Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

PROFESSORES E AVALIAÇÃO UMA NOVELA COM CONTORNOS POUCO CLAROS, Um Texto de Francisco Ene

Ingredientes e personagens:



- Um Ministério corajoso, mas inepto.

- Um Sindicalista (como todos) com ambições políticas desmedidas.

- Cerca de 70% de professores que não estão dispostos a abrir mão do confortável percurso de carreira, sem qualquer avaliação credível que os obrigue a provarem que são, de facto, competentes.





O Ministério

Louve-se a coragem da mulher. De todos os ministros da educação, a única "com eles no sítio…" e a única com um alfobre de ânimo capaz de resistir a todas estas a avalanchas de gente nas ruas, bem ao estilo populista do PREC, bem como o tradicional rancho folclórico de uma oposição de políticos abutres, que não despreza uma única oportunidade para recolher dividendos políticos de uma contestação populista, mesmo que desdizendo e vomitando aquilo que sempre disseram e defenderam (PSD).

Por muito menos já se demitiram ministros, incapazes de se mostrarem com a bravura necessária para enfrentarem a adversidade às suas ideias e convicções.

Erra a ministra quando engendra um sistema de avaliação (urgente e imprescindível) eivado de erros e inconsistências, dando de bandeja aos professores, mas essencialmente aos sindicatos, matéria mais que suficiente para um praguejo ignóbil, e por vezes indigno da classe, procurando convencer a opinião pública que a berraria de rua volta a ser a voz da razão.

Nenhum parente cairá na lama por via de uma manifestação ruidosa de rua.

Mas não se esqueça o professor, após o alvoroço do dia anterior, de explicar aos seus alunos que é pelo diálogo e pelo bom-senso que estes hão-de resolver os seus problemas e explanar as suas ideias, se é que isso, na verdade, ainda se constitui num valor em que os professores de hoje acreditam.

Ou é esta a sociedade que temos vindo, de facto, a criar e queremos continuar a construir?



O Sindicalista

Mário Nogueira é professor. Não sei se terá chegado a dar aulas mais de meia dúzia de anos. O seu furo e a sua ambição desde cedo, segundo os que o conhecem referem, foi a política, via sindicalismo. Alguns dizem que nunca o viram dar aulas. A ver vamos que salto de trampolim executará este militante do Partido Comunista, após esta tão bem sucedida campanha anti-ministério, anti-governo e anti-ensino.

Mário Nogueira corre uma maratona que lhe bateu à porta no momento crucial do seu percurso político. Foi uma onda cuja oportunidade ele não poderia perder de cavalgar. Ele sabe que terá de vencê-la para o último fôlego que faltava.

As pérolas de MN ao longo desta saga são muitas. Ressaltar apenas que, para MN, intransigência é o ME não abdicar de discutir apenas o seu modelo (como organismo de tutela, pelo menos ainda, no seu pleno direito de o propor e de o fazer), intitulando de firmeza a sua posição inflexível de nem sequer se dignar aceitar discutir o modelo do ME. Intransigência do ministério é este ter ido cedendo, transigentemente, nos pontos de maior controvérsia da avaliação e MN responder que se o ministério transige é porque a proposta não presta.

O que incomoda não é a ideia nem a insensibilidade; é o despudor.

Estranha forma esta de diálogo e de vontade de resolver os problemas. Porque me vem à memória a expressão "política de terra queimada" só o meu subconsciente o poderia explicar.

MN levará por diante esta sua luta pessoal e irá ganhá-la, porque este é o país que temos, e ele sabe-o bem.



Os Professores

Os cerca de 70% de professores que se calcula manifestarem-se contra "esta" avaliação, estão-no, de facto, contra "a" avaliação; qualquer avaliação. A avaliação que os obrigue a terem que trabalhar com seriedade e empenho para poderem ser avaliados e catalogados de acordo com a sua competência e o seu valor de professores conscientes e válidos. A pergunta continua de pé e é muito simples:

- quem se propõe aceitar ser avaliado com seriedade para ser escalonado hierarquicamente na carreira com fins de progressão, quando o modelo inócuo e oportunista que sempre vigorou, os leva ao colo, e sem qualquer esforço ou responsabilidade, ao topo da carreira? Quem se dispõe a aceitar ter que mostrar o que, na verdade, vale, se, para o mesmo efeito, pode ser "muito bom" sem ter que o provar?

Estarão, grosso modo, cerca de 30% de professores disponíveis para isso. Aqueles que realmente têm consciência do seu valor e nada receiam quanto a qualquer prestação de provas para o efeito.

Este número poderá não ser muito redondo, como foram redondos os 100.000 de uma vez e os 120.000 de outra. Uma questão "redonda" que não importará sequer aflorar. Acontece que nestes 30%, que não receiam a avaliação, estão contidos os que temem o garrote das quotas, uma necessidade que tem necessariamente que igualar os professores a outras classes profissionais, mas que carece de arranjos a fim de obstar injustiças gritantes como as que se desenham.

Os 30% não serão suficientes para levar de vencida o coro ululante dos restantes, nem a desenfreada corrida de Mário Nogueira rumo ao cimo da sua montanha.

Conviria, contudo, que em nome da classe e do ensino, pelo qual se proclamam preocupados, os professores se prestassem, por momentos, a um relance pelo corpo docente que vos circunda e descortinassem o que de pouco válido o sistema permitiu chegar ao ensino, descurando a exigência e a competência pedagógica.

Bastará um breve exercício de hombridade.

Nenhuma classe profissional é formada apenas por bons profissionais. A dos professores não poderá fugir à regra.

Assim sendo, o que vos move na rejeição de uma avaliação que, não só distinguirá os melhores, como obrigará os menos bons a um esforço para se tornarem mais eficientes?

"Esta" avaliação?

Então qual é a que propõem? A do sindicato que deixa tudo exactamente na mesma?

Se é por esta que pugnam, estamos esclarecidos.

Se é honestamente por outra, qual?

A opinião pública não vos entenderá enquanto não forem capazes de dizer aquilo que querem e o que propõem, afinal.



Francisco Ene
publicado por JoffreJustino às 14:13
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