Sexta-feira, 8 de Julho de 2005

Um texto de Pedro Marques,...uma geração a pensar

Não tenho dúvidas em afirmar que a reflexão do Pedro Marques em volta do meu texto de Homenagem aos Londrinos merece que seja colocado não em comentário mas aqui mesmo ao lado do meu,

Um texto de Pedro Marques,... uma geração a pensar

Não vou falar de terrorismo. O termo em si é vazio de significado na medida em que não tem uma definição clara e aceite de uma forma homogénea.
Prefiro falar dos mortos e dos motivos porque morreram. Penso que tudo poderá partir deste ponto: houve gente que morreu ontem de uma forma brutal e se nos organizámos em sociedades complexas foi primeiramente para o evitar.
Penso ainda que da perspectiva de um jovem as coisas tornam-se mais simples de analisar. Como só recentemente ocupei o meu lugar no mundo sinto que não tenho que carregar o fardo dos erros das gerações que vieram antes de mim. Não me importa que grande parte dos países islâmicos tenham sofrido os efeitos da pilhagem organizada do imperialismo ocidental que redesenhou fronteiras, suportou a ascensão de líderes totalitários e banqueteou-se com as receitas milionárias de recursos naturais locais a troco de somas absurdas durante grandes períodos. Tão pouco me importa se quem financiou e treinou estes indivíduos que agora matam homens, mulheres e crianças inocentes foram uns ou outros. Na minha juventude a realidade apresenta-se-me como está e não como uma sequência de acontecimentos encadeados.
E essa realidade é a de que existe um conjunto indeterminado de indivíduos, associados numa organização que ninguém sabe em rigor o que é, que se dedicam a colocar bombas por forma a matar indiscriminadamente o maior número de civis possível, para alegadamente pressionarem os governos ocidentais a ceder a exigências vagas e volúveis.
Noto ainda que, a menos que um de nós seja um activista ou simpatizante destas práticas, todos estamos na sua mira assassina. Nesta medida estes indivíduos constituem claramente o inimigo. Forço-me então a fazer o seguinte exercício mental: então e se perante uma ameaça directa deste tipo a sociedade que integro se mostrasse ineficaz em garantir a minha segurança em toda a linha e tivesse de ser eu a tomar medidas no sentido de preservar a minha integridade física, a daqueles que amo ou a minha propriedade? A resposta surge-me com uma enorme clareza: teria de pegar numa arma e meter-lhes uma bala entre os olhos ou morrer no processo.
Nem eu, nem aqueles que ontem perderam a vida, nem as suas famílias, têm de sofrer pelo fanatismo religioso ou sede de vingança dos ditos terroristas.
E quem acha que é preciso que morra gente inocente para que se afirme uma ideia, deve agir em conformidade e dispôr-se a trocar de lugar com esses inocentes, porque deixou de o ser.

Reconheço no entanto a sabedoria dos espíritos que com os olhos no futuro dizem: “compreenda-se as causas profundas do terrorismo internacional de modo a que se possam desenvolver estratégias de cooperação pro-activa que o erradiquem o problema no longo prazo”.

Não pode é a percepção da causa ser confundida com a percepção do motivo, que é já a maldade instalada no coração do homem. E isto não deve, nem pode servir como justificação e muito menos transformar-se em sinónimo de impunidade.
publicado por JoffreJustino às 18:44
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