Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006

Cabinda, Um Acordo Feito na base do Cansaço,

Cabinda, politicamente, nasceu do Tratado de Simulambuku, o Tratado que por ter existido permitiu uma posição reforçada de Portugal na Conferência de Berlim e o aparecimento do que hoje é a República de Angola.

Esta nortenha província foi, certamente também pelo acima referido, uma das meninas dos olhos do MPLA de Agostinho Neto e foi nos seus 7.300 quilómetros quadrados situado entre os dois Congos, o de Brazzaville e o de Kinshasa, invenções da Conferência de Berlim, que nasceu a 1ª Frente Militar do MPLA, múltiplas vezes citada na História Oficial deste partido Angolano.

Na sequência da derrota militar do Reino Congo face a Portugal, e do seu sequente colapso, no século XVIII, os sobados locais, dependentes do Reino do Congo até então, N’Goyo, Kacongo e Loango, com quem Portugal assinou, em 1883 e 1885, os tratados de Chinfuma, Chicamba e Simulambuku, ganharam larga autonomia, sem no entanto assumirem qualquer lógica de Reino Autónomo, antes assumindo a sua aceitação de parte Portuguesa, em contexto de autonomia, mantido cosntitucionalmente até à revisão constitucional portuguesa de 1956.

Na década de 60, em cima do iniciar da Guerra Colonial, o petróleo transformou-se na alavanca da modernização de Cabinda, havendo por tal, na governação de Marcelo Caetano, inclusivamente, um secretário de estado provincial Cabindês, pois as grandes famílias Cabindas dividiam-se então entre a defesa da Independência de Cabinda, com a FLEC, que na época quase não existia diga-se e a defesa da sua integração em Portugal.

Curiosamente, com a vitória do MPLA e a assunção do Poder em Angola deste partido, em 1975, à época pró soviético, nunca deixou Cabinda, isto é Angola, de se relacionar, no que ao petróleo diz respeito, com os EUA, sendo que o mesmo foi até protegido por tropas cubanas, contra a guerrilha da UNITA.

Por entre uma vida assaz atribulada, desde então, e prenha de cisões fusões e novas cisões, as múltiplas FLEC’s acabaram há cerca de 2 anos por criar as entre as FLEC/Forças Armadas de Cabinda, de N’Zita Tiago, e a FLEC Renovada, de António Bento Bembe, um vazio processo unificador, sendo que em 2004, após difíceis negociações, N’Zita Tiago assumiu a presidência e Bento Bembe assumiu o cargo de secretário-geral de mais esta FLEC, sendo que este ultimo ficou também como coordenador do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), onde se juntaram a FLEC dita (re)reunificada e a associação cívica Mpalabanda, assim como membros das igrejas, predominantemente da católica, entretanto também já dividida quanto à sua posição em relação a Cabinda, como se sabe.

Entretanto também, problemas pessoais de Bento Bembe geraram uma situação que conduziu a um complexo processo de prisões e extradições deste leader e, no entretanto, a um acordo de Entendimento que nem José Eduardo dos Santos tomou como muito sério, nem se dando por isso ao trabalho de abandonar as suas férias para acompanhar in locco essa assinatura.

Na verdade tudo continua na mesma em Cabinda, pois ninguém dá muita fé a este Acordo de Entendimento Cabinda/Angola.

Assim, dentro em breve veremos como decorrerá mais esta fase desta complexa região Angolana.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 12:42
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1 comentário:
De joffre Justino a 4 de Agosto de 2006 às 13:28
Esta questão israelo palestiniana é uma questão entre primos, como me disse um conhecido egipcio uma vez há já alguns anos.

E é.

Tanto entre primos, tanto a acho uma questão, "lá da família deles", que cada vez mais sinto que "eles que se amanhem".

Não é aceitável, nos dias de hoje tanto sectarismo, tanto fanatismo, tanta dificuldade em viver ao lado de...

Recordo-me sempre do quão ricos são os países "árabes" e do quão pobre são os seus concidadãos. Recordo-me do como Israel já deveria ter aprendido a encontrar soluções de convivência com estes vizinhos, o que realmente não tem feito.

Sendo de origem judaica, confesso que a minha simpatia, de principio, por Israel é evidente. No entanto, sinto-me demasiadas vezes incomodado por este sectarismo israelita, para me situar entre os indefectiveis.

No entanto, o fanatismo islâmico, confesso, já me cansa, ja me irrita - seria bem mais útil que pensassem em mais escolas, mais teconologia, mais actividade economica, mais emprego, mais bem estar entre os países islâmicos e menos sanitas de ouro entre as lideranças islâmicas...



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