrumentalizados por quem vem aí….veja-se a historia da revisão constitucional. Não será um lindo D. Sebastião, esse que aí vem, será bem mais próximo das botas salazarentas, e, claro, no seu findar, do desastre tal qual foi a Descolonização que os salazarentos impuseram ao Império. E, por isso, coitada desta Greve Geral, feita de descontentamento sem visão politica, de zanga sem objectivo político, de uma desnecessidade óbvia! A não ser que se queira entregar o país à Direita que se diz detestar….. De novo repito, não alinhei em nenhuma campanha contra a realização desta Greve Geral, porque entendi que se o fizesse estaria a alimentar mais o erro do que com o silencio. Só que, terminada a Greve Geral há que debatê-la, há que procurar repor o bom senso nesta Esquerda populista que visivelmente anda louca. Portugal não vive em nenhuma redoma de cristal, afastada põe ela do Mundo. Portugal chafurda como os restantes países neste Mundo e é nele que tem de lutar, não em um qualquer balão de ensaio feito em laboratório universitário. E as lutas, as suas formas, têm de variar com os tempos, gostemos ou não de tal! Mas sobretudo têm de variar os campos de batalha, dadas as características da actual Globalização. Hoje as lutas politicas e sociais passam mais pelo apoio aos que na RP da China, em Cuba, na Malásia, etc, nos países da periferia enfim, mas também nas grandes potências emergentes, lutam pela melhoria das condições de vida, por um Estado Democrático e Social, pela participação dos Cidadãos na vida politica económica e social, do que pela exigência de mais e melhores condições nos países do centro, EUA, União Europeia, Rússia, pois a distância que separa o centro da periferia é demasiado grande para ser sustentável no centro a exigência de mais e melhor, sem que haja mais e melhor na periferia. Em nome de uma concorrência sã na economia. Daí que os Sindicatos ou se aproximam rapidamente desse combate, ou então tenderão a ser elementos de fragilização dos países do centro e de sustentação da mais descabelada exploração nos países da periferia. Sem sombra de dúvida que há combates a fazer, pelos sindicatos sobretudo, nos países do centro e um deles é o combate por uma mais perfeita equidade na distribuição dos rendimentos, o que significa que é cada vez mais insustentável o aceitarem-se, para gestores, salários diários da ordem do salário mínimo mensal que 7% a 10% da população ainda recebe, como é insustentável, no caso português, pensar-se que a Crise se resolve com o não aumento, acordado em Concertação Social, do Salário Mínimo Nacional para os 500 euros, (na Irlanda, mesmo com a redução do SMN, mesmo com a divida pública que tem, mantém-se um SMN na ordem dos 1000 euros mês!). Entretanto, o equilíbrio, no contexto desta economia Global, obriga a avanços e recuos assumidos, também pelos sindicatos, no planos dos Direitos e no plano dos Deveres, tal qual como se reconhece já na Confederação Europeia dos Sindicatos. Porque a ideia do quanto pior melhor, não é a solução, pois só se tem mostrado favorável ao aparecimento de Ditaduras onde os mais desfavorecidos se limitam a continuar a sê-lo e onde os mais favorecidos se enriquecem ainda mais. Como escrevi ontem a Greve Geral em nada se mostrou eficaz enquanto forma de luta neste combate globalizado, a não ser para melhorar um pouco a auto estima de alguns dos trabalhadores. Que com a mesma mostraram a sua zanga, mas ao mesmo tempo se zangaram com companheiros seus que não participaram, por não concordarem, com esta forma de luta. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:26
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