Sexta-feira, 3 de Junho de 2005

Introdução à Problemática do Turismo (1)

1.1. Breve História da Evolução do Turismo
O
Turismo, de forma massificada e mundializada, é uma das actividades recentes do Ser Humano, que enquadra uma imensidão de elementos de cariz económico, social e técnico, que passam, inclusivamente, pelo cruzamento necessário, para existir, de múltiplas outras actividades económicas, sociais e culturais em um País ou Região
Segundo o Código Global de Ética para o Turismo da Organização Mundial do Turismo, este é “...a actividade mais frequentemente associada ao descanso e relaxe, ao desporto, ao acesso à cultura e natureza que deveria ser planeada e praticada enquanto um meio privilegiado de reforço individual a colectivo; quando praticado com mente aberta é um factor indispensável de auto educação, de mútua tolerância e de aprendizagem sobre as legítimas diferenças entre povos e culturas e as diversidades”, (artº2).
É precisamente por estar relacionado com o descanso e o relax que o Turismo exige, para acontecer enquanto fenómeno massificado, em uma dada Região, que o factor segurança seja, na mesma, uma realidade perceptível. Sem esse factor segurança, o Turismo tende a não existir nessa Região.
Scott McCartney, entretanto, em um texto denominado “Getting Away” chega a datar o iniciar da actividade turística com as primeiras Olimpíadas, a 776 AC., enquanto importante “movimento das pessoas da época”, como dizem Beatriz H.G. Lage e Paulo César Milone em “Economia do Turismo, ainda que neste evento concreto se tenha de relacionar ao relax também o elemento místico/religioso, o que, como se verá, acompanhará muitos eventos turísticos dos dias de hoje também.
Na verdade, as viagens justificadas pelo prazer e o relax que das mesmas se pode retirar, continuarão ao tempo do Império Romano, quando, por exemplo, Romanos, das elites deste Império, se deslocavam para viajar pelo Nilo, por voltas do ano 130 AC, para verem uma estátua em Tebas que, depois de um terramoto, emitia um grito estridente todas as manhãs e, quando, à volta da mesma, mercadores da época se reuniam para vender aos viajantes lembranças, réplicas dessa mesma estátua feitas em terracota...
Tanto Roma como Alexandria são cidades de importante movimentação de Pessoas, em autêntica actividade turística, com o Circo Romano a ser um dos elementos turísticos dominantes.
Douglas Foster, no entanto, em seu livro, “Viagens e Turismo, manual de Gestão”, tem outra opinião. Segundo ele, “Embora os gregos e os romanos, sendo grandes comerciantes, tivessem de viajar muito no seu tempo em busca de negócio à medida que os seus impérios se expandiam, o turismo como o conhecemos hoje é um acontecimento recente. A palavra turismo não fazia parte da língua inglesa até ao início do século XIX...”.
Não seguiremos esta via de análise. Ainda que o conceito seja moderno a prática era existente e está descrita em inúmeros documentos, pelo que tem de ser tida em conta, ainda que no seu contexto histórico.
Assim, no iniciar deste milénio ora terminado, surgem ainda os peregrinos que se dedicavam às viagens de cariz religioso, por forma a obter uma cura milagrosa, ou o perdão para os seus pecados, por exemplo em Jerusalém, de novo relacionando-se o Turismo com os fenómenos místico religiosos.
Ainda, um dos primeiros livros/manuscritos, de raiz turística, denomina-se “Travels” e surge por voltas de 1357. Foi tão grande o seu sucesso que teve tradução para 9 línguas. Este livro, da autoria de Sir John Mandeville e que denota o interesse significativo das actividades de lazer nesse tempo, já que não se poderá, em rigôr, falar de Turismo, relata as viagens do autor, pela Europa Ocidental e pelo Sudeste Asiático, passando pela Terra Santa, a Grécia e Chipre.
O Renascimento, a finais do século XVI, virá incentivar a curiosidade pelo outro e portanto o gosto pela viagem, em especial de artistas e no seio das elites dominantes, podendo-se dizer que se assiste aqui a uma primeira segmentação, de cariz socio económico e cultural, deste segmento de actividade.
