Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

AS ORIGENS DA MAÇONARIA

Não sou maçon, nem pertenço a
qualquer outra ordem semelhante
ou diferente. Não sou porém anti-
maçon, pois o que sei do assunto
me leva a ter uma ideia absoluta-
mente favorável da Ordem Ma-
çónica

Fernando Pessoa, A Maçonaria,
vista por Fernando Pessoa e
Norton de Matos, reprodução
do célebre artigo do Diário de
Lisboa, nº 4399 de 4 de Feve-
Reiro de 1935, (pág.7).






O documento que se cita acima é um de vários artigos que Fernando Pessoa tem sobre a Maçonaria, sendo provavelmente o mais relevante, pois é um artigo onde este mito português saiu publicamente em defesa da Maçonaria, contra o Regime Salazarista, quando o mesmo se preparava para a ilegalizar, como fez.

Trata-se de um momento importante da História da Maçonaria, (e de Portugal), que não está suficientemente estudado. Na verdade, convém, entretanto, recordar que estiveram, em 28 de Maio de 1926, maçons dos ambos lados da barricada, desta data que originou a mais prolongada ditadura em Portugal, (como aliás já tinham estado aquando da Ditadura Sidonista), para se perceber que a Ditadura impunha, com este acto de ilegalização, em 1935, marcar um rumo definitivamente ultraconservador e antidemocrático ao regime.

Mas não cabe a este texto trabalhar tal assunto. Valia no entanto a pena começar um trabalho, em português, sobre as Origens da Maçonaria, partindo de um texto tão emblemático quanto este e ainda por cima considerando o facto de ser escrito por quem é – um dos Poetas referência de expressão portuguesa e um especial estudioso da questão esotérica e cabalistica em Portugal, como foi Fernando Pessoa.


Como, por outro lado, convém recordar (e nada melhor que com Fernando Pessoa), esta, mais uma, das perseguições contra a Maçonaria para procurar enquadrar o como, desde as origens, a Maçonaria procurou o recato dos silêncios para agir, e o porquê de alguma dificuldade em encontrar bases para estudar a sua origem.

No texto Das Origens e Essência da Maçonaria e do Seu Contributo Judaico, publicado no Alma Errante, 1932, e também publicado no opúsculo, A Maçonaria que edita o texto anteriormente referido, Fernando Pessoa procura relacionar a veracidade da interligação Maçonaria/Judaísmo, um dos elementos da perseguição aos Maçons nos séculos XIX e XX.

No entanto, para o efeito do presente trabalho, nesse mesmo texto procuraremos outros caminhos que Fernando Pessoa nos queira revelar também, mais relacionados com as origens da Maçonaria, como iremos buscar outras fontes de informação que nos ajudem a encontrar caminhos que aligeirem, um pouco que seja, as nuvens que encobrem esta Ordem Iniciática, no que às suas origens diz respeito.

Segundo Fernando Pessoa, “ ....a Maçonaria não é uma Ordem Judaica, e o conteúdo dos graus fundamentais...não é judaico em espírito..”(obra citada página 26) e, muito prosaicamente, Fernando Pessoa diz ainda “...é que ela é, quanto à composição dos graus simbólicos, plausivelmente um produto do protestantismo liberal...um produto do século XVIII inglês, em toda a sua chateza e banalidade...O protestantismo foi, precisamente, a emergência, adentro da religião cristã, dos elementos judaicos, em desproveito dos Greco-Romanos...”(obra citada, pág. 26).

No entanto, Amando Hurtado, em Por Qué Soy Masón, apresenta outra versão, “Apareceram,…naquele século das Luzes, detentores de grandes “segredos” transcendentais…Sociedades secretas de ocultista, de magos, de conspiradores, de erotomanos, de gastrónomos…Todos desejavam vincular-se…com alguma tradição maçónica..nem sequer os jesuítas, sempre tão interessados em recuperar para a Igreja uma Maçonaria católica…exigiu-se-lhe a defesa dos interesses de Roma por via da sua odisseia stuartista na Inglaterra, Escócia e França…a sua proverbial tenacidade e a sua nada desdenhável imaginação…levaram-nos a acalentar o aparecimento de vários dos chamados “graus cavalheirescos” especificamente ligados aos escocismo stuartista e à Ordem de Santo André da Escócia. Os ritos crísticos “templários” levam, segundo muitos investigadores especializados, a marca indelével dos “companheiros de Jesus””, (in obra citada, pág. 38).


Bem menos protestantista, portanto, esta origem da Maçonaria, da operativa pelo menos, se seguirmos esta última via de pensamento…ainda que não deixasse de ser útil estudar-se, não aqui certamente, as relações entre a Igreja Católica, as restantes Igrejas cristãs e a proibição da Ordem dos Templários….

Acompanhando um outro percurso, é certo que exista quem, até com algum cuidado científico, que aqui só referimos, como Luis Nandim de Carvalho, em Teoria e Prática da Maçonaria, aceite procurar as origens da Maçonaria na hipótese do ser Humano alienígena, “Ora, seriam os filhos de Deus seres celestiais, ou extraterrestres?...E se se considerar Adão como o primeiro homem ( ou como um exemplo de um ser vindo do espaço exterior que se aclimatou à Terra), e como o primeiro maçon, isto é o primeiro elo de espiritualidade terrestre?”, ainda que entenda pertencer aos que “identificam aspectos históricos comprovados, e exprimem duvidas sobre os antecedentes que se localizam em períodos anteriores às grandes civilizações da Antiguidade, (in obra citada págs 36/37).

Mais, podemos continuar a encontrar, ainda hoje, na INTERNET, textos como o que de seguida citaremos, de Jaime Leivas Piuma, Pequena História Livre da Maçonaria, retirado de www.lojasmaconicas.com.br/artigo2/pequenahistoria.htm, “A Maçonaria Antiga vem dos tempos de Noé, segundo algumas especulações, ou desde Moisés, segundo outras e, seguramente existiu entre os caldeus, continuou existindo durante o predomínio da Civilização Egípcia, chegou ao século IX…”(in texto acima citado).

Outros, procuram encontrar as origens da Maçonaria também em tempos remotos, a partir do Egipto. Um outro autor brasileiro, em uma palestra, de 30 de Dezembro de 1999, que pode ser encontrada em www.mais.com/liberdade/P1_txt_start.asp?plfile=05/26/00&cal=maso por exemplo, defende esta tese da forma que segue, “Mesmo em toda a visão em que nos acostumamos a ter do Egito, as formas simbólicas, a proporcionalidade, as proporções musicais, as proporções áureas, a construção, a arquitectura de um modo geral, estão muito relacionados…Uma reunião que procura fazer com que o homem cresça e isso está relacionado com a arquitectura ou com a construção. Para mim isso é um grande indício de que a Maçonaria de hoje é herdeira de um conhecimento vindo daquela época.”, (in texto citado pág.2).

