Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

Um Dia de Trabalho para a Nação! …E a Crise de Hoje (Uma Homenagem a Henrique Coelho, Dirigente da UGT Neste Seu Dia de Aniversário e de Funeral)

Recibo
Recebi da firma----a importância de escudos-----,
correspondente à prestação de um dia de trabalho
normal prestado voluntariamente no dia 6 de Outubro
de 1974 (domingo), como manifestação de total apoio e
adesão à oportuna e patriótica exortação do Primeiro-
Ministro Brigadeiro Vasco Gonçalves.
----------------, 7 de Outubro de 1974.
Assinatura---------------------
(Selo inutilizado conforme o preceituado no art.º 12º
do decreto nº 44083 de 12 de Dezembro de 1961)
In http://joseluis-gr.blogspot.com/2009/01


Pois foi há 36 anos que o brigadeiro Vasco Gonçalves, então 1º ministro de Portugal, cidadão da linha política do PCP, perante a crise que o país vivia, no imediato pós 25 de Abril, impôs um Dia de Trabalho para a Nação.

Muitos portugueses e portuguesas aderiram a este Dia de Trabalho, muitas empresas o aceitaram como benéfico.

Eu tenho, sobre este dia, uma história para contar.

Era então um simpatizante do PCP (ml), linha Vilar e estava a viver a minha primeira semana de trabalho numa empresa. De facto, tinha andado a viver de traduções pontuais, e a viver, claro, a Revolução, para alguns, para mim e para os que militavam no PCP(ml), vivíamos somente um processo de implantação, útil apesar de tudo, da Democracia Burguesa, bem melhor que o Fascismo claro, ou que, como dizíamos então, o socialfascismo que o PCP representava…

Naquela 1ª e estranha semana, em que me puseram a contar pregos e parafusos, nas conversas à hora do almoço, com os colegas, maioritariamente da UDP, (uma das componentes do actual BE), tomou-se uma decisão – ninguém viria trabalhar no dia 6 de Outubro, pois o Dia de Trabalho para a Nação era uma medida burguesa a contestar!

Na 2ª feira 7 de Outubro constatei uma primeira evidencia sobre a revolucionarite de muitos – tinha sido o único a cumprir o acordado!

Nessa manhã, pelas 08h50m depois de quase uma hora de discussão com o “patrão” e de ter obrigado à chegada de um “nívea” da PSP, recebi um cheque com a paga da semana de trabalho e fui enviado para o desemprego, onde estive largos meses.

A imensa maioria dos e das portuguesas tinha aderido à palavra de ordem do 1º ministro, e do PCP.

Para participar na Resolução da Crise então Vivida e para me mostrar como eu estava errado.

36 anos depois vivemos, de novo, uma crise fortíssima.

Imposta do exterior, da nossa dependência do exterior, em mercados, em energia, e financeiramente.

Porque, reafirmo-o, a crise de raiz interna ainda não chegou…mas está aí à vista, com a não venda de imóveis, por exemplo, a atestá-la.

E o Desemprego, claro, no sector privado.

O delapidar dos fundos da CEE/UE são uma das raízes dominantes da crise vivida.

Muitas auto-estradas, muitos polivalentes em betão, e quase nenhuma dedicação à Qualificação das Pessoas, sustentaram o emprego, mas não geraram o essencial, a mudança no paradigma da economia portuguesa que continua centrada nos baixos salários , claro, na baixa produtividade, nas baixas qualificações, escolares e profissionais, das Pessoas.

Só neste Governo, neste criticado Governo de Sócrates, com Helena André, a actual Ministra do Trabalho e antiga dirigente sindical da UGT, camarada de Henrique Coelho e antiga dirigente sindical da CES, é que vimos, finalmente, fazer depender apoios ao investimento, da participação de empresários na Formação Profissional, apesar das muitíssimo baixas qualificações, escolares e profissionais, dos empresários, em média, em Portugal.

24 anos depois da primeira entrada dos financiamentos comunitários em Portugal.

