Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Sinto-me A Mais,… Sinto-me Um Vencido da Vida….

Hoje não escrevo sobre ou em volta do Brasil. Se tinha razões, pessoais, para me sentir triste, ao ler os jornais fui definitivamente atirado ao chão, com a entrevista a um tal Filipe Ribeiro de Menezes, saída no i. Não valerá, pois, a pena, este país que se chama Portugal…? Note-se, mais, realce-se, Durão Barroso, que nem é da milha família política, não teve qualquer chamada de 1ª página, ontem, e no entanto é o 1º Português a ser Presidente da Comissão Europeia, e foi o primeiro Presidente da Comissão a fazer um discurso do Estado da União Europeia. No entanto, este incompetente acima referido teve direito a chamada de primeira página no i com um título escabroso, “Salazar era um democrata cristão convicto”! Sensacionalismo? Mas é possível escrever sensacionalismos com falsidades históricas e as mesmas falsidades serem assim, sem mais, aceites, numa comunicação social que se quer democrática? Sinto-me verdadeiramente derrotado, na comunicação social abundam como se vê os/as totalitários/as, 36 anos depois do 25 de Abril, e abundam com o poder suficiente para terem direito a chamada de 1ª página, com tais notícias. E, mais grave ainda, o energúmeno que escreve que Salazar era um democrata cristão convicto, foi pago pelo governo irlandês, um pais da democrática União Europeia, para escrever tamanhas diabólicas frases… Que fazer…. Sinto-me verdadeiramente perdido. Já me sentia assim no plano pessoal, pois se nem pátria me deixam ter, e se emocionalmente me sinto, absolutamente, hoje, fora deste planeta, agora também intelectualmente fui empurrado para o canto onde são colocados os boxeurs, para serem chacinados durante os combates. Salazar “democrata cristão” e escreve-se isto em Portugal, (que se escreva na Irlanda, onde como se vê, até nas contas erram,…), como se nada fosse. Dir-me-ão que se trata somente de uma tentativa de branqueamento deste incompetente ditador que, hoje, não pode ser reconhecido como fascista, a bem do branqueamento de tantas instituições, bem, mais “importantes” que Portugal, (para alguns). Salazar que assumiu em todos os seus textos que era arrogantemente antidemocrata, que se arrepelaria todo se lesse tal nos seus jornais, ao seu tempo! Salazar que “inventou”, inclusive, uma filosofia e um modelo político económico e social próprio – o anti democrático e quase estalinista corporativismo – e sobre ele laudatoriamente escreveu. Salazar que inventou o Tarrafal, que eliminou fisicamente adversários, que mandou torturar, que impôs leis racistas sobre o Império português, que, anos a fio combateu a miscigenação racial. Salazar que se bateu contra os americanos por serem democratas e, por tal, delapidadores da “civilização ocidental”. Salazar que se aliou, mesmo dizendo-se neutro, a Hitler e a Mussolini e recebeu depois de derrotado o Eixo fascista, os ditadores fascistas e os alimentou com os impostos dos portugueses. Salazar que fraudulentava as “eleições” que ia fazendo, que proibia partidos políticos, que não combateu, prendeu e torturou, somente os comunistas, (que raio quando paramos com este anticomunismo serôdio que só alimenta a ideologia comunista?), mas sim também, monárquicos liberais, republicanos conservadores, republicanos democrata cristãos, republicanos liberais , republicanos socialistas, ou os anarquistas e, claro, também tal qual Hitler, os “fascistas” ideólogos, já inúteis para o poder fascista. Salazar que impôs ao país, sem referendo, note-se, uma Guerra Colonial que o seu ministro da defesa recusava, ( e que por isso tentou um golpe de estado que só falhou porque os generais que inicialmente apoiavam o tal ministro da defesa foram cobardes e recuaram, obrigando o país a manter 14 anos de uma inútil guerra), quando todos os