Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Não há Crise…

(citando, mais ou menos, Thabo Mbeki…)







O Movimento em Defesa da Escola Pública vem dizer-nos que, “a única parte vitoriosa das negociações foi a do Ministério da Educação, que levou ao "recuo dos sindicatos".”, enquanto que Santana Castilho, “insigne” cronista de o PUBLICO, afirmou no plenário convocado pela entidade acima, em Coimbra, que o sucedido seria “porca política”.



Já os Sindicatos, a FENPROF enfim, afirmam que começavam a ver, escola a escola, o cumprimento do regulamentado e antes de tudo perderem, negociaram.



Não há crise. (?)



A par, também neste fim de semana, no Zimbabwe, Mugabe (e o seu hitlerzinho ), impuseram à Comissão Nacional de Eleições uma recontagem dos votos em todas as urnas onde o partido deste ditador africano perdeu, mas já o Supremo Tribunal Zimbabueano proibia uma tal recontagem pois ninguém tinha tido acesso aos resultados eleitorais, desde 29 de Março, (enfim…já lá vão 15 dias…).



Não há, pois, crise. (?)



Por um lado, os professores representados pelos seus sindicatos, são acusados, por professores, representados pelo Movimento em Defesa da Escola Pública, de traição à luta desenvolvida até este fim-de-semana. Por outro lado, a SADC, a entidade que representa a sul do Sahara, África, entrega a Mbeki, que já disse que não havia qualquer crise no Zimbabwe, a solução das eleições neste país…



É, em ambos os caso, o que dá tentar cavalgar corporativismos e castas…



De um lado, o dos professores, alguma dita Esquerda, procurou cavalgar os temores dos Professores quanto a uma necessária mudança, mas, a meio, os interesses basistas separaram-se dos interesses das quotizações sindicais….



Antes do mais, note-se que defender a escola pública é o mesmo que exigir o direito a respirar – repare-se, não a respirar ar puro, mas sim a respirar. Hoje ninguém defende um sistema de ensino onde não haja escola pública. Nem Fukuyama, nem os “neocons” de Bush, conseguem tal prodígio, o de defender a inexistência de uma escola publica. A economia de mercado exige uma crescente qualificação das Pessoas, pelo que cabe ao Estado, por via dos impostos que todos pagamos, o encontrar soluções para que essa qualificação aconteça.



O tempo do sr Friedman já acabou…



Mas será que escola pública é o mesmo que escola de funcionários públicos? E escola de funcionários públicos é o mesmo que escola de professores?



O acima referido movimento parece entender que sim…



Na verdade, nem entendo, neste contexto, este ataque dos professores a este governo.



Foi este governo que entregou às escola públicas, (para as manter abertas diga-se, para criar postos de trabalho aos professores das escolas publicas, diga-se), a responsabilidade de abrir a percentagem de Cursos Profissionais e Profissionalizantes que corresponderá a 50% da população escolar, em 2015. Poderia não o ter feito, sem sequer atacar o principio da “escola publica”



Diria eu, cooperador de uma cooperativa de ensino com Cursos Profissionais e Profissionalizantes – bem pelo contrário, na minha humilde opinião, este governo continua a privilegiar, não a “escola publica”, mas sim a escola de funcionários públicos, ao entregar, a estas mesmas escolas, os Cursos Profissionais e Profissionalizantes no montante que entregou e ao deixar as escolas profissionais esvaziadas de novas oportunidades.



Já recebi, diga-se, o epíteto de capitalista desejando só o lucro, por ser fundador de uma cooperativa de ensino. Vindo de um defensor da “escola publica”, um professor meu amigo que, para o efeito, acha que a “escola publica” por ser publica, em si, não era reaccionária, nem capitalista.



Ah Cohen Bendit que dirias tu de tudo isto em Maio de 68, se soubesses o que sabes hoje….!



Porque, na verdade, sou defensor do cheque ensino.



Isto é, do financiamento, oriundo dos impostos dos cidadãos, às escolas que forem escolhidas pelos alunos e seus encarregados de educação, a todas, “publicas” e “privadas”, permitindo-se assim, a sã concorrência entre modelos de ensino diversos, mas todos centrados na Qualidade do Ensino.



Tal modelo é menos escola publica que o modelo das escolas de funcionários públicos?



Por não ser uma escola de funcionários públicos?



Soa-me a falso. Soa-me a tão falso quanto o que Thabo Mbeki disse sobre o Zimbabwe, que aí, “não há crise”.



Não há crise no Zimbabwe? Eu diria que, aí, a crise é crescentemente global.



Crise de valores em primeiro lugar, pois a tolerância étnica desapareceu no Zimbabwe.



Crise social em segundo lugar, pois o populismo pôs em causa a estruturação social zimbabueana, pois o desemprego grassa, pois a fome alastra.



Crise económica em terceiro lugar, porque a economia atingiu o ponto mais frágil de sempre no Zimbabwe, com o desaparecimento, sem criação de alternativa, da economia que tinha como base a exploração, em grandes fazendas, da agricultura.







Crise ambiental, em quarto lugar, pois sem tratamento das terras elas esvaiem-se, degradam-se dia a dia.



Crise politica finalmente, pois a África, de casta dominante e corporativista, da SADC, está a teimar apoiar um ditador que a população do Zimbabwe já rejeitou!



É curioso ver como os “liberais” portugueses são tão escola de funcionários públicos e tão pouco defensores dos Direitos Humanos, onde eles realmente não existem…





O governo, este governo, salvou muitas escolas de funcionários públicos, e muitos postos de trabalho de professores/funcionários públicos, as “escolas publicas” e os funcionários que temos enfim, com a politica que assumiu, de entregar ás mesmas os Cursos Profissionais e Profissionalizantes, em vez de os distribuir pelas Escola Profissionais existentes, todas elas gerindo mais o menos sagazmente, mas com enorme dificuldade, orçamentos cada vez mais difíceis de gerir, mas bem melhor que as “escolas publicas”, pelo menos neste segmento que é seu.



O governo fê-lo porque entendeu defender os postos de trabalho de pelo menos 20% de professores que em situação diversa estariam sem colocação nas escola publicas, estas escola publicas de funcionários públicos.



É uma opção que não tem o meu acordo, à excepção do facto de se ter entendido que assim se defenderiam melhor os postos de trabalho dos professores. Eu defendi a existência de parcerias publico/privado neste contexto há já que tempos!



Nem tem o meu acordo que assim se defendem melhor os postos de trabalho dos professores. De facto, uma redistribuição destes professores por todos os modelos de escolas, assim como dos Cursos Profissionais Profissionalizantes, daria bem melhor resultado.



Como, no Zimbabwe, daria bem melhor resultado retirar o sr Mugabe, (e o seu hitlerzinho),do poder.



Neste país, felizmente, ainda existe um Supremo Tribunal que pôs em causa as opções de casta, da casta dominante na SADC.



A ver vamos o resultado.



E em Portugal, felizmente que os Sindicatos e a Ministra da Educação souberam encontrar o ponto de encontro capaz de gerar um Acordo.



Veremos também o resultado.



Mas que há crise, isso há.



E que a crise nem sempre é má, lá isso é verdade.





Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:23
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