No entanto, a mesma ideia é regeitada por muitos autores e pelo menos nos princípios do século XX, em 1913 por exemplo, conforme a obra de M. Borges Grainha, em História da Franco Maçonaria em Portugal, 1733-1912, que nos diz, a mesma é rejeitada com alguma veemência, “Espíritos romanticos e fantasistas emprestaram à Maçonaria origens lendárias; alguns encontraram-nas entre os construtores do Templo de Salomão, outros nos antigos mistérios dos orientais e dos egípcios e há quem julgue que ela procede dos mistérios



greco-romanos interpolados nas corporações operárias ou Collegium Adtificum dos romanos”.

Diz mais ainda este autor, “Imaginações exageradas fizeram-na remontar ao Paraíso Terrestre e Adão teria sido o primeiro Mestre ou, mais tarde, à época do Dilúvio, na construção da Arca de Noé, o qual teria sido, então, o primeiro Grão Mestre. Hoje, a História da Maçonaria...entrou no domínio científico e as suas lendas foram postas de lado...”, (in obra citada pág. 37).

Reparemos que em um texto de 1 787, citado por Amando Hurtado em Por Qué Soy Masón?, se pode ler também, “Ao criar Adão, à sua imagem, pode dizer-se que criou o primeiro maçon, pois gravou no coração de Adão as artes liberais e, em particular, a Geometria, que deve ser considerada justamente o fundamento da Arquitectura…Houve imediatamente depois de Adão, um Set, um Jabal, um Enoc, Noé e seus três filhos, Mizraím, Nemrod, etc”(in, obra citada pág. 106, referindo-se a uma obra de Bernard Picart, um não maçon, datada de 1 787).

Amando Hurtado não deixa de relevar a ingenuidade desta obra mas que, conforme ele realça, “não é senão o resultado da compilação feita por Payne e Andersen das narrativas que figuravam nos textos medievais das confrarias de construtores, (maçons operativos), como os manuscritos Cooke e Regius…”, (in obra citada pág. 105).

No entanto, e para relevar os múltiplos caminhos que a busca das origens da maçonaria implicam, Francisco Aruza, em um texto respigado da INTERNET, www.geocities.com/glolyam/ps1frar.htm A Simbologia da Franco Maçonaria, acentua que, “A estrutura simbólica e ritual da maçonaria reconhece numerosas heranças procedentes das diversas tradições que foram se sucedendo no Ocidente durante, pelo menos, os últimos dois mil anos…Procedendo de uma tradição de construtores, não deve parecer estranho que a maçonaria desempenhe a função de arca receptora, pois a construção ou edificação não tem outra função além de pôr “a coberto” ou “ao abrigo” …algo sagrado …proteger e separar do mundo profano…”(in texto citado).

Este posicionamento é já um pouco diferente dos anteriores. Ele procura sim relevar influências antigas, herdadas, relacionando a função dos construtores de Templos no decurso da História.

J. Castellani, prestigiado autor brasileiro, no seu texto Jesus: Maçom?, que pode ser encontrado em, www.lojasmaconicas.com.br/artigos/jesus_macom.htm, é, no mesmo documento peremptório, “A maçonaria, mesmo que os místicos fantasistas e sem base



histórica desejem o contrário, é uma ordem que surgiu na Idade Média. Não havia portanto maçonaria no início do Universo, na Pré História, no parque dos Dinossauros, no Paraíso, ou no início da era actual”, (In texto citado acima, pág.2).

Mais cauteloso, António Arnaut refere em Introdução à Maçonaria, “ A origem da Maçonaria antiga está envolta na névoa dos Tempos, das lendas e dos mitos. Alguns fazem mergulhar as suas raízes nos mistérios persas ou dos magos (100 000 anos), dos Brâmanes (5 000 anos), dos egípcios (Isis e Osiris – 3 000 anos), dos gregos (Cabyres, Ceres e Eleusis – 1 700 anos), dos Judeus (especialmente dos Essénios e de Salomão), dos Galo celtas (Druídas) e mais modernamente à Ordem dos Templários, fundada em 1 117.”,(in, obra citada pág. 17), certamente procurando não esquecer as inteinfluências e heranças acima referidas .

Com esta abordagem, e naturalmente, António Arnaut limita-se a seguir os documentos oficiais do Grande Oriente Lusitano. De facto, em um dos seus livros Ritual do Grau de Aprendiz Maçon, datado de 1910, pode –se ler, ”A maçonaria, como uma forma de progresso social, acompanha naturalmente a civilização humana desde os tempos primitivos.

È conhecida na história pela designação dos mistérios persas ou dos magos, mistérios índios ou dos brahmanes, mistérios egípcios ou de Ísis, mistérios gregos (cabyres de Samothracia e Eleusis), mistérios judaicos (Salomão e do cristianismo), mistérios francos (cavalaria e ordem do Templo) e mistérios brtânicos (corporação de arquitectos e franco maçonaria).”(in obra citada, pág.7).

Refere também António Arnaut que os segredos do Conhecimento eram transmitidos parcimoniosamente entre escolhidos que se identificavam entre si, após uma iniciação, “através de uma linguagem figurada e simbólica, que deu origem a diversos rituais de que ainda há vestígios na Ordem Maçónica. Cristo teria sido iniciado, e a sua doutrina seria a revelação dos mistérios Essénios”, (in obra citada, págs. 17 e 18).

Este pequeno passeio por um conjunto de autores que se preocuparam com as origens da Maçonaria, são, parece-me, suficientes para esclarecer as significativas divergências existentes no seio da Maçonaria, ao ponto de as várias correntes divergirem inclusivamente até na origem da mesma.

Procuraremos, também, ir abordando estes vectores de separação no seio da Maçonaria no decurso deste trabalho.



E assim, , com Francisco Aruza, e para entendermos os caminhos percorridos pela maçonaria, se pode constatar, do seu ponto de vista, das múltiplas correntes tradicionais que terão influenciado a Maçonaria, e portanto gerado diferentes correntes de opinião no seu seio que poderão inclusive sentirem-se na necessidade de buscarem, para a Ordem, diversas origens, “além do Hermetismo, as que procedem do Cristianismo, do Judaísmo e da antiga tradição greco-romana e, mais concretamente, do Pitagorismo”, (in texto citado do referido autor). Este autor de novo regressa às origens egípcias referindo os “símbolos cosmogónicos relacionados com a construção…”(idem acima).

Tal opinião é também defendida por Amando Hurtado, no texto que já citámos, “O que a Maçonaria consolida no século XVIII é a inserção da sua especulação filosófica no linha analógica do hermetismo. O pensamento hermético considera que existe uma interacção entre todos os elementos do Universo e que a metodologia do Conhecimento consiste “em reunir o disperso” estudando as interacções ”, (in obra citada pág.49), no que ao hermetismo diz respeito.

A . H. de Oliveira Marques, regressando aos aspectos históricos, em A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo, aproxima-se bastante de Fernando Pessoa no que respeita às origens da Maçonaria, “Sobre as origens da Maçonaria têm-se gasto rios de tinta...Ligação directa com um passado, só a encontramos no que respeita ao corporativismo obreiro. Como diz o historiador da Maçonaria Paul Naudon...”a franco maçonaria apresenta-se como a continuação e a transformação da organização de mesteres da Idade Média e do Renascimento, na qual o elemento especulativo tomou o lugar do elemento operativo”, (in obra citada pág. 37).

