Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

O Terrorismo Internacional e o papel de Cabo Verde

Sou dos que entende que este século XXI seguirá a passada dos finais do séc XIX, princípios do século XX, onde o terrorismo internacional campeou um pouco por todo o lado, tendo inclusive sido um dos factores geradores da I Grande Guerra.

Tal como então, vivemos um tempo em que uma única muito grande potência se degladia com médias potências pelo poder no Planeta – na época era o Reino Unido, hoje são os EUA – pois a União Europeia não pode ser, ainda, considerada uma única muito grande potência, já que não resolveu ainda questões internas que têm a ver com uma política externa comum e uma política de defesa comum.

O que ora está a suceder na Guiné Bissau é disso prova – interesses franceses confrontam-se com interesses portugueses e com interesses americanos e anglófonos e, daí, a conflitualidade dominante neste espaço da CPLP, sendo que esta, como de costume, e infelizmente, assobia para o lado.

Nestas condições, existem todas as características para o campear do terrorismo, desta vez nem sequer ideológico – teoricamente ele surge como religioso, na realidade ele está dominado pelos sectores mais retrógrados, no plano social, cultural e ideológico - e satisfaz-se em ser o campeão escamoteado dos que procuram, a todo o custo, manter a Humanidade dominada por aquilo a que um Guru da Gestão americano já denominou como sendo a indústria mais esclerosada de sempre – a automóvel e daí a petrolífera – pois é a indústria que menos progrediu, tecnologicamente, de todas as que hoje temos.

Não estou, com o que disse, a tentar estabelecer pontes directas entre a indústria automóvel e a petrolífera e o terrorismo internacional, (embora haja quem o tenha feito já…em particular no que respeita à indústria petrolífera…), mas sim a estabelecer conexões de interesses entre sectores industriais que se recusam a evoluir e sectores de elites internacionais que vivem desse retrogradismo, em particular em alguns dos ditos países árabes, mas não só.

A verdade é que pouco se tem feito no sentido da investigação e implementação tecnológica de novas fontes de energia, alternativas à deste “ouro negro” que nos domina há mais de 80 anos.

Mas, também é verdade que é essencial definir as actuais fontes de terrorismo internacional como o inimigo comum da modernidade. Essas fontes em nada contribuem para que a lógica de modernidade se generalize, em contexto de economia solidária, ou em contexto de economia neoliberal. O terrorismo internacional pretende, tão só, empurrar a Humanidade para regimes do mais macabro feudalismo que se possa imaginar e, por isso, urge combatê-lo com veemência.

Na verdade, o combate de ideias, progressivas ou regressivas, não passa hoje por esse tipo de violência macabra, suicidária e inútil que as fontes de terrorismo internacional alimentam.

Eis porque é saudável saber que uma das componentes da CPLP, no caso a República de Cabo Verde, irá ser o espaço de realização de 2 importantes actividades militares de treino contra o terrorismo - os exercícios Flintlock 2005 e as manobras Livex-06, da NATO.

Cabo Verde, a Mauritânea, o Chade, e o Níger, 4 países do Sahel, estão entre os centros de preocupação dos EUA, sendo certo que de entre eles só a República de Cabo Verde releva um estatuto democrático, de estabilidade política, económica e social, capaz de ser um elemento demonstrativo de diferença nesta região do Planeta, (aliás como também em relação a África), o que, se é positivo para Cabo Verde, é pouco dignificante para a projecção dos interesses dos EUA, dependentes que ficam, no restante espaço Sahel, por razões estritamente egoístas, de elites nada democráticas.

Diga-se ainda que este estatuto Cabo Verdeano resulta não de algum empenho especial, ou específico, dos EUA neste país, ou até de relevo quanto à União Europeia, e inclusivé à CPLP.

Na verdade, este estatuto resulta de um comportamento próprio do povo de Cabo Verde e das suas elites.

Tal, na minha opinião, vem realçar a ideia da importância da formação dos povos e das suas elites para a estabilidade dos seus países e regiões.

E, diga-se, este percurso inovador deve-se muito em particular a Amílcar Cabral, personalidade ainda não suficientemente respeitada no espaço da CPLP, assim como no espaço internacional, apesar da sua extraordinária influência em todos os PALOP e em Portugal.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:30
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