Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

A DERROTA DOS SOCIALISTAS…?

“…esta escola de pensamento criminoso

fundada por Milton Friedman que queria

acreditar que o óptimo é o equilíbrio de

mercado e que com quanto menos

regras se tem mais possibilidade de se atingir

o óptimo…”

(in Michel Roccard, entrevista ao

Le Monde, 01.11.08)



Pois é, se lemos um socialista de antanho, como já o foi António Barreto, e o comparamos com Michel Roccard, que António Barreto até conhecerá pessoalmente, acredito-o, percebemos o como mal caminhamos na gestão do pensamento deste país que é Portugal.

Não é que não seja natural mudar-se de opinião, filosófica, política, clubistica até.



Mas convém não esquecermos o nosso passado e não lavarmos o mesmo, sem mais.



António Barreto, em um seu texto, A Luta Final, (belo titulo!), chega a citar a Constituição da República de 1976, “da autoria de ambos, preconizava “a apropriação colectiva dos principais meios de produção e solos, bem como os recursos naturais”, sendo que os ambos autores seriam os comunistas e socialistas.



O que não é verdade.



Neste texto citado, à Constituição da Republica de então aderiram, com mais ou menos empenho, sociais democratas, centristas e, claro, a UDP.



Lá a razão da adesão cabe ao mesmos assumi-la, mas escondê-la é que não é serio. Como é menos sério esconder-se que António Barreto, à época, também não fugiu ao voto favorável à tal frase.



Eram outros tempos dir-se-á.



Claro. Só que eu, que fui, à época, maoísta, não escondo tal, (fiz até parte de um Partido político proibido de se candidatar à Constituinte de 1975, o PCP-ML…



Marx, aliás, arrepiar-se-ia com a colecção de asneiras contidas na nossa “marxista” Constituição…a começar por esta frase, completamente antimarxista. Colectiva? Mas colectiva de quem?, diria ele.



Na verdade, andou, entre 1974 e 1979, meio mundo, à esquerda, a enganar outro meio mundo, com fraseologias “marxistas”, mas pejadas de erros marxistas, como o que referi acima…



E António Barreto, como eu, (ainda que menos pois não votaria tal estupidez), não o nego, entre eles…



De seguida vieram os anos do domínio do neoliberalismo.



Os anos 80 dos yuppies, da Bolsa de NY, do sr Reagan e da sra Tactcher, que, em Portugal, dado o atraso do debate de ideias existente no espaço de expressão portuguesa, desde os anos 30 de António de Oliveira Salazar, continuaram até aos dias de hoje.



Nesses anos, a pressão dos meios intelectuais conduziu a que o Estado, que na Europa não foi mais que um Estado de Bem Estar e não um Estado de “apropriação social dos meios de produção”, foi reconduzido a um estatuto menor, e, assim, facilmente reduzido no seu peso sobre a Economia e a Sociedade.



Pressão que se tornou acrescida quando, em 1989, a URSS faliu com a queda do muro de Berlim e o golpe de estado contra Michail Gorbachev, (lembram-se? Quando o PCP assumiu estar com os golpistas e contra o Estado “comunista” ainda “existente”…)…dando origem a anos seguidos de fome, miséria e destruição de tecido empresarial na Russia e nos países de leste, pelas politicas neoliberais hoje por todos lamentadas…



Mas, a par do sucedido nessa parte do planeta, há que recordar a destruição vivida no Chile, anos antes, com o golpe militar anti Allende, mas que se alargou a quase toda a América Latina, que ainda hoje dela, destruição, não se recuperou e a destruição dos já de si fracos Estados Africanos, da qual nasceram os anos de suicídio em que África vive hoje.



É evidente que, depois de anos de aplicação do pensamento da “escola de pensamento criminosa”, há sem dúvida que salvar o que resta.



E antes de se pensar em salvar a economia de mercado, conceito bem distinto de capitalismo, na minha humilde opinião, ainda que não somente minha, haverá mesmo que salvar o capitalismo, porque nele vivem mais de metade da população mundial.



Ora com a vida das pessoas não se brinca, pois sem elas não há economia possível, já que elas são as produtoras, as distribuidoras e as consumidoras do que resulta da actividade económica, convém, sempre, lembrá-lo.



É neste contexto que surge a vitória eleitoral de Barack Obama, Hussein também, (recorda Faranaz Keshavjee, estudiosa de temas islâmicos, e bastante presente no jornal Publico.), que, como se tem visto, muita dor de cotovelo tem gerado, à Esquerda e à Direita, a nível mundial.



Trata-se mesmo de se fazer um esforço para salvar o planeta de uma crise global, onde desde a problemática ambiental, à distribuição da riqueza, á necessidade de se reinventar, de novo, o Estado e a regulação dos múltiplos interesses existentes na economia mundial globalizada, aos direitos humanos, tudo está em jogo.



Os socialistas terão pois de fazer a implementação de políticas pragmáticas, onde o espaço do social se mantenha, passando esse por regulações entre parceiros sociais internacionais, legislações nacionais, reforço da livre circulação de bens e serviços, regulação eficaz da livre circulação de capitais e efectivo incentivo da livre circulação de pessoas.



Nesse percurso, Portugal que já teve uma mulher primeira ministra, em 1979, e nada mais fez no campo da visibilidade da igualdade de oportunidades terá sem duvida oportunidade de colocar no poder uma cidadã indo-afro-luso-muçulmana, e garantidamente bem antes do Irão colocar no poder, ou a Arábia saudita, ou Angola, um caucasiano-afro-cristão.



Porque nas sociedades abertas as pessoas aprendem mais rápido que nas sociedades fechadas, e implementam medidas também mais rapidamente.



Há quem chame a tal a derrota final. António Barreto fá-lo.



Outros, de mais bom senso e menos complexos de culpa, chamarão de o caminho do progresso.



Joffre justino
publicado por JoffreJustino às 11:51
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