Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

Ainda não deram por isso?...…O Povão está mesmo zangado!

De tempos a tempos, acompanhando as crises que Portugal atravessa, a Esquerda Radical Portuguesa renasce, mostra-se, com um vigor inesperado, deixando analistas e experimentados políticos assombrados com o que vêm...



Noutras alturas, essa parte da Esquerda esvai-se, parecendo morta, estando como se nunca tivesse existido,…



…. eis o que nos mostram as eleições presidenciais portuguesas, mesmo esquecendo as eleições aos tempos da “Revolução”…



Basta, na verdade, ler o que nos mostra uma abordagem, simples, linear, dos resultados eleitorais de ontem, 22.01.06, vividos em Portugal, comparando-os com outras eleições presidenciais.



Ontem, Manuel Alegre, mas não só, fez renascer essa fenix estranha, que nos acompanha em todas eleições, a maior parte das vezes, no entanto, adormecida.





Vinda dos tempos Otelistas, dos sonhos dessa Esquerda basista, dita pura, inocente, poética, dita herdeira dos velhos anarquistas poortugueses e das suas fortes influências ao tempo da monarquia e da República, ela, a Esquerda Radical, lá vai recordando o quão latino é este país, o quão exigente é este povão a quem uma parte essencial da elite, à Direita e à Esquerda, parece desconhecer.



Não deixa, claro, de ser impressionante, tal renascimento periódico.



Como se esta parte do eleitorado sentisse a necessidade de ir recordando, estamos cá, presentes, como se fosse importante esse aviso à navegação, para que esta nossa Democracia não se esvaia no vazio destes pequenos momentos eleitorais, não se esqueça de que em outros momentos ela, a Democracia, económica, social e não só política, tenha também de ser vivida.



Não se trata somente da percentagem de votos que os resultados nos mostram, 34,62% do eleitores votam radicalmente em 2006, em Portugal.



Trata-se sobretudo de verificar que estes 34,62% de eleitores significam 1 902 968 votos, mais 298 140 votos que em 1986 Salgado Zenha e Lurdes Pintasilgo, outros 2 apadrinhados por esta Esquerda Radical conseguiram obter, tambem num pleito Presidencial, também em tempos de crise, mesmo que já em fim de crise…



Considerando que o professor Cavaco Silva não obteve mais que 50,59% de votos, não tendo atingido sequer o score eleitoral do professor Freitas do Amaral, não parece ser substancial, no plano da leitura polítca, claro, ater-me ao seu resultado.



As eleições são, em geral, meros momentos, caracterizadores de estados de espírito dos eleitores, na maior parte das vezes conjunturais e definidores de reacções perante essas mesmas conjunturas.



E, ao Centro e à Direita, foi o que sucedeu – nada de novo.



A Direita ideológica cedeu mais uma vez às aspirações de controlo de uma parte do Poder Político, por parte do Poder Económico, e não se apresentou ao “mercado” eleitoral, deixando essa tarefa para o Centro Liberal.





É claro que por isso continuará penalizada, não existindo.



À Esquerda isso sim, valeu este acto eleitoral.



O seu eleitorado recordou à classe política da Esquerda que existe, que manda, que tem peso.



E, mais uma vez clarificaram-se posiçoes – a Esquerda portuguesa é dominantemente Radical e Populista, felizmente que, face às retsantes componente da esquerda, nesta área, com fracos dirigentes, nos planos da organização e da motivação dos seus eleitores.



O Centro Esquerda, viu-se, não é, neste momento, maioritário à Esquerda em Portugal, o Centro Esquerda está ali à vista com os resultados deste Pai desta nova Pátria Portuguesa, Mário Soares – os visiveis 14,34%, 778 389 votos que Mário Soares obteve.



É claro que em outra altura, em eleiçoes legislativas, em principio, reforce-se somente em princípio, esta Esquerda Radical, naquilo que é a sua componente dominante, a que votou em Manuel Algre, tenderá a regressar ao somatório de familias de Esquerda que é o PS.



Por isso, o PS tenderá a manter, como base de partida, os habituais 35% dos votos, e tenderá sempre a ser capaz de retirar umas margens ao Centrão português, o suficiente, como já se viu com Socrates, para se atingirem maiorias absolutas governativas.



É isto algo de completamente novo na Esquerda? Como se vê com as eleiçoes de 1986, não, não é nada de novo.



Somente porque a esta Esquerda Radical falta-lhe capacidade de liderança, sobretudo de Organização e de Motivação.



Somente porque a esta Esquerda Radical Portuguesa lhe falta o rasgo de imaginação de uns Verdes alemães, tal como falta ao Centro Esquerda Português, a capacidade de concretizaçao de ideias, políticas, sociais, culturais, dinamizadoras, mesmo tendo-as, porque as tem.



No entanto, o recado ficou, mais uma vez, dado pelo eleitorado. Ele está lá, bem presente, capaz de se afirmar. Ele, o eleitorado, existe. Ela, a liderança, não existe.





Porque se Mário Soares tem essa enorma capacidade motivadora, essa enorme capacidade de assunção de ideias, sozinho não teve capacidade de organização e concretização.



Por isso perdeu eleitorado desta vez e, perdendo ele, perdeu o Centro Esquerda.



E a Esquerda Radical, se tem, periodicamente, capacidade de mostrar que tem eleitorado, não tem rasgo na acitividade, não tem projecto, e não tem capacidade de organização e de concretização.



A Esquerda note-se, de qualquer forma, está viva, mexe, borbulha. E, sobretudo, mais uma vez, deu a cara, contou votos, marcou posiçoes.



Por esse aspecto, estas eleições foram especialmente úteis em Portugal.



Sabemos o que cada componente à Esquerda, neste momento, vale. Uns pós acima, uns pós abaixo.



O aviso foi dado também á governação de Sócrates e foi forte o aviso. A crise a Esquerda suporta bem. O que ela visivelmente não suporta, é o esquecimento de projecto, a não assunção de projecto.



Não basta a Economia. O que conta é a politica dirigindo a Economia. E, na politica, de politica, fala-se pouco, age-se pouco neste país.



É otimo trazermos investidores para Portugal. É fundamental redinamizarmos a Economia.



Mas é determinante distinguirmo-nos.



Diferenciarmo-nos, como diz o já velho marketing.



Diferencie-se então em Portugal ao Centro Esquerda.



Para que o Centro Esquerda recupere até, pelo menos, aos 1 443 683 eleitores que Mário Soares teve em 1986, à 1ª volta.



Ora se o Centro e a Direita, respeitavelmente, são Contenção e Conservadorismo, que seja o Centro Esquerda Liberdade e Imaginação.



Porque se o povão está zangado com o Centro Esquerda…não valerá a pena que o Centro Esquerda pense que ele tem, pelo menos alguma, razão? E, por ele, puxar um pouco mais pela Imaginação?



Talvez olhando para a Educação…talvez olhando para a Qualificação das Pessoas, talvez pensando no Futuro a que este povão quer ter direito…







Joffre Justino



Nota: alguma inexperiencia impede-me de colocar aqui o quadro de resultados presidenciais que o texto tinha...
publicado por JoffreJustino às 14:19
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