Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

A subserviência não Paga…

A estrada que liga Luanda ao Lobito, foi projectada e desenhada também pelo meu pai.

Na verdade são 497 quilómetros, de uma estrada litoral que, segundo as noticias serão, finalmente, reabilitadas durante este ano de 2006, depois de terminada esta guerra civil há já 4 anos.

Trata-se de um enorme passo em frente na dinamização da economia nacional angolana, pois esta ligação entre dois portos angolanos, como Luanda e Lobito, será um elemento central de potenciação dos mesmos, além das implicações locais que esta estrada tambem tem, no seu percurso.

No entanto, não sei bem se o meu pai, se estivesse vivo, velho republicano liberal e antisalazarista que era, ficaria feliz.

Não sou xenofobo, mas ler que um técnico chinês disse, “Queremos aplicar as experiências chinesas em Angola sem defraudar a confiança que foi depositada em nós, garantindo que os angolanos possam viajar de forma rápida e confortável nesta estrada a partir de Dezembro", frase de Ju Lizhao, representante da China International Found, empresa responsável pela obra, esquecendo-se toda a experiencia portuguesa de séculos, no desenho e desenvolvimento da melhor rede de estradas de África, especialmente desenvolvida no pós 1950, não deixa de impressionar.

Quem conhece Angola sabe que a estrada Luanda/Lobito, a principal via de acesso à capital angolana pelo sul do país, como diz a noticia, se encontra em "um elevado grau de danificação", pelo que se torna necessário proceder à "remoção completa do pavimento", em consequência de más manutençoes anteriores e, também, da guerra civil.

Mas sabe também os anos todos, de tratos de polé e guerra civil, que ela sobreviveu.

Segundo as noticias “As obras, com uma duração prevista de 12 meses, estão orçadas em 25 milhões de dólares e vão envolver 1.125 trabalhadores, dos quais 620 são angolanos e os restantes 505 de nacionalidade chinesa.”, sendo estes aspectos outros tantos de preocupação, em especial se recordarmos que uma parte não inferior a 80% dos angolanos so poderão ser inseridos no Mercado formal de trabalho com obras deste tipo, pelo que não se entende, em razões angolanas, a utilização de 550 cidadãos de nacionalidade chinesa.

Não se entende que esta obra não tenha comparticipação portuguesa, até porque, segundo a mesma noticia, “ A ligação entre Lobito e Benguela, numa extensão de cerca de 27 quilómetros, também está a ser reabilitada, numa empreitada que foi adjudicada em finais de Agosto à construtora portuguesa Mota-Engil”, denotando esta diferença entre a importância das obras, a influencia da economia portuguesa na economia angolana, sabendo-se sobretudo que algumas das empresas de construção civil e obras publicas hoje dominantes em Portugal, nasceram e adquiriram knowhow precisamente em Angola.

Não posso deixar de imputar responsabilidades a governaçoes portuguesas anteriores à actual, pois, tendo elas sido especiais aliadas do partido dominante no actual Governo, permitiram que estas situações viessem a acontecer.



A perca de influencia vê-se por estes resultados….



De facto, até parece que não foram quadros portugueses, empresas portuguesas e técnicos portugueses que estiveram na raiz da actual rede de estradas de Angola.



O know how inerente não foi, visivelmente, acompanahdo pelo marketing necessário para que as obras a realizarem-se fossem conquistadas, neste mercado global onde hoje vivemos.



Não culpo, de forma alguma, os chineses. Eles, neste mercado global, cumprem e defendem o seu papel, concorrendo com as restantes entidades e países.



Se ganham as obras, e os seus concursos, os chineses que nem foram especiais aliados do MPLA nesta guerra civil, ao contrario dos governos portugueses, provam que sabem gerir, brilhantemente, o seu marketing internacional.



E o meu pai, que sendo engenheiro foi também um gestor de Obras, sabenmdo portanto o que custa ganhar uma obra, tirar-lhes-ia o chapeu, mesmo que triste, como eu faço agora.



Ficou provado que a subserviencia não paga.



O marketing sim.





Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 21:18
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