Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

O MEDO DOMINA, MAL, O PAÍS…

Exceptuando os que nada sabem, ou sabendo de nada se preocupam, o Medo domina Portugal.



As regras da Economia de Mercado aproximam-se de Portugal e os tempos do vale tudo tendem a deixar de existir. Enfim, o “neoliberalismo à Portuguesa” tende a ter os dias contados, mas seguindo um mau caminho – o do Medo.



O Medo é positivo? Não o Medo é um estado de espírito profundamente negativo e em nada ajuda na resolução dos problemas do país.



Mas porque existe o Medo? Porque o sistema financeiro português está a mostrar-se nu. E mostrando-se está a demonstrar que não serve a Comunidade, como qualquer sector o deve fazer, e que sim tem servido somente uns tantos dentro da Comunidade.



No rules, eis o que os neoliberais serôdios defendem, não dizendo no entanto nunca que o no rules significa, no rules para nós…ora o no rules implica na verdade a existência de regras caso contrário o que domina é a pirataria – o sector de actividade que fez as delicias dos ingleses contra as naus portuguesas e espanholas por exemplo, ao tempo do iniciar da expansão inglesa.



Ou, mais recentemente, o Chile de Pinochet, e, de seguida, o sucedido na Federação Russa que a conduziu quase que à miséria e, claro, ao Chelsea.



Fukuyama, um neoconservador, já explicou bem que, infelizmente, têm que haver regras. O Ser Humano não é perfeito e a inexistência de regras conduz sempre – à lógica da pirataria.



É pirataria o que a Nike faz no Vietnam, pôr pessoas a trabalharem “12h dia por uma malga de arroz”.



É pirataria os empresários chineses invadirem o mercado mundial com produtos feitos ao custo de uma malga de arroz.



Porquê?



Porque a economia passa a centrar-se em actividade baseadas na concorrência desleal, pois nem todos têm a oportunidade de deslocalizações “tão favoráveis”.



A Globalização centrada na pirataria, no no rules, tende a acabar. Teve os seus vinte anos brilhantes, mas tende a acabar.



Porquê?



Porque a economia de mercado feita na base da pirataria não se compadece com a Democracia, necessita da Ditadura, de consumidores domesticados, anulados.



Mas a livre escolha no Mercado não se compadece com Ditaduras.



É esta incompatibilidade que está a pôr em causa os neoliberais de pacotilha como, se não me engano Vasco Polido Valente os denominou.



E, claro, a pirataria.



Os capitães Drake, têm um tempo de duração limitado e nos dias de hoje esse tempo é cada vez mais reduzido.



Porque a Livre Escolha no Mercado implica cidadãos com capacidade económica e o tempo do cidadão chinês necessitar de uma semana de trabalho para comprar uma Coca Cola está a acabar.



Porque o Mercado Chinês necessita também de Livre Escolha e a Livre Escolha implica a Democracia.



E o próprio Partido Comunista Chinês o sabe e saberá preparar-se para tal.



Na verdade, a diferença entre o PCC e o PCUS sempre foi esta. Saber preparar-se para o inevitável.



E o que tem a ver tal com o Medo em Portugal?



Tem imenso.



A Cultura da Economia de Mercado, que é a Cultura da Cidadania, demorou a implantar-se em Portugal.



Ainda não está implantada em Portugal.



Durante anos alguns viveram à custa da inexistência dessa Cultura, defendendo a teoria da “mão invisível” que tudo equilibrava e tudo limpava.



Spiglitz, prémio Nobel da Economia de Mercado já demonstrou que a “mão invisível” não existe – ao fim ao cabo sendo invisível só podia não existir – e que a diferenciação no acesso à informação gera, por si, a diferença na economia, o desequilíbrio.



Ok. Durante uns anitos, que se iniciaram na década de 60 do século vinte, Portugal deu a oportunidade a uns tantos, de, tendo acesso a mais informação que outros, conseguirem atingir fortunas desmedidas.



O vinte e cinco de Abril de 1974, mas sobretudo o onze de Março de 1975, baralhou um pouco esta realidade, por maus caminhos, mas baralhou.



Lá pelos princípios dos anos 80 do século vinte, “tudo se recompôs”.



E a Globalização ajudou uns tantos. Os offshore, as Bolsas de brincadeira, recompuseram a “mão invisível”.



