Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

…E a Economia de Mercado?

“…a interferência
descarada dos poderes
públicos na vida das
sociedades privadas,
condicionando decisões
que deviam ser da
exclusiva responsabilidade
de accionistas”
(in, editorial do PUBLICO
De 16.01.08)


Ficámos a saber, por este editorial do PUBLICO qual o, muitíssimo, baixo índice de intervenção de pequenos accionistas no maior Banco privado português – o BCP…560 pequenos accionistas. Será que só existem 560 pequenos accionistas no BCP?

Ficámos ainda a saber, que, quando entidades do Estado, como a CGD, intervêm, adquirindo acções no sector privado, como sucedeu no BCP, este sector não o recusa. Mas que quando a mesma entidade decide intervir, votando em uma Assembleia de accionistas – acha o mesmo que ela comete um pecado de lesa majestade.

Não sou accionista do BCP, mas sou cliente deste Banco.

Em especial desde que começou a admitir mulheres nos seus postos de trabalho disponíveis, o que era recusado ao nascimento do Banco, como todos se lembram, pelo anterior “patrão” do BCP.

Preocupou-me pois e bastante, (tenho no BCP as minhas poupanças), a crise em que este Banco viveu.

E bato palmas porque a CGD em conjunto com um grupo de, grandes, accionistas, ajudou à resolução da crise no maior banco privado português.

Santos Ferreira é, pois, para mim e muitos dos clientes do BCP, um exemplo do bom senso que deve predominar na gestão bancária e note-se que o sistema bancário português não é particularmente estável – basta ver as consequências do consumismo exagerado no crédito mal parado do mesmo sistema.

Jardim Gonçalves criou, alimentou, e incentivou a crise no BCP. Era, disse-se sempre, um dos “patrões” da Opus Dei.

E não se portou enquanto cristão, nos seus negócios familiares.

Nos EUA, muito provavelmente, estaria preso e mais – os pequenos accionistas da Banca americana não perdoam os abusos do tipo dos praticados pela gestão gonçalvista.

Infelizmente, em Portugal, no imediato momento em que uma parte da banca procura estabilizar o sistema poupando um Banco em profunda crise interna a uma crise de mercado, que apesar de tudo está a acontecer, veja-se a baixa de cotação das acções do BCP na Bolsa de Lisboa, existe logo quem procure o fantasma, (neste caso o partidarismo), e não o culpado, o mau gestor, para mais um golpe de sobrevivência.

Cadilhe é do PSD, e o PSD tinha, (em Portugal é obrigatório), de afrontar Santos Ferreira, do PS, pela simples razão deste o ser.

Cadilhe fica pois como o leader dos pequenos accionistas do BCP:

Mas questiono. Existe algum capitalismo popular em Portugal quando o seu maior banco privado só consegue apresentar em Assembleia Geral 560 accionistas?

Existe Bolsa de Valores em Portugal quando, quanto a pequenos accionistas, é este o valor que se apresenta na Assembleia Geral do maior banco privado de Portugal?

Tatcher morreria de vergonha….e até Bush coraria.

Coube e ainda bem, à CGD, a função estabilizadora de uma crise que só demonstra que os grandes financeiros portugueses se limitam a jogar ao Monopólio, em vez de jogar numa Bolsa de Valores.

Porque todos esperamos que a Bolsa de Lisboa mude rapidamente de figura e passe a ser uma Bolsa onde predominem as pequenas aplicações de pequenos accionistas na muito grande empresas portuguesas, o que não sucede hoje, como se vê com o BCP – 560 pequenos accionistas em Assembleia Geral.

Na verdade, nem capitalismo existe ainda em Portugal, eis a herança Salazar caetanista que o outro gonçalvismo alimentou e que ainda não se ultrapassou.

A classe média conta, assim, em Portugal – quase nada.

Na política é o que se sabe, excepto o voto, poucos mais direitos tem.

Na economia é o que se vê – 560 pequenos accionistas em Assembleia Geral no maior banco privado português.

Qualquer jornalista tornaria este facto – a noticia.

Em Portugal vira noticia o confronto PSD/PS.

É ridículo tudo isto.

Porque o que está em jogo é que a Economia de Mercado não funciona em Portugal.




Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:47
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1 comentário:
De Fernanda Gomes a 16 de Janeiro de 2008 às 15:55
Completamente de acordo.
Além de cliente, sou (uma pequena) accionista do BCP, uma de milhares que não estiveram na Assembleia de ontem.
O que é incrível é que NENHUM jornal tenha tido a curiosidade de tentar saber "quantos" são os pequenos detentores de acções do banco, a fim de clarificar a representatividade da tal "maioria" que aplaudiu Cadilhe.


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