Mas é o próprio Oliveira Marques que acaba por reconhecer, “A corporação dos pedreiros, ligada à nobre arte da arquitectura, incluia-se entre as mais importantes, respeitadas e ricas em simbologia e em segredos. Nela se fundiam princípios, práticas e tradições de construção que remontavam aos egipcíos, aos hebreus, aos caldeus, aos fenícios, aos gregos, aos romanos e aos bizantinos, em suma, a todo o corpus da civilização europeia. Nesta medida, e só nela, se pode ligar a Maçonaria a uma remota Antiguidade.”,(in obra citada, pág. 37).

E, seguindo um raciocínio diverso de Fernando Pessoa, que aproxima a Maçonaria do Judaísmo somente por via da tradição protestante e da influência do séc. XVIII inglês, Oliveira Marques relaciona a Maçonaria ao Judaísmo, ou melhor com o Oriente e, de novo com uma componente católica, por via dos Templários, “à influência que os Templários exerceram na construção civil e religiosa e nas próprias corporações dos pedreiros do que a uma ligação directa entre Ordem do Templo e Ordem Maçónica”, (in obra citada pág. 38), pois seria nessa ligação que a Maçonaria teria ido beber o vocabulário do judaísmo bílblico.



Fernando Teixeira, em Maçonaria e Siglas de Pedreiros, acentua a vertente da construção de templos e o papel dos Templários, ao relacionar a Maçonaria com a Ordem do Templo, “...interessa-nos recordar que os Templários se relacionaram no Oriente com associações de construtores que existiam nessas regiões, desde os Colégios Romanos que ali tinham sobrevivido à sombra de Bizâncio, aos Taruc, seus similares muçulmanos, tendo nascido possivelmente desses contactos a sua vocação de construtores. O facto é que o artº 27 da Regra da Ordem dos Templários, cujo original se encontra na Biblioteca Orsini em Roma, estabelece as relações entre os Irmãos Eleitos e os Mestres Maçons: ” Devem-se utilizar para os nossos trabalhos e construções, homens das confrarias de construtores de igrejas e catedrais”Posteriormente, as comendadorias dos Templários contavam sempre entre os seus membros um Magister Carpentarius, verdadeiro arquitecto...estes homens, passavam a ser considerados artesãos de mesteres francos, ficando, por tal, isentos de muitos impostos e gozando de imunidades que lhes permitiam viajar e exercer livremente o respectivo ofício.” (in obra citada pág. 46).

Nandim de Carvalho, na obra atrás referida, pelo seu lado, realça esta ligação, recordando a perseguição de Filipe o Belo, rei de França, aos Templários, iniciada a 13 de Outubro de 1 307 e terminada a 18 de Março de 1 314 com a eliminação, pela fogueira de Jacques de Molay, ultimo Grão Mestre da Ordem dos Templários, e releva a fuga de alguns Templários para Irlanda e a Escócia, que aproxima a sua versão da de Amando Hutado, acima referida. Segundo ele, data também deste período, entre 1 307 e 1 309, a divulgação “ dos romances dos cavaleiros da Távola Redonda e da busca do Graal liderados por Sir Lancelot, Galahad e Percival”. (in obra citada, pág. 45), relevando-se o aspecto fantasioso necessário, provavelmente. para alimentar o stuardismo na região.

E, para Nandim de Carvalho, “as práticas então desenvolvidas a partir do século XIV assumem a conotação do escocismo, palavra utilizada para conotar as origens das lojas militares que acompanharam Carlos Stuart no seu exílio em França...e que originam o Rito Escocês. Este rito veio a ser uma das modalidades mais divulgadas ainda hoje das práticas rituais maçónicas...”(in obra citada pág. 45).

António Arnaut, na obra que já referimos, é, entretanto, mais humilde na contextualização histórica, “Historicamente apenas podemos afirmar que a Ordem Maçónica está ligada às corporações de pedreiros da idade média (séc. VIII)...Os arquitectos e construtores desses monumentos tinham de ser dotados de profundos conhecimentos técnicos, científicos e artísticos. Surgiram assim corporações de arquitectos, escultores, lavradores de pedra e operários especializados. Estas corporações gozavam de certos privilégios e eram protegidas pelo poder temporal e espiritual. O papa Nicolau III concedeu aos seus membros, em 1 277, o título de pedreiros livres, que implicava a isenção de impostos...”, (in obra citada pág. 20).



Já José Castellani, em Maçonaria – Uma História sem Mistério, Organizações de Ofício as Percursoras, acentua um percurso histórico bastante plausível, contextualizado e datado, feito a partir de caminhos diversos, o que permitirá justificar os actuais diversos posicionamentos no interior da Maçonaria, que se entrecruzaram e interligaram em vários momentos.

Assim, este autor inicia o seu percurso a partir da associação os Collegia Fabrorum, surgidas no séc. VI A.C., antes portanto, bem antes, do referido por António Arnaut, a primeira associação de construtores que acompanhava a expansão romana, as legiões romanas, “para reconstruir o que fosse sendo destruído pela guerra”, (in, texto citado, retirado de www.lojasmaconicas.com.br/artigos/macpm1.htm. Tratar-se-ia de uma associação “dotada de forte carácter religioso”, inicialmente politeísta, mas, “com a expansão do cristianismo, monoteísta”. Esta associação manteve pequenos grupos no “Império Romano do Oriente, cujo centro era Constantinopla”, (idem acima), onde, talvez, se tenham cruzado com os Templários.

Segundo Castellani este percurso teria continuidade com o surgimento das Associações Monásticas, surgidas a partir do século VI, DC, “formadas, principalmente, por clérigos, dominavam o segredo da arte de construir, que ficou restrita aos conventos…os artistas e arquitectos encontraram refúgio seguro nos conventos.”, sendo que daí foram sendo preparados leigos que possibilitaram o aparecimento, a partir do séc. X, das “Confrarias Leigas que…recebiam forte influência do clero, do qual haviam aprendido a arte de construir e o cunho religioso dado ao trabalho”(in texto citado).

Recorda ainda Castellani a Convenção de York, ocorrida em 926, convocada por Edwin, filho do rei Athelstan, realizada para reparar as consequências das guerras e invasões havidas. Nessa Convenção terá surgido a Carta de York, um documento que é um estatuto e “lei suprema da confraria”, (idem, texto citado), um primeiro passo para a formalização do que veio a ser a Maçonaria Operativa enfim.

Mais tarde, pelo séc. XII, terão nascido as Guildas, de onde surgiu, em primeiro documento escrito que se conheça, o conceito de Lojas, que designaria “uma corporação e o seu local de trabalho”, (idem texto citado). Como surgiram também, associadas às guildas, os Steinmetzen, “ou seja canteiros”, (in texto citado de Castellani), e, ainda os Ofícios Francos, “formados por artesãos privilegiados, com liberdade de locomoção e isentos das obrigações e impostos reais, feudais e eclesiásticos…”esses artesãos privilegiados eram, então, os pedreiros livres, franc-maçons, para os franceses ou free masons, para os ingleses”, (in texto acima).



