Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Helena Roseta e o Perigo de Derrocada em Lisboa

O Funchal foi somente um exemplo, vivido sofridamente, do que pode suceder em bem mais cidades portuguesas, e outras tantas lusófonas reconheça-se, em face de “catástrofes naturais”, (vejam emails de cidadãos de Cabo Verde, que receberam os meus textos e como reflectem sobre o mesmo).

Para depois culparmos a Natureza, (?).

Na verdade, a politica da prevenção do perigo, perante acontecimentos graves de “origem natural”, continua a ser, em Portugal, uma raridade e é tempo de pormos, os dedos todos, as mãos todas, na ferida.

Diz a Vereadora Helena Roseta, insigne arquitecta, em noticia no jornal i , que existem 1117 edifícios capazes de gerar situações de grave risco, para a cidade e para os lisboetas.

Já em um colóquio realizado na Secção de Almirante Reis do PS tínhamos, eu e os socialistas presentes, sido alertados para esta situação de elevado risco, (em S. Jorge de Arroios existem 278 edifícios em risco, sendo que 91% dos edifícios municipais estão em mau ou muito mau estado; em Santa Maria dos Olivais, onde moro, existem 376 edifícios no mesmo estado…), na sequencia da apresentação, pela Vereadora Independente, do Programa de Apoio à Reabilitação Urbana.

Lembram-se do Incêndio do Chiado, onde “obras municipais de arromba”, da Câmara Municipal de Lisboa sob governação AD(PSD/CDS) geraram um dos maiores desastres urbanos do país?

Pois hoje, em Lisboa, estamos a viver momentos de uma gravidade potencialmente bem mais significativa.

Basta passearmos pela Baixa Pombalina à noite para entendermos o perigo – os edifícios pombalinos estão vazios, alvo da mais escandalosa especulação imobiliária.

Sabemos também que as obras do Metropolitano de Lisboa, no Terreiro do Paço, continuam com um resultado não adequadamente explicado…

Finalmente é este trabalho da CML, liderado pela Vereadora Helena Roseta, Independente no executivo de António Costa, PS, que recorda que, a dados de 2001, os edifícios em Lisboa têm uma média de idades da ordem dos quase 54 anos para os quase 44 no restante país.

Na verdade, a situação de risco é potencialmente idêntica àquela a que assistimos no Funchal.

É assim que entendo ser determinante que os Investimentos Públicos tenham de ter continuidade, mas tendo em conta a capital do país, e o risco em que ela vive – enfim urge pôr em andamento o referido Programa de Apoio à reabilitação Urbana, mostrando que aprendemos com as asneiras do sr Alberto João Jardim e do PSD/Madeira.

E que agimos antes do drama, prevenindo-o.

Note-se que se alguns políticos, como Paulo Portas, (e, claro todos os do PSD/Madeira a começar pelo seu chefe), tentaram, (e tentam ainda), em face dos dramáticos acontecimentos, branqueá-los, com o único objectivo de proteger os fautores do descalabro – o PSD/Madeira e o seu leader.

No entanto a opinião publica activa, na internet por exemplo, se reforçou relações de solidariedade concretas, não foi em cantigas e exigiu e exige que seja exigidas responsabilidades a quem de direito – o PSD/Madeira e Alberto João Jardim.

Que, visivelmente, continua a preocupar-se com o acessório, a aparência do Funchal, limpando ruas, e a ignorar o essencial, a reformulação, radical e imediata, dos planos de ordenamento do território – chegando ao ponto, escabroso, de procurar branquear o nº de mortos infelizmente sofridos no Funchal.

O Estado, esse, não pode silenciar-se. Divulguei textos e noticias, de 1985 e de 2008, onde o alerta foi dado aos dirigentes do Governo Regional da Madeira e que mereceram o silencio e o desprezo por parte dos mesmos dirigentes.

Mas agora não é possível mais aceitar-se esse mesmo silencio e desprezo, cumplicemente.

Porque se está a ser cúmplice de um crime.

E o fautor tem nome – governo Regional, PSD/Madeira, Alberto João Jardim.

Estranhamente, na AR, o silencio é demasiado ruidoso.

Por isso divulguei os requerimentos de Mota Amaral, dirigente açoriano do PSD, feitos na AR, criticando duramente o Governo Regional dos Açores, aquando do sismo em São Miguel, para mostrar que o silencio tem demasiado ruído.

