Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Para Saberem O Que É Verdadeiramente Controlar A Comunicação Social….Para Que Haja Efectiva Liberdade de Imprensa

“Comunicação social, propaganda e telecomunicações

No domínio da comunicação social, o MPLA foi
o maior beneficiário do projecto governamental
de criação das primeiras quatro radios comerciais,
em FM, no pós-independência. Criadas integralmente
com fundos e património do Estado, em 1992, a
propriedade das quatro rádios foi transferida, sobretudo,
para a holding MPLA, a GEFI. Esta controla, através da
sua subsidiária A Foto, a Luanda Antena Comercial – LAC
(60%), enquanto os jornalistas José Rodrigues, Luísa Fançony
e Mateus Gonçalves detém 40% das quotas. Em Benguela,
a GEFI, através da sua subsidiária Sopol, é proprietária da
Rádio Morena (80%), cabendo ao cidadão António Mendes
Filipe as restantes acções. Na Huíla, a Pontual S.A, subsidiária
da GEFI, controla a Rádio 2000 (75.50%), enquanto os jornalistas
Horácio Reis e Carlos Andrade mantêm 25% da sociedade. Em
Cabinda, a Rádio Comercial de Cabinda é pertença da subsidiária
da GEFI, a Orion (60%) e dos gestores locais André Filipe Luemba
(20%) e Pedro Simba (20%).
Por sua vez, a Orion é um caso interessante na demarcação de
fronteiras entre o Estado e o partido no poder. A Orion é uma
sociedade entre a GEFI (70%), o anterior ministro da Comunicação
Social (1992-2005) e actual embaixador no Egipto, Hendrick Vaal
Neto, que detém 11% das acções, a ministra do Planeamento, Ana
Dias Lourenço (5%), e outras figuras do MPLA subscrevem os restantes
14% da sociedade.
Desde 1992, a Orion tem sido o pivô da propaganda oficial do governo
e do MPLA. Esta empresa serve de fronte, providencia as instalações e
assistência à empresa brasileira M’Link, de Sérgio Guerra, que concebe,
produz e cuida da divulgação da propaganda do governo e do MPLA,
com destaque, para a comunicação social.
Nos últimos 10 anos, o Ministério da Comunicação Social tem pago
anualmente cerca de 24 milhões de dólares à M’Link, pelos serviços
de propaganda prestados ao governo e ao MPLA, sem distinção das
encomendas. Esse acordo foi assinado por Hendrick Vaal Neto que,
assim, passou a ser também um beneficiário directo dos lucros da
empreitada, em contravenção à Lei dos Crimes Cometidos por Titulares
de Cargos Públicos, que proíbe o governante de beneficiar das funções
e contratos com o Estado, para proveito próprio.
Por sua vez, a M’Link tem como sócio-gerente o jornalista e deputado
Luís Domingos, do MPLA, que reparte 10% das quotas com Francisca
Pacavira. Durante vários anos, o jornalista apresentou, na TPA, o
programa de propaganda semanal “Angola em Movimento”, produzido
pela referida empresa, em nome da Orion. A Lei Constitucional
(Artigo 82°, 1, c) determina, como incompatível o mandato
de deputado com o exercício do cargo de sócio-gerente de
sociedades privadas. O deputado não declarou incompatibilidade
e continua a exercer ambas as funções com o beneplácito da
direcção do MPLA.
Na Pontual, uma empresa de serigrafia, alienada pelo Estado, a
estrutura accionista comporta a GEFI (70%), o secretário-geral
do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matross” (5%), o presidente
do Conselho de Administração da GEFI e membro do Bureau Político,
Mário António de Sequeira e Carvalho (5%) e os restantes 20%
distribuídos entre antigos gestores da empresa e militantes do partido.
Outras empresas estatais do sector alienadas a favor da GEFI,
como accionista maioritária, são A Foto (73%), as gráficas Impresso
(41%), em Benguela, e Edigráfica (27%).”
(in MPLA Sociedade Anónima, Rafael Marques de Morais)