No entanto, o já citado Ritual do Grau de Aprendiz Maçon apresenta esta evolução da forma que segue, “No século IX a corporação dos maçons arquitectos tomou formas regulares, dividindo-se em reuniões parciais que se chamavam Loges, todas dependentes de um corpo central ou Grande Loge, cuja sede era York e é então que eles constituem uma poderosa corporação. Obtiveram o privilégio exclusivo de executar certos trabalhos de arquitectura, alcançando o título de pedreiros livres, que lhes foi concedido pelo Papa Nicolau III em 1277 e confirmado por Benedito XII em 1334, título que implicava a isenção das contribuições pessoais, da jurisdição ordinária e da obediência aos regulamentos municipais e aos éditos dos reis”, (in obra citada pág. 8/9).

E, cruzando estes percursos, de novo, Castellani refere este período de outra forma e com outras datas, ainda que quase coincidentes, “No século XIII, em 1220, era fundada, na Inglaterra, durante o reinado de Henrique III, uma corporação de pedreiros de Londres, que tomou o título de The Hole Craft and Fellowship of Masons, (Santa Arte e Associação de Pedreiros) e que, segundo alguns autores, seria o germe da moderna Maçonaria”, (in texto citado), não deixando de ser curiosa a relação que se possa fazer entre esta criação e as Cruzadas que conduziram tantos cavaleiros ingleses para o contacto com o restante do Império Romano do Oriente.

Um pouco mais tarde, mas não tanto assim, considerando a época, aconteceria a Convenção de Estrasburgo, em 1275, convocada pelo mestre de canteiros e da catedral de Estrasburgo, Erwin de Steinbach, sendo na mesma este mestre eleito como Mestre de Cátedra. Nesta Convenção o importante terá sido a participação de obreiros da Inglaterra, da Alemanha e da Itália, dando uma forte conotação europeia, e entrecuzadora de culturas e experiências a esta Convenção.

Já pelo século XIV nasceriam os Compagnonnage, (Companheirismo), criados pelos “cavaleiros templários. Os membros dessa organização construíram, no Oriente Médio, formidáveis cidadelas, adquirindo certo número de métodos de trabalho herdados da Antiguidade…Retornando à Europa, eles tiveram a oportunidade de exercer o seu ofício…”, (in texto citado), pouco antes da Ordem dos Templários ter sido extinta, como já vimos atrás.

Francisco Aruza, em A Simbologia da Franco – Maçonaria, refere que “A liberdade de movimento de que gozavam os maçons francos, facilitaria os intercâmbios de conhecimentos com outros grémios de artesãos, dentre os quais se destaca a chamada Companheirismo”, (in texto citado pág. 10), gerados como se disse pelos Templários que, segundo Francisco Ariza, “mantinham sob sua protecção numerosas lojas maçónicas”, (idem pág. 11).



Este autor refere pois que perante a perseguição aos Templários, impostas por Filipe o Belo e Clemente V, “essas mesmas lojas sobretudo as da Inglaterra e Escócia acolheram no seu seio muitos dos templários sobreviventes que traziam consigo certos conhecimentos iniciáticos da sua Ordem que acabariam por integrar-se definitivamente na estrutura simbólica e ritual da Maçonaria”, (in texto citado pág.11), devendo destacar-se segundo este autor a Grande Loja Real de Edimburgo, “fundada pelo rei Bruce, que se opôs à extinção da Ordem do Templo…É significativo que o ano da constituição da Ordem Real da Escócia seja o ano de 1314, (ano em que se extinguiu a Ordem dos Templários) e que esta teve como Loja mãe a Ordem Heredom de Kilwinning, cujos alguns dos rituais eram de inspiração templária”, (in texto citado, pág. 11).

É Fernando Pessoa, ainda, que releva, mais uma vez, o papel da Ordem dos Templários na origem e estruturação da Maçonaria, “O sentido simbólico do Primeiro Templo, pode ser, na Maçonaria, de origem templária, e, portanto, cristã, pois a Ordem do Templo era-o “do Templo de Salomão”, e não se sabem ao certo os pormenores de iniciação secreta nessa Ordem. Quanto à palavra Perdida do Grau de Mestre, …A maior autoridade maçónica de hoje interpreta a Palavra Perdida de um modo nitidamente não judaico: Verbum Christus est, diz”, (in obra citada pág. 28).

Na verdade, as relações da Maçonaria Operativa com a Ordem dos Templários e com os Senhores da Terra e da Guerra, como o próprio Nandim de Carvalho refere, são evidentes e não só na Inglaterra, como na França.

Mas também Amando Hurtado recorda, “Deve assinalar-se o discurso pronunciado em Dezembro de 1736 pelo fidalgo franco britânico Miguel Andrés Ramsay na Grande Loja de Maçons franceses como a primeira afirmação explícita de uma vinculação maçónica com as ordens militares…”Desde a época das Cruzadas na Palestina, muitos principes, senhores e cidadãos se associaram para reestabelecer o templos dos cristãos na Terra Santa …A nossa Ordem, portanto, não deve ser considerada … senão uma Ordem moral fundada na remota Antiguidade e renovada na Terra Santa pelos nossos antepassados…Alguns tempos depois a nossa Ordem uniu-se aos Cavaleiros de São João de Jerusalém e, desde então, as nossas lojas levam o nome de lojas “São João” em todos os países””, (in obra citada, pág. 67).

Há na verdade uma importante conexão, como refere Nandim de Carvalho, “entre Templários e feudalismo escocês, com os seus antecedentes celtas…e a relação com os cavaleiros empenhados nas Cruzadas à Terra Santa, então em oposição ao rei de Inglaterra”, (in obra citada, pág. 45), o que terá determinado “uma nova evolução na expressão do espiritualismo esotérico dos construtores de catedrais/cavaleiros”, (idem acima).



Aliás, Fernando Teixeira, em Maçonaria e Siglas de Pedreiros, refere, “Assim, na Escócia por exemplo, sabemos que devido a um privilégio concedido em 1439 por Jaime II, as lojas continuavam agrupadas sob jurisdição de um mestre comum – o Grão Mestre – título que hereditariamente pertencia aos Lordes Saint – Clair of Rosslyn”, (in obra citada pág. 59), o que segundo o mesmo autor, “indicia claramente a razão de ser de dois percursos absolutamente distintos para a Maçonaria conforme se considera ou o Norte ou o Sul da Europa”, (in obra citada pág. 59).


Luís Nandim de Carvalho, entretanto, apresenta um percurso teoricamente adequado para o surgimento e sustentação da Maçonaria Operativa na sua obra Teoria e Prática da Maçonaria, relevando o papel de construtores de Templos dos Maçons. Segundo ele os operários que estavam ligados à construção de Templos não eram simples operários, “mas directamente participantes numa actividade de evidente significado transcendental, e espiritual, muito especialmente tendo em conta as partes nobres dos edifícios”, (in obra citada, pág. 40), o que levaria estes construtores a terem, para além dos procedimentos normais de iniciação profissional, perante qualquer aprendiz, de atender às exigências dos sacerdotes, “de modo a não conspurcar a finalidade deificada da construção”, (in obra citada pág. 40), o que daria, sem dúvida, uma função especificamente transcendental aos construtores de Templos e permitirá relacionar as variadas ordens ou seitas de operativos, na construção de Templos, de espaços religiosos e a sua presença específica e autónoma nos vários momentos históricos, enquanto o papel da Religião na estruturação da comunidades foi dominante .

