Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

ASAE, DE NOVO…

Vi ontem, a 27.01, na televisão, nem interessa qual, Mendes Bota, dirigente regional algarvio, (porque ele é mais dirigente regional que dirigente partidário, reconheçamo-lo), a denunciar a ASAE como a nova Pide, (um pouco ao estilo das acusações do MRPP dos anos 75, e essas muitas vezes justas, quanto ao COPCON…), como vi o actual dirigente do PSD, Luis Filipe Meneses, a compará-lo com o FBI…



Perdemos a cabeça, aqui, por este jardim à beira mar plantado.



Sabemos, todos, porque todos lá vamos, o que se passa pelas Feiras do Relógio deste país – vende-se por lá o refugo, o que não passa pelo controlo de qualidade das exportações portuguesas e, porque os nossos rendimentos são o que são – baixos – compramos o refugo porque é de baixo preço e, tirando algum pequeno, as mais das vezes invisível defeito, usamo-lo com gosto.



O mercado interno vive, em boa percentagem, assim, de cerca de 15 a 20% da nossa economia, a que não passa no controlo de qualidade, e a esta acresce ainda os excedentes de produção, vendidos também a baixo preço para não ocupar os armazéns deste país.



Esta é a nossa realidade de consumidores. Esta é a nossa realidade de produtores.



Pelo menos 1/3 do consumo interno, garanto-vos, centra-se no refugo e no excedente de produção.



E enquanto tal suceder teremos baixas remunerações, que alimentarão os refugos e os excedentes, pois aliam-se aos mesmos, assim como a baixa produtividade, a não qualificação das Pessoas, escolar e profissional, o desperdício resultante de investimentos errados e a impossibilidade em contarmos em Portugal com uma Banca que invista na economia.



Alguém terá de entender a necessidade do combate ao laxismo na actividade económica, como alguém terá de entender a diferença entre o que é realmente actividade artesanal e a actividade laxista.



Um leader partidário pode não concordar com uma regulamentação específica. È alias o seu dever, explicitar o desacordo.



Tem também o dever de apresentar alternativa legislativa sobre a matéria.



Falta regulamentar a actividade artesanal?



Está evidente que sim.



Essa actividade não deve ser forçada a cumprir o que um restaurante, uma pastelaria, uma fábrica têxtil, etc têm de cumprir?



Sem dúvida alguma.



Proceda-se como deve ser e apresente-se uma regulamentação para a actividade artesanal, que estabeleça o que é essa actividade e o que é que ela tem de cumprir.



Mas não se defenda a falta de qualidade, o desperdício, o erro, a baixa produtividade, os baixos salários em nome da actividade artesanal.



Ainda o ano passado apresentei uma queixa por causa de um vestido, bem caro que a minha mulher comprara e que, quando visto mais atentamente em casa, tinha um evidente defeito de fabrico e sei bem o difícil que foi recuperar a verba dispendida e, claro, só depois de ter feito queixa à ASAE do sucedido.



A queixa foi o único argumento que fez recuar o produtor – uma estilista famosa na praça portuguesa…e a ASAE foi a entidade que se fez sentir para que o consumidor tivesse o direito que era evidente que deveria ter.



Parece que hoje se confunde tudo para que fiquemos, em tudo, na mesma – com baixos salários, com baixas produtividades, com fraca presença no mercado global, com uma banca miserabilista que vive á custa das dificuldades dos consumidores, etc.



Não podemos continuar neste estado de coisas.



A ASAE cumpre um papel na sociedade – impor regras de qualidade na actividade económica.



Lamento dizê-lo.



Penso também que todos concordaremos que a actividade artesanal exige outro tipo de regras.



Penso claro que todos concordaremos que urge manter a sopa de pedra, o tremoço, o cesto de vime, o pão a lenha, a tripa, os enchidos caseiros, o vinho americano, o vinho a copo e a jarro, etc.



Regulamentemos então, como excepção devida, essa actividade.



Mas não deixemos de lado, como irresponsável, como “artesanal”, o que não o é.



Temos de ter tempo para nos adaptarmos nos cafés, restaurantes, espaços públicos ao não fumo?



Saibamos então criar legislação para tal, dando tempo para a adaptação.



Porque na verdade, mais uma vez, quem paga é a produtividade, ( ou ninguém entenderá que sair para a rua para fumar um cigarrito, não origina baixa de produtividade? E que deveria caber às Tabaqueiras pagar o vicio que geraram?).



Este debate, politiqueiro, partidareco, sobre a ASAE, está a tornar-se ridículo.







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:47
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