O meu amigo Vitor Nogueira enviou-me o texto MPLA Sociedade Anónima, de Rafael Marques, um activista dos Direitos Humanos Angolanos e, deste texto retirei o extracto acima, por forma a vermos como funciona efectivamente o controlo da Comunicação Social.
Corre, hoje, por Portugal, com impacto até, ao que parece, no Parlamento Europeu, uma Campanha onde o Governo, o Primeiro Ministro Socrates e o PS são acusados de tental controlar a Comunicação Social.
Terei muito gosto em reencaminhar a totalidade do texto de Rafael Marques a quem mo pedir, no entanto, por ora pego somente nesta pequena parte e que mostra uma situação que se assemelha bastante à vivida em Portugal – uma elite dominante controla cada vez mais a comunicação social e, entretanto diverte-se acusando os outros de o fazerem.
Curioso, curioso é que alguma Esquerda embandeira em arco com esta Campanha de Direita, pela simples razão de a mesma pôr em causa o PS e o seu Governo, democraticamente eleito.
Em Angola, o MPLA, partido que assumiu enquanto marxista leninista, pró URSS, para ter acesso ao armamento que o manteve totalitariamente no Poder, enquanto se mantinha como “observador” da Internacional Socialista, para calar a boca Á Esquerda Democrática e fazia negócios com a Direita Republicana de pai e filho Bush, para ganhar a necessária “acumulação de capital”, que lhe permitiu ser a elite dominante do país, “nunca brincou em serviço”.
E, está pronto a ensinar o como se faz da manipulação da Opinião Publica…
Para enquadrar esta minha opinião opto por citar George Soros, em A ERA da Falibilidade, livro que recomendo vivamente, como já o disse.
“Muita gente culpa os media pelo actual estado de coisas. Mas os media servem apenas o mercado. As pessoas querem entretenimento e não informação, e é este mercado que os media procuram servir. A maioria das pessoas recebe informação sobre a actualidade através de comediantes de televisão. É verdade que os media deviam fazer mais do que apenas abastecer o mercado, pois o jornalismo é supostamente uma actividade profissional. Os media livres e pluralistas são uma instituição essencial de uma sociedade aberta, mas a maioria dos meios de comunicação social deixou de desempenhar o seu papel institucional…A máquina de propaganda conservadora faz uma pressão enorme sobre os media, particularmente sobre a televisão, para não produzirem informação inconveniente, e os meios de comunicação social caíram, um por um.”, (pág.159).
E passo a recordar,
Correio da Manhã, alguém duvida que foi um elemento essencial, sempre, das campanhas politicas de Direita desde a AD, onde chegou ao ponto de ter na 1ª página do dia das eleições o AD bem visível?
Grupo Pinto Balsemão, Impresa, o nº 1 do PSD que domina a SIC, o Expresso, etc. Alguém duvida das preferências destes media?
TVI, ainda é possível imaginar-se que este media, onde reinou enquanto quis e até receber os milhões que recebeu, o esposo da Manelinha Moura Guedes e a própria(?), anos a fio a atacar o PS, o primeiro ministro e leader do PS, José Socrates, teve alguma vez algum problema com a socialista PRISA, até ao dia que se envolveu no negócio com a ONGOING, onde o esposo da Manelinha recebeu os milhões conhecidos, sabendo-se que a ONGOING nasce de dentro do grupo Impresa, do nº 1 do PSD?
SOL, adquirido pelo MPLA que acima se descreve e que, por tal, não necessita de apresentações….
Atentados à Liberdade de Imprensa? Mário Crespo, que insulta vergonhosamente e sem um dado de prova o primeiro ministro e leader do PS impunemente, então, atenta contra quem?
Ou será que estamos a assistir à reconversão de uma elite, de Direita, cansada que esta está de estar na Oposição e que, por isso segue a via do vale tudo, aprendida com o MPLA, para tomar o poder, aliada com um PCP que se ilude e o BE que, esse, nem se ilude?
É uma pena que continuemos a olhar para o umbigo e a deixar de ver a Crise onde está o país, a União Europeia e o Mundo, com esta mania que somos ricos, europeus e modernos.
Esperemos que alguém trave esta loucura, esta insanidade absoluta, a bem dos que neste país necessitam de uma economia dinâmica para sobreviver e pensar, depois, a começar a viver.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 14:14
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