É assim que os pedreiros receberiam o seu estatuto tendo em conta o poder espiritual detido pelos sacerdotes, sendo que não seria de todo impossível que, “os pedreiros teriam obtido por si mesmos a consideração superior dos sacerdotes, graças à perfeição, espiritualidade e qualidade do seu trabalho”, (in obra citada pág. 41), num processo de qualquer forma contraditório e sempre exigindo a estruturação orgânica dos operativos na construção.

Cruzam-se mais uma vez os caminhos, ter-se-ão, mais uma vez misturado os mitos, rituais, simbologias e filosofias…

Em 1376 a já citada Santa Arte e Associação de Pedreiros passa a denominar-se Companhia dos Franco maçons. Entre 1390 e 1400 surge o poema Regius, “o mais antigo documento histórico da Maçonaria e um texto retirado da INTERNET, www.iveargentina.org/Teolresp/religiones_sectas/masoneria.htm, O Teólogo responde, Masonería (Franco Masonería), de Herman Gruber, refere que “na lei inglesa a palavra francomaçon é mencionada pela primeira vez em 1495, enquanto que a palavra “Frank-mason” se encontra já numa acta de 1444-1445”, (in texto citado, pág.2)



Segundo uma palestra já citada, é neste tempo que se pode assumir como o período de nascimento da Maçonaria, dizendo o palestrante, “A origem da Maçonaria vai ser quando se começa a ter os seus documentos, isso por volta de 1300 a 1400”, (in, texto citado, pág. 3). Assim, este mesmo palestrante refere ainda, “Uma data que é muito apreciada é 1356, onde 9 pedreiros solicitam à Prefeitura de Londres um alvará para se reunirem e formarem uma associação”, (in texto citado, pág. 3).

Já Luís Nandim de Carvalho entende defender em Teoria Prática da Maçonaria que “De acordo com o enciclopedista Daniel Ligou, a primeira Loja Maçónica teria sido constituída na Escócia, no século XVI, provavelmente mesmo antes de 1598, visto datarem de 9 de Janeiro os protocolos (ou estatutos) da Aitchinson’s Haven Lodge,..”, (idem obra citada pág

Neste contexto, o da investigação das Origens da Maçonaria e depois do percurso já realizado neste texto, vale a pena referir também o interessante documento “Escolas do Pensamento Maçónico” de Roberto Bondarik, que se encontra em www.pedreiroslivres.com.br/escolaspensamentomac.htm . Segundo este documento a evolução dos conhecimentos científicos e históricos e dos métodos científicos ao serem aplicados ao estudo da Maçonaria vieram dar origem a 4 escolas de pensamento – a Escola Autêntica, a Escola Antropológica, a Escola Mística ou Inciática e a Escola Oculta.

A primeira, a Escola Autêntica, a quem o autor denomina também de Escola Histórica, terá surgido no século XIX. Com ela as tradições da Maçonaria foram examinadas à luz de documentos autênticos, por via da pesquisa de actas de reuniões, por exemplo, mas atendendo ainda ao facto de se ter em conta que “Numa sociedade secreta como é a Maçonaria, há de haver muita coisa que jamais foi escrita, mas apenas transmitida oralmente nas lojas”, (in texto citado, pág. 3).

Esta Escola tende, assim, a “fazer a Maçonaria derivar das lojas e Guildas operativas da Idade Média e fazer supor que os elementos especulativos foram enxertados no tronco operativo…”(idem acima).

A segunda, a Escola Antropológica, “Aplica as descobertas da Antropologia aos estudos da história maçónica…concede à Maçonaria uma Antiguidade muito maior que a tida pela Escola Autêntica, e assinala surpreendentes analogias com os antigos Mistérios de muitas nações…quaisquer que sejam os exactos elos na cadeia da descendência, na Maçonaria somos os herdeiros de uma tradição antiquíssima, durante incontáveis idades tem estado associada com os mais sagrados mistérios do culto religioso.”(in texto acima pág. 4).



As duas Escolas seguintes não se deveriam incluir neste texto pois, na realidade, a sua busca não se relaciona com as Origens da Maçonaria. No entanto, pelo seu papel na Maçonaria hodierna, seria errado não as referenciar.

A Escola Mística ou Iniciática, “Encara os mistérios da Ordem…vendo neles um plano para o despertar espiritual do homem e seu desenvolvimento interno…estes estudiosos estão mais interessados em interpretações do que em pesquisas históricas…sustentam que a Maçonaria tem pelo menos parentesco com os antigos Mistérios que visavam precisamente a mesma finalidade: a de oferecer ao homem uma via pela qual possa encontrar Deus…”, (idem acima, pág. 4).

A quarta Escola , a Escola Oculta, está relacionada com aquela que se denomina de Ordem Co-maçónica, ou Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain que defende que, “um dos seus principais e característicos postulados é a eficácia sacramental do cerimonial maçóniico, quando devida e fielmente executada, …a união consciente com Deus…o método ocultista se desenvolve através de uma série de etapas gradativas, de uma Senda de Iniciações…um “voo do solitário para o solitário”…”, (idem acima pág. 5).

Há pois, cada vez mais, a vontade de cruzar caminhos, linhas de rumo, vários, por forma a apreendermos o complexo percurso desenvolvidos por aqueles que estão nas origens da Maçonaria.

Mas, regressando ao percurso que fazemos, é importante recordar que se assiste a um lento regredir das corporações entre os séculos XV e XVI.

Como refere Fernando Teixeira na obra que já citámos, “Ocorre neste momento esclarecer que o fim das lojas dos pedreiros coincide com o fim dos segredos da construção. A Renascença ensina Arquitectura e com esse ensino aquela ciência sai de vez da fase artesanal e mágico – religiosa. Reparemos no entanto que a Renascença é uma explosão retardada que se desenvolve ao longo de quase dois séculos, propagando-se logicamente do centro – Roma – para as mais distantes periferias”, (in obra citada pág. 59).

Fernando Teixeira refere bem na sua obra já citada, no seu posfácio, “Importa contudo notar que o Renascimento não foi um acontecimento sucedido em data localizável e festiva…E, como era lógico e próprio do tempo, viajou muito lentamente do seu epicentro, a Itália, … Assim,…iam desaparecendo simultaneamente as Lojas e os privilégios dos Mestres Pedreiros. Por fim, já só sobreviviam na Escócia, periferia das periferias…tempos houvera em que anciãos respeitáveis, vítimas de perseguição ferocíssima, tinham procurado e encontrado seguro abrigo nas dignas Lojas escocesas. Eram velhos cavaleiros Templários,



verdadeiras relíquias que a Ordem resolvera atempadamente subtrair à fúria persecutória de Filipe-o-Belo. Os Templários, eles próprios construtores de catedrais e praticantes de um ritualismo iniciático semelhante ao de seus anfitriões, terão tido provavelmente alguma influência nas lojas escocesas, transmitindo-lhes as tradições e os conhecimentos de que eram fiéis depositários”, (in obra citada pág. 116).


