Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

Eleições em Angola?

Algo parece indicar que as eleições em Angola, previstas para 2006, estão mais uma vez em risco de não acontecer… As razões, infelizmente, são as habituais e a comunicação social angolana descreve-as passando pelo habitual.
De novo surgem as insuficiências na emissão dos Bilhetes de Identificação angolana, ou o problema de desminagem de partes importantes de Angola. Mas, em acréscimo, surgem agora as ditas fragilidades dos inúmeros próprios partidos políticos angolanos, os do Poder e os da Oposição…
Assim, a 28 de Novembro último, um comunicado da UNITA, partido que teimo em assumir como sendo um dos dois partidos do Poder, assumia estas fragilidades internas com um comunicado inacreditavelmente não esclarecedor onde se referia que haveria a “necessidade de se acompanhar com atenção redobrada o andamento do processo eleitoral, de forma a certificar-se de que os passos dados na implementação das tarefas conducentes à realização das eleições estejam de acordo com o espírito e a letra da Lei Eleitoral vigente, evitando assim a execução de medidas que sugerem o esvaziamento das funções da Comissão Nacional Eleitoral a favor de Comissões Executivas.”
Uma tal afirmação, saída de uma reunião do “Presidente da UNITA, Isaías Samakuva... com os membros da Comissão Política residentes em Luanda”, denuncia as enormes dificuldades internas deste Partido e vem acentuar o seu estado de partido irremediavelmente atravessado por divergências lamentáveis, até porque pouco politicas, ou pelo menos não assumidas enquanto tal no exterior…
Segundo o semanário ANGOLENSE, o essencial estaria até na “impreparação da maior parte dos partidos políticos…”, mas continuaria por via de “dificuldades técnicas de monta que estão atrasar o cronograma de tarefas preparatórias do sufrágio.”
Penso que a ser verdade o que se relata e o que se ouve por Angola, que conduzirão a CNE a anunciar a não realização de eleições em 2006, então estaremos perante um grave anúncio político que merece um reparo atento dos que, como eu, acompanham a politica angolana. É claro que, por enquanto, tudo não passa de especulação, aproveitando-se o facto de Sª Exa o Presidente da República não se ter referido em 11 de Novembro à marcação efectiva do acto eleitoral
Tal, ao que parece, resulta também da forma como os Partidos Políticos angolanos andaram a reiterar “junto do Presidente que não estão preparados” para este pleito eleitoral. Ao que parece ainda, o Presidente José Eduardo dos Santos tem entendido que não deve aproveitar-se desta situação, não pondo a nu esta realidade “por razões éticas”, que, a existirem, são particularmente respeitaveis.
No entanto, para os cidadãos, este comportamento dos Partidos Políticos é inaceitável. Em Angola, os cidadãos e as cidadãs anseiam por eleições, única forma de garantir um regime estável e democraticamente eleito, e, também, eleitoralmente responsabilisado junto deles.
Curiosamente, alguns sectores do MPLA ainda não entenderam que esta dilação de prazos lhe é francamente desfavorável. Assim, alguns analistas “compram” a ideia deste partido necessitar ainda de tempo para “apresentar a maior quantidade possível de realizações”, o que escamoteia o outro problema com que se defronta este Partido – o de estar há demasiado tempo no Poder sem ser por consequência de uma decisão eleitoral dos angolanos…
Esses mesmos analistas apresentam o que se passa na UNITA, nesta matéria, de forma bem crua. Assim, a actual direcção deste Partido estaria a “diligenciar para substituir uma série de membros seus das comissões provinciais eleitorais, prevendo-se que dentro de dias faça chegar essa pretensão à Assembleia Nacional.”, demonstrando-se desta forma a caça ás bruxas interna que nele se vive…
É lamentável, de facto, que se esteja a viver este processo pré eleitoral na hipótese do seu adiamento, por razões menores que passam pelas “impossibilidades” dos partidos que estarão presentes neste pleito eleitoral que já tarda. Tão lamentável que pensei ser importante reflectir esta minha preocupação aqui.
Joffre Justino
in O LIBERAL
publicado por JoffreJustino às 14:51
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