Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Como os Fotógrafos Estão a Fazer…A Economia Vai Recuperar!

Parecia que o fim-de-semana ia ser desagradável, apesar do Dia dos Namorados.
Velho “colono” que sou, uma daquelas crises de paludismo atacou-me na 6ª, a pontos de não ter ido votar para a eleição dos delegados do PS, (onde ia apoiar o 1º ministro, socialista, de Portugal, Eng. José Sócrates), e, no sábado, ter ficado de cama em vez de ir prestar a minha homenagem ao general Humberto Delgado, a convite da Sra. Iva Delgado, a Espanha, onde este antisalazarista foi assassinado, pela PIDE/DGS.
Mas como acordei mais bem-disposto, no Domingo decidi ir a Vila Franca de Xira, ao Encontro “Fotógrafos de Portugal, 2009 Que Rumo Para os Fotógrafos de Portugal?”, organizado pelos Fotógrafos Carlos Vilas, Dário Queiroz, Mário Cerdeira, Alfredo Tavares e Jorge Alves.
E valeu a pena.
Sou, note-se, dos que acredita 80% da economia é Motivação, 19% são as Pessoas e 1% a Matemática, que a identifica somente.
Por isso, quando os Fotógrafos acima, em particular o sr Carlos Vilas e o sr Jorge Alves, directores da, ANIF, Associação Nacional de Industriais de Fotografia me informaram, em comunicado, na net, que estavam a preparar o acima referido Encontro, os apoiei, divulgando o seu comunicado, massivamente, na net também.
Em consequência, estes meus dois amigos tiveram a simpatia de me convidar para moderar o Encontro e eu aceitei.
Fui, pois, ao Encontro, avisando que só poderia estar lá da parte da manhã.
Valeu a pena ter ido.
Ainda há em Portugal quem acredite em si e quem aposte que pode fazer a diferença, foi o que este Encontro mostrou a quem lá foi.
Para ficarem com uma ideia, a crise no sector da Fotografia começou em 2002, quando as transnacionais a montante do sector, depois de terem inundado o mercado de um novo tipo de laboratórios, injectaram a revolução – a fotografia digital – sem dúvida para matarem este sector com história, artística, feita, neste espaço de expressão portuguesa, dados os custos de investimento que impuseram antes da dita “revolução tecnológica”.
Com esta “revolução”, com a crise larvar em que temos vivido, com a redução demográfica em que nos encontramos, com a redução do nº de casamentos e baptizados, e com a machadada que foi o cartão único, que retira aos fotógrafos 10 milhões de clientes, aproximadamente, (imposição, cega, do Estado), cheguei a pensar que iria para um Encontro moribundo.
Mas aceitei ir porque conheço em especial o entusiasmo do Jorge Alves e do Carlos Vilas, na defesa deste sector da economia.
Sector ignorado este...
Não tem nenhum dos 1000 milionários de Portugal.
Não tem transnacionais. É, mesmo, diga-se, dominado pelo micro e pequenas empresas.
Mas, quando cheguei e fui vendo chegarem perto de 100 Fotógrafos, de todo o país, quando vi que as 2 associações do sector estavam presentes, a ANIF e a AFP, Associação de Fotógrafos Profissionais, e quando vi que a Confederação das Micro e Pequenas Empresas de Portugal estava presente, senti a Motivação.
E gostei.
Vi a variedade geracional presente entre estes empresários.
Vi a variedade político cultural, vi a variedade de posicionamentos e de formas de gestão e o Encontro foi-me agradando cada vez mais.
Das 9h às 14h, momento em que estive presente, ( o Encontro continuou, mas a saúde obrigou-me a controlar o entusiasmo e a vontade de ficar), ouvi umas 30 intervenções, umas históricas, outras mais políticas, outras verdadeiramente emocionais, mas em todas dominava a Motivação, o desejo em estar e, sobretudo, em continuar.
Temos, pois, do lado da Oferta, Mercado, na Fotografia!
