Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Saramago, A Posição Comunista Adequada

Gostaria eu de saber que relação orgânica existe
(se existe) entre os agressores e o partido de que
sou militante há quarenta anos. São militantes
também eles? São meros simpatizantes? Se são
apenas simpatizantes, o partido nada poderá contra eles,
mas, se são militantes, sim, poderá. Por exemplo, expulsá-los.
Que diz a esta ideia o secretário-geral? Serão provocadores
alheios à política, desesperados por sofrerem esta crise e que
pensam que o inimigo é o PS e o candidato independente às
eleições europeias?… Não se pode simplificar tanto, nem na rua
nem nos gabinetes”, escreveu Saramago na crónica que o DN publica hoje

Vivemos nestes dias, com 195,2 milhões de desempregados no Mundo, 20 milhões na União Europeia, 8,9% da População Activa. Portugal, com 8,5%, está abaixo da média europeia, apesar de sermos uma economia fortemente aberta ao Mundo.
Daí que estejamos a ver o nosso PIB reduzir, porque as exportações se reduzem neste Mundo em crise e, quanto ás Importações pouco podemos fazer, depois de anos a fio em que se desperdiçaram, entre 1986 e 1995, (mas também entre 1995 e 1999…e de seguida com Durão Barroso e Santana Lopes, já no século XXI), os fundos comunitários em empresas que não existem, ou em salões de luxo para conferencias que não se realizam, ou que não rentabilizam o investimento.
O Desemprego estala pois, por todo o Mundo, responsabilidade de Sócrates, ou consequência das políticas neo liberais que a Direita Mundial impôs desde Reagan e Tatcher…?
Note-se, entretanto, que em 1975, eu estava na Fonte Luminosa com o PS, como estive a sofrer pelos deputados que se encontravam sequestrados na Assembleia Constituinte, ou como estive no Comício do PS pela Unidade Sindical.
Não fiz, pois, o percurso de Vital Moreira, nem do PCP.
Estava em 1986 a apoiar, claro, Mário Soares e indignei-me com a triste cena da Marinha Grande.
Como me indignei, bem antes, com a violência sobre um jovem militante do MRPP empurrado e morto no Tejo, por o ser.
Neste percurso, em todos estes conflitos, a Esquerda nada ganhou, e, ao que parece, ainda há, na Esquerda, quem procure justificar o injustificável.
Que, diga-se, conduziu ao fracasso do mais forte Movimento Sindical do Mundo, o britânico, nos anos 80 e 90 do século XX.
À direita procura-se, por sobrevivência diga-se, o mesmo – a Voz do Povo reconstruída (que às vezes o Publico é), mostra-o, nas apreciações de “politólogos”, que se esforçaram, à direita, por justificar o injustificável e fazer esquecer os fracassos neoliberais fundamento da crise Mundial que hoje temos.
Mas interessa-me sim, a Esquerda.
Pretende a Esquerda uma vida política de participação? Como pode haver participação por entre actos de infantil violência?
Pretende a Esquerda o direito às diferenças? Como pode haver direito às diferenças entre actos de violência?
Pretende a Esquerda a mudança, social e económica? Como pode haver mudança social e económica se, na politica, a Esquerda digladia a Esquerda, violentamente?
Pretende a Esquerda entendimento entre si? Como pode haver entendimento se um secretário-geral de um partido de Esquerda, o PCP, assume como adequada a violência sobre um dos líderes de opinião, Vital Moreira da família política de outro partido, o PS?
Defendi, e defendo, para Lisboa, a Unidade da Esquerda. No PS não sou o único. Mas com esta cena de violência infantil, que se ganhou? Somente mais uma razão para que a Unidade de Esquerda seja impossível…
Se era o que se pretendia, conseguiu-se o lamentável objectivo.
Não, em especial, pelo acto em si, mas sim pelo que se sucedeu, pela sequencia de justificações do injustificável, vindas de dirigentes responsáveis do PCP.
Porque existirem militantes irresponsáveis, existem no PCP como em qualquer outro partido político.
O que já não é aceitável é esta busca absurda de encontrar uma razão a quem praticou tal acto. Que a voz do povo reconstruída, que às vezes o Publico é, o faça, entende-se, mas não se entende em quem tem gerações der experiência política e quem assume que defende a democracia, a participação, o direito às diferenças.
Alguns dirão – tudo se esquece…
Mas não, nem tudo se esquece. E com este acto estamos outra vez dez anos atrasados na busca de uma Democracia Participada em Portugal, por responsabilidade do PCP, lamento-o dizê-lo.
No entanto, José Saramago, comunista há 40 anos, é a prova de que o PCP chegará à razão, tarde ou cedo.
Porque, não é só Saramago que pensa assim, que entende e assume que se quem assumiu a violência na relação entre Esquerdas é militante do seu partido só há uma solução, expulsá-lo!
Eis porque insisto que, além do pedido de desculpas interessa, mais, travar o perigo que Saramago relevou, a vitória de Santana Lopes em Lisboa, (que seria a falência mundial da capital do país), com a Unidade de Esquerda que necessitamos Urgente para Lisboa.
Ou, à Esquerda, PS, PCP, BE, há duvidas?

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:19
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