Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

A CRISE ANGOLANA E AS CRISES PARTIDÁRIAS ANGOLANAS

É o próprio Ibrahim Gambari que nos alerta, “ O principal desafio com que o país e o governo se debatem será o da situação humanitária e da reconstrução para o desenvolvimento”, tendo em conta o estado do país – 4 milhões de deslocados ainda em fase de solução, uma economia destruída por estes anos de guerra e de incúria, um aparelho de Estado a construir, todo de novo e os traumas todos inerentes a 40 anos de guerra.

O país mexe, e sem dúvida que os cidadãos tudo fazem para recuperar da crise. O Governo não deixa de se esforçar no mesmo sentido e as soluções que o diálogo MPLA/UNITA vão encontrando apontam a mostra da vontade das partes.

Mas ainda existem sinais preocupantes.

Se a dívida externa de Angola para com Portugal começa a encontrar caminhos de solução – o ainda recente protocolo assinado entre o ministério das finanças dos dois países é disso prova – pondo fim a um conflito que vale mais d mil milhões e duzentos mil dólares, a ajuda humanitária encontra em Portugal, conforme a comunicação social portuguesa, pouco eco.

Ora o imediato passa precisamente pela ajuda humanitária, por “muito rica” que seja Angola.

De novo, também, alguns relevam, para justificar a falta de mobilização para esta ajuda humanitária os “vastos recursos do país e a gestão pouco transparente que deles resulta”

Não sou dessa opinião.

Entendo sim que neste processo temos, nós Angolanos, dado pouco a prova da nossa vontade de reconciliação.

Temos aparecido pouco em conjunto, não estamos a ter um discurso de uma voz só, em nome dos nossos interesses, existe ainda, à evidência, o assumirmos em conjunto as nossas dificuldades, espalhando este discurso conjunto por todo o Resto do Mundo.

Na minha opinião, se não consensarmos um discurso nacional, se não surgirmos em conjunto nos momentos públicos, não ganharemos esta batalha essencial para o país, a batalha das necessidades para a ajuda humanitária.

A nossa crise continua a ser pois de uma reconciliação nacional que ainda tem arestas a limar e que, diga-se, compete ao governo mostrar que as deseja limar, pois cabe às embaixadas buscar, no relacionamento com nós outros da UNITA, os momentos certos para, em conjunto, nos movimentarmos.

Em nome da nossa pobreza que tem de ser assumida tanto quanta a nossa riqueza.

Mas a nossa crise vai mais além.

A nossa crise está, também, na fragilidade dos nossos partidos políticos de oposição. Tem sido difícil aos mesmos entender esta nova fase da vida política nacional.

Estamos em um período de fim de uma guerra civil, onde o que deveria contar sobretudo é o reforço do espírito de reconciliação nacional, o reforço da nossa alma angolana.

Custa fazer oposição neste períodos é certo.

É mais fácil dizer mal, criticar duramente, denunciarmos o poder.

Mas, na minha opinião esta não é a fase certa para tal.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:06
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