Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

O Miau Celta…(pois… a festa já acabou já…pá)

Pois, alguns teimaram, por variados anos, que a Irlanda era um Tigre Celta, um exemplo da superioridade moral da Direita Liberal na Europa…(acredito até que José Manuel Fernandes escreveu sobre, ou pensando em tal exemplo…em tempos que não os de hoje.. Hoje o exemplo é a Alemanha, já que se descobriu que de tigre celta a Irlanda passara a um gato, bem caseiro e bem gordo, com um divida a 32% dos PIB e que vivera na verdade alimentado pelas transferências e desatinos de produtos financeiros sem rei nem roque, aliado a um pressuposto – o Estado que se dane, vivam as empresas e, por isso, o seu IRC andava pelos 15%.... - e, claro, salvemos a Banca, e aí sim salvemos a banca com os contribuintes a sustentarem o pagamento da bolha do imobiliário irlandês e das aquisições dos produtos financeiros bushianos, razões centrais do aumento da dívida do, agora gato, irlandês… Nem assim as empresas, irlandesas, salvaram a Irlanda da crise, mundial, gerada no centro do neo liberalismo a anti estatismo, os EUA do sr Bush, e tanto filho quanto pai… Claro que agora, para estes liberais de pacotilha, o exemplo do liberalismo deixou rapidamente de ser a Irlanda para ser a Alemanha da sra Merkel, a que nos impõe uma politica orçamental de ferro e fogo em nome da sustentabilidade das economias. Segundo José Manuel Fernandes “o problema não é da Alemanha, que fez o seu trabalho de casa, mas de “Portugal, da Grécia e da Irlanda, que tinham de ter a capacidade para gerir a situação”. Qual trabalho de casa, no caso da Alemanha? A Alemanha dobrou em 21 anos de População e Território, em matérias primas e recursos e cresceu bem em tecido empresarial, o que não sucedeu a nenhum outro país europeu e tal sem qualquer custo, qual euromilhões, em consequência da fusão, gratuita das duas Alemanhas no pós findar das economias sovietistas. Enfim, a Alemanha beneficiou, sozinha, de um segundo Plano Marshall … trabalho de casa? Qual trabalho de casa? Egoísmo puro pois beneficiando destas enormes vantagens o que a Alemanha está a querer fazer, tão somente, é recentrar a economia europeia a leste, fragilizando a economia atlantista e, se necessário for, anulando-a. De facto, da Alemanha de hoje não vem qualquer exemplo, pois nem agradecida se mostra perante as dádivas recebidas, gratuitamente, bem melhor que os financiamentos europeus recebidos por Portugal, ou pela Grécia, ou pela céltica Irlanda…. Para José Manuel Fernandes Portugal, os e as portuguesas terão de seguir uma única via – “trabalhando mais, trabalhando melhor, começando por ganhar menos até conseguir ganhar mais, consumindo menos até voltarmos a equilibrar as contas” Enfim, como ele diz, eis a receita de “Pedro Passos Coleho (no Facebook) e de Manuela Ferreira Leite (na AR)”. Aumentar a carga semanal de trabalho, (trabalhar mais), despedir, (trabalhar melhor)reduzir os salários, (ganhar menos) reduzir o consumo privado, (despedir e ganhar menos), eis a solução neo liberal para Portugal! Para José Manuel Fernandes há que seguir o exemplo do Reino Unido, “dispensar funcionários públicos”… Eis o caminho “do futuro”, eis o caminho para o qual nos querem conduzir, mesmo na dita “esquerda radical” que, por ódio anti socialista, prefere ver os anjos de José Manuel Fernandes no poder a seguir um outro exemplo. O Exemplo que nos vem do Brasil! O exemplo de uma Esquerda que não enquistou num passado, perdido ainda por cima, do quanto pior melhor, do “antiburguês” como se eles não o fossem, burgueses, face a um planeta onde mais de um terço da população não vivesse abaixo de 1 dólar por dia. O exemplo de uma unidade de Esquerda que não se envergonha de estar no Governo, não temendo negociar a sua presença no(s) mesmo(s), federais e nacional, e, até, de se sentar com o Collor de Melo, o Santana Lopes do Brasil. O exemplo de uma Esquerda que não teme ser anti capitalista face ás empresas e reformista face à politica nacional em vez do que cá sucede, onde esta Esquerda é reformista face ás empresas e anti capitalista face à política nacional. Pois, na