Terça-feira, 20 de Abril de 2010

Um Apelo à Aceitação da Educação Sexual nas Escolas e do Kit de Educação Sexual da APF, Associação do Planeamento Familiar, e, claro, de Muitos Mais Outros!

Bom dia,

Depois de ler atentamente o vosso email e o vosso site, http://www.plataforma-rn.com/site/ , decidi, enquanto director pedagógico da EPAR, Escola Profissional Almirante Reis, (uma Escola Profissional que, desde que nasceu, se assumiu como Solidária, Laica e Republicana, o que não lhe tem facilitado em nada a vida diga-se), adquirir o Kit da APF e, claro, não só informar-vos de tal como, também, divulgar as razões desta aquisição junto de todas as Escolas que tenhamos a possibilidade de contactar.
Já temia que a campanha contra a educação sexual nas escolas surgisse com mais força, logo que o Governo tivesse a coragem, cultural e politica, como este Governo, finalmente, teve, de assumir a regulamentação deste tema.
Na verdade, alguns sectores que se dizem católicos assumem atitudes que só podem merecer o repúdio das e dos Cidadãos que, como eu, convivem há dezenas de anos em escolas onde os alunos, (todos os anos), por pura ignorância, deles e dos seus encarregados de educação, caminham pelas veredas do abandono escolar em consequência de gravidezes indesejadas e inesperadas, em resultado das opções dos que já escreveram até, o dislate de afirmar que D. Afonso Henriques não necessitou de ter educação sexual para ter filhos.
O que,, historicamente, é uma pura falsidade, mas, culturalmente sobretudo, é inaceitável!
Estamos no século XXI.
No mesmo, a larga maioria das famílias, mais de 90% delas, tem o pai e a mãe a trabalhar e têm, com os filhos, dramaticamente, uma vivencia diária que não ultrapassa as 3h30m diária, exceptuando os fins de semana.
No tempo de D. Afonso Henriques tal não sucedia.
A falta de educação sexual e as dificuldades financeiras da larga maioria das Famílias em Portugal conduzem o país ao suicídio colectivo – temos hoje 1,3 crianças por casal em consequência desta grave limitação!
No tempo de D. Afonso Henriques tal não sucedia.
As comunidades de vizinhança são hoje tendencialmente inexistentes, os tempos de lazer são tomados pelas televisões e as passeatas aos centros comerciais…pouco havendo de convívio são, que permita que as famílias elas próprias e no seu contexto alargado, cuidem dos filhos, nem no campo da educação sexual nem em qualquer outro.
No tempo de D. Afonso Henriques tal não sucedia.
A prostituição ilegal, feminina e masculina, com todas as consequências da devassa em que quem a pratica vive, é geradora das mais graves doenças sexuais transmissíveis, generalizadamente transmitidas, para além dos traumas que quem a pratica acaba por ter, perante a complacência, (para não dizer mais), dos que agora pudicamente querem combater a educação sexual nas escolas. Ora a prostituição convive connosco em todas as estradas do país, assim como nas ruas das cidades e vilas.
No tempo de D. Afonso Henriques tal não sucedia.
As crianças que surgem na escola, publica e privada, grávidas, em consequência da mais total desinformação, (e não da gravidez assumida, consentida e desejada), em que vivem, são em nº crescente e não há escola que não conviva com este drama social.
No tempo de D. Afonso Henriques tal não sucedia.
As televisões, as rádios, os jornais, os placards publicitários estão pejados de mensagens sensuais e ou sensualizantes todas feitas com o objectivo de vender, de vender cada vez mais, afectando a noção do corpo que cada um tem, e sobretudo a noção do desejo inerente a cada e face ao/à Outro/a, gerando doenças socialmente cada vez mais graves como a bulimia e a anorexia.
No tempo de D. Afonso Henriques tal não sucedia.
E não é necessário educação sexual nas escolas?
E não são necessários kits de educação sexual, como os da Associação do Planeamento Familiar, que desenvolve actividade há já dezenas de anos, bem antes do 25 de Abril de 1974?
Em nome de quê estas atitudes?
Se lerem a Bíblia, Velho e Novo Testamento, em lugar algum dos mesmos são assumidas tais posições, bem pelo contrário, nos mesmos encontramos importantes orientações quanto á educação sexual que em nada se coadugnam com as rejeições falsamente pudicas que encontramos no site que cito acima.
Foram precisos 36 anos de Democracia e um governo corajoso e reformista para que, finalmente, se regulamentasse a educação sexual nas escolas.
Interessante seria, pois, que, (e seguindo o exemplo de D. Afonso Henriques), os signatários deste site aderissem adequada, e civilizadamente, à necessidade de termos educação sexual nas escolas, sendo certo que a mesma deva ser orientada tendo em conta as opções, religiosas e outras, das famílias envolvidas em cada escola.
Nem D. Afonso Henriques estaria contra tal!
É sem duvida essencial que as aulas de educação sexual respeitem, as opções múltiplas, desde os que entendem que os Jovens devem ser virgens até ao casamento, aos que entendem a vida afectiva e sexual em outras vias, sem que ninguém, se imponha a ninguém.
O que não é aceitável é a continuação do actual statu quo que conduz aos piores dislates sobre os Afectos e sobre os Corpos de cada Pessoa aqui vivente e que parece querer manter-se com tais sites e emails como o de abaixo!
Apelo pois à rápida entrada da educação sexual nos curricula das escolas, publicas e privadas, e, claro, à aquisição do kit de educação sexual da APF, (ou de outro), que facilite e dinamize esta actividade nas escolas em moldes sérios.
Joffre Justino
(Director Pedagógico)

De: plataforma-rn.com [mailto:info@plataforma-rn.com]
Enviada: segunda-feira, 19 de Abril de 2010 23:18
Para: jjustino@epar.pt
Assunto: PEDIDO INFORMAÇÃO - KIT APF


"Desde Setembro do ano passado, 1100 escolas já encomendaram kits de Educação Sexual à Associação para o Planeamento da Família (APF)" (DN, 23/01/2010)

Exmo(a). Senhor(a) Director(a),
Ao abrigo dos artigos 7º, nº1 alínea a), 64º, nº1 e 65º, nº1 do C.P.A., vimos pela presente solicitar resposta às questões que abaixo colocamos:
1. SE COMPRARAM O KIT DA APF?
2. SE PENSAM VIR A COMPRAR O KIT DA APF?
3. SE VÃO USAR O KIT DA APF?
Antecipadamente agradecidos pela melhor atenção dispensada ao assunto.
Melhores cumprimentos,
Pela Plataforma-RN
Artur Mesquita Guimarães – V. N. Famalicão
Fernanada Neves Mendes – Leiria
Paula Pimentel Calderon – Lisboa
Miguel Reis Cunha – Algarve
http://www.plataforma-rn.com/site/
publicado por JoffreJustino às 10:56
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