Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Notas Sobre o Algarve e o Allgarve

ALL-Garve procura sintetizar ALL Algarve e não inglesar o Algarve, (que, note-se, é bem pouco português há já muito tempo,…ao tempo, ainda, de Salazar que tal inglesamento sucedeu diga-se, recordam-se do Cliff Richard, o promotor inglês do Algarve dos anos 60?) e é um ideia publicitária de um marketeer qualquer com muito pouca imaginação, criatividade e bom senso cultural e comercial diga-se.



Tão pouca que nem se apercebe do erro que é, no plano da promoção turística, esta tentativa de tornar “da casa” anglófona, uma região portuguesa que só tem a ganhar quando é promovida enquanto exótica, estranha, diferente, como todos os restantes destinos turísticos, e não enquanto “da casa”.



Em particular para um espaço como o anglófono que já teve e re-tem, agora por via americana, um império “onde o sol nunca se põe..”…



Trata-se de um exemplo de um acto promocional falhado, que nada tem a ver com a beleza de uma frase promocional como a que gerou uma forte campanha internacional a mais que famosa Madrid me mata…



Nós estamos, na EPAR, numa Escola Profissional onde existem dois Cursos de Turismo no Ensino Profissional e um outro na Aprendizagem.



Somos ainda uma Escola Profissional onde cerca de 30% dos nossos Jovens, portugueses ou não, são oriundos do Espaço de Expressão Portuguesa, hoje na sua imensa maioria não português.



Daí que a contextualização estritamente, diria mesmo pseudo, nacionalista, a pouco conduz. Na verdade, recordemos, o português, “clássico”, “puro”, “verdadeiro”, está mais no galego ou no mirandês que no português “lisboeta” que hoje quase todos ou falamos ou imitamos.



O Português “lisboeta” é a mais perfeita síntese do português imperial, e da corte, ou da elite, deste império, o ultimo dos impérios clássicos, a terminar, que resulta da miscigenização dos “portugueses” deste continente europeu, com os restantes – desde o brasileiro, que hoje retoma força em Portugal, ao timorense, passando, claro, pelo meu angolano – num Império que foi o único do Mundo e do Tempo Histórico a ter a sua capital, por algum tempo, fora do continente de origem, mais que prova da nossa miscigenização…que do “Português”, que na verdade, puro purinho, não existe…



Procurem na História como se dizia Farmácia em português “autentico”…por exemplo e de onde vem a palavra farmácia e quando “entrou” em Portugal.



A titulo de exemplo, e por mero acaso, ontem, quando passeava por Belém, a caminho dos famosos pastéis, encontrei algo que me fez rir e recordar este tema do ALL-GARVE e mandar um sms a alguns amigos/as e conhecidos/as– os stands de Turismo, fechados ao domingo,(de chorar…, na linha do nosso pouco profissionalismo), da Câmara Municipal de Lisboa, (governação PSD, em crise profunda típica), chamam-se “askfor” Lisboa….



Divertido não? Particularmente divertido já que o silencio sobre esta denominação, anglófona, tal qual o ALL-GARVE, não gerou tanta discussão…talvez porque não foi utilizada como arma de arremesso de campanha partidária.



Se me perguntarem o que acho do ALL-GARVE respondo que a ideia de “segurar” os anglófonos com esta campanha, esquecendo por exemplo os mui xenófobos francófonos, (que não gostarão nada desta denominação e se sentirão afastados da mesma, é uma ideia idiota.



No plano estrito do Marketing.



No plano estrito do Turismo.



Porque o restante é mera campanha…mesmo quando é “continuada” com muito boa vontade, porque a nada conduzem estas simplificações anglofonas, senão à manutenção do nosso pirosismo, já que não segurará nada na anglofonia e fará perder a francofonia, etc.



Porque lá está, nos stands de Turismo da CML, o mesmíssimo erro!



Que falta faz, em Portugal, um Miró, (e eu que sou tão pouco ibérico, até me sinto obrigado a dizer estas barbaridades…)





Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 11:36
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