Só que os tempos são outros, e o momento da pirataria está, de novo, a findar.



A complacência da carta para trás, carta para a frente, acabou.



E, claro, o Medo implanta-se. Será que o BCP irá sobreviver? E se não sobreviver o que poderá acontecer?



Daí que, insisto, o bom senso da CGD, em apoiar quem iria arriscar na imposição da mudança no BCP, só pode ser entendido como um acto saudável.



Não está a ser, ainda.



Não é importante que Jardim Gonçalves seja ou não da Opus Dei, ou que para a nova versão do BCP se tenha perfilado um Maçon, ou que Cadilhe seja da Opus dei.



Porque a imposição das “new rules”, as da Globalização de hoje, não estão a nascer de dentro de Portugal, mas sim de fora de Portugal.



Porque não se pode pensar que se globaliza, sem aceitar as “new rules”.



E não chega cantar loas às Ética e Responsabilidade Social. É-nos imposto, é sobretudo imposto aos muito grandes e grandes empresários, cumprir e viver a Ética e a Responsabilidade Social, para se estar na Globalização.



Deveriam ter estudado um pouco melhor a lição que, gratuitamente, a Associação Portuguesa de Ética Empresarial, ( ver www.apee.pt) tem procurado ensinar.



Porque estar na Globalização é estar na economia das “new rules”.



Para mal dos ditos “neoliberais de pacotilha” e para bem dos Consumidores, mas também dos Fornecedores, dos Clientes, dos que compõem as novas e obrigatórias Parcerias, na economia.



O Medo da Mudança, que é o que estamos a viver em Portugal, é um Medo errado.



E as Mudanças nem sempre se fazem por caminhos esperados…Deus escreve direito em linhas tortas.



Mas faz-se.







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 14:01
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2 comentários:
De Outsider a 21 de Janeiro de 2008 às 18:02
Para quem viva no mundo virtual da política, pode pensar que existe uma situação de medo generalizada. Nada mais errado!

O que se passa na realidade, é que as pessoas vivem há 33 anos (quase 34) num sistema político que lhes prometeu mundos e fundos, e já constataram na prática, que foram vítimas de um embuste, em que um regime oligárquico, foi substituído por outro, sendo as únicas diferenças significativas, a extinção da PIDE e o fim da guerra colonial.

Como toda a gente já percebeu que toda a máquina política, económica, social, etc. está infestada (é o termo correcto) por gente que, ou é do PS ou do PSD (a maioria da população que não vota neles, é com se não exista), não vale a pena estar a pregar no deserto.

A quantidade de sacos-azuis é incontável, as nomeações são feitas na base da partidarite-crónica, e até o caso BCP que neste blog já foi abordado, deu origem à célebre dança-de-cadeiras entre gestores do PS e PSD.

Luís Filipe Menezes, no seu estilo habitual, até já sugeriu que deveria haver paridade de comentadores, colunistas, gestores (sempre escolhidos nestas duas sociedades politico-recreativas (também conhecidas como "partidos políticos").

Para o cidadão comum, que tem de pensar primeiro no seu estômago (e da sua família), e vive todos os dias a epopeia de lutar pela sobrevivência, política, políticos e partidos, são questões menores e mesquinhas, que só podem ser do interesse de quem tem a sobrevivência assegurada.


De Ariane Morais-Abreu a 18 de Janeiro de 2008 às 15:21
Acho que os homens escrevem torto em linhas direitas!

Interessante comparaçao com os piratas porque ainda nao saimos desta pirataria e "sauvagerie" sem vergonha. Reproduziram-se os ladroes dos mares e oceanos, foram domesticados institucionalmente e aperfeiçoaram a tecnica de roubo...

Desculpa voltar ao meu torrao natal, Cabo Verde, que se forjou afinal por causa do vandalismo da pirataria europeia nos seculos modernos; as populaçoes do litoral fugiram para o interior das ilhas e constituiram povoaçoes. Hoje nao sei para onde e como vao poder fugir da nova pirataria globalizada e totalmente descomplexada. O caso português, que serve pelos vistos de modelo aos insulares crioulos, nos da ainda mais a medida do fracasso cabo-verdiano e da via sem saida onde se perdem.

O medo tornou-se uma nova crença...


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