Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Inaceitáveis actos de Intolerância

O Primeiro Secretário do MPLA em Kamakupa e Vice-Administrador municipal na mesma localidade, sita na província do Bié, é acusado de ser o autor moral de actos de violência sobre o espancamento de duas cidadãs angolanas, nos dias 20 e 21 de Janeiro deste ano, pelo simples facto de serem simpatizantes da UNITA.

Felizmente que casos deste teor se têm vindo a mostrar raros.

Mas precisamente por o serem, devem ser energicamente rejeitados e denunciados, pois são prova de uma intolerância inaceitável em um país que viveu de 1961 a 2002 em quase permanente estado de guerra e que, a permitir-se continuar com atitudes deste teor, tenderá a ver ressurgir, em plena fase de pré processo eleitoral, a tensão social e politica anteriormente vivida.

As vitimas terão sido duas senhoras - a Sra. Ruth, que pelas 16 horas do dia 20 de Janeiro foi agredida pelo próprio marido, Félix Chimbuanga, por ter recebido em sua casa uma delegação da UNITA vinda do funeral de Aurélio Ciengo e a jovem Cristina Jamba de 22 anos de idade, agredida a 21 de janeiro .

No primeiro caso, o agressor terá entendido referir que terá recebido orientações do Vice - administrador e 1ºSecretário do MPLA em Kamakupa, Albertino Paz Satunga, que terá proibido quaisquer contactos com indivíduos da UNITA.

No segundo caso, o argumento da agressão é o facto da jovem em causa ter levado consigo o seu cartão de membro da UNITA, e ter-se hospedado nos anexos da casa do primeiro Secretário municipal do MPLA, Albertino Paz Satunga, na Rua 5 de Kamakupa.

Neste ultimo caso, a agressão levou a que a Jovem esteja a receber tratamento médico no hospital municipal de Kamakupa.

Estamos em ano eleitoral e estes momentos acirram ânimos, fazem recordar emoções antigas e conduzem a actos de vandalismo puro, como os acima referidos que, a serem verdadeiros, exigem o repúdio de todos os angolanos e a tomada de medidas que impeçam a sua generalização.

Não sou dos que acreditam que este estado de espírito venha a ser o dominante nesta fase eleitoral que Angola viverá.

Na verdade, pelo contrário, estou em crer que nem o MPLA nem a UNITA aceitarão que seja este o ambiente político em Angola, depois de 5 anos de uma Paz significativa em quase todo país, à excepção do vivido em Cabinda.

Nesta região, como sabemos, Angola vive a fricção resultante dos desejos autonomistas de parte significativa, se calhar a maioria dos cidadãos de Cabinda, acirrados também por interesses estranhos a Angola, pelas razões conhecidas – o petróleo e a má gestão desta produção quanto ao seu impacto regional.

No restante país, vive-se um ambiente que potencia uma campanha eleitoral que poderá ser dinâmica, mas não violenta.

Vi também, recentemente, noticias (e vinham de meios das Nações Unidas), segundo as quais o governo de Angola pretendia impor uma política de genocídio em Cabinda.

Não me parece que tais notícias sejam credíveis, sendo certo que a conflitualidade em Cabinda é enorme e geradora de uma violência que poderá aumentar nesta fase eleitoral.

É no entanto verdade, pelo que sei, que a repressão é o ambiente dominante em Cabinda, o que é, já o referi, um erro de palmatória por parte do Governo de Angola.

Mesmo assim manter-me-ei optimista quanto ao ambiente dominante no processo eleitoral.

No entanto, urge denunciar erros do tipo dos que acima relato, de forma a conter aqueles que vivem ainda em um estado de espírito revanchista.

Os e as militantes e simpatizantes da UNITA têm todo o direito de expressar publicamente as suas simpatias, e os seus projectos políticos para Angola.

É a regra essencial da Democracia – a livre expressão da Opinião.

Mais, a livre associação publica com os e as que com ele(a) defendem os mesmos pontos de vista, dimana dessa mesma regra.

Não confundamos, entretanto, a arvore com a floresta.

Um caso, não faz o caso.

Mas, em Democracia e em momentos de tensão como são o pré eleitorais, há que prevenir e denunciar o erro.

E aqueles que como eu o que mais desejam é a Democracia em Angola, têm como dever denunciar o erro, o um caso, sem fazer dele o caso.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:49
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