Entende-se a vergonha que envolve os deputados do PSD, do BE e do PCP, que assumiram o desperdício na Lei das Finanças Regionais.

Não se entende o silencio restante.

E, agora, não se entende que não se pense, rapidamente, na forma de apoiar a CML, António Costa e Helena Roseta, na concretização acelerada do Programa de Apoio à Reabilitação Urbana.

Para que não existam mais dramas no país.

Para que não tenhamos de responsabilizar mais Pessoas, dirigentes políticos.


Joffre Justino

Uma Apreciação,

Então vamos lá a ver quem é que são os canalhas...
São os técnicos e os cientistas que há uma semana apontaram responsabilidades e lamentaram a triste verificação do que previam há longos anos, ou os tantos e vários presidentes que na região autónoma da Madeira (e no resto do país) fazem do poder democrático, e da autoridade que lhes confere a República, um exercício de lapidação de quem tem competência técnico-científica para melhor exercer a delapidação dos valores ambientais, do erário público e das vidas de muitos dos seus eleitores.

Sem mais comentários:
http://www.youtube.com/watch?v=aTf0h3nobAs

FF
--
Francisco Fatela
E dois textos de cidadãos de Cabo Verde….



Je vous en prie!! Et vous remercie pour vos précieux mails qui nous concernent tous de près ou de loin.

Une bonne soirée,
Ariane
2010/2/25 Joffre Justino <jjustino@epar.pt>
Meu s caros,

Fiquei bem sensibilizado pelo gesto da Ariane e pelo texto de Mário Matos. Desta forma questiono se posso divulgar os dois textos, com um pequeno texto meu, na minha lista de emails.

Abraço e bjinho

Joffre Justino

De: Mário Matos
Enviada: quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010 15:00
Para: Ariane Morais-Abreu
Cara Ariane

Obrigado pela tua mensagem e texto anexo.

Penso que todos os cabo-verdianos que vão seguindo a tragédia da ilha da Madeira terão pensado precisamente em nós, nas nossas ilhas e na possibilidade de enfrentarmos calamidade igual. A vulnerabilidade das ilhas nesse particular é já proverbial. E no nosso caso, em se tratando de chuvas copiosas, para uma parte significativa das nossas ilhas, é um facto que pode acontecer a qualquer momento, como bem nos mostraram os acontecimentos das chuvas do ano transacto, com maior impacto destrutivo na Ribeira Brava e em certos sítios de Santo Antão. Dizem os entendidos que as nossas ilhas montanhosas são de rochas de desagregação, territórios acidentados, com declives acentuados, convidativos a enxurradas terriveis - as célebres "quebradas" de Santo Antão - de efeitos desvastadores em vidas humanas, bens, infraestruturas e perda do já escasso terreno agrícola.

Tivemos, aliás, episódios calamitosos tanto num passado mais distante como num recente, para além dos do ano transacto. Dizem os antigos que nos anos 50 houve uma enxurrada devido a chuvas copiosas que arrasaram a "Ladera" da Vila da Ribeira Grande, em santo Antão, destruindo casas e quintais de bananeira e ceifando a vida a onze pessoas. Lembro-me do rabo de ciclone de 1984 (se a memória não me falha) que vitimou algumas pessoas nos Engenhos em Santiago e Porto Novo, sobretudo, e arrazou centenas de casas de camponeses.

Infelizmente não temos tirado as devidas ilações disso tudo. E aqui o "não temos" vai desde o cidadão comum que insiste, na sua aflição de ter um tecto, em construir no leito das ribeiras e nas encostas escarpadas sem tratamento de consolidação, como as autoridades locais e centrais que estão atrasadas em relação á prevenção e soluções estruturantes.

Mas, permites-me uma outra constatação de algo mais pernicioso: é que tudo em Cabo Verde passou a ser partidarizado (não digo politizado porque politizar é nobre e é o que estamos a fazer aqui com esta troca de mensagens, enquanto exercício de cidadania): E quando faço tal afirmação, incluo actores de todos os partidos políticos e não só. Por que digo isto? Quando dados executivos camarários ou o governo pretende agir sobre as construções clandestinas no leito e na foz das ribeiras e nas ladeiras das nossas urbes, alguma comunicação social e apoiantes do partido que estiver localmente na oposição, mor de vezes, saem em defesa demagógica dos cidadãos, apresentando-os como vítimas da Câmara Municipal e/ou do poder central. Ou seja, não se concentram na pressão e participação para a procura de soluções para o problema tão bicudo como o da habitação dita clandestina e ainda por cima em condições de extrema vulnerabilidade para as famílias e para a comunidade. Claro que a acção da Comunicação Social e dos partidos políticos é vital para a crítica, controlo e fiscalização dos poderes públicos, locais e central, evitando-se o abuso de poder e o descaso face a situações degradantes. Mas, feito com responsabilidade, elevação e sem demagogias e populismos...

