Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

P´rá Frente Brasil! A Rota do Barroco ou As Cidades Históricas de Minas Gerais

Foi uma oportunidade incrível a que tivemos de, com o irmão do meu cunhado Daniel Vaz, e um seu amigo, Manuel como o meu cunhado Manuel Rodrigues Vaz, fazermos o percurso das vilas do ouro, ou das cidades históricas de Minas Gerais, ou como meu cunhado e minha irmã chamaram rota do barroco. Pudemos, assim, passear por Ouro Preto, Mariana, Congonhas, S. João Del Rei, Tiradentes, e ainda chegarmos a Petrópolis, já fora deste percurso, mas onde paramos no regresso ao Rio de Janeiro. Trata-se de uma rota turística bem definida no Brasil, e que tem o encanto de ser apresentada para além da sua riqueza arquitectónica, em vários dos documentos que tive a oportunidade de ler e, também, em vários do guias turísticos que pudemos ouvir e acompanhar. Porque no Brasil não existe esta mania asséptica de apresentar monumentos e outros elementos históricos sem a sua relevante função humana, para a qual foram, na verdade, construídos, o que torna estes passeios bem mais divertidos. Mais divertida ainda se torna a viagem se a acompanharmos com visões criticas da História do Brasil, como a que se reflecte no livro “Guia Politicamente Incorrecto da História do Brasil” de Leandro Marloch. No mesmo podemos, por exemplo, encontrar uma outra versão do herói brasileiro que é o Aleijadinho, aliás, António Francisco Lisboa, escultor, ou arquitecto e escultor, filho de Manuel Francisco Lisboa, arquitecto também. Este mito, ou génio, ou mito/génio, terá sofrido de uma muito grave doença, a partir dos 47 anos”provavelmente sífilis ou lepra, que o fizera perder os dedos, os dentes, curvar o corpo, não conseguir andar a não se de joelhos, e mutilar-se numa tentativa dramática de que a dor nos membros diminuísse.”(pág 183 da obra citada), e da mesma, doença terá nascido uma visão própria que o conduziu a esculpir obras com características que uns relatam como comprovativas da sua mediocridade e outros da sua genialidade. Retomando esta obra, “Com o passar dos anos…enxergavam no escultor uma das raízes da cultura autenticamente brasileira…críticos a apontar intenções psicológicas que explicariam o seu trabalho e de moradores a atribuírem ao escultor sem mãos a autoria de centenas de obras de Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Caeté, Sabará, Tiradentes, São João Del Rei, Catas Altas, Campanha, Nova Lima, e Barão dos Cocais, … o artífice teria de ter vivido em três cidades ao mesmo tempo…O Quasimodo brasileiro virou de repente o maior representante da arte sacra de Minas, do Brasil, e da América do Sul, autor de obras em quase todas as vilas da corrida do ouro”, (pág. 185). Mito ou realidade, o Aleijadinho não apresenta, pelo menos para minha irmã, pintora, e meu cunhado, critico de arte, tão significativas falhas e limitações como o livro que cito procura relevar, buscando interpretações de escritos de autores formalistas e, europeus que são, bem pouco atenciosos para as culturas da América Latina e em especial de uma Lusofonia que há séculos que se pretende eliminar da História, como algo sem razão positiva para ter existido. Dito melhor, que ele existiu existem provas, que ele tenha sido o autor de todas as obras que lhe são atribuídas é que pode existir contestação, tal como pode haver contestação quanto à qualidade das mesmas. Mas, na verdade, eu prefiro acompanhar Oswald de Andrade, Mário de Andrade, e Tarsila do Amaral que, em 1923, “fizeram uma excursão a Minas na companhia do poeta francês Blaise Cendrars. Voltaram das vilas mineiras considerando a aventura uma viagem de “descoberta do Brasil”, como disse Oswald. A arte mineira parecia encaixar-se bem na “raiz popular da cultura brasileira” ideia que nunca fascinou tanto os intelectuais brasileiros quanto naquela época…A primeira coisa que lhes chamou a atenção foi o fato de Aleijadinho ter sido mulato, filho de escrava com pai branco”. O que, relevo, é obra, por estarmos precisamente em 1923, período histórico em que o conservadorismo procura dominar,m quer social quer politicamente, contra modernismos que à época eram, em muito e na generalidade dos espaços do planeta, minoritários. A miscigenação era um conceito difícil e a estruturação de uma herança cultural construído com essa raiz étnica é particularmente de louvar. E, acompanhando estes autores brasileiros, não me parece muito importante que o Aleijadinho tenha sido o autor de todas as obras que a ele são atribuídos, ou que tenha sido somente um precursor de uma corrente artística local. Nascido em 1730, ou em 1738, morreu a 14 de Novembro de 1814, o que lhe dá uma elevada idade para a doença que teve e, se for tal verdade, mostra anos infindáveis de dor e desespero, certamente, e terá, segundo ouvi da boca de um dos guias que seguimos, esculpido pelo menos uma figura de Jesus Cristo com a cara do Tiradentes, em homenagem ao mesmo, o que, a ser verdade, seria um particular desafio ao poderosos que lhe pagavam o dia a dia e as suas obras. Assim, segundo o Infopedia, “Ficou conhecido como o Aleijadinho devido a uma doença grave que sofreu em 1777, que o deformou fisicamente, tendo passado a andar de joelhos e a trabalhar com os instrumentos de esculpir amarrados aos punhos, ajudado pelos seus escravos. Apesar da sua doença só deixou de trabalhar muitos anos mais tarde, quando a cegueira o afectou nos últimos dois anos de vida.” Segundo o Infopedia também, “Algumas das suas principais obras são: Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto (1766-1792); modificação do frontispício da Igreja do Morro Grande (1763); Igreja do Carmo de Sabará e frontispício da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Ouro Preto (1770-1771); Capela dos Terceiros Franciscanos (1774) e frontispício da Igreja de São Francisco de Assis (1795-1800), São João Del-Rei. A sua obra mais conhecida é o Adro dos Profetas de Congonhas do Campo, Minas Gerais, realizada entre 1800 e 1805. ”. E, para terminar por agora, cito um sms que enviei, “Uma igreja de Ouro Preto tem 435 kg de ouro que coisa” E foi perante este absurdo em ouro aplicado em igrejas que comecei a reflectir de outra forma sobre o fracasso do Império português, orientando este facto para a sua dependência face ao Vaticano, que a ser verdade o que escrevi acima, ouvido de um guia, espoliou quanto pôde o teocrático Império português, já espoliado pelos Filipes de Espanha, que destruíram a Armada portuguesa, no mínimo, e que foi depois espoliado pelas ocupações francesas e inglesa, no seu espaço europeu. Mas escreverei mais sobre este tema, sem deixar de recordar Alexei Bueno, excepcional poeta, pelo menos garantidamente da vida, historiador, e que de 1999 a 2002 foi director do INEPAC Instituto Estadual do Património Cultural do Rio de Janeiro e nos deu a honra de nos fazer uma visita guiada pelo património, material e imaterial, do Rio de Janeiro que, ficará inesquecível para mim, a minha irmã e o meu cunhado, pela qualidade. Mas agora cito-o pois o mesmo, afirmando-se católico note-se, rejeitou a hipótese de existir tanto ouro em qualquer das igrejas que se citam como tendo, internamente, tal fortuna…. E-mail : jjustino@epar.pt Blog pessoal: coisasdehoje.blogs.sapo.pt/
publicado por JoffreJustino às 16:42
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