Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Algumas Considerações à volta do Poema Regius

ARTIGO DÉCIMO
O artigo décimo ensina a vocês,
Que estão no alto ou embaixo na escala do ofício,
Que nenhum MESTRE deve sobrepujar um outro,
Mas construir em conjunto
Sob a direcção do MESTRE.
Ele não intrigará um Companheiro
Que tiver realizado um trabalho.
Se isso ocorrer,
Ele pagará uma multa de dez libras,
Excepto se aquele que chefiava a obra
For julgado culpado.
Nenhum maçom poderá assumir o trabalho de um outro,
Excepto se este ameaçar a obra.
Um maçom pode então assumir a obra
Para o benefício do senhor.
Nesse caso,
Nenhum maçom poderá se opor.
É verdade que, aquele que escavou as fundações,
Se for um verdadeiro maçom,
Certamente conduzirá a obra a bom termo.


O tema Obediência tende a ser cada vez mais polémico, sobretudo em uma Sociedade onde, no Mundo Profano, predomina, cada vez mais, a participação, a Democracia, a livre expressão e a livre crítica.
Como em outros assuntos, e de entre eles sem dúvida releva-se a Igualdade de Género, infelizmente, alguns Maçons e alguma Maçonaria organizada em Lojas ou Grandes Lojas, mantêm uma atitude hoje dramaticamente retrógrada que urge pôr em causa e impor uma reflexão atenta.
Daí que tenha, de algum tempo para cá, mais concretamente de há mais de cinco anos para cá, (sendo certo que há já 10 anos defendi em um Congresso Maçónico, no GOL, a Igualdade do Género em Maçonaria…), procurado reforçar a Outra Maçonaria, a que vive na disciplina da Regra e não na submissão à autoridade, no cumprimento do estatuído e não na reverencia da aparência e, vivendo nesta Igualdade Auto disciplinada, não tema a Igualdade do Género, que no Mundo Profano os Maçons apoiaram, como apoiaram a Igualdade entre Raças/Etnias/Nações/Regiões do Mundo.
Os Antigos Maçons, como vemos no Poema Regius, acima, não aceitavam já que um Mestre se subordinasse a um outro, sendo certo que os Mestres deveriam sim, construir em conjunto, mesmo quando sob a direcção de um outro Mestre.
Infelizmente, no século XVIII, alguma Maçonaria gerou uma formulação Maçónica a que hoje alguns denominam de altos graus, ou Maçonaria Filosófica…
Trata-se, a Maçonaria Filosófica, de de uma equívoca Maçonaria, centrada em dois aspectos – a vaidade dos títulos e a usurpação e errada utilização de versículos da Bíblia e outros Livros Sagrados? Ou é esta Maçonaria Filosófica, de verdade, a sequência natural dos 3 Graus Maçónicos de raiz, como ela própria se entende?
Já numa Maçonaria de raiz Obediencialista, este tema gera conflito não por razões de principio mas por razões de hierarquia de obediência – a quem deve o Maçon obediência, se em caso de conflito – ao Grão-mestre ou ao Soberano Grande Comendador destes ditos altos graus? E estas razões de hierarquia de obediência têm gerado não poucos conflitos nas Grandes Lojas, diga-se, como já o mostrei com textos maçónicos do século XIX.
Mas, numa Maçonaria que se centre numa equilibrada distribuição de Poderes, desde a gestão ritualista, à governação da Grande Loja, à Legalidade na Grande Loja, e à regulamentação da Grande Loja, onde o poder do Grão Mestre é basicamente de equilíbrio, de representação, ritual e profana, então é altamente conflituante a ideia de subordinação dos Mestres ao Soberano Grande Comendador e, ao mesmo tempo, a independência das Lojas e dos Mestres em Grande Loja.
Rizzardo da Camino, que é um Mestre Maçon brasileiro especialmente renomado entre os Maçons da Lusofonia, que é um defensor atento destes altos graus, não deixa de se sentir obrigado a dizer que “…os 30 graus posteriores, denominados de graus filosóficos, não passam de estudos aprofundados dos três primeiros graus…” e mais ainda, “…existe certa “dependência” da parte da Maçonaria Filosófica, para com a Maçonaria Simbólica”, (in O Mestrado Maçónico, pág. 10).
Mas, na verdade, as leituras dos rituais da Maçonaria Filosófica, se acompanhada por um estudo atento dos Livros Sagrados e em particular da Bíblia, o Livro Base da Maçonaria Operativa, mostram as fragilidades destes altos graus, tal qual se constituem hoje, pelo menos no plano ritual.
Para não cansar, (as “pranchas” devem ser curtas), limito-me para já a recordar que este será somente um segundo texto, sobre estes temas centrais para o desenvolvimento da Maçonaria que se deve adaptar ao século XXI – o século da economia da informação e do conhecimento – partindo da sua raiz – a Maçonaria dos textos antigos – que iremos relendo por aqui.
Como vemos acima, pelo simples extracto do Poema Regius que cito, os maçons Operativos tinham preocupações éticas elevadas, e devemos manter essa mesma elevação nos dias de hoje, nos debates de hoje, por forma a corresponder a quem nos deixou esta tão respeitável herança – a Maçonaria.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 17:53
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