É entretanto certo também que é deste período um nº importante de documentos, como “um acto do Parlamento, (inglês), do ano de 1530, 25º ano do reinado de Eduardo I”, referenciado no texto A Mulher e a Maçonaria, Joaquim Gervásio de Figueiredo, mestre maçon e membro da Sociedade Teosófica e onde surge pela primeira vez em documentos públicos o termo Freemason, (pág.5), ou o Manuscrito de Watson, ainda do século XV, 1440, ou o regulamento “elaborado em Londres em 27 de Dezembro de 1663, numa assembleia geral em que o Conde Santo Albano foi eleito Grão Mestre”, (idem pág. 5) que começam a revelar a existência, pública que seja, da Maçonaria.

No entanto, Amando Hurtado apresenta outros dados, “Do conjunto de ordens maçónicas britânicas chegadas às mãos dos investigadores modernos destacam-se as de York, cuja primeira redacção latina data de 1352, as contidas no manuscrito Regius, de finais do século XIV, e as do manuscrito de Cooke, escrito durante a primeira parte do século XV…”, (in obra citada pág. 56).

Mas ao processo de lento declínio da actividade que justificava a Maçonaria, a construção gótica, pois, “A Renascença atingiu todos os campos do conhecimento e todas as corporações profissionais, mas foram os artífices construtores os mais afectados, apressando ainda mais a sua decadência”, (in, documento da INTERNET de www.infonet.com.br/oreunificador/loj_calice_do_graal.htm, pág. 4), alia-se ainda as perseguições havidas contra os maçons, em algumas regiões europeias. Reis como Francisco I da França, em 1539 e Isabel da Inglaterra, em 1549, revogam os privilégios concedidos aos pedreiros livres, e tende-se a abolir as fraternidades.

Os maçons ainda resistem. Em 1563 reunem uma Convenção, em Basileia, “feita por iniciativa da confraria de Estrasburgo”, (in Maçonaria: uma História sem Mistério, pág. 4), onde estabelecem um código para os francomaçons alemães, mas a visível tendência à perca de influência, leva-os a “permitir a entrada de homens não ligados à arte de construir…que eram, então, chamados de maçons aceites”, (in texto acima, pág.4).

O primeiro caso conhecido é o de Jonh Boswell, Lorde de Aushinleck, ou Thomas Rosswell, esquire de Aushinleck, reebido na maçonaria a 8 de Junho de 1600, recebido na



Saint Mary’s Chapell Lodge, em Edimburgo e, no final do século o nº de maçons aceites era, nas lojas, já, superior aos operativos. Convém, de qualquer forma acentuar que este percurso de lenta degradação e de perseguição tem momentos de distensão. Assim, em 1607, na Inglaterra, Jaime I declara-se protector dos pedreiros livres, o que, segundo Fernando Teixeira terá facilitado o interesse da adesão de “homens de estudo e cientistas que entendiam e com carradas de razão que a revelação de aspectos científicos inovadores era muito mais segura no âmbito secreto das lojas”, (in obra citada pág. 60).

Também nesta matéria o já citado Ritual do Aprendiz maçon diverge pois assume outra data para o aparecimento dos maçons aceites, “Em 1641 a corporação maçónica agregou a si pessoas estranhas à arte de construir, dando-lhe o título de Free Accepted Masons, (maçons livres e aceites) para os distinguir dos maçons de prática”, (in obra citada pág.9).

Amando Hurtado, entretanto, realça os elementos frágeis desta relação, “Dissemos que a Maçonaria nascente foi viveiro de tonterias e foi-o porquanto nascia como herdeira de uma Maçonaria operativa caduca, onde as possibilidades de especulação filosófica se haviam extinguido no tempo…Não restava sequer um corpus escrito de referência, posto que os rituais iniciáticos dos maçons construtores de templos se tinham transmitido oralmente, e os escassos manuscritos…referiam-se mais à regulamentação das confrarias maçónico artesanais, sem desentranhar o espírito remoto que inspirara na profundidade as tarefas daqueles imitadores da Natureza…”, (in obra citada pág. 40).

Também segundo este autor coube à corte no exílio de Jacob II de Inglaterra (e VI da Escócia), no exílio em França, a introdução da Maçonaria neste último país, onde se relacionaram significativamente com os jesuítas, tendo dessa relação recebido a Maçonaria, então, significativa influência.

De qualquer forma, e também segundo Fernando Teixeira, “Em 1694 o rei Guilherme II de Inglaterra é o Grão Mestre da Maçonaria que na altura e com evidente tolerância, permite a coexistência de católicos e protestantes”, (in obra citada pág. 60). Só este elemento histórico é suficiente para relevar o como o método ritual da maçonaria é importante para reforçar elementos de consensualidade, essenciais para a estabilização de uma comunidade.

No entanto, é o próprio Nandim de Carvalho que refere, “ a relativa perda de importância das corporações do século XVII…”, (in obra citada pág. 42) e, claro, também a crescente perda de importância da Maçonaria Operativa. No entanto, é mais duvidoso que a passagem da Maçonaria Operativa para a Especulativa tenha sido, linearmente, por via de uma aliança com a burguesia.



Na verdade, as relações da Maçonaria Operativa com a Ordem dos Templários e com os Senhores da Terra e da Guerra, como o próprio Nandim de Carvalho refere, são evidentes e não só na Inglaterra, como na França. Podemos aqui citar de novo o Ritual do Aprendiz de Maçon, “Em 1327 todos os lordes eram maçons, e em 1502 Henrique VII declara-se protector da ordem maçónica e mantém uma loja no seu próprio palácio”, (in obra citada pág. 9).

Fernando Teixeira refere bem na sua obra já citada, no seu posfácio, e no que respeita ao processo de desagregação da Maçonaria operativa, “Importa contudo notar que o Renascimento não foi um acontecimento sucedido em data localizável e festiva…E, como era lógico e próprio do tempo, viajou muito lentamente do seu epicentro, a Itália, … Assim,…iam desaparecendo simultaneamente as Lojas e os privilégios dos Mestres Pedreiros. Por fim, já só sobreviviam na Escócia, periferia das periferias…tempos houvera m que anciãos respeitáveis, vítimas de perseguição ferocíssima, tinham procurado e encontrado seguro abrigo nas dignas Lojas escocesas. Eram velhos cavaleiros Templários, verdadeiras relíquias que a Ordem resolvera atempadamente subtrair à fúria persecutória de Filipe-o-Belo. Os Templários, eles próprios construtores de catedrais e praticantes de um ritualismo iniciático semelhante ao de seus anfitriões, terão tido provavelmente alguma influência nas lojas escocesas, transmitindo-lhes as tradições e os conhecimentos de que eram fiéis depositários”, (in obra citada pág. 116).

Aliás, Fernando Teixeira, em Maçonaria e Siglas de Pedreiros, refere, “Assim, na Escócia por exemplo, sabemos que devido a um privilégio concedido em 1439 por Jaime II, as lojas continuavam agrupadas sob jurisdição de um mestre comum – o Grão Mestre – título que hereditariamente pertencia aos Lordes Saint – Clair of Rosslyn”, (in obra citada pág. 59), o que segundo o mesmo autor, “indicia claramente a razão de ser de dois percursos absolutamente distintos para a Maçonaria conforme se considera ou o Norte ou o Sul da Europa”, (in obra citada pág. 59).