Concordo contigo que, num espaço exíguo e tão vulnerável como Cabo Verde, o ordenamento do território assume foros verdadeiramente estratégicos e de grande potencial de prevenção.

Como não podemos ficar por constatações - e a tua mensagem a todos os que fazem parte do teu mailing é já um valioso alerta e, logo,passaste a acção e não te quedaste pela constatação - podemos e devemos insistir, pressionar, participar junto das autoridades competentes mas, também dos cidadãos, comunidades e forças vivas em geral, para a sedimentação dessa cultura de prevenção que deve levar a acções concretas dos poderes públicos e da sociedade em geral.

Aqui há terreno para uma acção complementar entre o poder local, o poder central, a comunicação social e as organizações nao governamentais, vale dizer, a sociedade civil. Cada um com o seu grau de responsabilidade, para não haver diluições da mesma.

Não ajuízo, no concreto, sobre casos precisos de vulnerabilidade que todos conhecemos, por não estar a par dos avanços das medidas em curso e nem dos avanços no domínio do ordenamento do território. Mas, não tenho dúvidas que temos fortes vulnerabilidades nos aglomerados das ladeiras das nossas duas principais urbes - estou-me a lembrara da Forca, das ladeiras sobranceira a Alto Solarine, a Fonte Filipe, a Cavoque Vermelho e tantas outras de S. Vicente, como os da Ladeira Sampadjudo, Safende, Achada Grande Frente e tantas outras da cidade Capital, bem como das Vilas instaladas na vizinhança da foz de pujantes ribeiras e cercadas de montanhas escarpadas como a Ribeia Brava, Povoação oui Ribeira Grande, Chã de Igreja, Vila das Pombas, Mosteiros, Cidade Velha e vários outros povoados do Fogo, de Santo Antão, de Santiago, só para citar os mais conhecidos.

Não tenhamos ilusões. Medidas de fundo para prevenir desastres desse tipo são muito dispensiosas. Lembro-me de um médico amigo, francês, ao visitar Cabo Verde pela primeira vez, ter dito que havia certos sítios da França onde havia rochas semelhantes às nossas e que tinham sido consolidadas nas vertentes habitadas ou que ameaçavam habitações e infraestruturas, mas alertando-me que tinha sido um processo altamente dispendioso. É, pois, matéria para contarmos com a cooperação internacional. Mais uma razão para a complementaridade das acções.

Caríssima, fico por aqui, na certeza que o teu gesto terá alertado muitas consciências e de que todos seremos poucos para enfrentar esse desafio que, está visto, aumenta exponencialmente com as alterações climáticas.

Obrigado pela partilha e a tua compreensão e dos que se dignaram seguir-me até aqui, pela extensão desta mensagem.


Mário Matos
No dia 25 de Fevereiro de 2010 11:58, Ariane Morais-Abreu <ariane.moraisabreu@gmail.com> escreveu:
Bom dia,

Para uma util informaçao faço questao de transferir ao vosso conhecimento estes mails do sr Joffre Justino sobre a dramatica situaçao da Madeira, ilha que nao deixa qualquer Caboverdiano indiferente...

Introduzindo com a conclusao deste senhor,
"Porque a sua politica populista (referindo ao Alberto Joao Jardim), opusdeisiana, de Direita quase totalitária – faliu.", da de imediato o tom e as consequências de uma pessima e criminal gestao dos bens publicos (patrimonio fundiario, hidraulico e florestal neste caso) num pais tao proximo e similar do nosso.
Se a desgraça dos Madeirenses pudesse alertar os Caboverdianos sobre a propria gestao do territorio e necessarias medidas de prevençao, seria também um "sonho" acordado!!
Boa leitura,
Ariane Morais-Abreu
publicado por JoffreJustino às 11:02
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