Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

Falamos Muito da Crise…Agimos Muito Pouco (O Exemplo do Centro Cultural Africano e o Turismo)

Estivemos, eu e o Domingos, ontem, na Feira de San’Tiago, em Setúbal, a convite, dirigido à EPAR, do Centro Cultural Africano, uma associação sediada em um dos “terríveis” Bairros desta urbe, o famoso bairro da Belavista. E fomos, porque queríamos aquilatar do potencial desta associação para poder desenvolver, apoiada se necessário, um projecto de Inserção que contasse com apoios financeiros para a Qualificação, escolar e profissional, das Pessoas. Bem, valeu a pena. A senhora Carla Marie Jeanne, leader desta associação, é o exemplo de uma Mediadora Social que merece todo o pequeno apoio que tem obtido, e sem dúvida ela e o Centro Cultural Africano, merecem bem mais! Vimos, na Feira de San’tiago, uma trintena de crianças, dos 2 aos 16 anitos, a subirem a um palco, dançarem, fazerem uma passagem de modelos, de peças feitas pelas senhoras, parte delas suas mamãs, deste “terrível” bairro da Belavista, num exemplo de empenho, de desejo de Inserção, Social e Profissional, de ambição por uma outra vida. Danças africanas, danças ciganas, dançadas por crianças negras, mestiças, brancas, portuguesas, angolanas, moçambicanas, etc., ciganas, tudo crianças de bairro, deste “terrível” bairro, que se aprimoraram para mostrar o trabalho de um ano, de um atelier, de bairro. A nossa amiga Carla, tia e madrinha de todas estas crianças, lida com elas, com os seus papás e mamãs, com os restantes jovens, com os restantes vizinhos, diariamente, no bairro, entre as crises e os momentos de paz, sempre na esperança de lhes dar mais, de lhes potenciar outra vida. Esperança que merece acontecer, viu-se no palco, ontem, da Feira de San’Tiago. A nossa amiga Carla contou que tinha proposto, com as mamãs do bairro, junto do IEFP, a criação de uma empresa, para estas mamãs que fizeram ontem a mostra das suas confecções, projecto que aguarda decisão há mais de um ano. Durante esse de espera para aprovação de um projecto de empreendedorismo social, tempo vimos acontecer uma das crises do bairro, aparecer nas televisões, com tiroteio, jovens e adultos zangados, ameaçando mais crise. Porque o bairro se sente, vive, marginalizado. Com mais de 20% de desemprego. Com 1% de jovens, do bairro, licenciados, metade deles no desemprego. Sem projectos de qualificação, profissional e escolar, em curso. Mas, ontem, o bairro estava na Feira de San’Tiago, a aplaudir os seus miúdos! Na sua diversidade, étnica, cultural, social. E a Carla Marie Jeanne, de origem moçambicana, residente em Portugal há que anos, à frente, a dirigir aquele evento. Em França, na Espanha, etc., ela e o Centro Cultural Africano tinham outro apoio, outra simpatia. Porque a sua actividade de activista social, de mediadora social, é, já, nesses países, respeitada. Como meio, muitas vezes único, de potenciar a Inserção de uma comunidade, que está ou se colocou á margem da sociedade. Naquele evento vi o potencial do bairro e do Centro Cultural Africano. Nele vi como, por exemplo, o Turismo, que necessita de urgente requalificação ele próprio, (que atravessa uma enorme crise e nela continuará se continuar a ser de Sol e Praia), podia contar com aqueles jovens do bairro da Belavista, (e muitos outros, claro), para a Animação da cidade de Setúbal. Porque, o país tem estado a mudar e as actividades turístico culturais deverão mudar com ele. Tempos houve em que a cultura de raiz portuguesa, neste canto do Império, o Império que foi o de maior duração de todos, era muito centrada nas origens célticas dos então presentes em Portugal. Hoje tal não sucede, pois houve uma generalizada transferência das populações do, ou residentes nos PALOP para Portugal. E portanto das suas raízes e cultura. Gerando uma bem maior diversidade que, ou é anulada, destruída, esquecida, como pensam os herdeiros do Velho do Restelo, ou é entendida com um enorme factor de enriquecimento do país, patente em factores inovadores, culturais de base Humana e não Patrimonial Material, que agregam valor à sociedade portuguesa continental tradicional. Que Enriquecem sectores de actividade como o Turismo, mas também, como se viu ontem na passagem de modelos, a Criatividade nas Confecções portuguesas, já menos célticas, pela integração de elementos culturais oriundos dos PALOP e da Cultura Cigana. Tempos houve em que o predomínio foi seguir a via do anular, do eliminar, as culturas tradicionais do Império, de as desconsiderar para além do contexto antropológico. O resultado foi desastroso – 14 anos de inútil Guerra Colonial, de elevadíssimo dispêndio financeiro e de pessoas! E de uma clivagem no Império que durou mais de uma década e que hoje ainda se vai, cada vez menos felizmente, mantendo. Há, pois, que incentivar as actividades como as do Centro Cultural Africano, deixando de as ver como uma “despesa social”, (em Espanha a minoria cigana tem gerado uma fortíssima expansão do turismo e da divulgação das Culturas de raiz espanholas, por todo o mundo, por exemplo!), passando a vê-las sim pelo lado da Receita, da vantagem Acrescida que originam e da Poupança, tendo em conta a redução das despesas que os conflitos geram. Perante esta reflexão, é de toda a justiça também, dar os parabéns à CM de Setubal, por ter aberto esta janela de oportunidade às pessoas do Bairro da Belavista, que puderam mostrar-se num palco na Feira de San’Tiago, mas também dizer que há mais, muito mais, a fazer, na Parceria que se exige reforçada, acho, entre a CM de Setúbal e o Centro Cultural Africano. No contexto da Inserção, Social, Cultural, e Profissional de um bairro rico pela multiculturalidade, que não tem sido aproveitada como devia. Como, claro, se tem de dar os parabéns a quem, no Governo e no Estado, tem apoiado as actividade de Inserção e de Mediação Social do Centro Cultural Africano, sendo de todo necessário dizer também – e há tanto ainda, tanto mais,. para fazer e apoiar! Porque fazendo e apoiando, estaremos a dinamizar respostas à crise que assola o país e o mundo e que exige respostas novas, já que os problemas são, definitivamente, novos. A crise não se resolve com caridade, nem com políticas caritativistas, mas sim com políticas Insercionistas urgentes e, em Portugal pelo menos, Inovadoras. Olhando para as vantagens acrescidas que se tiram com elas, para um outro Futuro, mais dinâmico, para toda uma Região. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 14:34
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