Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

CONFERÊNCIA DE DOADORES, A FALTOSA

Após 42 anos de guerra, (entre a guerra colonial e a guerra civil…), estamos a viver pela primeira vez, na nossa História, tempos em que o viver sem guerra é uma realidade, o que por si deve ser relevado pois estamos perante todo um Povo, o Angolano que pode começar a acreditar no seu Futuro.

Mas vive hoje Angola novas dificuldades que passam pelas dificuldades orçamental/financeiras, pelos desalojados, pelos deficientes de guerra que buscam uma reinserção, pelas pesadas, e geograficamente mal distribuídas concentrações populacionais, envolvida ainda por uma economia que para rearrancar necessita de apoio, mas sobretudo de imaginação na governação.

Todo este momento está envolvido tanto pelos Acordos de Paz de Bicesse, quanto pelo Protocolo de Lusaka como finalmente pelo Memorando de Entendimento que, esse sim, pôs fim á guerra que nos ia, ela sim, derrotando a todos. Segundo os mesmos estão responsabilizados e neles envolvidos, o MPLA, a UNITA e a Comunidade Internacional.

Os Angolanos, já o escrevi, têm cumprido, exemplarmente, a parte que lhe competia dos Acordos, Bicesse/Lusaka/Memorando de Entendimento. Estando por resolver somente a questão de Cabinda, no restante país, a Paz está estabelecida e sem retorno possível.

Infelizmente já não podemos dizer o mesmo quanto à Comunidade Internacional.

No entanto, também já o referi várias vezes, ela não pode negar que participou, activamente, tomando mesmo parte no conflito, nesta guerra civil, em particular na sua terceira versão. A mais violenta e a mais dramática, a que mais fez sofrer o país.

Porque não houve em Angola esta guerra tipo iraquiana, quase “sem danos colaterais”…


Comprometeu-se a Comunidade Internacional, nos três documentos referidos, participar na reconstrução nacional com a realização de uma Conferência de Doadores.

Por enquanto ela não sucedeu, substituída que está a ser por ajudas menores, dispersas, sem estratégia, e por isso sem lógica desenvolvimentista.


Seguindo o raciocínio do Ministro Angolano da Reinserção Social, em recente Conferência da Embaixada de Angola em, Portugal, seria importante uma campanha em prol da realização, o mais imediato possível, desta Conferência de Doadores, por ora sem data prevista de realização passados dois anos após o Memorando de Entendimento.

Campanha que sendo da CPLP, onde Angola está bem presente, sairia reforçada junto das Nações Unidas, dos EUA, da União Europeia, da Federação Russa, da União Africana.

Uma tal campanha, segundo o sr Ministro e sendo quase impossível não concordar com ele, iria criar as condições, certamente e em particular dado o papel de Angola no Conselho de Segurança, para que esta Conferência de Doadores se realizasse, finalmente, fazendo com que a Comunidade Internacional cumprisse, de vez, com os seus compromissos para com todos nós.

A Democracia que todos queremos também estabilizada em Angola tem um custo económico e social que, imputando-o a um passado onde a comunidade internacional interviu, até militarmente, e está na origem também da necessidade de concretização desta Conferência de Doadores.

Sou dos que entende que quanto melhor correr esta fase de transição, onde prepondera o GURN, até às próximas eleições, mais rapidamente atingiremos a Democracia e mais estável será esta Democracia que está para acontecer no pós eleições. Mas, como vemos também a Democracia em Angola exige pelos custos inerentes outro posicionamento da Comunidade Internacional.

Em nome do combate à MISÉRIA, à FOME, ao ANAFABETISMO, em defesa dos deslocados, dos traumatizados de guerra, das crianças e dos mais velhos. Em nome de uma solidariedade social que se exige que se instale em toda a Angola e finalmente de uma Democracia que urge estabilizar em Angola penso que a Casa de Angola, de que faço parte com orgulho, poderia incentivar, em Portugal, na União Europeia, esta necessária campanha em prol da rápida realização da Conferência de Doadores.

Neste findar de um processo eleitoral para os Corpos Gerentes da Casa de Angola penso que era meu dever deixar esta reflexão e esta sugestão junto de todos os que nela convivem e, para isso, nada melhor que este espaço internetiano que amigos como o Tocha criaram e tão bem mantêm.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:40
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