Mais tarde, em 1552, surge o “primeiro guia de estradas de autoria de Charles Estiene...(sendo),..., um trabalho que continha instruções, roteiros e impressões das viagens” (in, Economia do Turismo). Em 1612, Francis Bacon com o seu texto Of Travel, continua com esta forma literária de divulgação de informações aos viajantes
O Mercantilismo, com a Expansão Portuguesa e Espanhola primeiro, assim como com a Holandesa depois, veio criar as condições para a necessidade do aumento do nº de viagens e de viajantes, (tal como do comércio internacional e, também da curiosidade pelo Outro), quer considerando as viagens de Lazer, quer as viagens de aproximação familiar, entre colocados fora dos espaços de origem para acompanhamento dos processos de colonização resultantes da Expansão marítima .
Por voltas dos séculos XVII e XVIII, aumentam significativamente as várias formas organizadas de hospedagem, com albergues e ou estalagens a pulularem pelas estradas que aproximavam as cidades umas das outras, aumentando o n.º de pessoas que viviam nesta nova forma de ofício.
Também os instrumentos de transporte melhoraram significativamente, chegando a níveis de sofisticação bastante elevados, tornando as viagens de lazer cada vez mais agradáveis, e mais possíveis, ainda que, somente para a elite.
Por voltas do século XVIII, ainda, era usual que os Jovens das elites dominantes, as únicas camadas sociais com tempo disponível para viajar, usufruíssem desta actividade de lazer e de aprofundamento dos conhecimentos.
A Revolução Industrial, ao vir a criar um alargamento das camadas sociais com rendimentos e disponibilidade de tempo para usufruírem do lazer e ao criar as condições tecnológicas para a realização de viagens de mais longa distância, com um mínimo de condições, em especial com o aparecimento do comboio e do navio a vapor tornou a actividade turística ainda mais viável e é neste período que começam verdadeiramente a nascer as estâncias, em particular as balneares.Começa verdadeiramente a nascer, então, uma indústria de lazer. As estâncias balneares agregam não só unidades hoteleiras, mas também teatros, casinos e outros espaços de lazer, por onde se espraiam em tempo de descanso, já não só as elites, como onde vivem aqueles que trabalham nessas mesmas actividades, de forma permanente.
As viagens tornam-se menos caras e mais seguras, as exigências sanitárias também e os banhos de mar passam a ser uma moda que se espalha por toda a Europa e pelo Continente Americano, ou por onde se vão estabilizando os Europeus, no decurso do já referido processo de colonização, que dominou o século XIX
Por voltas dos meados do século XIX, Thomas Coork vendia já pacotes de excursões onde se agregavam as despesas com as viagens de comboio, os hotéis e outras necessidades. Como se refere em “Economia do Turismo”, “...organizaram-se primeiras actividades turísticas por iniciativa de algumas pessoas de destaque como Thomas Cook, Henry Wells, George Pullmann, Thomas Bennet, Louis Stangen e Cesar Ritz”.
Thomas Cook é responsável pelo primeiro itinerário conhecido, descritivo de viagens turísticas, pela divulgação turística de uma região motivando guias de turismo a conhecerem a mesma, com uma viagem que realizou para guias de turismo, com “350 pessoas a uma viagem à Escócia em 1846” (Economia do Turismo), assim como pela organização do transporte e alojamento para 165 000 pessoas que assistiram a uma Exposição Mundial em Londres em 1851, (Economia do Turismo), pela primeira volta ao mundo, em 222 dias, com 9 pessoas, ou pela criação do voucher, em 1851.
Em 1924 nasce, tendo em conta o crescimento da actividade turística, a União Internacional de Organizações Oficiais para a Propaganda Turísticas, que dá origem 50 anos depois, à Organização Mundial do Turismo.
Mas, “o boom apareceu com o transporte aéreo...algo que só era possível para alguns passou a estar nas mãos das massas”, refere Geoffrey Lipman, presidente da World Travel & Tourism Council. O avião, capaz de transportar 300 pessoas de cada vez, pelos anos 60, mudou todas as características do Turismo, revolucionando também o Mundo e aproximando mais umas Regiões das outras.
Atendendo aos dias de hoje, vale a pena situar a evolução dos números, como faremos de seguida, para acentuarmos a Revolução que o Turismo impôs no Mundo, que leva a que em 1919, um autor, Sputz, em “Condicionantes Geográficas e Efeitos do Turismo”, se refira à onda de estrangeiros que todos os anos se desloca em um país”...denotando tal que o fenómeno turístico começa a ser já alvo de estudos atentos, como se viu.