Assim, a Maçonaria tem, de novo, pois como se viu já sucedera antes, a protecção, desde 1607, de Jaime I, na Inglaterra, onde começa a aceitar os Maçons Aceites, isto é Maçons não operativos, e, em 1694 “o rei Guilherme II de Inglaterra é o Grão Mestre da Maçonaria que na altura e com evidente tolerância permite a coexistência de católicos e protestantes.”(in obra citada pág. 60).

Também Amando Hurtado refere, “A intriga política permanente que caracterizou a presença da Casa de Stuart no trono britânico e, de seguida, as suas aspirações ao mesmo, no decorrer dos séculos XVII e XVIII, poderiam assentar nas matizes político militares que caracterizaram determinado tipo de lojas e obediências herdeiras das inicialmente criadas



em território francês pelos emigrantes stuartistas e na Alemanha pelos seus émulos prussianos”, (in obra citada,. Pág.66).

É assim que M. Borges Grainha, em História da Franco Maçonaria em Portugal escreveu, “Desde há séculos, estes aceitavam como auxiliares alguns civis ou eclesiásticos; mas por toda a parte, desde o final do séc. XVI e o começo do séc. XVII, as Lojas, com o fim de ganharem influencia para a associação, iniciaram alguns homens eminentes pela riqueza ou pela ciência, embora estranhos à profissão e que se designavam por Maçons Aceites. Os construtores guardavam para si próprios a designação de Maçons Antigos. Os primeiros desta categoria de que se conhece a história autêntica foram o nobre escudeiro Thomas Boswell, o marechal do exército escocês Robert Moray e o notável arqueólogo Elie Ashmole”, (in obra citada pág. 39).



No entanto, Luís Nandim de Carvalho diz em Teoria e Prática da Maçonaria que “…e o primeiro maçon não operativo teria sido Elias Ashmole, antiquário, admitido e iniciado em Waarington, Chesshire, a 16 de Outubro de 1646”, (in obra citada pág. 39).

E segundo este autor terão sido estes Maçons Aceites que estudaram os códigos das Lojas, as suas tradições estatutos e costumes dando-lhes “um estilo mais regular e filosófico”, (in obra citada, pág. 39), já pelos fins do séc. XVII.

Ainda que seja duvidosa esta tão linear e simples dependência dos Maçons Antigos em relação aos Maçons Aceites, (e seria útil estudar as relações das revoltas populares com a Maçonaria Antiga para melhor entender o surgimento do denominado Movimento Operário, por exemplo…já presente na Revolução Francesa e nas posteriores Revoluções em França, como Karl Marx historia tão bem), a verdade é que, também segundo Grainha, “Acolhidos como Maçons Aceites, tornaram-se membros dessas Lojas até que, depois de certas combinações, os Maçons Antigos e Aceites das quatro Lojas de Londres se fundiram no mês de Fevereiro de 1 717”, (in obra citada pág. 39), tendo de tal nascido uma Grande Loja.

Como já referi em outro texto, Manual de Negociação Colectiva, “Entre 1792 e 1794, na Alemanha, os Jacobinos organizavam, já, actividades dos trabalhadores. Na França, Felipe Buonarroti, maçon, (ver A Franco Maçonaria, Origem/Historia/Influência, de Robert Amberlain, Ed. IBRASA, 1990) e Baboeuf, já mais duvidosamente maçon, com a sua organização A Conspiração dos Iguais, levantavam a questão da contradição entre os direitos politicos e económicos e os direitos sociais, já que os girondinos, em 1 791, tinham proibido as associações de classe…Não é aliás de espantar que os movimentos sindicais e trabalhistas tenham a ver com a evolução e a radicalização de grupos de de cidadãos relacionados com as Ordens Maçónicas. Na verdade, esta estrutura, habituada, secularmente, a viver em lógica discreta e secreta mesmo, espalhada pelos meios profissionais, em especial os de maior formação escolar e profissional, de quase toda a Europa, teve todas as condições para ser o cadinho capaz de gerar todas, ou as mais importantes movimentações sociais e políticas havidas durante e, em especial, na pós “Idade Média””, (in obra citada, pág. 107).

É, aliás, esta diversidade, logo na origem, ou até na pré origem, e a sua capacidade de intervenção do topo à base da estrutura sócio política, que é a grande riqueza da Maçonaria, baseada na Tolerância, interna, de origens sociais, de pontos de vista, de orientações filosóficas, políticas e, claro, religiosas.



Como disse Fernando Pessoa, no texto que já citámos, “Assim a Maçonaria necessariamente, toma aspectos diferentes – políticos, sociais e até rituais – de país para país, e até, a dentro do mesmo país, de Obediência, para Obediência, se houver mais que uma.”, (in obra citada, pág. 13).

Amando Hurtado acentua, voltando um pouco atrás, mas relacionando os assuntos, “A influência das lojas de “maçons aceites” foi de grande importância na Inglaterra do século XVII. Em algumas eram, inclusive, maioritários e provinham tanto do campo católico como do protestante. Já fizemos aliás referência anteriormente à presença de notáveis membros da Royal Society, alguns deles alquimistas e rosacruzes”, (in obra citada pág. 57).

Fernando Pessoa, no artigo Das Origens e Essência da Maçonaria, no opúsculo já citado acima, aponta, entretanto, uma outra pista para o surgimento da Maçonaria, tendo em conta esta influencia rosacruciana, que merece, no mínimo, esta nota, “Acusam os cabalistas, de cuja sinceridade original se não duvida, de, primeiro, através da Rósea Cruz, terem criado a Maçonaria, Ordem supostamente anti cristã, e de, mais tarde, por diversas vias, se terem infiltrado nela, para, presumivelmente, contrariar e vencer as expansões cristã e templária que se manifestaram, depois da Oração de Ramsay, na criação Altos Graus e sobretudo na Stricta Observância de von Hund ou dos seus Superiores Incógnitos”, (in, obra citada, pág. 24).

Entre esses membros é de realçar Christopher Wren, de facto membro da Royal Society, que dirigiu o plano de reconstrução da cidade de Londres, em 1688, destruída pelo incêndio de 2 de Setembro de 1 666, onde foram destruídas “cerca de 40 000 casas e 86 igrejas”, (in, Maçonaria: Uma História sem Mistério, pág. 5).Na verdade, este maçon cria em 1691 a loja de São Paulo, nascida para a reconstrução da Igreja de São Paulo, ou a loja da taberna “O Ganso e a Grelha”, local onde usualmente a loja se reunia.

E, neste momento do texto é útil referir Claude Saliceti, em Humanismo Franco Maçonaria e Espiritualidade, “Desde a sua criação no início do século XVIII, a Maçonaria especulativa não cessou de se dividir e de se despedaçar sob as pressões conjuntas das errâncias do pensamento humanista, das circunstâncias políticas e de influências filosóficas diversas, ao ponto dos maçons se interrogarem frequentemente sobre a natureza e finalidade da sua prática”, pois é verdade, como se verá a seguir, que é neste período histórico que nascerá a Maçonaria Especulativa e também a mais profunda cisão no seu da Maçonaria, que a transformará de vez, (in, obra citada, pág. 85).

