Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Os Cidadãos Exigem Uma Esquerda Diversa Mas Eficaz e Mais Unida

As sondagens podem não explicitar tudo, mas dão, têm dado, em geral, boas orientações, pelo que vale a pena, pelo menos, pensar nelas.



Ora, a politica de desgaste do governo, que tem sido trabalhada intensamente por toda a Oposição, tem mostrado, nas sondagens, resultados negativos para quase toda a Oposição, excepção feita pelo BE, o seu único grande ganhador, ainda que ao CDS caiba alguma fatia de sensação de vitória obtida.



Reparemos nestas recentes sondagens do EXPRESSO, com 1030 entrevistas, cobrindo todo o país e atendendo aos temas quentes de hoje, (como a avaliação de desempenho dos professores, ou o caso BPN, segundo ficha técnica da mesma sondagem) – o PS fica no limiar da Maioria Absoluta, sem qualquer campanha eleitoral e o primeiro ministro continua em ascensão.



Enfim, segundo esta sondagem, que só vem aliás reforçar anteriores, onde a ministra da educação continuava com largo e em crescendo apoio, a ilação, à Esquerda, a tirar, é que a direcção, maioritariamente comunista, da FENPROF, tem trabalhado para a boa imagem do BE, assim como é que o PS mostra ter, entre os Cidadãos, sustentabilidade na sua politica reformista.



À Direita quem capitaliza, sem dúvida é o populismo de Paulo Portas, (e, com esta gaffe, ou demonstração de apoio ao reformismo no Ensino, recente, dos deputados sociais-democratas, pela ausência, certamente que ainda mais, porque ninguém, no PSD, assumiu um apoio, publico e expresso, à política reformista do Governo).



Os 10%, mínimos essenciais para que haja noção de vitória, para o PCP e o CDS, de qualquer forma, ainda não foram atingidos e, curiosamente, à Esquerda, tudo indica que esses mínimos serão mais facilmente atingidos pelo BE, que não os esperava para já, que pelo PCP, a seguir a linha que tem seguido, enquanto que o CDS, com uma Manuela Ferreira Leite em recuo, ainda pode esperar atingir esses tão desejados 10%.



Porquê? Tudo indica que os Cidadãos entendem que o PCP continua, por um lado, e no terreno social, a reboque do BE e, por outro, no plano ideológico, demasiado amarrado a um passado que não tem prova de poder voltar.



Na verdade, na luta social, não se pode estar, como já esteve o PCP e a CGTP e bem, muitas vezes, (aliás lideraram, com largo brilho técnico, alguns dos processos de integração dos modelos de avaliação de desempenho), a favor de Modelos de Avaliação de Desempenho e, ao mesmo tempo, numa classe profissional de elite, estar contra.



Tal posicionamento confunde os Cidadãos, como está bem visível.



No campo ideológico é certo que a posição do PCP é bem mais difícil.



Ser-se marxista, hoje, depois do desastre da URSS, não é coisa fácil.



No entanto, estou em crer que o problema central do PCP, não é ele ser marxista, mas sim teimar em referências, inexistentes, quer em Cuba, quer na China.



Vivemos tempos abertos.



Hoje são muitos os turistas que se passeiam por Cuba, e não poucos empresários que visitam a RP da China. Empresários Portugueses, diga-se.



Que transportam para a sociedade portuguesa o como se vive nestas duas sociedade.



E vive-se mal.



Por causa das sanções? ~



Não, a RP da China não as tem.



Tão-somente porque o governo cubano governa mal, sustenta a elite do PC Cubano e não o seu povo e porque as migalhas venezuelanas, que refira-se tem uma governação populista mas adequada às necessidades da América Latina, não alimentam os cofres vazios das verbas que não vêm da antiga e desaparecida URSS.



Porque o cidadão turista, e ou empresário, vê miséria, vê prostituição e vê ostentação e corrupção, para as minorias, em Cuba e na RP da China, como em Portugal.



A experiência soviética, mesmo a de Lenine, falhou.