Nos EUA, em 1931, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos publica um documento, que tem como única intenção o justificar os gastos com a publicidade do país com a promoção turística, o “Promotion Travel by Foreign”. Começava, pois, a tornar-se evidente a importância económica desta actividade, para os Países e os Estados, eles próprios..
É assim que, começamos a constatar, nos anos 50, que viajaram para um destino estrangeiro, já, 25 milhões de pessoas. “Este valor, nos anos 60, cresceu para os 70 milhões. Em 1997, relata-se a existência de 617 milhões de turistas, segundo a Organização Mundial do Turismo sediada em Madrid, que viajaram para países estrangeiros”, segundo Raymond Chavez, no seu texto“ Globalização e Turismo: mistura mortal para os povos indígenas”.
A massificação do Turismo, segundo alguns autores, entretanto, “pode ser explicada por... a paz, a prosperidade, o aumento da população, a urbanização...a ampliação do tempo livre...meios de comunicação, de transporte e de comercialização dos bens e serviços turísticos.”, (Economia do Turismo).
LISA l. Martins no seu texto “Social and Economic Pressures at Odds: Governance in Tourism and Foreign Direct Investiment”, diz “Não existe muita dúvida que o Turismo é o salva vidas de muitos países, com alguns pequenos estados a dependerem dele em mais de 50% do seu Produto Nacional Bruto. Mesmo em grandes países o Turismo pode ser surpreendentemente importante – ele representa 14,8% do PNB francês, 16,1% do italiano, 12,8% do britânico. Mesmo na forte economia dos EUA o turismo não é negligenciável, representando 12,1% do seu PNB.”.
Vejamos o Quadro que segue,






Uma visão estatística do Turismo no passado e para as próximas 5 décadas
Ano 1950 1990 1995 2000 2005 2010 2020 2050
Turistas (milhões) 25 460 617 750 n/d 937 1000 1600
Emprego (milhões) n/d 190 212 n/d 338 n/d n/d n/d
Fontes WTO, WTTC, em itálico estimativas segundo texto de Hanna B. Hoffmann,
“The Challenges of Tourism at the Turn of the Century: the importance of Sustainability”.

É assim que Lynn Wagner em “Sustainable Development Imperative and the Travel and Tourism Industry”, diz, “a indústria das Viagens e do Turismo é a maior indústria do mundo e está a crescer astronomicamente. No ano 2000, espera-se que a indústria gere directa e indirectamente11,7% do Produto Global Bruto...”.
Mas será que este crescimento brutal desta actividade não origina problemas? Voltando a citar Lynn Wagner, “Os recursos naturais e culturais são o centro do negócio desta actividade – ambas por produzirem o seu produto e por serem uma atracção para os visitantes - e a actividade afecta-as também. Os impactos desta actividade são de duas ordens de categorias: impactos no ambiente sócio económico e cultural e impactos no ambiente físico.”.
Ora tais impactos têm vertentes positivas, como os acréscimos possíveis de rendimentos e a sua redistribuição, mas também negativos, como a degradação das condições naturais, como a gestão da água nos picos da actividade turística afectando a reposição natural dos recursos aquíferos. Hoje, com estas enormíssimas movimentações de pessoa e significativas concentrações de pessoas em regiões específicas do Planeta, começa-se a sentir a necessidade de acompanhar atentamente a actividade turística por forma a minorar os impactos negativos da mesma..

Daí que tenha surgido, recentemente esta preocupação com o denominado Turismo Sustentável, que passou a ser um importante instrumento de estudo da realidade turística, assunto que se tratará mais tarde.
Fica já, no entanto, este apontamento retirado do Global Code of Ethics for Tourism aprovado em Assembleia Geral da Organização Mundial do Turismo, “Pretende-se promover um turismo responsável, sustentável e universalmente acessível no pressuposto do direito de todas as pessoas usarem o seu tempo livre para o lazer ou as viagens com o respeito pelas escolhas de sociedade de todas as pessoas”.
E mais, “O direito universal ao turismo deve ser entendido como um corolário do direito ao descanso e ao lazer, incluindo uma razoável limitação do período de trabalho e do período de férias contra salário, garantido pelo artigo 24º da declaração dos Direitos do Homem e o artigo 7º da Convenção Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais.”
