Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

Respondendo Ao Amigo José Conceição … A Outros … e a Inimigos do Peito!

Já me disseram que hoje acordei com os pés de fora…

É possível.

Tenho, acredito, o direito de me sentir cansado e triste.

Sou, com honra, com prazer, teimosamente cooperativista, solidário, e, penso, saudavelmente critico.

Acredito pois numa Economia de Mercado, Competitiva e Solidária e recordo Tito, o jugoslavo, com alguma saudade.

Mas, confesso, ando cansado e triste.

Costumo dizer, ultimamente, que o único erro de Stalin foi ter sido ditador, (não interessa, aqui, se comunista ou não…), na Rússia das estepes, pois onde ele deveria ter sido ditador, e sê-lo-ia com sucesso, era em Portugal, ao tempo, anos 20, século XX, Imperial, planetário.

Tivesse Portugal tido como ditador Stalin, em vez do bacoco Salazar, e, ainda hoje Portugal seria, (e saudado em todo o mundo), um Império…porque teria havido, aqui, Império submisso, e forte Desenvolvimento.

Vindo de cima, esquisitamente, erradamente, mas teria havido Desenvolvimento.

Azar!

Tivemos o bacoco do Salazar, bota esquisita, fato escuro com gravata escura, gerador de gente cinzenta e ainda mais submissa, ou então contestaria mas do lado errado da contestação.

Resultado – o império foi-se, o Desenvolvimento não aconteceu, as Pessoas acinzentaram-se.

Foram-se os anéis.

E os dedos.

Ficou o cinzentismo, a ideia peregrina que o Estado que nos ature, os funcionários públicos que nos governem, (e nada contra eles, note-se), o empreendedorismo, ideia “nova” que Fernando Pessoa tanto cantou à sua maneira, que se dane e seja somente uma mera bandeira discursiva, a iniciativa privada que seja para alguns, oriunda de preferência da pública, para que não hajam muitos e não sejam de fora da “elite certa” e, se fora destes, que seja um pecado lesa majestade!

Sendo cooperativista, gerado de fora da “elite certa”, filho de republicano que sou, estou entre os pecadores de lesa majestade.

E, confesso, começo a cansar de estar assim.

A Economia Solidária que José Conceição pretende projectar no seu texto, abaixo, leiam, mostra que não sou único, aqui, ( neste antigo Império que, espantosamente, se envergonha de o ser e, por se envergonhar, verbera contra uma Isabel dos Santos, tal qual verbera contra Manuel Alegre, por serem “traidores” a essa “pátria” salazarista e salazarenta, que nada teve a ver com sérios e autênticos imperialistas portugueses como Norton de Matos ou Afonso Costa), a querer mudar.

E se não der para Mudar, que mudemos de País e sobretudo de Continente!

Abençoado Lula que mostra que do antigo Império nasce ainda boa, dinâmica e solidária gente, na linha de Camões, o Trinca Fortes, o poeta vagabundo do Império, capazes de Desenvolver, ao invés destes Anacletos Louçãs e destes “comunistas” que esqueceram que um seu secretário geral, no Tarrafal, trabalhou um peça que era uma cabeça de Salazar, para mostrar a sua superioridade face aos fascistas.

Hoje não, hoje o trabalho é para as mulas e o que contam são as férias, feriados e pontes!

Reaccionário o que digo?

Lamento, mas recordando este secretário geral recordo que o gosto pelo trabalho, o abençoar o trabalho, era a Ideologia certa!

Porque esse gosto mostra-se também nesta vetusta Bíblia, nossa raiz espiritual.

Como o gosto em honrar o que se deve.

E se devemos e querem que paguemos, paguemos então!

Se pagarmos, mostraremos Honra, mostraremos Brio, mostraremos Empenho e, de vez, envergonharemos estes “empresários” da cortiça, (ou os dos “serviços”…), que enriquecem sem mexer uma palha, isto é e em termos económico-modernos, se acrescentar uma grama de valor, à cortiça que nasce não deles mas da Terra.

E que de solidários têm o discurso para padre ver e perdoar na santa confissão, (e perdoem-me os católicos…).

Há os que mexeram e mexem, como Manuel Alegre que, de Argel, denunciava e bem uma Guerra Colonial mais que inútil, verdadeiramente estúpida e que só honra os que nela verdadeiramente combaterem, (não so que a lideraram) e os que contra ela Combateram em nome de uma CPLP que hoje existe porque houve quem combatesse contra aquela Guerra.

Mesmo que seja verdade que ter uma Guerra em 3 Frentes/3 países, durante 14 anos, seja obra, porque foi.

Mas foi obra de desperdício, de delapidação de riqueza, porque não gerou continuidade.

