Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Dar e Receber Fazer Outra Economia

O Jornal de Noticias divulgou, hoje, a noticia abaixo, que merece a maior divulgação. Como sabemos, os ministros das Finanças da zona euro, (Eurogrupo portanto), representam, não só os países desta zona, mas também, porque a zona euro é uma região democrática do mundo, um leque alargado das Famílias Políticas Europeias e, este grupo, no seu conjunto de famílias politicas, defendeu a necessidade das empresas europeias, da zona euro, evitarem os despedimentos colectivos..

Queria relevar, face a esta noticia, a necessidade que se está a sentir, na Europa, de forma bastante alargada, de reforçarmos a solidariedade entre todos, assim como a necessidade de distribuirmos, adequadamente, os sacrifícios que todos temos de fazer.

Poderia eu dizer, não concordo com despedimentos, colectivos ou parciais. Mas, na crise actual, quem ganharia com essa pseudo radical posição? Se o mercado não corresponde aos bens e serviços de uma empresa, que pode ela fazer se não encerrar, portanto despedir, ou reduzir, parcialmente que seja a actividade e, portanto despedir, parte ou mesmo significativa parte das Pessoas que nela trabalham? Iludirmo-nos com discursos pseudo radicais da negação do óbvio, a nada conduz senão à fantasia.

Mas o pão de cada dia não é uma fantasia…

Há dias uma outra noticia dizia-nos que na RP da China o encerramento de empresas tinha empurrado, de novo, 20 milhões de chineses, para o desemprego, para as zonas rurais…duas vezes a população portuguesa. Porque na Republica Popular da China a segurança social é, ela, uma fantasia, não existe, pelo que é substituída pela solidariedade das Familias…

Esse é o lado selvagem da economia capitalista selvagem – as pessoas e as famílias que se desembrulhem, no caso da RP da China regressando a um ruralismo miserabilista!

Mas devemos pensar em outras vias.

A crise é mundial e tem de ser respondida mundialmente. E com solidariedade. E com a distribuição dos sacrifícios.

Não estamos a ver tal, infelizmente, em muitos dos casos noticiados na comunicação social.

Há até quem se esteja a aproveitar da crise para reduzir, somente, custos.

Há quem, dizendo-se cristão, recusa o principio, cristão, do dar e receber, do amar os outros como a nós mesmos.

Anda até, por aí, um economista que se diz cristão e que diz que a sua teoria é – não há almoços gratuitos.

Pois é, mas esta teoria tem tudo menos de Cristão e no plano económico é sobretudo disfuncional.

É bom, satisfaz os egoísmos, as avarezas, de uns bem poucos, tais discursos apresentados como “cristãos”.

Mas porque é que tem, não poucas vezes, mesmo em economias que não estão em crise, de haver almoços gratuitos, ao contrário do que diz esse economista “cristão”?

O Mercado são Pessoas, não são nºs, abstracções, fantasias, são Pessoas com capacidade de Consumo. Aliás são elas as ultimas consumidoras dos bens e serviços produzidos

E com capacidade para trabalhar. Ora, para trabalhar, é necessário energia e a energia pode acontecer que só exista de existirem almoços gratuitos.

Chama-se a tal, nos dias de hoje, Segurança Social.

A inexistência de almoços gratuitos conduziu á desgraçada crise dos anos 20 do século XX, como conduziu à desgraçada crise que hoje vivemos.

O pensar cristão, antigo de 2000 anos, é também economia.

E dar e receber pode implicar que hajam, pontualmente, almoços gratuitos.

Para quê?

Para que o mercado se restabeleça, para que o mercado encontre soluções para quem hoje não possa consumir, mas amanhã, estando vivo, o possa fazer e sobretudo, retribuir dando, ela, também, almoços gratuitos a outros.

Daí a necessidade de, sobretudo porque estamos em crise, precisamente porque estamos em crise, reduzirmos ao máximo, os despedimentos, o desemprego.

Se o fizermos estaremos a sustentar, solidariamente, a economia, porque estaremos a manter, solidariamente, o consumo.

E estando a manter, solidariamente, o consumo, estaremos a sustentar o emprego, a economia no seu todo.

O grau atingido de abrangência da economia passou precisamente pelo aproveitamento de uma adequada distribuição da riqueza, de “almoços gratuitos” também, que sustentando o crescimento da economia, a reforçaram.

A par, nasceu nos últimos anos uma economia de fantasia, dizem agora, recheada de produtos, financeiros, tóxicos…

Esta parte da economia só podia estourar. Porque só recebe, não dá.

Tem, em Portugal, sido, também, difícil reforçar a outra componente da economia – a que dá sabendo que, por isso irá receber.

É a economia feita de Responsabilidade Social, ou vivenciada na Economia Social, e que se busca a si própria ainda em Portugal.

Só que, sem esta componente da economia, a actividade económica será, como é ainda hoje, por demais frágil.

Em especial se não contar com os que, estando na economia social, o estão fora de grupos de pressão com efectivo peso institucional. E, em Portugal, se o conjunto da economia social é reduzido, é mais diminuto o nº de entidades nestas ultimas condições.

No entanto, não haverá uma outra economia se esta última componente não se reforçar.

É o que urge dinamizar.


Joffre Justino



Bruxelas: Eurogrupo pede às empresas que evitem "despedimentos colectivos"
Ontem
Bruxelas, 09 Fev (Lusa) - Os ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) pediram às empresas para que evitassem os despedimentos colectivos e privilegiassem o despedimento parcial.
Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, afirmou que "o recurso rápido ao despedimento colectivo não é um bom método", acrescentando que "as empresas, em conjunto com o poder público, podem pôr em curso mecanismos de despedimento parcial", promovendo "acções de formação para aqueles que estão preocupados com o desemprego".
O Eurogrupo, que reuniu hoje, recomenda "medidas estruturadas" para ajudar a "enfrentar os desafios do mercado de trabalho" e defende que o "ajustamento das horas de trabalho em função das necessidades de produção pode ser uma forma de flexibilidade importante no mercado de trabalho".
O presidente do Eurogrupo sublinhou que a situação no mercado de trabalho é "inquietante" e que a perspectiva para 2009 é que "os níveis de desemprego se desenvolvam mais".
A taxa de desemprego na zona euro estava nos 8 por cento em Dezembro, o valor mais elevado da última década e, de acordo com as últimas previsões da Comissão Europeia, esta taxa deve subir cerca de 3 pontos até 2010.
publicado por JoffreJustino às 16:41
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