Mas este século XXI nasce com o Turismo a confrontar-se com um novo fenómeno/ameaça, desta vez directamente adverso a esta actividade – o terrorismo.
O sucedido a 11de Setembro de 2001, nos EUA, em particular em New York e ainda o sucedido em Djerba, em Bali e em Mombasa, mostraram como o factor segurança é privilegiado pelos que anseiam participar, enquanto utentes, na actividade turística e como este factor passou a ser utilizado pelos que se afirmam por via do terror com arma para paralisar o Turismo e, assim, a economia mundial.
Citando Alain Bauer e Xavier Raufer, em “A Globalização do Terrorismo”, “No fim de Setembro, a queda da percentagem de reservas era em média de 26% (52% de percentagem de ocupação dos hotéis contra os habituais 78%). 1,9 milhões de quartos de hotéis ficavam vazios em cada dia (em vez dos 1,3 milhões do ano procedente)... Os Operadores Turísticos estimam em 40% o recuo da sua actividade no final de 2001... As perdas totais do sector, estimadas antes do 11 de Setembro em dois biliões de dólares, deveriam ultrapassar os 11 biliões, segundo as análises revistas em 12 de Novembro pela IATA”.
Segundo os mesmos autores e livro “Os efeitos sobre 2001 dos atentados estão estimados em 0,2% do PIB mundial para o ano em curso”.
Estes autores acentuam que se deve encontrar na tendência exageradamente despenalizadora das condições de segurança as razões determinantes para a facilidade (e com custos financeiros, para eles, tão baixos) com que um grupo terrorista consegue “obrigar os cidadãos do planeta a pagar uma taxa”...Deste modo a sociedade humana paga e pagará, ainda, durante muito tempo a taxa Bin Laden. O comissário europeu encarregado do comércio, Pascal Lamy afirma: o sistema actual sairá totalmente transformado da crise”.
Vale ainda a pena citar a carta que o Secretário Geral da Organização Mundial do Turismo, OMT, Francesco Frangialli, enviou aos países membros desta organização aquando do iniciar das operações militares no Iraque, pois a mesma mostra bem a filosofia inerente às actividades desta organização enquadradora, a nível mundial, do Turismo, em face a circunstâncias de guerra.
Diz este responsável do Turismo que “Desde o 11 de setembro de 2001 que vivemos a crise mais grave na história do turismo mundial. Djerba, Bali, Mombasa: os ataques sucedem-se contra os visitantes estrangeiros...vítimas inocentes em conflitos onde eles não estão envolvidos. Apesar disso o medo não triunfou e o turismo não se afundou como alguns anunciaram demasiado apressadamente”.
Este reputado defensor do turismo, de forma optimista releva que, em 2001, “o nº de chegadas d turistas internacionais só se reduziu 0,5% enquanto que o turismo interior em cada país progredia...” e que, em 2002, “Com 715 milhões de chegadas internacionais e uma progressão de 3,1% o crescimento estava de volta”.
Optimista, como se referiu acima, Francesco Frangialli acentua nesta carta o crescimento acentuado do turismo na zona Ásia-Pacífico, com uma evolução positiva de 8% e o surpreendente Médio oriente que em 2002 via o turismo crescer a 11% ano graças ao tráfico intraregional.
Tal leva-o a considerar que “a necessidade de viajar por motivos de negócios ou de lazer está fortemente ancorado nas nossas sociedades pós industriais”, levando os consumidores a tudo fazerem para viajarem, “mesmo se reduz as despesas, se muda de destino, se difere a sua viagem, se fracciona a sua estadia, se privilegia o turismo interno em detrimento do internacional”.
Segundo este responsável mundial do turismo, ainda, “O turismo e a guerra não fazem bom casamento. Eles são como a água e o fogo e o seu encontro não origina nada de bom.”.
Assumindo que milhares de empregos estão em causa com esta guerra, defendia este responsável mundial pelo turismo, a 20 de Março de 2003, que a ter de haver guerra ela então que fosse curta e limitada na sua incidência geográfica, entendendo ainda assumir que “o mundo árabe-muçulmano possa, ...utilizar o turismo como um instrumento de abertura e uma via de comunicação com o restante da comunidade internacional”.
O turismo é hoje, pois um instrumento para a Paz, o Diálogo e a Multiculturalidade.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 17:42
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