Valor Acrescentado enfim.

Riqueza.

E há os que nada querem mexer….

Eis porque um dia destes me decida, homem de Esquerda que sou, a caminhar para outro exílio, porque este está a cansar e a entristecer.

Joffre Justino



Caro Amigo Jofre,

Admiro o seu desassombro, e a forma como debate os prós e contras desta situação.

Inegavelmente os dirigentes do PSD mas também do nosso PS têm culpas no cartório... e que dizer da classe política que "se passou para a direcção da economia, banca e empresas..."

Porque é que o valor social do trabalho de um gestor do sector público, que gera milhões por ser estratégico, deve ser bem pago... e empresas que fazem "autênticas maratonas de equilibrio e boa gestão de recursos", mas por serem do sector privado, têm os seus salários controlados pelos preços de mercado???e acabam por ter "vencimentos pobres..."???

O dr. alberto joão disse-o no início da semana..."o que é que os ex-ministros da economia vão fazer a Belém??? são santos??? não têm culpas na situação ruinosa em que estamos???... e acabo por concordar com ele!

Mas as medidas ora tomadas devem ser acrescidas de um maior controlo! E DEVE SER MUDADO O PARADIGMA ECONÓMICO... é que empresas de sector público estratégico devem claramente assumir-se como CO-MOTORES da economia!!!

SUGESTÃO UM - que o preço da electividade seja congelado nos próximos anos para o público, e reduzido para o sector empresarial - se os custos de produção baixarem a economia claramente sobe... e quando os lucros da EDP descerem para valores aceitáveis, os preços da electicidade poderão então ser ajustados -ISTO É QUE É GERIR O SECTOR EMPRESARIAL PÚBLICO E FAZER O PAÍS SAIR DA CRISE, promovendo uma reestruturação da política seguida pelas empresas do sector empresarial do estado...

E que dizer da Banca e da Caixa Geral Depósitos, que poderia claramente regular e promover alguns consumos motivadores da economia, em detrimento ou agravamento de consumos de bens pereciveis - VEJA quanto custa uma casa na maioria dos países desenvolvidos + ou - 5 anos de salário e aqui em Portugal???
se houvesse politica incentivadora na compra de casa própria, então as pessoas aceitavam o sacrificio com maior facilidade... mas a Banca paga menos impostos que as empresas porque??? porque facilita o desenvolvimento económico ou promove como tubarão o consumismo...?

E que dizer da medida macro, proposta há muitos anos pela UNESCO e a ONU, para que cada movimento bolsista pagasse um centimo, ISSO MESMO 1 CEDNT.- A QUE A BANCA DIZ NÃO - MAS QUER FAZER-NOS PAGAR POR CADA MOVIMENTO DO CARTÃO DE CRÉDITO...

Como o Jofre vê, o espirito REPUBLICANO E SOCIALISTA, enquanto LIBERTADOR DA MENTE e promotor de uma Homem novo, capaz de observar e discutir estes temas, tendo por base SOLUÇÕES JÁ REALIZADAS por outros países, nomeadamente os da Europa mais desenvolvida e estruturada: Dinamarca, Suécia e até a própria Alemanha que ultrapassou sem grandes sobressaltos a anexação da rda em poucos anos...

Não vou falar agora da Educação, e muito menos da situação dos deficientes e dos idosos... mas digo-lhe que a forma como a Sociedade e o Estado tratam os seus idosos, deficientes e crianças, se paga no futuro, ou transforma a SOCIEDADE EM VALORES MAIS HUMANOS E FRATERNOS, e aí sinceramente, creio estarem os SOCIALISTAS DE CORPO E ALMA...!

Um abraço, José Conceição
________________________________________
From: jjustino@epar.pt
To: jjustino@epar.pt
Subject: FW: Finalmente!
Date: Fri, 14 May 2010 11:31:47 +0100
Finalmente!

Alguns amigos meus, a maioria provavelmente, irá dizer que “me passei de vez”, pois este finalmente tem a ver com o saudar, que faço, das medidas de combate à crise, tomadas recentemente, em acordo entre o Governo/PS e o PSD, liderado por Passos Coelho.

Começava a ficar tarde.

É visível que o Governo procurou, enquanto pôde, encontrar soluções que permitissem combater a crise sem drama, até que viu Portugal envolvido na trama da alta finança americana no sentido de acabar com o euro e, claro, com a União Europeia, entidade supra nacional que é temida e detestada por quem entende que o Império Americano deve dominar a solo, o mais que puder.

E, note-se, é sabido que esta não é a opinião da maioria pensante americana, nem do governo Obama, mas continua a ter forte eco entre a alta finança dos EUA.

Aquela que na verdade está por detrás desta brutal crise mundial que, só agora, os portugueses começam a entender que existe realmente.

