Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

mais um texto de João Tocha

Assisti a esta conferencia do Clube Lusitânia com o Prof. Carolino Monteiro, impressionante de informação e de simplicidade. Sinto-me obrigado a divulgar, por isso, este texto de João Tocha, e aconselho veementemente que assistam, sempre que puderem, a outra conferência que este professor dê,


Oque está a dar é ter
bom gene.E os portugueses
de génio já lhe
fizeram jus quando
lançaram caravelas,
desbravaram mares e encontraram terras
e povos. Foram os genes,
o engenho e o génio a trabalhar em conjunto,
ainteragirem,
que permitiramtal coisa.
Mas, no presente, temos também,
novos descobridores, novos
viajantes,que sulcam mares
de futuro e de modernidade. São
portugueses sim senhor. Navegam espaços
contidos na imensidão
de um código genético e
procuram explicações para a
vida, para os comportamentos,
para as doenças, para o bom desempenho
do homem. É uma
nova fronteira do conhecimento,
que alicia mas ao mesmo
tempo desafia e arrepia. Agenética
e o estudo dos genes pode
ajudar-nos a fortalecer a cidadania,
a ultrapassarmos alguns
dos nossos obstáculos ao salto
emf rente.
Vejamos o que retive da lição
que o professor Carolino Monteiro
transmitiu, esta semana,
na tertúlia de amigos do Clube
Lusitânia.
Cuidado com as noções simplistas
de Liberdade e de
Igualdade. Meter 28 alunos,
crianças, numa sala de aulas e
ensinar-lhes exactamente a
mesma coisa, ao mesmo tempo,
com a mesma metodologia,
exigindo padrões de resultado
iguais, é uma falsa igualdade.
O estudo da combinação
genética demonstra que uns
apreendem mais depressa que
outros, que outros memorizam
mais facilmente que uns e, por
aí fora, outros falam e exprimem-
se mais facilmente que os
seus colegas. O mesmo se poderia
aplicar para outras aptidões
como a resistência à doença, a
destreza manual. Isto significa que o primeiro
absurdo é haver um
professor para 28 alunos.
O segundo, é nivelar todos
pelo padrão de aprendizagem instituído.
A lição que o professor
tira de genética aplicada à
cidadania é que chegou a altura de
adequar o ensino e a avaliação ao
destinatário, se visarmos o aperfeiçoamento
de cada um. E deu o
exemplo das turmas de 9 crianças
na Dinamarca, e que têm dentista
na escola. Portanto, todos iguais,
todos diferentes. Mas, Carolino Monteiro,
explica que a
genética também
nos alerta para o
facto de que a mesma aspirina
não ser sempre a solução ideal para a cura de uma dor
de cabeça em todas as pessoas.
Cada ser humano tem capacidades
e necessidades de doses diferentes
da mesma aspirina. Os genes
e o organismo são os culpados
da situação.
Isto quer dizer que entrámos no
patamar da qualidade, em que a
imaginação terá de conciliar o
exequível para servir 10 milhões
de portugueses, sem esquecer que
cada português tem uma especificidade própria,
que tem de ser potenciada.
Já agora, a genética permite-nos
perceber o impacto dos movimentos migratórios
dos povos e a
herança genética que fica.Porque
nascem novamente crianças com
sífilis emPortugal? Qual o impacto
do facto de na Costa da Caparica
já existirem cerca de 6000
brasileiros?Que em determinada
localidade do Japão, nascem
crianças com uma doença oriunda de
determinada região de Portugal,
quando afinal só lá viveu
um padre jesuíta. Estamos a falar de multiculturalidade
e diversidade,
e das respostas que
as políticas têm de saber
dar a pessoas tão diversas,
que carregam heranças genéticas
tão diversificadas, por forma
a tirarmos o maior rendimento e
bem estar da cada indivíduo.
O perigo é se o génio pensa que o
paraíso está ali ao virar da esquina
e que, com alguns toques genéticos
julgamos poder criar super-
homens, mais aptos e resistentes
para determinadas
actividades.Avida é uma bela sinfonia.
A orquestra tem de ser observada
com cuidado para que as
afinações pretendidas não nos levem ao
inferno em vez de aumentarem a qualidade
de vida de todos
nós. A utopia da raça pura.
Onde está ela? Amiragem de conquistar
a vida eterna leva-nos
para a linha de uma nova fronteira.
Mas a necessidade de aperfeiçoar
o homem. A obrigação de
combater as desigualdades que
resultam da doença e da fome
obrigam-nos a agir depressa.
E Carolino Monteiro inverteos
termos e diz que
o combate da pobreza
começa na prevenção da
doença e na acção sobre
a saúde da spessoas. Boasaúde induz melhor
aproveitamento a todos
osníveis e o bom desempenho
propicia resultados conducentes
à diminuição da pobreza. É claro
que aos políticos cabe integrar estes
conhecimentos, criar as condições
de comunicação interciências,
para que, hoje já, estes
conhecimentos melhorem a nossa
qualidade de vida. E já agora,
parte do conhecimento mais
avançado sobre esta matéria está
na posse de portugueses, cidadãos
do mundo. Será que Portugal sabe
disso? Ainda falta mais um choque
em Portugal. O choque genético.
Já agora, quando lhe disseremque é um nabo,
ou que é burro,
não se ofenda, pois não é
totalmente mentira, atendendo
ao património genético que temos
em comum.
joaotocha@lpmcom.pt
publicado por JoffreJustino às 11:07
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