Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Libertar o Corpo dos traumas dos(as) esteticistas, estilistas e equivalentes

Zapatero, o 1º ministro socialista espanhol, tem sido um exemplo de modernidade em muitas das medidas que o seu governo tem implementado.

Bem para além do que eu próprio esperava, diga-se.

E, é-o mais uma vez, com a solução que encontrou para pôr fim à pressão sobre o Corpo Humano, em particular o da Mulher, imposta por agentes da Moda, pressão aliás sem jeito, sem valores e sem regra.

Assim, o Ministério da Saúde Espanhol, segundo o PUBLICO, conseguiu implementar um acordo de autoregulação, a cinco anos, com grupos espanhóis como a INDITEX,, (Zara, Massimo Dutti e Pull & Bear), a Mango, ou o El Corte Inglês, correspondendo o conjunto dos acordantes a 80% do sector de actividade, no sentido de tornar realistas as medidas do vestuário Mulher, face ao Corpo normal das mesmas.

Desta forma, pode-se entender o como, em primeiro lugar, as pressões das entidades que têm batalhado por uma Ética Empresarial e uma efectiva Responsabilidade Social das Empresas, têm tido resultado e, em segundo lugar o como é eficaz a noção do Diálogo Social que não se pode limitar ao campo das Relações Laborais.

Como já escrevi, a pressão sobre a Mulher no sentido de ela deixar de assumir o acto da Reprodução como um acto Belo e gerador de felicidade, é enorme.

E essa pressão tem tido até ao momento um enorme esteio na indústria da Moda.

Daí esta politica mercadológica do sector Moda que conduz a Mulher a olhar-se com desencanto, ou a esforçar-se, até à doença, para conseguir corresponder a uma imagem estereotipada, assexuada, areprodutora, geradora de instabilidade emocional e vivencial.

Porque, naturalmente, a Mulher modifica o seu Corpo, com a Reprodução, demarcando-se assim, em média, das Jovens ainda não reprodutoras, relevando, com tal, o seu novo estatuto que, em tempos era também socialmente relevado. E se há séculos tal era visto com amor, considerando a Beleza da evolução, hoje é visto como algo a rejeitar, a ser negado e sempre que possível, escamoteado.

Não posso deixar de ficar particularmente satisfeito com esta medida do nosso vizinho espanhol e especialmente triste porque, no espaço português, a medida definida em Espanha, não terá continuidade, apesar de se saber, pelo Publico, que 40% das mulheres em Portugal vestirem o 40,( calças), e não o 36 ou o 38, ou n.ºs ainda inferiores.

Em seu tempo já relacionei estas medidas com a negação da sexualidade e da reprodução, transformadas que estão, socialmente, em actividades que desfeiam a Mulher.

Tal tem tido a complacência, inclusivamente, de quem sendo contra a educação sexual, a utilização de contraceptivos, pois na verdade se tem mostrado visivelmente a frigidez crescente da Mulher à medida que se afasta a sexualidade da reprodução e se procura impor como corpos belos os assexuados, os areprodutores.

De facto, já relevei que é errado separar as duas funções, a sexualidade e a reprodução, sendo fundamental saber geri-las com responsabilidade, o que implica por um lado terminar com esta noção absurda da penalização da sexualidade e da subordinação da maternidade a elementos religiosos, ou jurídicos estranhos à importância comunitária da sexualidade e da reprodução e, por outro, incentivar fortemente a Educação Sexual das crianças.

E tão importante é, para mim, o debate destas ideias, que considero absurdas as formas como se têm desenrolado os debates em volta do Aborto.

Na verdade os mesmos até já têm chegado ao fetichismo, que classificaria até de idólatra, que leva alguns dos movimentos do Não a reproduzirem hipotéticas figuras de fetos humanos, em vez de transformarmos este Referendo num debate de ideias, de pontos de vista sobre a sexualidade e a reprodução!

Tentam, assim, ao que parece, elevar a tensão no ambiente do momento decisório, o momento do voto, o que, definitivamente, só pode ser entendido como factor constrangedor da decisão de cada eleitor.

E se respeito todas a opções, não posso aceitar todos os métodos.

Por isso teimo na sustentação do tipo de debate que gostava de ver, ouvir e ler nos media.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:24
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