Segundo este autor a ética da Maçonaria confunde-se com a do humanismo e a sua simbologia, plural, “representa a memória dos diferentes empréstimos religiosos e



filosóficos de que se serviu o pensamento humanista para se constituir como tal desde o Renascimento”, ( in, obra citada, pág. 87), e, com tal, surgindo novos modelos de estruturação social, político e religiosos.


É nesta loja que se iniciará o reverendo Jean Theophile Désaguliers, pois em 1703 esta loja inicialmente somente de maçons operativos abre as suas portas a maçons aceites, “devido ao crescente nº de maçons aceites em todas ass outras lojas”, (in www.infonet.com.br/oreunificador/loj_calice_do_graal.htm, pág. 5) e é este reverendo que a 7 de Fevereiro de 1717 “conseguia reunir quatro lojas metropolitanas, para traçar planos referentes à alteração da estrutura maçónica”, (in Maçonaria: Uma História sem Mistério, pág. 5) que passou pela reunião de 24 de Junho de 1717 onde as 4 lojas “criavam The Premier Grand Lodge, ( a Primeira Grande Loja) em Londres, implantando o sistema obedencial, com Lojas subordinadas a um poder central, sob a direcção de um Grão Mestre, já que, antes disso as lojas eram livres de qualquer subordinação externa, concretizando a ideia do “maçon livre na Loja Livre””, (in acima pág.s 5 e 6).

Amando Hurtado relata estes acontecimentos de uma outra forma, mais pormenorizada, e, também, releva o papel na loja de James Andersen, capelão anglicano, que não aceitava para a mesma os maçons operativos.

Segundo Amando Hurtado, “A partir de 1714 os maçons operativos e alguns dos seus aceites começaram a detectar uma actividade clandestina de um capelão da loja …que sem o apoio do grão mestre celebrava reuniões rituais para onde não convidava os maçons operativos. O capelão era James Andersen”(in, obra citada pág. 58).

Este capelão cria ainda a sua própria loja com 7 maçons, a Loja Antiguidade, entre os quais Jean Theophile Désagulliers, e Anthony Sayers que será depois o primeiro Grão Mestre desta Grande Loja de Londres.

É esta Loja que, segundo o Ritual do Aprendiz Maçon, em 1703, em outra data posterior certamente, segundo as restantes fontes, “ordenou que dali em diante os privilégios da maçonaria não seriam mais a prerrogativa exclusiva dos maçons contrutores, que os homens de todas a sprofissiões seriam chamados a gozar dela contanto que tivessem sido regularmente aprovados e iniciados na ordem. É então que os pedreiros livres tomam o nome de maçons”, (in obra citada pág.9).

Estes actos são fortemente criticados nas lojas tradicionais e, em Setembro de 1 715, “os rebeldes foram declarados ilegais por sir Christopher Wren, Grão Mestre e presidente da



Royal Society. Contra esta tomada de posição da Maçonaria Operativa, os sete mestres rebeldes formam a Loja da Antiguidade, “mãe da que iria ser uma nova Obediência maçónica estritamente “especulativa””, (in obra citada pág. 58).

E Grainho refere que, na data acima, Fevereiro de 1 717, “Instituiu-se, com toda a espécie de formalidades, uma Grande Loja, união das quatro Lojas…presidida pelo Mestre mais antigo enquanto não fosse eleito um Grão Mestre. Finalmente, a 24 de Junho do mesmo ano (solstício de Verão e Festa de São João) foi eleito como Grão Mestre Anthony Sayers, o qual, aclamado por toda a assembleia, designou o capitão Elliot e o mestre carpinteiro Lamball como inspectores”, (in obra citada pág. 39) – estava nascida a Maçonaria Especulativa Moderna.

Em 1 723, um grupo de Maçons, provavelmente liderado por Anderson, o já citado pastor protestante, publica o Livro das Constituições da Grande Loja de Inglaterra, que fora apresentado à Grande Loja de Londres em Dezembro de 1721.

É importante citar agora Amando Hurtado quando diz que “No aspecto doutrinal, a reforma de Anderson independentiza o animus maçónico da vinculação a qualquer religião positiva, libertando o iniciado da obrigação de aceitar ou praticar a do país em que se encontre e substituindo o antigo “dever” dos maçons operativos pelo de observar uma conduta moralmente irrepreensível, em função dos critérios sociais predominantes em cada lugar e momento e de manter com os demais maçons uma linha de comportamenyo honrada e fraterna. A aceitação do Princípio Gerador, chamado Grande Arquitecto do Universo, passava a ser a referência comum que separaria todo o autêntico maçon da laicização ultramontana preconizada pelo racionalismo e positivismo…As novas constituições procuravam o fomento de uma sociedade universal baseada na fraternidade maçónica”, (in texto citado, pág. 61).

Por outro lado, convém uma clarificação sobre a autoria desta nova Constituição. Citando Ambrósio Peters, refere Amando Hurtado, “Anderson foi provavelmente o primeiro da lista por razões de simples ordem alfabética, sendo os restantes relegados com o tempo, quando aquele poder ter sido somente um simples relator ou redactor”(in obra citada pág.61).

Note-se que Anderson é um nome, à época, bastante contestado. Assim, entre 1725 e 1735 este reverendo esteve afastado da Grande Loja de Londres, por razões pouco esclarecidas a pontos de, em 1877, um maçon, verdade que também rosa cruz, Charles Sotseran diz, “As Constituições de 1723 e 1738 do falso maçon Anderson foram adaptadas pela recém emplumada Primeira Grande Loja de Livres e Aceites Maçons de Inglaterra…”(in, texto já citado As Mulheres e a Maçonaria, de Joaquim Gervásio de Figueiredo, pág. 4).



A grande questão levantada neste último texto citado é precisamente uma das questões mais polémicas na Maçonaria – o papel da Mulher. Neste texto parece ficar evidente que em nenhum dos documentos antigos se refere à impossibilidade da Mulher participar ma Maçonaria e mais que não são poucas as evidências da participação da Mulher na Maçonaria Operativa.

Não deixa de ser interessante também referir que o grau de mestre só surge na segunda edição, a de 1738, da Constituição, assim como é nela que surge também o mito de Hiram, o qual, segundo Amando Hurtado foi razão para que surgisse a “reacção condenatória romana”, in obra citada, pág. 63) e ainda, “a de bom numero de maçons tradicionais (operatico-aceites) que, em 1730, decidiram a fomração da Ordem Real da Escócia, como nova obediência surgida em Londres para contestar “a descristianização introduzida pelas Constituições de Anderson””, (in obra citada pág. 63).

A Maçonaria manteve, desde então um percurso interno complexo, mas também e período de significativo crescimento, e, segundo Grainho, “de 1721 a 1736 estabelece-se em França; de 1733 a 1741 na Alemanha; de 1723 a 1735 nos Países Baixos; em 1731 na Rússia; de 1 735 a 1754 na Suécia; de 1 743 a 1 749, na Dinamarca; de 1 727 a 1 728, na Espanha; em 1 733 na Itália; de 1 733 a 1 743, em Portugal; em 1 737, na Suiça; em 1 738, na Turquia”, (in obra citada, pág. 40).


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:11
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