Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Entre o Futebol, o Governo e a Crise…

Thanks Spain for getting the
World Cup for Portugal. It turns
out that according to the Tordesilhas
Treaty signed in 1494, everything
conquered by Spain east of 46 degree
meridian, is indeed property of Portugal.
So, could you please fedex the Cup now
to Portugal?"


Tradução de Inglês para Português


"Grato à Espanha por conseguir a Taça do Mundo para
Portugal. Acontece que, segundo a Assinatura do Tratado
de Tordesilhas, em 1494, tudo o conquistado pela Espanha
a leste do meridiano 46 graus, é de facto de propriedade de
Portugal. Então, poderiam, Por favor, enviar o fedex Cup agora
para Portugal? "
In, email recebido através da amiga Nucha, em texto mais aportuguesado


Seria útil, para todos os Lusófonos, que a Taça do Mundo se resolvesse de forma tão simples…agarrando-nos a um “direito histórico”, que protegeu o Império Português até ao século XIX, isto é, até que, com as Invasões Francesas, se tornasse evidente que este Império dava os últimos estertores…achou-se assim na altura, inclusive em Portugal, ainda que, como sabemos, cedo demais.

Viu-se o resultado dessa frágil atitude, com a reacção da Monarquia Liberal ao Ultimatum, britânico, em 1890, com a entrega, sem qualquer Resistência, do Mapa Côr de Rosa à grande potencia de então, o Reino Unido.

Foi este acto de inequívoca cobardia, a total cedência face ao Ultimatum, que fragilizou de vez a monarquia e deu o fôlego suficiente aos Republicanos para que, em 20 anos, estes pudessem assumir o Poder e mudar o Regime.

No entanto, foi também este acto que possibilitou o nascimento de dois países Lusófonos hoje existentes – Angola e Moçambique.

A não ter sucedido este acto de cobardia, com um rei Carlos a iniciar o seu reinado, e não só Portugal ainda seria provavelmente monárquico, como, a existir algo, seria um país imenso cobrindo todo a Região do Mapa Cor de Rosa.

Dando talvez bem mais lógica as fronteiras que hoje se mostram inadequadas…

Só que os “direitos históricos” já não nos darão esta espantosa oportunidade acima referida de, por via dos mesmos, ganharmos sequer a taça do Mundial…

No entanto, a verdade é que o tecido económico e social português foi Imperial, ainda, até 1974/5.

O circuito de bens e mercadorias e de serviços, assim como o de Pessoas, era Imperial, o que dava à economia portuguesa,( apesar das limitações dramáticas que o Estado, salazarista, impunha à economia e à sociedade), uma estabilidade significativa pois a falta de inovação tecnológica, e de qualificação das Pessoas, era superada pela magnitude de um mercado suficientemente fechado.

De facto, a Direita portuguesa ainda se gere, (mas também uma parte da Esquerda), melhor ainda se pensa, como se vivesse Portugal neste Império imenso.

Ora, a CPLP não cria esse Mercado fechado, ainda que crie um Mercado onde alguns produtos de raiz portuguesa são preferencialmente recebidos…

De qualquer forma, tal potencial é insuficiente, em especial porque se mantêm as fragilidades quanto à inovação tecnológica e à qualificação das Pessoas, em Portugal e na restante CPLP.

Ao que acresce o carácter reduzido do Mercado português.

Acusa-se este governo de andar á deriva, (disse-o, ainda ontem, o economista que não paga almoços nem aos filhos, apesar de se dizer católico…), esquecendo-se que nunca se foi tão veemente na busca da inovação e da qualificação escolar e profissional em Portugal, como hoje.

Pelo que se está, sem dúvida, com este governo, a atacar o centro da ferida da economia portuguesa, mesmo que, afirmo-o, de forma ainda insuficiente, tendo em conta a “oportunidade”, (infeliz mas oportunidade), que é potenciar este período de elevado Desemprego, para qualificar as Pessoas sem qualificação, o que, se tem acontecido, como nunca aconteceu, era exigível que acontecesse ainda mais.

Infelizmente, os “intelectuais” portugueses, de Direita ou de alguma Esquerda, continuam a entender que, qualificação a sério só se em “escolinha a sério”, (de preferência publica), pelo que se continua a desvalorizar todo o trabalho realizado, (e a procurar desinvestir em…), pelas Escolas Profissionais e pelas entidades acreditadas de formação profissional.

Desvalorizando por tal as medidas deste Governo e o QREN.

Como se está, sem dúvida, a desvalorizar todo o trabalho feito por este Governo de incentivo à Internacionalização, em especial no seio da CPLP, mas também para além dela.

Como se procura anular tudo o que foi feito no contexto da Reforma do e no Estado, nos seus múltiplos serviços, por este Governo.

Ou, ainda, como se procura fazer esquecer toda a cuidadosa estratégia de redução da dívida de forma sustentada e sem pôr em causa o investimento do Estado na dinamização da economia, e no apoio à dinâmica social, ( que não quer dizer na aquisição de mais e mais “nacionalizações”), com ridículas acusações de despesismo.

Que, sem dúvidas, começa a dar resultados.

A pontos de Paulo Portas, o intuitivo leader da Direita ter começado a exigir, como se viu, a queda de Socrates, não para retirar o PS do Governo mas para se instalar um governo de salvação nacional.

Medo de Paulo Portas perante a realidade de ver uma crise debelada pelo PS, no caso pela 3ª vez, antes de erradicar este partido do Governo?

Parece bem credível esta hipótese.

Porque o adequado seria Paulo Portas ter tido a coragem política de defender um governo de salvação nacional, ponto final, sem tentar imiscuir-se nos outros partidos políticos e nas lideranças dos outros partidos políticos.

Se o tivesse feito teria Paulo Portas tido o meu apoio.

Defendo, e não sou o único, desde pelo menos Agosto de 2009, a necessidade de um governo de salvação nacional.

Onde o PCP e o BE também deveriam, claro, estar.

E não somente o PS, op PSD e o CDS.

Só que, ao que parece, ou se teme governar em crise deixando esse ónus para os que não temem, o PS e Socrates. Ou se pretende aceitando a tese, fazer com que o PS parta fragilizado para essa solução.

Em ambas as posições estamos perante posicionamentos por demais temerosos que o eleitorado penalizará a tempo.
publicado por JoffreJustino às 14:53
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2 comentários:
De Antunes Ferreira a 16 de Julho de 2010 às 16:24
Texto longo, mas bem conseguido. Carregado de verdades - o que, nos dias que vão correndo - é cada vez mais difícil. Gostei.
A anedota do Tratado de Tordesilhas é muito boa. Ideia brilhante, ainda que brincadeira.
Abs


De JoffreJustino a 8 de Novembro de 2010 às 14:08
Grato pela apreciação meu caro


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