Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Entre o Silêncio e a Coboiada árabe

"A Liga Árabe lamenta a violência que tomou conta da Faixa de Gaza e condena a tomada de poder pelo Hamas. Os chefes da diplomacia dos países árabes, reunidos no Cairo, manifestaram apoio ao Presidente da Autoridade Palestiniana (AP), Mahmoud Abbas. Em Gaza, o líder do Hamas já recusou a ideia de transformar o território num estado independente."

In, SIC OnLINE



Realmente não há paciência que os ature…enfim, não devia haver, mas continua a existir quem empurre a responsabilidade dos factos para o lado, neste infeliz caso, cada vez mais ocaso, da Palestina.

Lamentar a violência, como faz a Liga Árabe, continua a ser aceitar esta violência inútil, feita por entre os que se bateram por um dito Estado Palestino, assim como empurrar a responsabilidade das 72 horas de violência, entre palestinos, na Faixa de Gaza, para o sr Bush e os EUA, e, pior ainda, encontrar especificidades entre a Cisjordâne a e a Faixa de Gaza, como faz Jorge Almeida Fernandes, não pode deixar de ser visto ou como uma enorme boutade, ou como mais uma tentativa de fechar os olhos a estes novos cowboys que são estas seitas religiosas, fanáticas, armadas, violentas, totalitárias, que se escondem nas suas ditas religiões, e pseudo ideologias, para praticarem os actos mais inacreditáveis.

O Hamas não quer, nunca quis, uma Nação independente, um Estado Independente.

O Hamas entende-se acima destes conceitos.

O Hamas é um instrumento, violento, totalitário, para a tomada do Poder, religioso, para além de Povos, de Nações, de Estados. Por isso, o sucedido na Faixa de Gaza.

O Hamas só pretende obter um território para completar a sua fachada e a Faixa de Gaza serve, para já, perfeitamente. E conseguiu-o, na verdade dando a totalidade da razão a Israel e aos EUA com a presidência Neocon do sr Bush, mas pouco se importando com tal.

Situo-me de fora deste contexto. Continuo, a situar-me de fora do mesmo.

De facto, e como mero exemplo, continuo a aguardar as eleições em Angola, inconcluídas em 1992, com a complacência desta dita Comunidade Internacional, e começo a entender não só que o actual regime em Angola está, de vez, a abusar, como que os sinais de totalitarismo estão a ficar por demais evidentes neste meu país, o que à dita Comunidade pouco importa.

Mas se tudo, em Angola, se deve ao papel da Comunidade Internacional, que optou por uma das partes, o MPLA, o mesmo não direi no caso palestino.

E mais uma vez fico de fora do contexto, pois todos, (enfim uma qualificada maioria dos bem pensantes…), entendem o contrário – isto é, segundo esta maioria qualificada, em Angola, viveu-se o resultado de uma guerra civil, interna portanto, e no caso Palestino, isso sim, vive-se o contexto da influência internacional, americana/Bush.

Os Palestinos tiveram uma Autoridade Palestina, tiveram eleições, reconhecidas, tinham um Presidente e um Governo gerindo uma População e um Território.

Aos Angolanos foram impostas opções estrangeiras, com eleições no mínimo inconcluídas, com sanções sobre uma das partes e com o esquecimento de Angola e dos Angolanos posterior ao resultado da guerra civil.

No entanto, ambas as partes em Angola, MPLA e UNITA, queriam um Estado Independente, dentro de um Território estabelecido e com uma População definida. Mais, ambos recusaram a divisão territorial em 2 Países.

Ao contrário da Palestina.

Se hoje a Fatah é apresentada como corrupta, o que dizer da corrupção de costumes e valores inerente à ideologia fanática do Hamas, como a utilização de crianças armadas, ou com o seu paraíso farto de mulheres e prazeres para os vencedores? Senão leiamos um extracto desta espantosa entrevista, “As 72 virgens prometidas no paraíso não influenciam?
AY: O primeiro motivo é a opressão e o segundo é se tornar mártir. Há as 72 virgens, o mel e o paraíso, mas o principal é que está se defendendo.
In CartaCapital entrevista com o Hamas shaykh Ahmed Yassin, http://www.terra.com.br/cartacapital/180/index.htm

O que está por detrás do Hamas e da Al-Qaeda não é uma Síria, já de si doente e corrupta, ou um Irão fanatizado, mas em fim de festa.

