Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Um texto de Eduardo Birnbaum Sobre o Conceito de Vida

O texto abaixo é de Edu Birnbaum, médico, e corre na net e apesar de ter acabado o tempo das votações, continua o tempo da informação...por isso fica registado este belo texto, não meu, mas que divulguei por onde pude em tempo certo.




Infelizmente não tenho tempo para blogues, nem linha constante.

Sobre o Aborto, gostaria de dizer algo.

Para mim de facto existem muitas vidas, e portanto uma hierarquia de vidas, desde as bactéias e virus, passando pelas plantas, das moscas ao ser humano.

De facto o esperma e óvulo já são formas de vida.

Portanto primeiro temos de definir a hierarquia das formas de vida e depois de que nível de vida estamos a falar.

Penso que falamos de vida humana sómente, se bem que alguns seja vegetarinos para poupar outras vidas e os povos inseridos no seu ambiente, tinham um ritual de manifestação de respeito pela vida antes de matar um animal para comer. No seu saber lá definiam uma hierarquia e sacrificios inevitáveis, quando uma forma de vida tinha de sacrificar outra, para a sua sobrvivência.

Logo além de definirmos a vida humana, temos de definir a hierarquia. Claro que numa gradação analógica definir limites digitais é sempre artificial e forçado, mas o pensamento racional e digital oblige.

Assim para definirmos uma hierarquia temos de definir a complexidade duma vida humana. Teremos de considerar a sua antropogénese cultural e a sua antropogénese fisica. E teremos de considerar mesmo a complexidade e interrelação das duas, na medida em que a antropogénese fisica, faz-se (e desfaz-se , ver o desânimo aprendido de Seligman) influenciada e mediada pelas oportunidades e estimulos da antropogénese cultural.

Na vida humana podemos de facto definir um primeiro nível de células (ovulo e espermatozoide) plenas de potencialidade, mas que milhões são destinadas a morrer mesmo antes de se conjugarem. Mesmo em celibato e abstinência, irão morrer e não cumprir a sua potencialidade. Podemos dizer que é a vida!

Mesmo com vida sexual activa a grande maioria destas células está destinada a morrer e não cumprir nenhuma de suas multipotencialidades, é a vida!

Se num caso entre milhões um zoide e um ovulo se encontrarem, já temos umas definição maior com redução de potencialidade mas ainda de probabilidade reduzida, pois muitas se perdem mesmo antes de fixar no útero, natural ou por meios anticonceptivos. É a vida e a outro nível de hierarquia.

Depois da nidação, teremos o inicio de outra fase com mais probabildadse e menos potencialidade, no entanto até às 12 semanas a sua fixação depende da capacidade do embrião produzir substância estimuladoras do ovulo/corpo amarelo que por sua vez produz substãncias inibitórias do utero impedindo-o de expulsar o corpo estranho/parasitário o embrião que nele se instalou. É outra fase da antropogénese fisica (1%?) (ainda sem antropogénese cultural (0%) o resto é multipotencialidade (99%).

A data das 12 semanas não é arbitrária, é a alura em que a maioria dos abortos expontâneos se dão, e porquê? porque nessa altura é que o embrião desenvolve a placenta com capacidade secretória suficiente, para impedir a expulsão pela mãe/utero do embrião/parasita e em que o corpo amarelo/ovário esgota a sua capacidade. Assim se o corpo amarelo para a sua produção de substâncias inibitórias antes da placenta as ser capaz de produzir, o utero liberto expulso o seu conteúdo estranho e dá-se o aborto expontâneo. Claro que em muitos casos esta incapacidade deve-se a malformaçoes e o aborto expontâneo permite justamente eliminar essas formas de vida malformadas.

Podemos considerar que a partir do 3º mês e a formação da placenta, a par da formação da maioria dos orgãos e sua migração para o seu lugar definitivo, já temos algo mais parecido fisicamente com um ser vivo, teremos 5% de antropogénese fisica com 0% antropogénese cultural (logo 95% de multipotencialidade) e passada mais uma fase e nível hierárquico.