E, claro, dos muitos jipões e jipinhos, de muitos pedips desaparecidos 3 anos depois das injecções financeiras nas empresas, para mais jipões e jipinhos…

O curioso é que mos mesmos que hoje são contra o investimento público no apoio à sustentabilidade da economia, se silenciaram, anos a fio, perante o delapidar vivido, no mesmo período.

Daí a crise, grave, que vivemos.

Que nos impõe, claro, sacrifícios enormes.

Sobretudo para os que vivem da economia de mercado, da concorrência, das pessoas que, em Portugal, em média, mais baixos salários têm.

Recordo um texto de Mário Soares, precisamente sobre as crises vividas no país e sobre o Bloco Central, “Para tanto, os Partidos da Oposição, da Esquerda e da Direita, deveriam entender-se entre si - e com o Partido do Governo - pelo menos quanto ao essencial, para se poder estabelecer um consenso possível quanto ao rumo que o País deve seguir. É isso possível? Respondo: tem de ser, porque a força das coisas obriga. No passado próximo, pos-Revolução dos Cravos, foi possível, em dois momentos particularmente delicados: em 1978, quando se subscreveu um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que nos salvou da
bancarrota; e em 1983-85, quando, mediante um esforço muito difícil de equilíbrio financeiro, conseguimos criar as condições para a nossa entrada na CEE.”, (in http://www.fmsoares.pt/mario_soares/textos_ms/002/351.pdf ).

Teve pois Portugal, em 3 momentos destes 36 anos de Democracia, de tomar medidas duras para superar as crises então vividas. Em uma delas, durante uma governação dominada pelo PCP.

Dirão, foi por isso mesmo que os trabalhadores aderiram.

E, de certa forma é verdade.

Porque é necessário explicar bem as medidas duras que têm de ser tomadas, não poucas vezes pelos Governos.

Recordo as dificuldades que tivemos, no movimento sindical democrático, (a sua ala esquerda, a FETESE, onde eu trabalhava, liderada pelo saudoso António Janeiro, da UGT, mas bem critica e actuante, como também os dirigentes da UGT como Henrique Coelho e Torres Couto), em explicar as medidas do governo do Bloco Central, pois se apesar de necessárias, eram mesmo impopulares e foi bem difícil gerir o debate ideológico entre o PCP e a UDP, e, claro, o PS, o PSD e a UGT .

Estas explicações dão-se melhor no terreno social, nas mesas de negociação colectiva de trabalho, nos debates de ideias, pelo que urge dinamizar quem esteja disponível para apoiar a superação da crise.

Não deixando que interesses lobistas, que hoje infelizmente o PCP e o BE defendem, e que os levam a esquecer-se do Dia de Trabalho para a Nação, possam travar a necessidade de empenhar o maior nº de Pessoas possível nas soluções que permitam que se reposicione este país nesta economia global.

Mas que potencie um reposicionamento desde o inicio do combate da crise, Solidário, Cooperativo, Comunitário.

E sem duvida contando com todos os que saibam pôr o combate contra a crise em 1º lugar e, entre eles, sem duvida este PSD liderado por Passos Coelho.

Neste dia, em que acontece o funeral de Henrique Coelho, dirigente da UGT, (que me deu a honra de ser meu amigo, além de camarada, sindical e socialista), é num combate renovado pela renovação, sustentável, desta economia globalizada, muito nossa, antigo Império que fomos, que o recordo.

Porque Henrique Coelho foi também um Homem de Combate, pela Democracia, por um Socialismo Democrático, por um Mundo Melhor, em Portugal e fora dele.

Por isso também me apoiou nos combates que fiz em Angola.

Por isso, neste dia em que tenho de recordar à Esquerda, comunista e bloquista, o Dia de Trabalho para a Nação, recordo Henrique Coelho e os combates que fizemos em prol da superação da Crise de 1983/5.

Onde foi necessário explicar porque é que o 14º mês tinha de ser entregue ao Estado, tal qual o Dia de Trabalho para a Nação, tal qual teremos de apoiar o Governo nas medidas que sejam necessárias para reforçar a economia em Portugal, sustentadamente.

Na certeza que tenho que teríamos connosco, neste novo Combate Democrático, o Henrique Coelho.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 12:52
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