Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

O Ditador das Finanças e os Meninos da Mamã pseudo anarquistas do youtube

Meu caro Pacheco Pereira, Andámos muitas vezes bem próximos, desde os tempos do PCP(ml), ao do Clube da Esquerda Liberal, e, para mim pelo menos, sempre com honra. Ultimamente estas formas comuns de ver a vida, entre nós, tem-se reduzido. Bastante mesmo. És entretanto, como se sabe, como te entendo, um sério historiador e neste texto é enquanto tal que te respondo, eu que não o sou. Fizeste referência ao facto de Salazar ter chegado ao poder “como”ditador das finanças””, para argumentar em tua defesa contra o PS. Mau enquadramento meu caro. É realmente verdade que a problemática das Finanças esteve na origem da chegada ao governo, não ao poder absoluto, de Salazar. A ditadura chegou antes dele, com argumentos tão idênticos aos que por aí hoje abundam que já me levaram a pôr em cima da mesa a necessidade de alertar para esta neo fascização da vida política portuguesa. Aliás intelectuais tão sérios quanto tu, ao tempo da I República, como o socialista António Sérgio, estiveram na origem da aceitação, unânime, da necessidade de uma ditadura, temporária claro, para pôr “o país” e não somente “as contas” na ordem! Bem. O país está na ordem, vive-se com angústia, mas com calma, esta crise, e a larguíssima maioria das e dos portugueses sabe bem que tem de partilhar o pagamento desta crise, pois a responsabilidade dela é, muito, colectiva! Ainda que os desperdícios das governações de Cavaco Silva e de António Guterres estejam e muito na raiz da crise actual, com a forma como se delapidaram os financiamentos comunitários de 1986 a 1995! E, sobretudo, com a criação de uma falsa imagem de nós – a de que por sermos parte da UE e do euro, éramos ricos! E foi esta espalhada noção que nos conduziu a um desperdício consumista perfeitamente absurdo em bens e serviços de muito baixa necessidade e reprodutividade – os automóveis, os apartamentos, as nikes, os tlm’s, etc – em vez de se ter incentivado um elevado consumo na educação, na formação, na cultura e na aquisição de saber. A divida do país é e tu sabe-lo, muito, por demais, das famílias, do consumismo de baixa necessidade. E da sustentação de um sector de actividade que não reproduz riqueza – o da construção civil e obras publicas – sendo que no segmento da construção civil, a busca da casa própria logo aos “vintes”, medida bem “psd”, se bem te lembras, gerou ainda por cima uma significativa baixa apetência à mobilidade profissional. Hoje percebemos que temos de pagar a divida que adquirimos. Por razões estritamente eleitoralistas tu e o PSD procuram empurrar o ónus da crise para o PS. Nunca o fiz, desde há longo tempo que aponto os erros das governações Cavaco Silva, mas também António Guterres. Esperava de ti o mesmo, intelectual de qualidade que és. Muito menos esperava que usasses o argumento da ditadura das finanças. É e tu sabe-lo um argumento falso, pois o que estava em causa nos anos 20 do século 20 era a problemática da autoridade. Da Igreja contra o Estado Republicano saíram duas guerras civis. Da Maçonaria, da Igreja, e dos interesses alemães e ingleses saíram duas ditaduras, a de Pimenta de Castro e a de Sidónio Pais, e a adesão à I Guerra, por forma a travar os apetites ingleses das colónias portuguesas. Dos radicalismos saíram os assassinatos dos Otelos de então…. Da Fome, mas da Fome a sério note-se, da doença, da falta de solidariedade, nasceram as greves sindicais geridas anarquicamente por anarquistas e a instabilidade social, e económica. Do Machismo, como em quase toda a Europa de então, nasceu a incapacidade em dar à Mulher o direito a votar e do elitismo a incapacidade em dar o voto, universalmente. Não era pois a problemática financeira, ainda que ela existisse, o essencial, na I República! E tu sabe-lo bem. Como sabes da enorme riqueza, social e cultural, vivida naqueles loucos anos de Fernando Pessoa, de Santa Rita, de Egas Moniz, de uma riquíssima comunicação social, ampla, aberta, e não enquista nos interesses dos patrões dos media, de hoje. Do teu PSD enfim. Sabes, é bem negativo ficarmo-nos por meias tintas. Neste 5 de Outubro assisti a algo que me pôs, literalmente, sem voz. Um bandinho de “gente in”, de tambores nas mãos, invadiram o recinto onde se comemorava a República, a Praça do Município. Cercados pelas televisões claro. Pois elas adoram o fait divers e a ideia de que Socrates não tinha sido apupado, pelo contrário, a visão dele a ser aplaudido, (mais do que foi o PR note-se), era-lhes bem adversa, porque o aplauso hoje não é noticia – o escândalo sim é que é, sobretudo se anti socialista. Assim, o bandinho insultando a República entra na Praça do Municipio e só dentro dela é que é, bem simpaticamente, demasiado simpaticamente diga-se de passagem, afastado. Segui estes acontecimentos bem de perto e, a meio do que ia vendo, confesso-te, pensando na minha família, nos meus avós, e no meu pai, perdi a cabeça. E barafustei tanto contra este antirepublicanismo de pacotilha, contra este pseudo anarquismo balofo, contra esta defesa implícita da ditadura breve, (mais uma vez para pôr “ordem nas coisas”), que na verdade duram sempre 48 anos, que perdi, literalmente, a voz. Amigos meus disseram-me, travando-me, deixa, não merecem que te preocupes com eles. Na verdade merecem. Eles são os porta-vozes de um futuro muito mau que se avizinha e que ainda pode acontecer. Um futuro de ditadura. Meu caro, O que está em jogo é uma questão estritamente cívica – há que pagar o que pedimos emprestado! Abusamos nos pedidos, deixaram-se abusar verdade seja dita e agora, é bem simples – há que pagar. Como há também de manter os investimentos necessários para recuperar dos anos perdidos que atrás cito, de cavaco Silva e de Antonio Guterres. Como podes tu estar contra a defesa de um acto de civilidade? E contra um acto de solidariedade? O que está em causa é não nos deixarmos envolver por gente que odeia, sempre odiou, a Democracia, gente que não é PSD, não é liberal, mas que o cerca a toda a hora, tal qual os estatistas ditos de esquerda cercam o PS. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 13:54
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