Ouvi Jovens a dizerem aos Mais Velhos – preparem-se que o Negócio mudou, que, com o digital, as novas gerações de consumidores trarão, ao Mercado, exigências novas e não somente tecnológicas, pois serão sobretudo estéticas, culturais.
Ouvi Mais Velhos a recordarem o nascimento da ANIF, o I Congresso de Fotógrafos em 1982, ouvi Fotógrafos a lamentarem que se contratem estrangeiros para campanhas portuguesas, com brilhantes fotógrafos no País.
Ouvi os nºs desastrosos do volume de negócios – hoje a pouco mais de 30% de 2002 – mas não ouvi vou sair, vou largar, danem-se que não nos merecem.
Como quase todos os Negócios, a Fotografia é uma forma de Arte, não uma simples mecânica, uma simples operação de gestão de máquinas e pessoas. É um desejo de estar, de ser.
Como em quase todos os Negócios, na Fotografia há bons e maus Profissionais, bons e maus empresários, Pessoas sérias e pessoinhas gananciosas.
Mas naquela sala, por sorte ou talvez não, o que vi e ouvi vinha do lado da Arte, da vontade de estar e ser.
(Foi um dos campos onde Marx se enganou, ao contrário, por exemplo, de Fourier, pois no empresariado o objectivo não pode ser a exploração, mas a criação e distribuição da riqueza) …
Mas não há somente Mercado do lado da Oferta. Do lado da Procura há também apetência pela Fotografia e, como dantes é significativo o nº de Pessoas que se interessam pela Imagem, que nela até participam, enquanto amadores e enquanto tal reconhecem e gostam dos bons profissionais.
Quais são o pontos fracos/complexos deste mercado, bem apresentados no Encontro?
A concorrência, desleal, internacional, quer entre profissionais, quer sobretudo pelo impacto do IVA variável na União Europeia; a concorrência, desleal, do Estado, que entrou inesperadamente no mercado em vez de o regular; a mutação tecnológica vivida e que impõe novas visões na actividade; a crise económica vivida; a desregulamentação da actividade; a quebra demográfica vivida; as determinações legais que fazem da Fotografia, imagine-se, produto de luxo; a corrupção; a redução do mercado.
Quais as medidas preconizadas nas mais de 30 intervenções que ouvi?
A criação da Carteira Profissional de Fotografo; o estabelecimento de um preço mínimo nos produtos/serviços; a Formação no sector, para a técnica, para o serviço, para a estética; a promoção do trabalho em rede; a criação do cluster da Fotografia; o redinamizar os Congressos do Fotógrafos; a adaptação aos desejos das novas gerações de Clientes; a abertura ao Mercado das fotos tipo passe para o Cartão Único.
Medidas simples, nada de pedidos de apoio financeiro, como vêm. Medidas regulamentares para o reforço de um mercado, de uma actividade.
Valeu, pois, ter ido a este Encontro de Fotógrafos.
Nele ouvi sobretudo o que podemos fazer pelo país e não o que o país pode fazer por eles, Fotógrafos.
Não ouvi queixinhas contra este ou aquele Governo, não ouvi partidarizações da crise, nem soluções estrambólicas.
Vi e ouvi, como já disse, Motivação.
E a Motivação, essa sim, “é a economia estúpido” como já o disse um guru da Gestão.
Falem-me de mais sectores de actividade desta forma, de mais empresários assim empenhados e, creiam-me, a economia portuguesa superará a crise. Para o efeito e para os incrédulos, basta-me dizer-vos que ouvi um dos empresários do sector referir que exporta cerca de um milhão e euros de serviços…
Eles, os Fotógrafos, estão pois prontos para superar a crise.
Pedem, ao Estado, sobretudo, regulamentação – das carteiras profissionais, da qualificação na Profissão, (a ANIF já o propôs, com o meu apoio, à ANQ),.
Ainda escreverei mais sobre este tema.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:06
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