O que está por detrás do Hamas e da Al-Qaeda é um somatório de seitas fanáticas pseudo herdeiras de um Saladino expansionista e que pretendem “a unidade islâmica e o califado”, visto à sua forma totalitária e feudalista, como elemento unificador de uma grande potência islâmica dominando o Mundo…”a formula é simples: primeiro eliminar qualquer pensamento oposicionista e de seguida impôr a unidade espiritual do topo à base. Definitivamente a unidade espiritual só pode ser cumprida pela força”, in the orgy of obliteration within crescent of islam, world-news iqbal.latif

É certo que, certos como estão da razão que está por detrás do que escrevo, os islâmicos mais “moderados” como Faiza Hayat, a solução é a “exaltação do silêncio”, ou, melhor ainda, “Quando não tenho nada para dizer, não digo nada”, como ela escreve…

Mas começa a ser cada vez mais claro que este silencio, entre eles, os islâmicos, significa muito ruído, sobre nós, os não islâmicos.

Pelo que é tempo de os questionar, aos islâmicos, a todos eles, os moderados e os outros, com uma simples questão –mas e porque é que temos de vos aturar?

Se entendem ser possível comparar o peso da estúpida publicidade com a pressão sobre nós, os não islâmicos, de crianças esfaimadas em países de ricos, como são os países árabes, como faz Faiza Hayat, então fiquem-se com as crianças esfaimadas, as vossas, feitas por vós e pelos vossos leaderes, opulentos, gordos de petróleo e de abuso dos mais fracos e procurem de uma vez por todas, tratar das vossas mazelas, com o vosso próprio pelo de cão.

O fanatismo, seja de que tipo for, alimenta-se do facto de “os outros” serem simples humanos, fracos e domináveis portanto, enquanto que “os nossos” serão os que beneficiarão das 72 virgens, porque fortes e indomáveis

Ora, na verdade, quem gosta de virgens?

Só um sádico, capaz de entender gozo na “desfloração”, na criação de prazer com dor, tema, também religioso, já ultrapassado ao tempo da própria Bíblia, em particular do Novo Testamento em diante.

O Hamas marcou pontos?

Claro.

O caminho da purificação continua, até que desse caminho surja a liderança efectivamente pura e dela o califado.

Mas como estamos a tratar de questiúnculas no seio dos petrodólares a eles nada acontecerá e muito menos qualquer tipo de sanções como as que sofri, eu e os membros dirigentes da UNITA.

É também em tal que eles, os fanáticos, apostam usando e abusando das fragilidades do sistema “cristão”.

E cito da net, “As autoridades colombianas capturaram hoje em Bogotá oito supostos colaboradores da Al Qaeda e do Hamas que estão sendo reivindicados para extradição pelos Estados Unidos, informaram fontes da Promotoria Geral.”

Estas detenções “foram efetuadas durante uma grande operação contra uma rede de tráfico de pessoas que também possibilitou a detenção de outros 11 indivíduos.”, e mais, “ Na operação também foi capturada uma funcionária da Registradoria Nacional do Estado Civil, entidade estatal que emite cédulas de identidade.”

Da utilização dos carteis da droga para a obtenção de tantos documentos individuais quanto os possíveis até ao bombardear dos não crentes, tudo vale nesta guerra.

Como vêm e aviso, há uma diferença de fundo entre a UNITA e o Hamas, se nós na UNITA não éramos fanáticos, e aceitámos a derrota militar, duvido que o mesmo suceda com estas seitas.

No entanto, eles estão bem, bem armados, bem financiados, (desconheço a contratação pela ONU de qualquer empresa de detectives para descobrir as suas movimentações de contas bancárias…), e exigem, já, os evidentemente necessários apoios financeiros internacionais, que os “estados irmãos”, islâmicos, não dão, a não ser para a compra de mais e mais armamento.

Que a breve trecho serão utilizados contra nós.

Com o beneplácito destes bem pensantes de esquerda e de direita.

Em nome do petróleo, das petrolíferas, dos petrodolares, e das “especificidades” das “faixas de Gaza”.

Enfim, começa a ser fácil reconhecer que só um muro como o de Berlim poderá resolver este problema….

É doloroso dizê-lo? Sim.

Mas há alternativa?



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:15
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