Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

PS, O Grande Perdedor, PSD, O Pequeno Perdedor… E Um 4º Poder Partidarizado, no centro da tempestade

Não é o sectarismo partidário que me orienta neste texto, nem o gozo em o escrever. Na verdade, ao contrário de muitos, entendo o Centrão eleitoral como a expressão de uma larguíssima maioria de Pessoas em favor de uma essencial estabilidade, depois do fracasso Salazar caetanista e das convulsões sócio políticas de 1975, e como algo positivo portanto, em si, mesmo que desgastante.
E por tal, pela estabilidade que gerou, teve o Centrão, apesar dos imensos erros políticos que enquadrou, o seu papel.
Mas a actual crise, mundial, importada, e caseira, acentuou o seu fim.
PS e PSD perdem, nestas europeias, votos.
O primeiro, o PS, é o Grande Perdedor, sofrendo uma hecatombe só equivalente às eleições onde foi candidato a seu leader o dr Almeida Santos, o segundo, o PSD, perde entre um mínimo de 8959 votos e um máximo que poderá atingir pelo menos os 12 000, perdendo votos em todo o caso, mesmo que ficando em 1º lugar nesta liça eleitoral.
É certo que com esta perca mínima de votos pode o PSD acreditar que pode cantar vitória, porque foi, neste acto eleitoral, o partido mais votado.
Mas, se o fizer está a não entender que está, na verdade, a poder ver chegado o seu fim enquanto partido de referência, no caso à Direita.
De facto, um partido leader na Oposição, vivendo-se um momento de grave crise internacional e nacional, que não sobe no nº de votos, pelo contrário desce, deve atender ao mau augúrio destes resultados…
É claro que este “4º Poder” que se chama Comunicação Social, partidarizada que visivelmente está, se encarrega de escamotear o que é visível, mas que ele não pode deixar ver – a mudança no cenário político nacional – pois tal poria a nu o seu próprio fracasso…
Este “4º Poder” encarregou-se de fazer a Oposição que a Oposição não conseguia – usando da mais pura maledicência, da demagogia propagandística e, também, das sujas encenações que foram as sondagens eleitorais, para fazer o serviço sujo que cairia mal ao político oposicionista fazer…
Enfim, diga-se também que, no 1º round deste novo cenário, de qualquer forma, este “4º Poder” terá ganho. Resta é saber se o combate termina em 1 só round.
Ora, que realidade política temos hoje?
Antes do mais a fuga do eleitorado para as margens, sobretudo à Esquerda, mas também à Direita, porque o Bloco de Esquerda, o PCP mas também o CDS, é que são os reais ganhadores destas Europeias, já que a abstenção não conta para a liça eleitoral concreta.
Todos eles sobem em votos e em referência política junto do eleitorado.
De seguida, a realidade, institucional, de regime, de a Direita reconhecer a vantagem da Coligação para o Poder e de à Esquerda tal não acontecer, como já se viu, mais uma vez, nas recentes declarações do leaderes políticos do BE e do PCP.
O que significa que a Direita joga com vantagem, perante uma Esquerda que se recusa a aprender com a experiencia, positiva, da coligação dos Verdes Alemães com o SPD, e fecha os olhos à também hecatombe da Esquerda francesa, italiana e bretã destas Europeias.
Nos três primeiros exemplos é a esquerda radical que se recusa a aprender. No último caso, já é a esquerda reformadora, a facção ora dominante no PS, que parece querer também caminhar de olhos fechados.
Note-se que uns tantos à Esquerda, poucos infelizmente, defenderam a necessidade de se assumir pelo menos o mínimo – uma coligação de esquerda para Lisboa - mas nem isso parece possível, por recusa do BE e do PCP.
Contam estes, o BE e o PCP, ao que parece, ou com os sóis inexistentes, do Passado, ou com a infantilidade pura e simples para chegarem a um paraíso na Terra. Não vendo que o Berlusconi está aí, bem visível, e para quem queira ver, aí está o novo fascismo a caminhar, esse sim, na Terra.
O que resta?, (digo eu?),
Acreditar que a esquerda reformadora se renove a tempo das legislativas e das autárquicas e que, assim, o PS se reposicione de outra forma para as Legislativas e as Autárquicas.
Para isso necessitaria de,
1. Algumas Novas Caras
2. Muitas Novas Políticas
Explico,
1. Na Agricultura, na Economia, urgem novas caras, que apresentem uma visão de maior dinamismo e interesse pela sustentação do tecido económico em Portugal, (mesmo que o dito acima não seja uma critica às caras que representaram estas pastas na governação reformadora)
2. Na verdade, estas novas caras deverão motivar empresários, trabalhadores, agricultores, actores do 3º sector na economia, (o que não tem sucedido), pois tudo tem rodado nestes ministérios como se a economia fossem os próprios ministérios, o que de todo não é verdade
3. No Trabalho, na Educação e na Qualificação das Pessoas exigem-se mais medidas e mais expeditas, de combate ao Desemprego, de Promoção da Empregabilidade, (que parece andar morta e por aí, não sendo de todo verdade), de incentivo ao Associativismo económico, ao cooperativismo, ao 3º sector, mas também de medidas que façam da escola, publica ou privada, instrumentos de dinamização local e social gerando com as mesmas verdadeiras carreiras profissionais mais aliciantes que o mero acto de passar de professor a titular; ainda e sobretudo alargando a ideia da Qualificação, escolar e profissional, a um vasto nº de actores de entre os que hoje estão desempregados e de entre os que hoje dinamizam actividades de promoção da Empregabilidade nos mesmos; assumindo medidas de desburocratização das candidaturas aos projectos ao POPH, utilizando as candidaturas do ano passado por exemplo; finalmente, continuando a politica de dialogo e concertação social entre todos os Parceiros Sociais; note-se que, nas Finanças, urge que se entenda a real situação das Pessoas nesta Crise e que se apoie uma outra abertura orçamental para a mesma, centrada nas Pessoas