Daqui até às 20 semanas, no entanto a sua capacidade de vida autónoma da mãe/utero é nula e portanto poderemos definir outro nível de vida até (ou desde) quando é possivel manter numa incubadora um prematuro. Teremos aqui 10% de antropogénese fisica com 0% antropogénese cultural (logo 90% de multipotencialidade).

Entramos noutra fase até ao esgotamento/envelhecimento da placenta na sua capacidade inibitória que ocorre quando o naciturno já tem capacidade de vida extrauterina sem necessitar de incubadora. Há poucos anos ainda (antes das incubadoras e cuidados intensivos pediátricos) nascer de 7 meses (umas 30 semanas) ainda era um risco muito elevado. Será portanto outro nível hierarquico de vida, ainda com com 0% antropogénese cultural.

Só a partir do nascimento podemos considerar que esta se inicia, influenciado em si a antropogénese fisica e principalmente a neurológica e sua expressão psicológica.

Claro que nos últimos meses intrauterinos o ambiente de nervosismo da mãe (batimento cardiacos acelerados e tom de voz elevado e intenso, já afecta o desenvolvimento neurológico e mesmo a sua futura tolerãncia ao stress, ou pelo contrario a sua futura instabilidade afectiva ou hiperactividade) se quisermos ser rigorosos as condições de vida intrautetrina, já vão condicionar a capacidade de aquisição dentro da antropogénese cultural.

Assim no nascimento entramos numa fase maior de determinação, e habitualmente é a partir desta data e inicio da antreopogénese cultural e social que se considera existir um ser humano em oposição à forma viva que existia anteriormente, mas ainda sem este atributo de humanidade e portanto num nível hierárquico mais baixo.

Desculpem a xtensão, mas tem sido tanta a confusão que procuro assim dar um outro contributo.

Passando para "os Finalmente" aos 20 anos considera-se que a antropogénese estará definida mas sómente 20% devido à componente fisica e genética e 80% é socio-cultural (isto em estudos sobre gémeos univitelinos desenvolvidos em ambientes diferentes).

Portanto a questão para mim é como se valoriza a antropogénese cultural e aqui da mulher/grávida em relação a uma forma viva, potencialmente humana, mas ainda profundamente indeterminada e multipotencial e com 0% de antropogénese cultural. O não, traduz de facto considerar a mulher, plena de vida humana e no exercício de sua cultural e vida social, abaixo duma forma indubitávelmente viva mas sómente de potencialidade e com zero de antropogenese cultural e um percentagem reduzida de sua antropogénese fisica. Traduz portanto um total despreso pela mulher e vontade de sua submissão. Sabe-se que a mente humana é complexa e procura primeiro que tudo preserar o eu e o amor-próprio, e assim pior do que a pobreza e a opressão é o confronto com outros que o não são, a ponto de que para preservar o eu, o escravizado e submetido, prefere que outro igualmente escravizado e submetido não seja liberto, pois toda sua estratégia de sobrevivência se construi á volta da inevitabilidade da sua situação miserável e a libertação e melhor condição do outro, impede a construção desta estratégia defensiva do eu.

A psicologia da libertação e do desenvolimento, tem portanto de entender a complexidade do caminho e a circularidade de encerramento das culturas da pobreza e submissão, logo as primeiras cadeias a quebrar são as interiores que impedem que se queira ou julge possivel ou desejável a mudança para melhor.

Mas os estudos de Seligman alertam ainda para algo mais tenebroso, e como a libertação tem de ser proicurada e construida activamente ao longo de gerações, é que a pobreza e a submissão, gera atrofia além da hipogénese neurológica, encerrando a vitima na incapacidade de se libertar. Mas numa sociedade de escravos e oprimidos, já Tocqueville dizia, não se pode esperar desenvolvimento, e numa sociedade que oprime a mulher (51% na sociedade) deixa de poder contrar com o seu fundamental papel pelo desenvolvimento (como Emmanuel Todd igualmente demonstra).

Assim infelizmente mesmo que agora a nossaa maioria e o governo assuma uma visão desenvolvimentista humana, só podemos esperar resultados dentrro de 30 anos, agora antes de dar a volta de 180º, o caminho é de não cooperação, para não nos afastarmos mais do futuro desejado...

Edu
publicado por JoffreJustino às 09:21
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