Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Em Certas Coisas, Como o Aborto, Não É Bom Sermos Incompetentes…

Achei curioso que frei Bento Domingues assuma no texto Nem Mais, Nem Menos, de o Publico de 28.01.07, que não deve, ele, defender o que as instituições, publicas e privadas, as famílias e as pessoas, devem fazer quanto à criação de “um ambiente cultural, social, político e espiritual que estimule a alegria de ter filhos e de os educar com gosto”, ou, ainda, para procurar os caminhos que tornassem tal possível e, finalmente, de dizer o que entende quanto à posição da hierarquia da Igreja, (a Católica), sobre o entregar “..apenas, às leis da natureza a regulação da natalidade..”.



Penso que assumiu tais posições, pelo contexto do seu texto, com a ideia de assumir uma posição tolerante quanto ao Aborto, como o faz quando escreve, “Creio que é compatível o voto na despenalização e ser – por pensamentos, palavras e obras – pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto”.



Achei curioso porque enviesando as respostas, negando-as até, enquadra bem o tema do Aborto – na sexualidade, na reprodução, na ideia da natalidade versus suicídio colectivo de uma parte da comunidade humana, entre elas a portuguesa, que se recusa a crescer demograficamente e que, pelo contrário assume a sua anulação a prazo.



Mas, curiosamente, é nestes temas integradores do Aborto que se entende a enorme dificuldade de frei Bento Domingues.



E da Igreja Católica.



Sendo, o sexo, um acto pecaminoso, para a Igreja Católica o mesmo só é aceite se ligado ou à reprodução, ou, estranho estranho, (porque deixará então de ser pecado?), à sua utilização em momentos infecundos, (para a mulher…), (ver Catecismo da Igreja católica, nº 2370, segundo o texto de Frei Bento Domingues).



Confesso que não entendo a posição de frei Bento Domingues, pois, parecendo estar à margem face a esta posição anti sexo não reprodutivo, (segundo ele tão reiterada por João Paulo II), da Igreja Católica, assume entender, (pelo menos isso), os que resistem “digam ou não “nós também somos Igreja””.



Aliás porque, criticando a cultura hedonista de hoje, alimentada segundo o frei Bento Domingues por empresas e organizações, e criticando a divisão entre uma minoria regalada e as maioria acumulando desejos e decepções e adiando sempre, por estas e por outras razões, a altura para ter descendentes, este autor de textos religiosos periódicos no Publico entende-se incompetente para “desenhar ou sugerir um modelo capaz de configurar uma outra sociedade viável.



O que nos deixa, a todos, em um completo impasse.



Teremos, assim, de viver entre o hedonismo que condenamos e a veemência antisexual de uns tantos?



Sem reflexões alternativas a estes dois modelos?



Não se pode ainda aceitar que defender que, “As duas dimensões da união conjugal, a unitiva e a procriadora não podem ser separadas artificialmente sem atentar contra a verdade intima do próprio acto conjugal…”, (in Carta às Famílias, João Paulo II, citando texto já referido por frei Bento Domingues), se possa conjugar com a ideia que, antes desta frase de João Paulo II, o frei Bento Domingues elabora, “O sacrifício pelo sacrifício é uma doença. Só o sacrifício que é fruto do amor possível é fonte de coragem. Mas é um exagero pedir às pessoas que desejam filhos viverem em permanente estado de heroicidade”.



Aliás afirmo convictamente e digo-o porque o posso provar, que em lado nenhum da Bíblia se pode encontrar algo que penalize o sexo, havendo sim grave penalização para a devassidão, o que é, como todos sabemos, algo bem diferente.



Tão diferente quanto o acto de alimentar é bem diverso da gula.



Como já provei em outro texto, a Bíblia, a Palavra de Deus, também não penaliza o Aborto.



Existem sim inúmeras encíclicas e outros documentos de Papas, que o fazem.



Tal qual o faz João Paulo II.



Só que, espiritualmente, já o provei, a Vida, para a Palavra de Deus, a Bíblia, se inicia somente com o Sopro da Vida, isto é no primeiro acto respiratório do nascituro. Provado está também, que o feto, em situação normal, não tem qualquer hipótese de sobrevivência, fora do útero da mãe, antes das 10 semanas.



Mais, é ainda aceite comummente na comunidade cientifica que, (e cito a citação de frei Bento Domingues por mera preguiça…), “ Antes da décima semana, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído. De qualquer modo, não se pode chamar homicídio, sem mais, à interrupção voluntária da gravidez levada a cabo nesse período”, (citando Miguel Oliveira da Silva, Ciência, Religião e Bioética no inicio da vida.).



Duvidosamente, de qualquer forma, terá o feto, nas condições de saúde normais, hoje, hipótese de sobrevivência antes das 16 a 20 semanas.



Casos excepcionais, em condições absolutamente excepcionais, inexistentes nos hospitais de qualquer país dos mais avançados para a maioria das parturientes, podem originar, com elevado risco para o feto, nascimentos às 10 semanas.



Assim, quem defende esta tese de que há vida às 10 semanas está, sem dúvida, ele sim, a assumir o grave risco de originar uma morte, em mais de 99% das situações.



Um assassinato? Que lhe fique na consciência…



Na questão do Aborto, o que está em causa, goste-se ou não, é, não o acto em si, mas se lidamos com uma sexualidade normal, positiva, geradora de amor e de desejo de procriar, ou se lidamos com uma chantagem espiritual permanente sobre os casais que busque o seu impedimento.



Haverá mamãs hedonistas que por incompetência abortarão irresponsavelmente?



Claro que sim.



São moralmente responsáveis por tal, não somente no acto de abortar, mas desde o inicio, desde o acto sexual? Nem tanto.



Porque resta, agora, saber quem tem bloqueado, durante todos estes anos, a existência de uma sã educação sexual, com a apreensão na mesma da utilização de contraceptivos…



E aqui é essencial ir mais longe que foi o frei Bento Domingues no seu texto, pois cabe mesmo aos que reflectem, aos que têm condições e tempo para reflectirem nestes assuntos, o acto de se assumirem e de impedirem este vergonhoso farniente em que Portugal vive no que diz respeito à Educação Sexual.



Como, claro, à melhoria das condições de vida dessa imensa maioria que nem tem condições para imaginar uma vida hedonista quanto mais vivê-la.



Daí que não me sinta impotente e silenciado entre os dois modelos acima referidos, o hedonista e o castrador.



Mais, que acho que é impossível aceitarmos continuar a vivermos impotentes em face destes dois modelos caducos.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 18:41
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