Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Os Caminhos da Globalização Portuguesa?

Angola é de novo o eldorado português.

Angola com um crescimento previsto do PIB em 2008 de cerca de 16%, e sendo já a 3ª maior economia africana sub-sariana, apresenta-se, já, para mais de 200 empresas de capitais maioritariamente portugueses, como um mercado de referência nesta globalização, hoje um pouco em cheque com a crise que vivemos.

E ainda bem que é um mercado de referência, pois a estruturação do Futuro tendo em conta as vivências do passado são essenciais para a estabilização das sociedades, por muito que alguns pensadores procurem “determinar” o contrário…de facto, as vivências neocolonialistas, feitas a partir do desprezo do passado, vividas em África, mostraram-se completamente destrutivas.

Angola é um espaço geográfico, social, cultural, consanguíneo, económico e político, construído no contexto de um dos Impérios mais duradoiros do Mundo Humano, o Português e as referência de interpenetração entre os dois países são particularmente importantes, estando bastante para além da presença das 200 empresas acima referidas, ou mesmo das perto de 2000 empresas que para Angola exportam os seus bens e serviços.

É por isso natural que, no campo das empresas e organizações de promoção de mercados, Angola seja um “Bem que vende bem”, estando os Seminários, Workshops, Conferências etc onde ela seja o tema, seja qual for o tema concreto, bem recheados de empresários e potenciais investidores.

Por outro lado, o governo de Angola ajuda a tal, mesmo quando começa e bem, demonstrando uma noção de estratégia de longo prazo de louvar, a exigir uma presença forte de capitais angolanos no capital social das empresas sedeadas em Angola. No entanto, a par de tal exigência, tem também criado importantes medidas incentivadoras ao investimento, em especial para investimentos em regiões do País mais necessitadas de intervenção económica inovadora, como o Moxico, o Cuando Cubango, ou o Cunene, a título de exemplo, regiões que bem sofreram com a guerra civil.

Mas não é somente Angola que ajuda a tal.

Um Acordo de Protecção Recíproca de Investimento, entre os dois países, saído a 10 de Outubro de 2008, é mais um elemento potenciador do reforço relacional com Angola e acompanha um esforço legislativo angolano de incentivo ao investimento – como as leis 11/03 de investimento estrangeiro, ou a lei do investimento privado – e ainda institucional, com a criação da Agência Nacional do Investimento Privado, (que, parece, irá ser transformado em Ministério do Investimento Privado).

Por isso Angola é, já, o segundo mercado de exportação português fora da União Europeia e também o sexto mercado mundial dos bens portugueses e nele estão os 4 grandes bancos portugueses – o BPI, o BES, o Millenium BCP, e a Caixa Geral de Depósitos – ou as 4 maiores construtoras – a Mota-Engil, a Soares da Costa, a Edifer, a Somague, ou a Teixeira Duarte – como referências empresarias.

Nesta área das obras públicas, e da reconstrução do País, aliás, após todos os anteriores anos de guerra civil, é de relevar o conjunto de actividades neste segmento, onde as empresas portuguesas, como se vê, têm apostado, pois Angola estima, neste seu plano de reconstrução, a título de exemplo, a construção de 1500 pontes, 12 mil quilómetros de estradas, 4 estádios de futebol para o CAN 2010. Sem esquecer a recuperação, muita a título privado, dos edifícios das cidades e vilas do País.
Aliás, nem se pode dizer que o plano de reconstrução acima se possa considerar ambicioso. Na verdade, Angola já foi o país de África com as melhores infra-estruturas de impacto social e económico, nos inícios da década de 70, antes da Independência, (mais uma razão para a forte relação com Portugal, diga-se).
Dir-se-á que construir 4 estádios de futebol é um luxo para um país subdesenvolvido. Não me parece. Na verdade, a afirmação de Angola no contexto desta globalização passa pela sua afirmação em actividades que lhe dêem visibilidade e o futebol tem, sem dúvida essa característica.
Uma nota importante é a forma como Angola resolve a formação dos seus Quadros – são as empresas estrangeiras que, com o investimento que realizam passam a ter a responsabilidade de formar Angolanos e assim privilegiar, gradualmente, os quadros de chefia de Angola.
Tais medidas, a par com uma já antiga política de incentivo da formação de quadros fora de Angola, tende a criar as condições para uma qualificação acelerada dos recursos humanos angolanos, essencial para um Desenvolvimento Sustentado do País.

A par de Angola, como se sabe, Portugal tem ainda apostado em outros mercados emergentes, como Moçambique ou a Venezuela. Tratam-se de bons caminhos de sustentação da economia portuguesa, que têm sido fortemente incentivados pelo actual governo português, e com bons resultados.

É por tal que há que ter esperança e há que acreditar que Portugal superará esta crise de adaptação a uma Globalização que, para se cimentar, precisa, ela também, de ser feita de forma Sustentável.

Como está a ser, em Portugal e em Angola.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 08:56
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