Quinta-feira, 7 de Julho de 2005

Um luto…Mais um Luto

Hoje foi em Londres.

Já foi em Madrid e em New York.

Faltam Roma e Lisboa.

Vivemos um estado de guerra, nesta Globalização, onde um exército, cobarde diga-se, que em nada honra a coragem e a sagacidade dos militares árabes de antanho, se dedica a eliminar cidadãos fragilizados, que em nada contribuíram para a miséria dos países árabes.

Países onde elites inacreditavelmente conservadoras, a todos os níveis, aproveitando o fanatismo religioso, se banqueteiam com os petrodolares e esvaziam os seus povos de Conhecimento, de Cultura, de Modernidade.

Países onde campeiam a corrupção, o totalitarismo e o fanatismo, mas onde nascem também suicidas capazes de destruir outras Pessoas, seja onde for, em nome de um Deus que decididamente já lá não está.

Culpe-se e bem Bush, pela sua incapacidade estratégica, pela forma como é enganado pelos seus “informadores” e pensadores, mas culpe-se sobretudo as elites árabes desta guerra que hoje as mesmas impõem ao Mundo.

Falo á vontade. Fui sancionado pelas Nações Unidas por terrorista. Dois anos e tal de proibições inacreditáveis, como a de ser proibido de ser remunerado e a de ver fosse quem fosse que me remunerasse a ser alvo, possível, de penalizações internacionais.

Não invento. Está escrito no DR português, no Jornal Oficial das Comunidades e em documentos das Nações Unidas…

Falo pois á vontade. Por onde andei nunca se praticou este terrorismo. Houve uma Guerra Civil e existiram 2 campos, um ganhou, outro perdeu e perdida a Guerra, terminou a Guerra.

Falo à vontade. Os terroristas os reais terroristas estão à solta e são pagos pelo ouro negro dominante, o petróleo.

Estamos a viver, nesta Globalização, uma guerra entre vários campos, não entre dois campos.

Não existem os “bons” e os “maus”.

Mas, sem dúvida, um dos campos maus é o campo das elites árabes que dominam os Povos árabes com o mais insustentável fanatismo religioso.

Hoje foi em Londres.

Culpe-se Blair pela sua teimosia e pela forma como se deixou enganar pelos seus “informadores” e pelos seus “experts”.

Mas de nada disso têm culpa os milhares de londrinos que se deslocavam, entre actividades profissionais e de lazer através desta capital europeia.

Esta guerra está a ser liderada por cobardes, em especial do lado desta corja que segue Bin Ladden.

Eis porque perante a mesma, as várias partes em confronto só deve unir-se para derrotar Bin Ladden e, ao mesmo tempo, libertar os Povos árabes desta corja de cobardes que os dominam, pela corrupção, pelo fanatismo, pela ignorância.

Amanhã tende a ser ou Roma ou Lisboa.

E, nessa situação um cidadão tem de optar.

Como optei contra o Fascismo, contra o Sovietismo Brejneviano, hoje terei de optar pelo campo anti elites árabes, onde, como capataz de serviço, campeia esse Bin Ladden.

Um cobarde diga-se.

Segui leaderes que deram o corpo ao manifesto. Que morreram nos seus campos de batalha. Não este tipo de corja, desculpem o termo, que, comos petrodolares, prepara o assassinato massivo de cidadãos inocentes que andam na sua labuta diária pelas capitais do Mundo.

Um bando de cobardes é o nome real da dita alqaeda…

Teremos de estar em guerra contra eles. Porque é a guerra contra o fanatismo, a guerra contra a violência gratuita, a guerra contra a ignorância no Mundo.

Não gosto de Bush. Sentindo-me mais à vontade com Blair, mas não gosto da forma como ele conduz esta guerra antifanatistas. Os erros de Blair têm sido calamitosos também.

Mas é-me insuportável a ideia de ser imaginado ao lado de um bando de cobardes, destes alqaedas, destes capatazes dos petrodolares que engordam as leites árabes e destroem o Povo árabe, a cultura árabe, a tradição árabe.

Porque, descendente de portugueses que sou, no meu sangue corre também sangue árabe. Como corre sangue judeu, negro, índio, indiano, timorense, asiático, além do visigótico que me dá esta cor que transporto sem problema por todo o mundo, o que já percorri e o que irei percorrer.

E, essa parte de mim está envergonhada. Essa parte de mim, culta, sabedora, envergonha-se com New York, com Madrid, com Londres.

Façamos a Guerra pois. Sabendo afinar o nosso campo, alargando-o a todos os que anseiam pela modernidade, a maioria também do povo árabe, da cultura árabe, da sapiência árabe.

Mas, brutalmente, infelizmente, dizendo – a complacência tem limites.

E, os que dizendo-se do lado da modernidade acabam por sustentar, sabendo-o, com os petrodolares também, os bin ladden, têm de saber que estão do outro lado. Por muito que se apresentam como não estando.

No século XIX, em princípios do século XX, alguns terroristas usavam as armas, tendo em conta a especificidade da época, da violência também.

Mas não eram cobardes, em geral não assassinavam inocentes, em geral não atacavam cidadãos incautos…

Estes não.

Estes não têm qualquer tipo de desculpa, não merecem qualquer tipo de consideração.

Londres está de Luto. A Londres que elegeu contra Blair um trabalhista está de Luto.

