Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

O Que Fazer com estes Putos?(Urge Mais Solidariedade…Mais Responsabilidade Social)

Antes do mais não nos queixemos – não estamos na Grécia, onde os Jovens, tal qual Maio68, pré anunciam, nas ruas, a queda de um governo conservador na comunicação social.

Não. Estamos em Lisboa onde, num colégio, o Pina Manique, de uma instituição, antiga, de solidariedade social, a CASAPIA, num bairro classe média, onde 2 gangs se confrontaram até à chegada da polícia tendo morrido por tal um miúdo.

A Casa Pia surge, assim, como notícia, desta vez enquanto entidade onde se digladiam gangs, no caso um da Amadora e outro de Loures.

Bem, ainda assim vivemos mesmo muito longe da Grécia. Lá os miúdos discutem política, vão para as ruas de cocktail molotov contra o poder político, gerando violência, desnecessária no essencial, mas com intuitos de mudar o que na sua sociedade eles entendem estar mal.

Sonham enfim…e sonhar é bom, mesmo quando o sonho não é o adequado.

Em Lisboa não.

Viveram-se, na capital, horas seguidas de conflito entre dois grupos de putos, tendo-se deixado chegar tudo ao ponto da violência inútil, desbragada, de termos feridos graves e um miúdo morto.

Primeira nota estranha – como é que é possível que se deixe tudo chegar a este ponto? E sobretudo num colégio de uma instituição com a experiencia antiga de acompanhamento de Jovens problemáticos …?

Horas de pancadaria num ginásio de um colégio, um ferido grave a meio da manhã, e tudo anda como se nada fosse, até ao ponto de termos um miúdo morto?

Para que serve então a Escola Segura, que diga-se, é composta de boa gente, disponível, bons profissionais, (tenho essa experiência), pronta para ser contactada, para intervir, em especial quando a restante autoridade já só campeia por via da navalha?

Segunda nota estranha – então os miúdos têm mais facilmente acesso à comunicação entre si que os responsáveis do colégio, ao ponto de um dos grupos chamar por “socorro” e este, impunemente, chegar?

Na verdade, sabemos que na actividade Educativa nos entre relacionamos com a geração da telecomunicação e não nos preparamos também para o efeito? Os putos organizam a révanche comunicando para o exterior, sem que haja reacção?

Terceira nota já não estranha – eis o subúrbio a funcionar.

Quando empurramos uma geração e depois outra e a seguir outra para espaços vazios de vivência, de sentimento comunitário, nascem os sentimentos de refúgio, de solidariedade na sobrevivência, e, estranhe-se o que vou dizer – com o lado positivo dos putos saírem do bairro, no caso português, e acabarem por se envolver com outras vivências.

Conheço o dia-a-dia deste potencial de violência, provinda de miúdos, pois sou director pedagógico de uma Escola Profissional – a EPAR, Escola Profissional Almirante Reis.

É tempo de, entre nós também, reflectirmos sobre o que se passa nas outras escolas, que não as nossas, para melhor agirmos, a partir de conhecimentos aprendidos em outras instituições.

As questões que ponho acima estão aqui colocadas não por demagogia, mas sim para procurar efectivamente saber o sucedido, pois as noticias que ouvi foram, em geral, largamente insuficientes.

Poderei dizer – houve demonstração de inexperiência da parte dos responsáveis, mas terá sido tal o sucedido?

Poderei dizer – alguns responsáveis escolares temem ou não se sentem confortáveis com a assunção de medidas de autoridade, autoritárias até, mas terá sido tal o sucedido?

Poderei dizer – tratou-se de uma experiencia nova, inesperada, mas terá sido tal o sucedido?

Mas de algo posso dizer e curiosamente membros houve da Escola Segura que mo afirmaram, nos primeiros dois meses de actividade escolar deste ano lectivo viveu-se um maior nº de caso de violência nas escolas, que em todo o ultimo trimestre do ano lectivo passado.

O que se estará a passar? A crise económica e social estará a aumentar a disfuncionalidade das famílias e os miúdos reflectem tal com maior violência nas escolas?

Ou, estaremos a assistir a uma maior entrada de miúdos disfuncionais nas escolas, com os Cursos de Educação Formação, com a insistência junto deles para a continuidade dos estudos, com a inexistência de alternativas de emprego para estes miúdos e a sua continuação nas escolas por falta de alternativa e não pelo gosto de nelas estar?

Inclino-me para uma resposta, positiva, múltipla, às hipóteses acima.

Estaremos, nós responsáveis escolares, nós professores e formadores, aptos para responder, com qualidade, a estes desafios surgidos em catadupa?

Vamos estando…

Só que necessitamos de bem mais apoio do que aquele que vamos tendo.

Apoio dos encarregados de educação que, muitos deles, se demitem da sua função, fechando olhos e ouvidos ao que vivem, por inadaptação também ao vivido. Apoio da comunidade envolvente também que desconheceu, anos a fio, o papel que pode e deve ter no necessário suporte à Escola.

Tal qual os vizinhos de antanho que se preocupavam com a miudagem, toda ela, que corria e brincava pelas ruas vizinhas sob o olhar atento de todos.

Chama-se a esta função, também, responsabilidade social.

As escolas hoje são bem mais que espaços de aprendizagem de saberes lidos. São espaços de aprendizagem de vida, de ocupação de tempos livres, perante ruas onde os miúdos já nelas não brincam porque pejadas de perigos.

Apoiar uma escola com uma mesa e uma cadeira, com uma resma de papel, com um computador, com um estágio profissional, é hoje um elevado acto de responsabilidade social, pois motiva o agente de educação, que se sente apoiado, e motiva o miúdo porque se sente acompanhado.

Tenho falado muito de responsabilidade social na EPAR, dela para fora dela, precisamente por isso.

Empresas como a HBS, a Liberty Seguros, entidades como a ANIF, a ANERH, a APME, a Junta de Freguesia de São Vicente de Fora, a Câmara Municipal de Lisboa, as OGFE, que se preocupam com a EPAR, com as actividades dos seus alunos e da sua equipa técnica, pedagógica, administrativa, de apoio, têm sido essenciais para as nossas actividades escolares e extra escolares.

Daí o falarmos tantas vezes da necessidade de mais e mais responsabilidade social entre organizações. De dar maior apoio aos que dele necessita. Porque os miúdos necessitam de sair dos seus guetos, (temos cerca de 30% de miúdos vivendo em condições nada fáceis…), e para o fazerem necessitam de sentir que não é somente a escola que com eles se preocupa, que os vizinhos, os novos vizinhos também os acompanham com um olhar atento.

Tal qual antigamente, ainda que de forma diferente e assim, nas escolas, onde estão os vossos filhos, necessitamos de vocês.





Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:33
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