Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Anseios Antigos, Ditaduras Novas…Somos Todos Anti Capitalistas?

“Já há 1 ano, (em 14 de Julho 2008), o mesmo jornal referia que "A operação de cedência de créditos fiscais e da Segurança Social ao Citigroup, realizada por Manuela Ferreira Leite enquanto ministra das Finanças do Governo PSD/CDS-PP, está a ficar cara ao Estado: dos 11, 44 mil milhões de euros cedidos ao Citigroup em 2003, mais de 3,74 mil milhões foram substituídos por outros créditos cobráveis dos anos seguintes. Com esta substituição, o Estado cedeu ao Citigroup um montante total de créditos de cerca de 15,2 mil milhões de euros. (...) o montante dos créditos fiscais substituídos apanhou de surpresa o Governo de José Sócrates, dado que Ferreira Leite garantira na altura, que a taxa de substituição desses créditos não seria superior a um dígito. Em vez de uma taxa de substituição inferior a dez por cento, o negócio com o Citigroup acabou por traduzir-se na substituição de 33% do total de créditos cedidos àquele grupo financeiro norte-americano. (...)” …E há quem escreva, (aliás ela própria o faz), que Manuela Ferreira Leite dizia/diz não aos desvarios….e que a Crise é, somente, resultante da má governação socialista. Memórias curtas. Vi, ainda, escrito, algures, que o problema resulta da teimosia do governo e mais, que a negociação sobre o OE ia falhando por teimosia governamental. Como se não vivêssemos em Democracia e que, em Democracia, a regra é – governa quem tem mais votos e mais deputados. Claro que limitada a governação, mais ou menos, consoante a maioria que o eleitorado transmitiu. Mas, na verdade, o Governo foi mais longe e assumiu as suas responsabilidades, optando por levar a negociação em volta do OE ao limite e foi, por isso, por sua essencial iniciativa, possível obter-se um Acordo PS/Governo/PSD. Acordo que, ao que parece, continua a ser mal visto entre a Direita e a Esquerda populista, (PCP/BE), até diga-se pelo PSD, o outro parceiro deste acordo. Curiosidades destas negociações em um país onde poucos assumem as responsabilidades. Mas onde, curiosamente, muitos procuram mostrar-se com discursos anti capitalistas, sejam-no ou não. Vale pois recordar que Mussolini era anti capitalista, tal qual Hitler também ou era, ou Peron, e até, espantem-se, António de Oliveira Salazar, ele próprio, o salazarento. Seguindo esta linha, mesmo que, claro, com outros e bem mais saudáveis intuitos, mesmo que erradamente mostrados, o são o PCP e o BE. Que se esquecem que Marx explicou inúmeras vezes que o capitalismo era inevitável e que não haveria socialismo sem que acontecesse amadurecidamente o capitalismo. Deve-se ao populista Lenine a adulteração desta noção, em nome da defesa do regime que conseguiu impor – o capitalismo de estado, como na verdade ele próprio definiu nos seus últimos documentos. Será possível ir além do que as forças produtivas o permitem, eis a velha questão entre marxistas das múltiplas tendências existentes nesta escola, ou linha de orientação. O PCP e o BE, visivelmente, e apesar dos resultados, catastróficos, mostrados pelas experiencias soviéticas, chinesas, cubanas, etc, acham que sim, teimando num erro que tem já quase 100 anos. É um pouco demais não acham? E é por isso que alimentam uma política “anti capitalista” centrada no manter-se fora de jogo em todas as circunstâncias, da economia, da política, da intervenção construtiva. Por isso este desastre que é a economia social em Portugal, onde quem nela predomina é mesmo a Igreja Católica seguida, bem muita atrás, por activistas sociais de variada orientação, na sua maioria de Esquerda, mas no geral dispersos no contexto económico e, por isso, pouco valendo. Cooperativismo, associativismo, autogestionarismo, tudo movimentos olhados com suspeição por estes “revolucionários puristas” que preferem, sabe-se lá porquê, o capitalismo de estado das “empresas públicas e participadas”, do “ensino público”, da “saúde Pública”, gerador de elites gestionárias, “técnicas”, e na verdade facilmente corrompíveis e delapidadoras do próprio sistema, “publico”, como temos visto desde 1975. Estado, Estado, Estado, só olham para este polvo que é o Estado, só sonham com este polvo que é o Estado, só pensam tendo em conta este polvo que é o Estado…. (Seca!). Mas, se confrontados com a necessidade de participar na gestão do mesmo Estado, aqui d’el rey, (já que muitos têm na verdade uma monárquica mentalidade), que é “cedência ao capitalismo” tal participação. E, claro, quem pensa de outra forma vira, de imediato, “inimigo de classe” a combater, a destruir, a anular. Como se de virgens puras se tratassem, (eles claro), como se não fosse possível ver, pela gestão do menor, as Juntas de Freguesia e as Câmaras Municipais que gerem, como geririam o maior, o tal Estado! E “virgens puras” que são lá se alimentam do voto Não a todo o momento, num pseudo anti capitalismo serôdio, anti marxista, e na verdade completamente próximo de muitas das teses “anti capitalistas” de Mussolini, de Hitler, de Peron e de Salazar, gostem ou não de ouvir tal. Sonhando com uma “luta de classes” que os ignora, que deles se afasta a todo o momento, esta Esquerda populista funciona as mais das vezes como mero travão à mudança. Claro que o erro não é somente deles…. Do outro lado, e ainda dentro da barricada da Esquerda, não poucas vezes assistimos a crassos erros que alimentam somente o sectarismo das “virgens puras”, dando-lhes a necessária razão para continuarem a existir. O que é no mínimo tão lamentável quanto o virginal purismo da Esquerda populista, ou, claro, o anticapitalismo de alguma Direita que se manifesta usualmente em momentos eleitorais como meio de captação de eleitorado. A economia de mercado, o capitalismo, está para durar, não esperem o contrário. Há somente que o delimitar e, dentro dele, ir construindo outras vivencias, outras experiencias, outras perspectivas, como meios de aprendizagem e de pedagogia demonstração de outro futuro. E essa delimitação passaria por outro diálogo à Esquerda, na análise do OE, deste instrumento “capitalista”, visto enquanto meio de potenciação de uma necessária mudança, onde cabe e bem a noção da responsabilidade, individual e colectiva, dos erros feitos, dos luxos abusivos e generalizados, e, por isso, de uma necessária contenção das despesas, vista adequadamente e não olhando surrealmente para o acessório, como já temos relevado em outros textos. É grande a Crise? É. Mas é maior porque à Esquerda optámos, todos, por nos bloquearmos e, à Direita, por seguirmos os mais disparatados populismos, como ir pela via da abstenção na votação do OE para o subverter nas votações na especialidade. Como irá acontecer…. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 14:01
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