Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Do Meu Amigo Luis Lopes, As Vitimas do Hamas em bolinando.blogs.sapo

Hoje estou com pouca vontade de "brincar".

E a razão é simples. Estamos a poucas horas de um acto eleitoral de extrema importância em Israel e a poucas horas de se ver, em toda a sua extensão, a dimensão das vítimas provocadas pelos rockets do Hamas.



Estou farto de uma pretensa "esquerda" que em nome da "liberdade" e da "paz" mais não faz que repetir os slogans antijudaicos que alimentaram e justificaram os pogroms e outras atrocidades cometidas contra os judeus nos últimos séculos um pouco por toda a Europa.

No seu afã antijudaico alguns pseudodemocratas que se apresentam como "de esquerda" chegam mesmo a apoiar as teorias neonazis de que "o Holocausto nunca existiu"!



Ora bem, eu não sou judeu, nem israelita. Mas sou democrata e sou de esquerda. E para mim ser de esquerda é, acima de tudo, ser democrata, acreditar na democracia e no direito de serem os cidadãos a escolherem os caminhos da sua governação, em actos eleitorais livres.



E Israel é o único Estado democrático da região.



Em mais nenhum Estado da zona existe verdadeira liberdade de associação, de expressão, de imprensa, sindical, etc.

Em que outro país da região é permitido à população manifestar-se contra a política do seu governo?

Em que outro país da região é permitida a realização de manifestações pró e contra o diálogo com os palestinianos, por exemplo?

Em que outro país da região é permitido aos trabalhadores associarem-se livremente num sindicato e exercerem, por exemplo, o direito à greve?

Em que outro país da região é permitido a um cidadão eximir-se ao cumprimento do serviço militar invocando objecção de consciência?

Em que outro país da região é garantido a todos, mesmo aos acusados de terrorismo, o direito a um julgamento justo, com o garante do direito à defesa?

E em que outro país da região se assiste a eleições, livres, com partidos que representam todo o espectro político possível?

Será que os nossos "jovens esquerdalhos" que se manifestam contra a existência do Estado de Israel e que queimam as suas bandeiras, usando do direito de manifestação e expressão que a nossa democracia lhes garante, saberão que se vivessem na Síria ou noutro dos países que confinam com Israel, apenas teriam direito a manifestar-se para expressarem o seu apoio ao Governo?

Será que os nossos "jovens intelectuais de esquerda" consideram como "superioridade moral" os pais oferecerem os filhos como potenciais "crianças-bomba"? O que pensariam se os seus próprios pais o tivessem feito, em vez de os porem a estudar nas nossas universidades, pagos pelo dinheiro dos impostos de todos nós?



Por mim, estarei sempre com as democracias e contra as ditaduras, por muito politicamente incorrecto que isso seja.



Mas o cúmulo da hipocrisia, aliás bem orquestrado por uma comunicação social sempre alinhada com os senhores do petróleo ou com os senhores do Kremlin (e as diferenças são cada vez menores) prende-se com a contabilização das vítimas.



Chega a sugerir-se subliminarmente que os rockets disparados pelo Hamas fazem poucas vítimas (e eu gostava de saber, em termos de valor da vida humana qual é, para estes pseudojornalistas, o conceito de poucas, ou, por outras palavras, quantos mortos por rocket deveria Israel suportar) em comparação com os mortos das operações militares israelitas.



Só que estas eleições virão pôr a nú a verdadeira dimensão das baixas causadas pelos rockets do Hamas.

Cada rocket pode matar apenas uma ou duas pessoas, ou mesmo nenhuma. No entanto, cada rocket faz passar uns milhares de votos para os partidos de direita ou de extrema direita.

Cada rocket do Hamas provoca mais uma ferida grave na democracia.

Cada rocket do Hamas mais do que matar pessoas mata a liberdade, mata a coexistência, mata a democracia.

E é exactamente isso que o Hamas pretende.

A previsível subida dos partidos da extrema-direita israelita deve-se, exclusivamente à acção dos fascistas do Hamas.

O que estes pretendem, mais do que instaurar uma ditadura na Palestina, o que em parte já conseguiram, é matar de vez a "ameaça democrática" representada por Israel.

Qualquer fundamentalismo totalitário só sobrevive à custa da opressão, da negação da liberdade individual. Daí que Israel constitua um perigo para estes regimes. Mais que um perigo militar (Israel nunca atacou sem ser antes atacado), Israel constitui um perigo ideológico.

E já agora, para quem tem memória, quem foi responsável pelo maior massacre de palestinianos registado pela História como "Setembro Negro"? Os israelitas?? Não. Foram os seus "irmãos" sírios, jordanos e libaneses...

Resta-me esperar que a extrema-direita israelita não saia inevitavelmente vencedora destas eleições... Isso seria motivo de grande júbilo entre as ditaduras regionais.

E os nossos jovens pseudoprogressistas lá teriam mais uma razão para se manifestarem sem sequer se darem ao trabalho de reflectir sobre a sua própria responsabilidade na matéria.
publicado por JoffreJustino às 16:45
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