Eu estou de Luto.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 22:23
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4 comentários:
De Pedro Marques a 8 de Julho de 2005 às 11:16
Não vou falar de terrorismo. O termo em si é vazio de significado na medida em que não tem uma definição clara e aceite de uma forma homogénea.
Prefiro falar dos mortos e dos motivos porque morreram. Penso que tudo poderá partir deste ponto: houve gente que morreu ontem de uma forma brutal e se nos organizámos em sociedades complexas foi primeiramente para o evitar.
Penso ainda que da perspectiva de um jovem as coisas tornam-se mais simples de analisar. Como só recentemente ocupei o meu lugar no mundo sinto que não tenho que carregar o fardo dos erros das gerações que vieram antes de mim. Não me importa que grande parte dos países islâmicos tenham sofrido os efeitos da pilhagem organizada do imperialismo ocidental que redesenhou fronteiras, suportou a ascensão de líderes totalitários e banqueteou-se com as receitas milionárias de recursos naturais locais a troco de somas absurdas durante grandes períodos. Tão pouco me importa se quem financiou e treinou estes indivíduos que agora matam homens, mulheres e crianças inocentes foram uns ou outros. Na minha juventude a realidade apresenta-se-me como está e não como uma sequência de acontecimentos encadeados.
E essa realidade é a de que existe um conjunto indeterminado de indivíduos, associados numa organização que ninguém sabe em rigor o que é, que se dedicam a colocar bombas por forma a matar indiscriminadamente o maior número de civis possível, para alegadamente pressionarem os governos ocidentais a ceder a exigências vagas e volúveis.
Noto ainda que, a menos que um de nós seja um activista ou simpatizante destas práticas, todos estamos na sua mira assassina. Nesta medida estes indivíduos constituem claramente o inimigo. Forço-me então a fazer o seguinte exercício mental: então e se perante uma ameaça directa deste tipo a sociedade que integro se mostrasse ineficaz em garantir a minha segurança em toda a linha e tivesse de ser eu a tomar medidas no sentido de preservar a minha integridade física, a daqueles que amo ou a minha propriedade? A resposta surge-me com uma enorme clareza: teria de pegar numa arma e meter-lhes uma bala entre os olhos ou morrer no processo.
Nem eu, nem aqueles que ontem perderam a vida, nem as suas famílias, têm de sofrer pelo fanatismo religioso ou sede de vingança dos ditos terroristas.
E quem acha que é preciso que morra gente inocente para que se afirme uma ideia, deve agir em conformidade e dispôr-se a trocar de lugar com esses inocentes, porque deixou de o ser.

Reconheço no entanto a sabedoria dos espíritos que com os olhos no futuro dizem: “compreenda-se as causas profundas do terrorismo internacional de modo a que se possam desenvolver estratégias de cooperação pro-activa que o erradiquem o problema no longo prazo”.

Não pode é a percepção da causa ser confundida com a percepção do motivo, que é já a maldade instalada no coração do homem. E isto não deve, nem pode servir como justificação e muito menos transformar-se em sinónimo de impunidade.


De Rodrigues Vaz a 8 de Julho de 2005 às 07:54
Não estou de acordo com esta análise. Fala nos efeitos, não nas causas, que estão essencialmente no Ocidente e não nos árabes, que aliás têm as costas muito grandes para lhes atribuirem tudo. Todos sabemos muito bem há quantos anos a velha Albion tenta a todo o custo controlar o petróleo, e quantas asneiras o Tio Sam tem feito para continuar a missão, arrogante e estupidamente, diga-se de passagem, não só ao criar Bin Ladens mas a apoiar os tiranos no poder, que basta parecerem amigos dos EUA para se lá perpetuarem. Este é que é o problema. Que depois alguém aproveite do descontentamento, é natural.. e humano. Eu, que sou insuspeito de ser pró-Mário Soares, posso dizer bem alto, que estou com ele, quando disse há meses, para escândalo de muitos hipócritas, que era preciso conversar com os terroristas. Mas parece que quem o ouviu bem foi o próprio Bush, que afinal já está em conversações com eles.
Sou contar todas as mortes, mas se calhar elas são necessárias para nos começarmos a ouvir uns aos outros. Porque quem são os grandes terroristas são os americamos e os britânicos, que no Iraque, por exemplo, continuaram a obra de Sadam, no respeitante à violação dos direitos do homem e outras asneiras.


De Joo Tocha a 7 de Julho de 2005 às 23:17
Penso que Mário Soares continua a ter razão. Combatam de forma inteligente a pobreza. Percebam as causas e não continuem a reincidir no mesmo erro. Esta é a premissa maior.

As tácticas, de curto prazo, muitas vezes, no longo prazo, atingem objectivos contrários aos pretendidos ou irresponsavelmente, não pensados. Bin Laden serviu para uma táctica. E agora? E governantes corruptos que hoje servem? e amanhã, quando já não obedecerem? E os que já foram como o Bin laden e agora passeiam pelos areópagos da Comunidade Internacional pelo custo de uma multa que não cobre os valores da vida das vítimas dos atentados que cometeram... (premissa menor)

Síntese:
É preciso voltar a estudar, a olhar e ver,os nossos vizinhos e a entendê-los.


De Joo Tocha a 7 de Julho de 2005 às 23:16
Penso que Mário Soares continua a ter razão. Combatam de forma inteligente a pobreza. Percebam as causas e não continuem a reincidir no mesmo erro. Esta é a premissa maior.

As tácticas, de curto prazo, muitas vezes não atingem objectivos contrários aos pretendidos ou, irresponsavelmente, não pensados. Bin Laden serviu para uma táctica. E agora? E governantes corruptos que hoje servem? e amanhã, quando já não obedecerem? E os que já foram como o Bin laden e agora passeiam pelos areópagos da Comunidade Internacional pelo custo de uma multa que não cobre os valores da vida das vítimas dos atentados que cometeram... (premissa menor)

Síntese:
É preciso voltar a estudar, a olhar e ver,os nossos vizinhos e a entendê-los.


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