Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Angola – as denuncias, os desesperos, os aproveitamentos….

Recebi o youtube abaixo, que devem ver com sentido critico.


Trata-se de uma vídeo/reportagem feita em Angola por um cidadão anglófono, anti Bush, talvez também antiBlair, ao que parece dois anos depois da Paz se iniciar em Angola, em 2004 portanto…



Como sabem muitos dos que me lerão não sou um defensor do Regime Angolano. Fui aliás sancionado pelas Nações Unidas/União Europeia/Estado Português, por ser um forte critico do Regime de Angola.



A situação de miséria, de uma fortemente inadequada Distribuição da Riqueza, de inexistência de um Estado Social em Angola, de um Regime pré Democrático em curso, (com próximas eleições), de exploração descontrolada dos Recursos Naturais, petróleo e diamantes, (onde vai o tempo das campanhas contra os diamantes de sangue…contra a UNITA do dr Jonas Savimbi na verdade), é ainda a realidade em Angola, a par da criação de uma elite dominante detentora de significativa riqueza como é evidente.



Aliás, sou dos que entendo que Angola sofre um processo de evidente “mexicanização” – grande pobreza e forte concentração de Riqueza na elite dominante, com forte probabilidade de a mesma elite se manter no Poder para os próximos mais 40 anos, (para fazer os 70 anitos do PRI Mexicano…) – pois as Oposições se encontram significativamente fragilizadas.



Ao mesmo tempo, quase, que recebia este vídeo do youtube, recebia eu as noticias sobre a Conferência do BES e a intervenção do inefável Bob Geldof que acusava o regime de Angola de corrupção e de crime. Mau tiro promocional para o BES, banco respeitável note-se, mas que não soube atender às especificidades do momento angolano – eleições, conflito Anglofonia/China, em Angola, questão zimbabuana – e que viu uma actividade de interesse ser transformada em momento de campanha angolana.



Note-se que até simpatizo com o sr Geldof, note-se que até sei, todos o sabemos, que Angola vive um momento de concentração da riqueza nacional, tal qual o viveram os EUA nos anos 30 do século XX, por exemplo, que gera sempre forte instabilidade social, (e política), e portanto de uma horrível distribuição da riqueza.



No entanto, Angola já viveu momentos bem piores. O período de destruição e de estatização da economia vivido nos anos 75/80 do século XX foi bem pior do que a hoje vivida.



Hoje, pelo contrário, assiste-se a uma fase de recuperação económica, de alargamento do tecido empresarial, de reconstrução infraestrutural, (estradas, aeroportos, telecomunicações, parque habitacional), onde a empregabilidade cresce a olhos vistos e portanto, onde a Riqueza Nacional inicia um processo de Redistribuição por entre as camadas sociais mais pobres, que recomeça ainda a usufruir de uma Agricultura que dá, de novo, os primeiros passos.



Assim, a mexicanização que acima refiro está a ser feita em um contexto de menor risco para os Mais Pobres do País, o que não significa que não esteja a acontecer a concentração da Riqueza já acentuada por mim.



A denuncia destas realidades sociais ainda assim muito difíceis é sempre vantajosa pois ela acentuará uma pressão dos opinion makers, em especial os do interior, sobre a elite dominante, de maneira a reforçar o processo de Redistribuição já iniciado.



Tal será certamente positivo para os Angolanos Mais Pobres, a larga maioria dos mesmos. Como permitirá reforçar o papel dos que aceitam e procuram promover as regras da Governação Democrática e esvaziará os que se mantêm em sentido contrário e olham para a Vantagem Competitiva que a Parceria com a China traz, não no seu contexto de recuperação económica, mas sim no contexto de aceitação do seu regime totalitário.



O que também será particularmente útil para toda a Angola.



Mas na verdade, estamos a assistir tanto a razões justas para esta campanha – a necessidade de uma mais perfeita Redistribuição da Riqueza Nacional Angolana, a necessidade de abrir espaço às frágeis Oposições Angolanas – como a razões um pouco mais obscuras – a critica da aproximação de Angola à China e da sua autonomização face aos interesses anglófonos…tenhamos pois atenção ao como passaremos a ler as “noticias” Angolanas.





Joffre Justino






http://www.youtube.com/watch?v=kMOxUZAHNLk
publicado por JoffreJustino às 08:48
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