Não fora o ataque brutal contra o euro e à Grécia, a Espanha e a Portugal, (não é por acaso que não sucedeu o mesmo aquando da Irlanda…), e o governo português, assim como os restantes, continuariam com medidas de “panos quentinhos” e, possivelmente, até teriam encontrado um caminho suave de superação desta crise.

Foi o que o governo Socrates tentou, na certeza de que ajudou também bastante que os populistas tivessem sido derrotados no PSD.

De facto, sem Manuela Ferreira Leite e os seus seguidores, eurodeputados ou não, foi possível encontrar-se uma solução “de país”, para enfrentar a crise, que não teria acontecido caso os populistas à PSD tivessem ganho o Congresso do PSD.

Eu defendi um governo de salvação nacional logo a seguir às últimas eleições e, inclusivamente, durante as campanhas eleitorais….

Era já visível que seria vantajoso para o país que um governo à “Bloco Central”, (possivelmente, disse-o, mais alargado), surgisse das eleições, e tivesse por apoio parlamentar alargado, condições para avançar com medidas firmes, mas certamente menos duras que hoje foram tomadas, de combate à crise.

As fantochadas populistas que vivemos na comunicação social, no parlamento e até em algumas “ruas”, originaram impasses que agora nos fazem pagar bem mais caro os luxos que entendemos poder viver nos anos do cavaquistão e do guterrão…

Como sabemos a divida portuguesa tem uma responsabilidade a 75% das famílias e das empresas e a 25% do Estado…e resulta do facto de termos sido convencidos que éramos um “país rico”, ( o que não somos desde a destruição da nossa frota aquando da ocupação espanhola…), por quem fez da adesão à CEE não um projecto de desenvolvimento, como era o desejo de Mário Soares e Mota Pinto, mas um projecto de rápido enriquecimento à custa dos “dinheiros da CEE”…

Fomo-nos endividando sem regra, sem orientação, sem projecto.

E agora mostram-nos a conta e não queremos acreditar.

Teremos de acreditar!

Já tivemos de acreditar entre 1983 e 1985, onde a governação Mario Soares e Mota Pinto, que a assumiram com coragem de leaderes que eram, ( e Soares ainda é, lamentando eu que Mota Pinto já não esteja entre nós), e por termos empenhado o nosso esforço superámos a crise.

Teremos de o fazer outra vez.

Deixando de lado os populismos, que imaginam que se “os ricos pagarem a crise” nós não teremos de a pagar.

Ridículo raciocínio, pois escamoteia o facto de parte da dívida ser mesmo nossa, nas casas compradas, nas televisões compradas, nos electrodomésticos comprados, nos telemóveis comprados, nos carros comprados, com empréstimos que tiveram de ser suportados por empréstimos da banca na banca internacional.

A juros como sucede connosco e tendo de pagar como sucede connosco…

Há abusos?

Sem dúvida e os abusos não deveriam ter sido permitidos!

Gestores públicos, vivendo da aplicação dos nossos impostos a ganharem 4000 euros dia ?

Inaceitável!

Mas mesmo que os puséssemos no desemprego isso não resolveria a crise, goste ou não goste o sr prof. Anacleto Louçã….

Por razões morais a redução que foi imposta já deveria ter sucedido e, hoje, até deveria ser maior.

Ajuda, mas não resolve o problema, pois a dívida é mesmo nossa.

Devemos é questionar quem andou a impingir-nos a ideia de que somos ricos – Cavaco Silva.

E, digo-o, precisamente por eu ser socialista, António Guterres.

O primeiro com mais responsabilidades que o segundo, mas ambos com responsabilidades.

Mas não basta apontar para os políticos.

A comunicação social merece, tem de, ser questionada também.

Ela soube que o BCP quando integrou o BPA teve financiamentos da CEE para a formação profissional que se tivessem sido, como devia, usados para essa função, teriam posto os balcões, todos, BCP e BPA, fechados para cumprir toda aquela “formação”, durante um ano!

Que disse a comunicação social sobre o assunto?

Zero!

Era o cavaquistão em todo o seu esplendor!

Hoje vemos os dirigentes do BCP a terem de pagar entre 900 000 e 1 000 000 de euros. Parte deles foram dirigentes do PSD, e governantes do PSD, outra parte importantes apoiantes!

O que está escrito sobre tal na comunicação social?

Zero!

Ah se fossem do PS as páginas que encheriam….!

Mas hoje temos uma crise para resolver e que só pode sê-lo, juntos.

Finalmente há coragem para a enfrentar.

Façamo-lo!

Joffre Justino
(Director Pedagógico)
publicado por JoffreJustino às 09:30
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