Há que inventar outro percurso para a mudança social é há que ter humildade na busca desse percurso.



Nada impede, claro, vivemos em Democracia, que o PCP siga o percurso do radicalismo.



É do seu direito fazê-lo.



São os comunistas, na esquerda portuguesa, uma força essencial e têm direito ao seu percurso próprio.



Mas será um erro crasso, sobretudo para o PCP, que enquiste nessa radicalização, ainda por cima com discursos díspares, contraditórios entre si, consoante as camadas sociais a quem se está a dirigir.



Como tal erro será negativo para a possibilidade de uma governação sustentada, à Esquerda, em Portugal.



Daí que uma governação em Lisboa, à Esquerda, em coligação PS/PCP, seja fundamental para o retomar, de forma lenta, um diálogo que não pode limitar-se a um diálogo entre franjas descontentes, como parece preferir o BE, satisfeito em dirigir-se aos apoiantes de Manuel Alegre.



Para já porque essas franjas descontentes são cada vez menos significativas.



E, por outro lado, porque a diversidade é essencial à Esquerda.



Como eu, muita Esquerda é, cada vez mais ela o é, por uma economia de mercado, centrada na competência, numa competitividade competente, na solidariedade para com as pessoas mas também entre organizações, pela redistribuição do lucro obtido e do know how adquirido, na transparência de processos, de métodos e de princípios, num contexto de uma globalização que não se faça com a miséria dos outros, mas para o enriquecimento de todos, que não se faça pela delapidação dos recursos, mas com a sua boa gestão, que não se faça contra o planeta, mas tendo em conta que o mesmo nos foi entregue para que o soubéssemos gerir, para demonstrarmos que o sabíamos gerir, tendo em conta as gerações vindouras.



Nunca me canso de referir o velho versículo, da Bíblia, "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico chegar ao reino dos céus", para acentuar que,

O ser difícil que um rico chegue ao reino dos céus não significa ser impossível

O que está inerente a este versículo é a incapacidade de muitos ricos em aceitar o seu papel na distribuição da Riqueza, que, hoje, passa por efectivas politicas gestionárias de Responsabilidade Social, nada mais

O exemplo do ora vivido na Grécia, toda a violência, Maio68 que assistimos nas televisões são uma evidência das consequências dos abusos, do resultado da avareza, da falta de solidariedade demonstrada



Por outro lado, a Esquerda é constituída por Pessoas que têm entre si e no meio da imensa diferença que as distingue e individualiza, o princípio do Livre Arbítrio.



O que significa que o erro é uma das nossas características.



Somos filhos de Deus, mas nunca o substituiremos, apesar de o permanente aperfeiçoamento seja o desejo, nosso e de Deus.



Ou, se quiserem, para os não crentes em Deus, somos por natureza imperfeitos, pelo que, tendencialmente, cometemos mais erros que actos acertados, mesmo quando vamos afinando a resolução das imperfeições.



É neste contexto que se encontra o PS, ou, se quiserem, os vários PS, que comungam entre si no desejo de um aperfeiçoar permanente das comunidades humanas.



Cabe ao Partido Comunista Português, cabe claro também ao Bloco de Esquerda, entenderem esta Esquerda, reformista, evolucionista, como nos cabe entendê-los a eles também.



Mas se continuarmos a seguir o rumo dos esforçados ataques uns aos outros, ganhará com tal a Direita.



O que, para nós, Esquerda do Centro, não é dramático.



A Democracia é assim.



Será somente uma perca de tempo e uma perca de uma enorme oportunidade, tendo em conta que a Direita vive também tempos de repensamento interno, de reformulação partidária e ideológica.



Por isso e porque reconheço em Lisboa boas demonstrações de boas gestões autárquicas comunistas, em não poucas Juntas de Freguesia, e, no passado também na Câmara Municipal de Lisboa, é um desperdício a não aprendizagem conjunta das boas experiências, em nome da melhoria da Vida dos Cidadãos, o não surgir de uma Coligação de Esquerda para Lisboa, que sustente a actual governação, eficaz, de António Costa.





Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 11:14
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