dirigentes nacionalistas estavam disponíveis para uma transição pacifica para as independências, (e viva Manuel Alegre e Abaixo os ditos militares, generais ou não, que o criticam e esquecem os seus antecessores que, traindo o seu ministro, impuseram uma inútil guerra Portugal e ao Império). Salazar que, por tal, delapidou uma incomensurável fortuna a Portugal, e a todos os PALOP. Salazar que impôs à economia de mercado as inacreditáveis solicitações, de joelhos e com declaração anticomunista, para se ter autorização para abrir uma empresa, aos empresários e, assim, destruiu o sentido e a cultura de livre concorrência em Portugal, o que ainda hoje pagamos. Salazar que beneficiava uns, os bons empresários, em detrimento de outros…. Salazar que impôs, não a Portugal mas a todo o Império Português índices de analfabetismo superiores aos 70% porque ler e escrever ficava mal a um camponês. Salazar que não construiu portanto escolas, a não ser o mínimo necessário para uma elite que tinha como dever adorá-lo, tal como não construiu hospitais suficientes, nem estradas, ou pontes. Esse Salazar que obrigava as mulheres a verem os seus recibos de vencimento terem de ser assinados pelos esposos, que proibiu o divórcio, que impôs, taliban que era, a religião única, que tinha medo de andar de avião, esse Salazar, era, pois, “democrata cristão” e ninguém nunca o soube até surgir esta dita biografia. Nada a fazer… Estou a mais, por aqui, sou de facto um Filho do Império, esse Império que o liberal e Republicano Norton de Matos ajudou a reforçar, ele também, diga-se, maçon, e que foi o Grão Mestre do GOL que expulsou do mesmo GOL os ditos maçons que teimavam em continuar com a ditadura, (palavra bem oposta à democracia cristã recorde-se), já com o fascista Salazar. Estou a mais, porque aprendi com o meu pai, republicano liberal e laico, a ser anti salazarista, a amar a Democracia e depois, para além dele, optei por defender a Independência de Angola, e, claro de todos os PALOP e de Timor, razão pelo qual conheci as prisões totalitárias, já não ao tempo de Salazar, mas do seu discípulo/antidiscipulo Marcelo Caetano. Estou a mais, porque acredito na Igualdade de Oportunidades, na existência da sexualidade para além do Género “estabelecido”, sem me sentir forçado a “experimentá-lo”, porque conheço os versículos da Bíblia onde se vê um eunuco a se baptizado, e, portanto, também na necessidade premente da Educação Sexual nas Escolas, obviamente na Laicidade, isto é na separação entre a Igreja e o Estado. Estou a mais, porque entendo bem o que queria dizer Fernando Pessoa quando dizia que a sua Pátria era a Língua Portuguesa, ele também Filho do Império e maçon “fora do contexto”, porque do Direito Humano. Estou a mais, porque, sendo maçon, sou cristão, tal qual sou contra todas as Igrejas, cristãs ou não, mas respeitando-as sempre, (o meu pai, maçon também, que morreu católico mas foi, anos a fio ateu, porque se tinha apaixonado por uma católica, com quem casou, a minha mãe, levava-nos todos os domingos à missa, ficando, todos os domingos, anos a fio, à porta, ensinou-me esse respeito pelo pensar do Outros) . Estou a mais, porque não consigo entender a necessidade de branquear o filho do diabo que foi Salazar. Ele era fascista, totalitário, incompetente, destruiu o Império e ponto final. Só por tal, ter destruído o Império, (ou já se esqueceram dos anos em que o Império soviético, a par com o americano, dominou os PALOP?), mereceria o nosso total desprezo Não fora Mário Soares, (e não Salazar) e não haveria esta réstia de Pátria que é a Língua Portuguesa que se chama Língua Portuguesa e que Fernando Pessoa recorda. Por isso sinto-me, hoje, não mal, mas ainda pior. Sinto-me a mais. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 13:40
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