verdade, hoje, em nome de uma economia concorrencial, porque a economia portuguesa tem de o ser, há que ser reformista em ambos os campos, doa o que houver a doer, pois temos, a Agosto, uma dívida das famílias e das empresas, da ordem dos dez mil milhões de euros, dos quais 5,7 mil milhões de euros nas empresas, sendo que o sector imobiliário deve destes 1,7 mil milhões de euros, e a construção civil deve 1,5 mil milhões, estando a economia portuguesa a chegar, assim, ao nível do risco elevado de surgir uma das famosas “bolhas do imobiliário”, bem igual à que gerou a crise mundial, nascida que foi dos EUA. De facto, a economia portuguesa “cresceu” baseada nestes dois sectores, imobiliário e construção civil e obras públicas, e sonhando, claro, nos famosos financiamentos comunitários. Por isso José Manuel Fernandes prefere dizer, “Deixemos de lado, pró agora, saber como e com quem entrámos para o buraco em que nos encontramos” – na verdade teria de dizer que o buraco nasceu na ideia do “somos europeus, somos ricos”, do “uma casinha para cada família de jovens”, e do “floresçam muitas rotundas em cada concelho”do consulado de Cavaco Silva! Na verdade, enriqueceram-se as empresas de construção civil e obras públicas e deu-se assim o ar de sermos, todos, ricos, neste consulado como no consulado do católico Guterres. Não o éramos, não o somos. E há, na verdade, que emendar a mão. A emenda dos erros cometidos vai, sem dúvida, doer e seria útil que José Manuel Fernandes dissesse quanto aufere, que rendimentos obteve em todos estes anos de euforia de, como ele diz, engorda, (o chocado que fiquei quando em 1993 entrei uma vez na redacção do Publico e vi com quanto jornalistas se fazia aquele, rico, jornal! Há que emagrecer sem dúvida! Há que não perder tempo com atitudes de redução da produtividade nacional, obrigatoriamente. Há que lutar, assim, à Esquerda, de outra forma. A não ser que queiramos dar a mãozinha, e o poder, à Direita! Em nome do esconder que até Fidel já reconhece os erros do estatismo comunista que ele dirigiu. A Direita que diz, citando um instituto alemão, o IFO, e o jornal i, “Em vez dos 4,5 a 5 milhões de desempregados que se previam na Primavera passada, Hnas-Werner Sinn crê que o número não superará os 3,6 milhões em 2010. "Isto significaria que na pior crise económica mundial, vivida desde a II Grande Guerra Mundial, teremos 1,3 milhões de desempregados menos do que em 2005, o último ano em que se registou a maior quebra no desemprego", disse o economista. Mas, relevo o escrito na noticia, “Este 'milagre' deve-se fundamentalmente às fortes ajudas do Governo alemão às empresas, as quais evitaram os despedimentos, salientou.”. Assim, neo liberalismo sim mas para os outros que nós não! (Na verdade, reafirmo, o que sucedeu na Alemanha foi somente o “milagre” surgido por uma economia aos alemães oferecida, pelo fim dos países sovietistas…e com muito Estado pelo meio). Enfim, este crescimento alemão, com 8% de Desempregados note-se, não deveria animar assim tanto José Manuel Fernandes e os neo liberais portugueses… E muito menos a Esquerda que se pensa radical mas não é mais que burguesmente populista, ( e como Marx detestava estes burgueses populistas…sempre radicais, sempre incapazes de perceber a sociedade onde viviam…), que confunde a situação portuguesa com a irlandesa, que procura apoiar os “radicais” gregos que viviam um sonho bem burguês, etc, tentando fazer esquecer que por enquanto as medidas tomadas pelo governo socialista são as únicas que mantêm a economia portuguesa no contexto de uma globalização que lhe permite, apesar de tudo, ter um crescimento, por via das exportações, da globalização enfim, de 1,5% e não uma queda no crescimento e apesar da crise não estar Portugal nos 20% de Desemprego da vizinha Espanha. (Ah! Uma nota, parece que exista quem, “democratas” que são, queira obrigar-me a calar-me…por via de multas burocráticas decididas por burocratas de serviço… aí por voltas dos princípios de Dezembro relatarei…) Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:24
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