4. Na Defesa e na Administração Interna urge incentivar politicas reformadoras que integrem os dois ministérios, na vertente da Segurança das pessoas, abrindo este conceito para além do simples combate à criminalidade, como aliás em parte já sucede na problemática ambiental
5. Na Justiça sem dúvidas novas caras. Mais atenção aos Direitos dos Cidadãos, imposição de um maior respeito do 3º Poder ao Poder dos Cidadãos, não somente na Lei mas sobretudo na sua aplicação – os Casos envolvendo Crianças e a fuga de informação para uso partidário, ou a demora exagerada na assunção de resultados, como sucede já no caso FreePort, começam a ser por demais calamitosos e o 3º Poder, tal qual o 4º tem de ser chamado á pedra
6. Nos Negócios Estrangeiros é tempo de novas caras e de novas políticas – estas eleições, europeias, sucederam sem a presença activa e dinâmica deste ministério, o que é insuportável; mas sobretudo é necessária mais CPLP, mais Democracia na CPLP; mais participação na União Europeia, mais apoio aos emigrantes e sobretudo aos imigrantes e mais, muito mais Democracia e transparência na política externa. Entretanto, realço, o grande erro da esquerda Democrática foi ter temido o Referendo sobre a Constituição Europeia, diga-se
7. Finalmente a Esquerda reformadora tem de se abrir às restantes tendências socialistas e por isso, assentar na Cidadania para os Cidadãos! É tempo da esquerda reformadora começar a levantar temas efectivamente inovadores como a percepção da importância do 3º sector, o independente, o não religioso, ou a regulamentação das regras da Responsabilidade Social e da Ética Empresarial, ou claro a contenção dos poderes do “4º Poder”, hoje sem dúvida um Poder totalitário, centrado na Direita, servindo a Direita. Isto é, é tempo de exigir mais participação dos Cidadãos, política e social claro, mas também económica e mais, muito mais, transparência na Comunicação Social em Portugal, hoje vivendo sobretudo dos recibos verdes dos jovens estagiários que saltitam de redacção em redacção e se submetem, na escrita e na palavra, aos apetites sectários de dirigentes irresponsáveis!
8. O PSD terá baixado a sua votação em pelo menos sete dos 20 distritos eleitorais. Naqueles onde subiu, em 3 deles, pelo menos, a subida de votos não terá ultrapassado a centena. O que significa que em metade dos distritos eleitorais, pelo menos, o PSD perder significado, estando na Oposição
9. Já o CDS, o BE, e o PCP, as margens eleitorais do actual sistema politico, ganham expressão, o que aponta para um novo sistema eleitoral, baseado ou em coligações ou em acordos parlamentares pontuais, tal qual vivem parte importante dos países europeus. À Esquerda isto significa uma necessidade urgente de uma nova visão politica tanto da parte da esquerda reformadora quanto da parte da esquerda radical face à actividade parlamentar e governativa baseada em mais e muito mais dialogo e debate de ideias
10. Viver-se-á neste novo ciclo em clara instabilidade governativa, até considerando a forte possibilidade de uma coligação de direita a governar com um Parlamento maioritariamente de esquerda.
11. O Reformismo no PS colheu uma hecatombe eleitoral, o que exige uma reflexão atenta na esquerda democrática em Portugal. Aparentemente a aplicação de reformas terão de ser mais paulatinas, mais lentas, mais integradas com medidas positivas, e não ao ritmo acelerado destes últimos dois anos
12. Poderá ter acontecido o azar da conjugação entre a crise internacional, (gerando forte aumento do desemprego, que, como se viu esteve também na origem da perca de votos do PS), e os impactos negativos dos movimentos reformistas – na Saúde, na Justiça, na Educação, na administração publica – o que relevou o aspecto negativo existente sempre em qualquer reforma. Mas não creio que tal tenha sido a razão central da hecatombe. Visivelmente este governo não soube contar com a Cidadania e os Cidadãos que poderiam estar com ele, apoiá-lo, incentivá-lo, mesmo que o criticando pontualmente.
13. Não houve, neste governo, o cuidado em integrar os movimentos reformistas com medidas de visível melhoria das condições de vida das populações, nem com medidas positivas capazes de reforçar o élan dos envolvidos nas reformas, mas sobretudo, não soube este governo abrir espaços de diálogo para fora do cenário da administração publica, para o 3º sector, para os cooperativistas, para os e as empreendedoras efectivas, que estão para alem dos que hoje se sentam na Concertação Social.
14. Mas vai a tempo de mudar de rumo e se mudar o PS poderá recuperar a sua posição de partido maioritário no cenário politico, mesmo que já não consiga uma maioria absoluta, coisa que visivelmente o eleitorado já desistiu de dar seja a quem for, á Direita ou á Esquerda. E se tal acontecer o governo que vier, socialista, terá de aprender a comunicar e conviver com a esquerda radical. Tal será, de todo, essencial, goste-se ou não.
15. Perante o que escrevi deixo já, a quem me lê, um Apelo de Cidadania – a criação de um Grupo de Cidadãos contra a mentira e a demagogia na Comunicação Social e contra a paralisação e fuga de informação no 3º Poder. Temos de ser activos e inflexíveis perante o abuso e tal é mesmo Urgente!

joffre justino
publicado por JoffreJustino às 16:24
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